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Chapter 3: Experimental contribution

3.1. Experiment 1: Action co-representation and the sense of vicarious agency: comparing human

3.1.2. Method

A análise das consoantes oclusivas surdas foi realizada a partir da observação das regiões de VOT e de suas etiquetagens. Essa análise nos permitiu verificar a presença de oclusivas surdas aspiradas e não aspiradas, como as apresentadas nas figuras a seguir.

Na Figura 10 (a) e (b), é apresentado um exemplar de uma oclusiva bilabial surda não aspirada em (a) e levemente aspirada em (b)5.

5 Usamos o símbolo [ʼ] para indicar as consoantes levemente aspiradas e o símbolo [ʰ] para indicar as oclusivas

(a) (b)

Figura 10. Forma de onda e espectrograma da consoante oclusiva bilabial surda nas palavras: (a) de[p]ois e (b) [pʼ]ois, produzidas por um informante do sexo masculino com idade acima de 50 anos.

Na Figura 10, as setas estão indicando as regiões de VOT que correspondem a valores de consoantes: não aspirada [p] (16,02ms) (Figura 10(a)) e levemente aspirada [pʼ](44,64 ms) (Figura 10(b)). Esses valores estão dentro das faixas de VOT de oclusivas consideradas sem aspiração e levemente aspiradas, respectivamente, conforme Tabelas 1 e 2, anteriormente apresentadas.

Na Figura 11, pode ser visto um exemplar de uma oclusiva dental-alveolar surda não aspirada em (a) e levemente aspirada em (b).

(a) (b)

Figura 11. Forma de onda e espectrograma da consoante oclusiva dental-alveolar surda nas palavras: (a) api[t]ar e (b) quaren[tʼ]a, produzidas por um informante do sexo masculino com idade entre 25 e 50 anos.

Na Figura 11, as setas indicam as regiões de VOT que correspondem a valores de consoantes: não aspirada [t] (19,19 ms) (Figura 11(a)) e levemente aspirada [tʼ] (47,79 ms) (Figura 11(b)), conforme valores mostrados nas Tabelas 1 e 2.

Na Figura 12, é exibido um exemplar de uma oclusiva velar surda não aspirada em (a) e levemente aspirada em (b).

(a) (b)

Figura 12. Forma de onda e espectrograma da consoante oclusiva velar surda nas palavras: (a) [k]air e (b) es[kʼ]ola, produzidas por um informante do sexo masculino com idade acima de 50 anos.

Na Figura 11, as setas identificam as regiões de VOT que correspondem a valores de consoantes: não aspirada [k] (28,63 ms) (Figura 12 (a)) e levemente aspirada [kʼ] (48,96 ms) (Figura 12 (b)), conforme Tabelas 1 e 2. A partir dessas análises, obtivemos os valores médios de VOT das oclusivas surdas produzidas pelos sujeitos em análise. Na Tabela 7, são exibidos esses valores médios.

Tabela 7. Valores médios de VOT (em ms), obtidos a partir das etiquetagens da região de VOT das consoantes oclusivas surdas em estudo, em função do sexo e da faixa etária.

Sexo [p] [pʼ] [t] [tʼ] [th] [k] [kʼ] [kh] Masculino 19,96 42,45 25,89 43,80 72,29 28,92 45,95 70,21 Feminino 20,88 - 24,66 44,26 72,20 22,35 46,62 75,21 Faixa etária 25-50 anos 20,83 41,34 24,45 43,87 70,73 22,18 46,87 76,83 Mais de 50 anos 19,87 44,64 26,48 44.05 74,68 29,28 45,54 67,22

Pela Tabela 7, é possível verificar a presença de consoantes oclusivas surdas sem aspiração para os três pontos de articulação, tanto na produção de homens quanto de mulheres e nas duas faixas de idade. Percebe-se, no entanto, que, para as bilabiais, também ocorrem valores de VOT que se encontram na faixa esperada para oclusivas levemente aspiradas. Essas produções foram observadas somente para os homens. Nota-se que, para as dentais-alveolares e velares, além da produção sem aspiração, foram produzidas oclusivas levemente aspiradas.

Na Tabela 8, apresentamos os percentuais de ocorrência de cada uma dessas produções em função do sexo e da faixa de idade.

Tabela 8. Percentual de ocorrência das diferentes produções observadas nos dados analisados em função do sexo e da faixa etária dos locutores.

