2.2 Techniques du laboratoire
2.2.2 Microscopie à force atomique (AFM)
Tomadas as decisões, selecionámos duas instituições que se inseriam nos critérios previamente definidos, fizemos contato direto com os diretores e/ou coordenadores pedagógicos, explicitámos os objetivos e as implicações da pesquisa e, a partir daí, a viabilidade do estudo foi analisada e autorizada pelos responsáveis das instituições (Anexo V).
Assim, o nosso contexto empírico constituiu-se por duas creches que passaremos a designar por Centro Educativo (CE) e Centro Socioeducativo (CSE), ambas situadas na área metropolitana de Lisboa, com as seguintes particularidades:
(1) O Centro Educativo é uma Instituição Particular Sem Fins Lucrativos, abrangendo uma população com nível socioeconómico médio, médio-alto. Tem condições para atender crianças desde os 4 meses até aos 6 anos, com capacidade para receber dezoito crianças na creche, distribuídas por duas salas - uma sala de “berçário” para crianças com idades compreendidas entre os 4 meses e os 24 meses, e outra para crianças dos 18 meses aos 36 meses. Os profissionais responsáveis por estas duas salas de creche são quatro - uma educadora de infância responsável pelas duas salas e pela coordenação da instituição, e três auxiliares de ação educativa.
(2) O Centro Socioeducativo é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, que recebe uma população com nível socioeconómico médio, médio-baixo e baixo, com capacidade para atender crianças desde os 4 meses até aos 6 anos. Tem, também, um centro de dia para idosos. A creche tem capacidade para atender cinquenta crianças, distribuídas por quatro salas - berçário para crianças dos 4 meses até a aquisição da marcha; uma sala parque para crianças dos 12 aos 24 meses; e duas salas para crianças dos 24 aos 36 meses. A equipa pedagógica compõe-se por uma diretora técnica, uma coordenadora pedagógica, quatro educadoras de infância, distribuídas pelas quatro salas, e duas auxiliares de ação educativa por sala, perfazendo um total de oito auxiliares.
Já no terreno de investigação, tivemos em consideração o quadro conceptual que nos orientou para o que desejávamos compreender, particularmente a estrutura organizacional, o ambiente físico e relacional destes contextos, tendo em conta, nomeadamente, as formas de gestão e resolução de conflitos, modo de participação, tomadas de decisões e o sentido de comunidade. No entanto, estivemos também atentos para outros aspetos que pudessem emergir do terreno empírico e que desejávamos conhecer e incluir no quadro conceptual previamente delineado.
Permanecemos nas duas instituições em tempos diferentes: no CE, de Novembro de 2010 a Junho 2011. Nesta instituição foi colocada a condição, ainda durante o período de solicitação de autorização, que a nossa presença fosse de apenas um dia por semana e, por esta razão, acordámos que a recolha das informações ocorreria às segundas-feiras. No entanto, foi acordado com a coordenadora pedagógica, a possibilidade de estarmos, pontualmente, presentes também em outros dias da semana; no CSE estivemos presentes de Dezembro de 2010 a Junho 2011, habitualmente às terças e quartas-feiras. Em ambas as instituições procurámos que a nossa presença tivesse lugar em diferentes momentos do dia (manhãs e tardes), tais como acolhimento, atividades em sala, atividades extracurriculares, reuniões individuais com as famílias, reuniões de grupo, reuniões de equipa, festas e convívios com as famílias e equipa, períodos de intervalo, auditorias do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, entre outros.
Procurámos, ao longo do período de observação e recolha de informações, que a nossa presença fosse o mais discreta possível e não participativa, embora em alguns momentos a interação com os
bebés e crianças tenha sido inevitável. Contudo, e apesar disto, tentámos minimizar, o mais possível, qualquer perturbação decorrente da nossa presença.
Assim, verificámos que a nossa presença, depois da estranheza inicial, passou a ser encarada com maior agrado e naturalidade à medida que o tempo foi passando. Por outro lado, fomos sentindo uma maior aproximação dos participantes, sobretudo depois das entrevistas terem ocorrido. Este sentimento foi-se confirmando à medida que os profissionais iam referindo a satisfação e a motivação que sentiam após as entrevistas, como serve de exemplo a afirmação da coordenadora pedagógica do CSE, entrevistada já na fase final do estudo empírico:
Obrigada por nos ter brindado com este seu estudo; eu acho que isto para nós ajuda-nos a refletir e a pensar em muita coisa, e ajuda-nos também a perceber, com um olhar de fora, o que está melhor e o que está menos bem. (ED/CP 1, p.22)
Consideramos que esta afirmação reflete o modo como a nossa presença enquanto investigadores pode ter contribuído para uma possível (trans)formação das práticas profissionais e para uma valorização das pessoas, mesmo sem termos aconselhado, orientado ou manifestado qualquer opinião. Pensamos que a nossa presença e as questões que iam sendo colocadas podem ter estimulado uma reflexão e maior consciencialização das questões de qualidade dos contextos educativos.
5.2 - Procedimentos de recolha de informações
A conjunção dos objetivos de investigação e o enquadramento dos procedimentos de análise, constituíram uma referência fundamental no planeamento de todo o trabalho empírico. Assim, da conjugação de diferentes métodos - observação, entrevista e análise documental - resultaram observações sustentadas por procedimentos de triangulação que tinham como principal objetivo alcançar a confirmação necessária para justificar as inferências realizadas.
Esta procura, tanto de rigor como de informações válidas, é também referida por Stake (2009) como uma obrigação ética do investigador em estudos de caso, para minimizar deturpações e equívocos. Para isto, são necessários “certos protocolos ou procedimentos de triangulação que tanto os investigadores como os leitores esperam, esforços que vão para além da simples repetição da recolha dos dados até um esforço de reflexão para encontrar a validade dos dados observados" (Stake, 2009, p.122).
Assim, a nossa intenção por reunir informações provenientes de diferentes fontes resulta do interesse e responsabilidade por "tornar o processo tão explícito quanto possível, para que os resultados finais - os dados coletados - reflitam a preocupação com a validade do constructo e com a confiabilidade" (Yin, 2010, p.152).
Neste sentido, para recolher e analisar as informações provenientes do campo empírico foram adotados os seguintes procedimentos:
(1) No registo das observações, que foram sendo feitas com recurso a notas de campo, fomos descrevendo acontecimentos, pessoas, objetos, lugares, atividades e conversas que observámos e que nos fizeram refletir. Quisemos, assim, seguir de perto diferentes acontecimentos "com a esperança de