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POUR LE MEXIQUE:

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No processo de pesquisa, fomos percebendo que “o método vai se fazendo no acompanhamento dos movimentos das subjetividades e dos territórios” (KASTRUP; BARROS, 2010, p. 76). Acompanhar tais processos nos fez lançar mão de alguns instrumentos de produção de dados. Tais instrumentos podem ser identificados de duas maneiras: a) no primeiro grupo, um conjunto de documentos produzidos pelos professores do CEFD/UFES (PPCs, planos de ensino, materiais didáticos, currículos vitae dos professores, quadro de oferta de disciplinas, atas de reunião de departamentos, documentos referentes aos concursos públicos); b) no segundo grupo, os instrumentos produzidos por nós (entrevistas e diários de campo).

A seguir, abordamos os instrumentos de produção de dados acessados e praticados na construção do nosso campo de investigação.

Documentos produzidos pelos professores

Constam neste grupo de documentos os Projetos Pedagógicos de Curso (PPCs), os planos de ensino das quatro disciplinas acompanhadas, os materiais didáticos produzidos e utilizados pelos professores dessas disciplinas, os currículos vitae de todos os professores do CEFD/UFES, os quadros de oferta de disciplinas, as atas de reunião de departamentos e documentos referentes aos concursos públicos. Dessa forma, esse conjunto de documentos possibilitou a construção de uma análise documental em que nos debruçamos, especificamente, sobre as condições de possibilidade para as presenças e ênfases dadas ao tema da saúde nos currículos de formação do CEFD/UFES.

Como já dissemos anteriormente, os PPCs foram os primeiros documentos que acessamos ao entrarmos em contato com o campo empírico. A partir dos documentos acessados, pudemos produzir um recorte das reformas curriculares que ocorreram no CEFD/UFES no período de 1991 até 2016. Foram duas reformas e três ajustes curriculares no curso de licenciatura e a construção do curso de bacharelado. A partir desses documentos, obtivemos

acesso a informações sobre disciplinas ofertadas e narrativas sobre o tema da saúde em cada período de reforma/ajuste curricular. De forma auxiliar, também obtivemos acesso aos quadros de oferta de disciplinas nos quais pudemos observar como o tema da saúde esteve presente e as ênfases dadas a ele a partir das disciplinas optativas.

Outro conjunto de documentos são aqueles produzidos pelos professores das quatro disciplinas que acompanhamos. Nesse conjunto, encontram-se os planos de ensino e os materiais didáticos produzidos e utilizados. Tais documentos nos possibilitam produzir informações de como, no cotidiano das práticas curriculares dessas disciplinas, o tema da saúde passa a receber determinadas ênfases.

Um terceiro conjunto de documentos nos foi útil na produção de um quadro referente às presenças e ênfases do tema da saúde a partir do perfil de formação dos professores e dos concursos públicos que indicam qual perfil docente passa a ser perpetrado nos departamentos do CEFD/UFES. Esses documentos são os currículos vitae dos professores, que foram acessados na Plataforma Lattes, e as atas/editais referentes aos concursos públicos.

Os documentos produzidos pelos professores do CEFD/UFES nos fornecem elementos para produzirmos dados sobre as condições de possibilidades para a visualização das presenças e ênfases dadas ao tema da saúde nos currículos de formação em Educação Física dessa instituição no período do recorte temporal por nós operado. Contudo, compreendemos que somente esses conjuntos de documentos careciam de outros instrumentos para produzirem-se informações mais rebuscadas com relação ao nosso objeto de investigação. É nesse sentido que, na sequência, apresentamos dois instrumentos que utilizamos para a produção dos dados em nosso campo de investigação.

Entrevista semiestruturada

Como já indicado no sub tópico anterior, houve dois momentos específicos em que foi empregado o instrumento da entrevista. Quando buscamos tratar a entrevista como um instrumento de intervenção em vez de simples coleta de dados (TEDESCO; SADE; CALIMAN, 2013), adotamos a postura de não apenas aplicar algumas perguntas para obtermos determinadas respostas. Entendíamos que não estávamos ali apenas para fazer perguntas, mas a nossa presença, o encontro estabelecido, as questões iniciais compartilhadas conferiam uma espécie de intervenção com o entrevistado. De certa forma, pensávamos que, a depender da

potencialidade do encontro, poderíamos produzir distintos diálogos com variadas informações. Nesse sentido, procuramos mais ouvir e deixar os professores à vontade do que tentar fazê-los responder à risca o que colocávamos como questões iniciais. Ademais, nos dois momentos em que empregamos a entrevista o fizemos de forma individual. Uma vez marcada a data da realização da entrevista semiestruturada, realizamo-la mediante a gravação de áudio. Em primeiro lugar apresentávamos as questões pelas quais discorreríamos a entrevista semiestruturada e, em seguida, perguntávamos se havia alguma outra questão que deveria ser incluída ou excluída. Após a entrevista, os áudios eram transcritos na íntegra. Frisamos que tivemos o cuidado de retornar à transcrição para a conferência do(a) professor(a) com qual havíamos realizado a entrevista semiestruturada.

