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2.2.2.4 Microprogramming- The ROM resident microprogram controls all operations in the display
Buscando um efeito prático da comunicação social por meios digitais na vida do indivíduo, pensamos que, agora, as pessoas saem menos de seus lugares geográficos para atividades que antes necessariamente tinham que acontecer presencialmente. Não encontramos um estudo que comprove a percepção, mas as evidências nos fazem pensar que muito provavelmente é isso que acontece. A possibilidade de comunicação digital faz com que as pessoas se locomovam menos, usem menos o espaço público urbano e “transitem” mais pelo ciberespaço.
Podemos começar buscando exemplos do mundo profissional. Muitas empresas equipam suas salas com dispositivos audiovisuais que permitem a realização de reuniões em tempo real entre pessoas através de uma conferência via vídeo. A prática também é aplicada em cursos de ensino à distância, onde apenas um professor pode dar aula para centenas, talvez milhares de alunos, que estão em diferentes localidades, também em tempo simultâneo. O serviço de comunicação através de voz e vídeo em tempo real já nem podem ser considerados novos. O Skype, que é um dos mais populares softwares de comunicação por voz e vídeo via internet, iniciou suas atividades em 2003. Os exemplos seguem com o Google
Hangout, ou o serviço que funciona nos dispositivos da Apple, o Facetime, todos
utilizados para ligações de vídeo via internet.
Além da utilização profissional, isto é, voltada para práticas mercadológicas, podemos pensar no plano de convivência social e entretenimento. Também buscamos e encontramos esse tipo de satisfação no mundo digital e certamente, inúmeras vezes, deixamos de sair às ruas por isso. Comunicar é também uma forma de lazer, uma atividade que se faz em um momento de ócio no cotidiano:
A comunicação pode ser, como nas conversas sem razão de ser de todo dia, um ato em si: conversar por conversar, para estar junto, para passar o tempo, para dividir um sentimento, uma emoção, um momento, um pequeno nada de cada dia. Comunicar por comunicar. (MAFFESOLI, 2003, p.17).
Lembremos das já saudosas (mas ainda ativas) salas de bate papo online, que abrigam grupos de pessoas em um ambiente digitalizado que faz referência metafórica à uma sala onde a conversa flui livremente. Linguagem verbal e por imagens são postadas, é possível interagir, entrar e sair. Na mesma lógica seguem diversos outros exemplos de aplicações e softwares que permitem diferentes tipos de relação não profissional, inclusive com aspectos sexuais, que certamente faz com
que as pessoas se satisfaçam sem que precisem se locomover fisicamente. Agora, se pensarmos em tudo que pode ser feito via internet e que antes precisava ser feito pessoalmente, deparamo-nos com uma lista relativamente grande. Multiplicar isso pela população virtualmente ativa de um local, isto é, que acessa a internet com frequência, nos ajuda a entender que o efeito desses fenômenos no tráfego de uma cidade pode ser realmente grande. E por que pensamos no efeito sobre a cidade? Pois:
A principal forma de organização social sobre o território são as cidades. O ambiente urbano é organizado de maneira a atender as necessidades diárias de seus habitantes e, atualmente, o papel da informação na urbanidade que toma conta do espaço processa o meio externo ao Homem, porém produzido como extensor das relações sociais, as funções dos elementos da comunicação recriam o espaço geográfico. (GERTEL, 1993, p. 18.).
Se estamos falando de locomoção, estamos falando em deslocamento físico num intervalo de território. O espaço, contudo, não é o único a ser transposto facilmente quando se utiliza uma tecnologia de comunicação digital para realizar uma função que poderia ser feita presencialmente, mas também o tempo é reduzido a quase zero. A locomoção de um ponto para outro numa cidade populosa pode ser algo penoso e demorado, com o trânsito provocado por excesso de veículos e a lotação dos transportes públicos. No meio digital isso simplesmente não existe. Há também os riscos habituais que uma cidade oferece, como acidentes, assaltos e afins. Vemos então que, comparando a mesma atividade no mundo físico e no ciberespaço, há uma diminuição drástica dos elementos negativos que podem atingir os transeuntes do espaço público urbano tradicional, diante das possibilidades do ciberespaço.
Como se não fosse suficiente, ao economizar tempo e distância de deslocamento, se economiza dinheiro, uma outra grande influência social trazida pela comunicação mediada por computadores. Menos pessoas circulando na rua significa menos dinheiro circulando também. De uma forma ou de outra, esse dinheiro também passa a circular pela internet. Basta olhar para os números crescentes de faturamento do comércio eletrônico ano após ano. Sobre o tecido social formado por questões da relação entre espaço e tempo, realidade e digitalidade, comunicação e informação, Schwingeldisserta que:
Para as teorias sociais clássicas, o tempo domina o espaço, o que condiz com a afirmação de Lemos (1996) de que o espaço deixa de existir em função do tempo real no ciberespaço. No entanto, Castelss, ao analisar a nova lógica espacial de uma sociedade global e informacional em que os fatores econômicos poderão “ser reduzidos à geração de conhecimento e a fluxos de informação” (Castells 1999:405) afirma que na sociedade em rede é o espaço que organiza o tempo. (SCHWINGEL, 2004, p. 45)
Em outras palavras, na lógica espacial contemporânea, que envolve a conexão por redes de comunicação, o tempo parece ser mais influenciado pelo espaço do que o contrário. Deduzimos assim, que, se uma atividade é oferecida em uma versão online de si mesma, independente de qual for, há fatores importantes que podem fazer com que o indivíduo que tem acesso à rede prefira ficar em casa e realizá-la online. Os efeitos dessa opção são variados e numerosos, mas há um deles que nos parece óbvio e anterior aos demais: são menos pessoas circulando pelos espaços públicos urbanos, ou pelo menos, com uma frequência menor.