Sexo [p] [pʼ] [t] [tʼ] [th] [ts]/[tʃ] [k] [kʼ] [kh] Masculino 91% 9% 46% 31% 17% 6% 49% 38% 13% Feminino 100 % - 60% 20% 13% 7% 34% 51% 15% Faixa etária 25-50 anos 96% 4% 45% 32% 17% 5% 33% 51% 16% Mais de 50 anos 95% 5% 58% 21% 14% 7% 51% 37% 12%

A Tabela 8 nos mostra que as oclusivas bilabiais surdas distribuem-se como: não aspiradas e levemente aspiradas somente para os homens. Todas as oclusivas bilabiais surdas foram produzidas pelas mulheres sem aspiração. As oclusivas dentais-alveolares surdas se distribuem como: não aspiradas, levemente aspiradas e aspiradas. No entanto, ainda apresentam

um percentual mais elevado de não aspiradas, tanto considerando o sexo quanto a idade. Foram também encontradas consoantes aspiradas (VOT acima de 55 ms) (em torno de 15%) e consoantes palatizadas ([ts] ou [tʃ]) (em torno de 5%). As oclusivas velares surdas se distribuem em: não aspiradas, levemente aspiradas e aspiradas, como acontece com as dentais-alveolares. Porém, no caso das velares, para o sexo feminino e para falantes com mais de 50 anos, o percentual é maior de oclusivas levemente aspiradas, apresentando também um percentual em torno de 15% para as aspiradas.

A palatização das oclusivas dentais-alveolares apresentou-se de forma diferenciada para as duas faixas etárias. Para os mais jovens (25-50 anos), a palatização aconteceu em contexto de vogal alta anterior seguindo a consoante oclusiva, conforme exemplo mostrado na Figura 13 (a). No caso dos mais velhos (mais de 50 anos), a palatização ocorreu quando a oclusiva era antecedida por uma semivogal alta anterior, como mostra o exemplo na Figura 13 (b).

(a) (b)

Figura 13. Forma de onda e espectrograma, em (a), da palavra [tʃ]inha produzida por um locutor na faixa etária entre 25 e 50 anos e, em (b), da palavra mui[tʃ]o, produzida por um locutor com mais de 50 anos.

Passemos agora às primeiras respostas das questões de pesquisa relacionadas à produção de consoantes oclusivas.

Primeiras respostas referentes à produção de oclusivas surdas

1. Temos consoantes oclusivas surdas aspiradas na variedade dialetal florianopolitana?

Sim, temos. As oclusivas bilabiais apresentam-se apenas como levemente aspiradas, enquanto as dentais-alveolares e as velares apresentam-se tanto como levemente aspiradas, quanto como aspiradas.

2. Respondendo afirmativamente à pergunta anterior, quais das três consoantes oclusivas apresentam maior percentual do fenômeno de aspiração?

As oclusivas dentais-alveolares surdas exibem comportamento variado em função da idade dos sujeitos: os mais velhos apresentam percentual mais alto de oclusivas aspiradas (quer levemente ou aspiradas) (49%) quando comparados com os mais jovens que, apesar de produzirem oclusivas levemente aspiradas e aspiradas, apresentam percentual mais alto de dentais-alveolares não aspiradas (58%). As oclusivas velares surdas também mostram comportamento diferenciado entre as faixas de idade. Para os mais velhos, ocorrem mais aspiradas (levemente ou aspiradas) (67%), enquanto, para os mais jovens, o percentual de não aspiradas e aspiradas é de 50% para cada tipo de produção (não parecendo haver uma tendência). As diferenças também são em função do sexo. Nas oclusivas velares, são as mulheres que mais apresentam o fenômeno da aspiração (51% levemente aspiradas e 15% de aspiradas), perfazendo um total de 66%.

3. E temos o fenômeno da palatização? Em caso afirmativo, qual a sua frequência?

Sim, ocorre a palatização da oclusiva dental-alveolar (ao menos das não-vozeadas) em torno de 6% dos dados. E as africadas produzidas nos dados foram [ts] e [tʃ].

4. Que fatores sociais estariam condicionando tanto a presença de consoantes aspiradas quanto a palatização?

Tanto a faixa de idade quanto o sexo apresentam comportamentos diferenciados como vimos anteriormente. Para uma resposta mais contundente a esta questão de pesquisa,

necessitamos aumentar o número de dados analisados.