No quadro a seguir indicamos outras informações sobre as entrevistas:

Quadro 6 – Informações sobre as entrevistas

Grupo Professor(a) Áudio/Tempo Data da entrevista

1º momento

Professora 1 Áudio 1 – 7min. e 53seg.

Áudio 2 – 1h. 44min. e 12seg. 06/04/2017

Professor 2 Áudio 1 – 1min. e 46seg.

Áudio 2 – 57min. e 08seg 03/04/2017

Professora 3 Áudio 1 – 3min. e 22seg. Áudio 2 – 43min. e 57seg 11/05/2017

Professora 4 Áudio 1 – 34min. e 11seg. 18/04/2017

Professora 5

Áudio 1 – 48seg.

Áudio 2 – 14min. e 55seg.

Áudio 3 – 11min. e 42seg. 18/05/2017

Professor 6 Áudio 1 – 59seg. Áudio 2 – 42min. e 59seg. 31/05/2017

Professor 7 Áudio 1 – 1min. e 18seg.

Áudio 2 – 43min. e 06seg. 13/06/2017

2º momento

Professor 8 Áudio 1 – 2min. e 25seg.

Áudio 2 – 1h. 1min. e 58seg. 07/08/2017

Professor 9 Áudio 1 – 1min. e 11seg. Áudio 2 – 38min. e 38seg. 09/08/2017

Professor 10 Áudio 1 – 1min. e 40seg. Áudio 2 – 35min. e 58seg. 03/08/2017

Fonte: Arquivos de pesquisa

No primeiro grupo de entrevistados, as entrevistas semiestruturadas foram balizadas inicialmente por três grandes questões: 1) o envolvimento com discussões nos currículos do CEFD/UFES (licenciatura e bacharelado); 2) como se dava a presença, ênfases,

desenvolvimento do tema da saúde, suas tensões/jogos de força; 3) compreensão(ões) conceitual(is) que se tinha sobre a saúde (APÊNDICE IV). Esse esquema aqui expresso didaticamente nem sempre acabou sendo seguido linearmente ou literalmente, até pelo fato de a própria história/memória trazida pelo(a) professor(a) constar de singularidades que fugiam a essas grandes questões. No segundo grupo de professores entrevistados, além das questões anteriores, também foram abordadas questões sobre a disciplina ministrada como a produção do plano de ensino, a ligação da disciplina com a discussão da saúde e o lugar que ela ocupa no curso (de licenciatura ou bacharelado) (APÊNDICE V).

Diário de campo

Necessitávamos de um instrumento ao acompanhar as disciplinas para produzir nosso campo de investigação. Apenas a observação participante não daria conta de tal efeito. Como exposto no tópico anterior, em cada disciplina, produzimos um conjunto de diários de campo. Após a participação nas aulas, sempre procurava escrever relatando as mesmas. O diário produzido fora estruturado em três campos de registro. No primeiro campo, redigia a descrição dos acontecimentos da aula. No segundo, expressava minhas sensações ante a esses acontecimentos. O terceiro campo foi separado para anotações de referências bibliográficas que pudessem corroborar aproximações analíticas com os fenômenos percebidos. Essa forma de produção dos diários possibilitou, não apenas registrar aquilo que pesquisávamos, mas o próprio processo de nosso ato de pesquisar (BARROS; PASSOS, 2010).

Destaca-se que, na produção dos diários de campo, foram emergindo saturações do campo com a repetição dos eventos observados e registrados o que nos indicou que os mesmos foram cumprindo seu objetivo. E o objetivo não era apenas fazer um “relatório de aula”, mas de produzir elementos que indicassem pistas do acompanhamento das presenças e ênfases dadas ao tema da saúde no cotidiano das aulas.

Os instrumentos produzidos forneceram elementos para produção de dados que foram analisados de distintas maneiras, uma vez que, no processo da investigação, fomos galgando novas ferramentas de análise. A seguir comentamos sobre essa questão.

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