4 MESURES DE REMBOURSEMENT DES BANDELETTES AU CANADA ET DANS D’AUTRES PAYS
4.3.2 Mesures de remboursement des bandelettes dans d’autres pays
O primeiro termo para designar o uso de animais para fins terapêuticos foi empregado por Boris Levinson, em 1964. Definido inicialmente como pet therapy, logo em seguida o psiquiatra infantil adotou o termo pet psychotherapy3, delimitando a área
de atuação do método para a psicologia (AUTHAUSEN, 2006).
Essas expressões, porém, não designavam as terapias com clareza, pois o termo Pet4, de origem anglo-saxônica, remete a animais de estimação como
substantivo, bem como aos verbos acariciar ou afagar. Traduzido para o português como “Terapia de Animais de Estimação”, poderia dar a falsa ideia de que os pacientes são os próprios animais envolvidos (GARCIA, 2009; VIVALDINI, 2011).
Dada esta primeira ambiguidade, o termo também poderia excluir as terapias com animais de fazenda ou até mesmo animais exóticos, como répteis e grandes aves. Outra possibilidade de equívoco poderia ocorrer ao referenciar tanto as atividades terapêuticas realizadas por profissionais com seus pacientes, quanto programas de visitas a instituições. (AUTHAUSEN, 2006; BARROS, 2008).
Segundo Dotti (2014), foram desenvolvidas diversas nomenclaturas para conceituar as terapias com animais entre 1964 e a década de 80, possibilitando ainda mais confusões entre profissionais, voluntários e pacientes. Garcia (2009) destaca, que a confusão era mais acentuada no meio científico dada a abrangência de ramos profissionais que atuavam empregando os animais em seus tratamentos. À exemplo, um dos termos mais comumente utilizados, a Zooterapia, pode remeter ao uso de químicos provenientes de animais ou insetos, dos seus corpos ou parte deles para fins medicinais.
A Figura 13 apresenta as terminologias que fizeram parte da evolução do método e ainda são utilizadas de forma errônea pela mídia e diversos profissionais.
Figura 13 - Denominações utilizadas para a TAA Fonte: VIVALDINI (2011)
4 Pet: Como substantivo, pode ser entendido por um animal que a pessoa possui em casa por prazer, ao invés de mantê-lo por força de trabalho ou alimento; Como verbo, compreende-se como tocar ou afagar um animal ou uma criança - sinônimo de stroke. (HORNBY, 2010)
Criada em 1977, a Delta Society é uma organização internacional sem fins lucrativos, que busca melhorar a saúde humana, promover sua independência e auxiliar no aumento da qualidade de vida com a ajuda dos animais. Segundo Dotti (2014), ao perceber a necessidade de padronizar os termos que designassem corretamente as atividades a serem exercidas, a organização as desenvolve e regulamenta, em 1996, padronizando seu uso mundialmente.
A Atividade Assistida por Animais (AAA) consiste na visitação, distração e recreação das pessoas a partir do contato com os animais. São ações desenvolvidas por voluntários que levam seus animais – ou de terceiros – às instituições, acompanhados ou não por profissionais treinados. As atividades possuem caráter esporádico ou semanal, sem envolver metodologia ou analisar os pacientes envolvidos, mas com o objetivo de desenvolver um relacionamento inicial, entreter, motivar e proporcionar uma melhora na qualidade de vida (DOTTI, 2014).
A Terapia Assistida por Animais (TAA), por sua vez, é uma intervenção dirigida que envolve profissionais multidisciplinares na área da Saúde, atuando com pacientes portadores de deficiências físicas, mentais ou genéticas; na área da Educação, para pessoas com dificuldade de aprendizado ou não; e/ou na área Social, tratando aqueles com distúrbios comportamentais ou que sofram de estresse. São fisioterapeutas, pedagogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, médicos veterinários, psiquiatras, professores, adestradores, outros profissionais e voluntários que comportam as equipes terapêuticas, de acordo com os objetivos e necessidades do público-alvo (VIEIRA, 2013). Utilizando-se dos animais como parte do tratamento, a TAA possui o acompanhamento do proprietário ou condutor e tem como objetivo claro e específico promover a “saúde física, social, emocional e/ou funções cognitivas” (DOTTI, 2014, e-book).
O animal torna-se parte integral do tratamento do paciente, pois o vínculo afetivo estabelecido entre ambos é o primeiro passo para a concretização da terapia, permitindo gradativamente a atuação plena do profissional. As sessões, geralmente com intervalos definidos, podem ser desenvolvidas individualmente ou em grupos de pacientes, sendo que ambas as formas são detalhadamente documentadas e os progressos são avaliados a fim de se atingir os objetivos propostos pelo programa. (SILVA, J., 2011; DOTTI, 2014).
Com o regulamento das terminologias citadas, a Delta Society desenvolveu procedimentos, padrões de habilidades e de comportamentos e iniciou programas de certificação de voluntários – humanos e cães – para trabalhar com AAA e TAA. Em 2004, os Estados Unidos contavam com 6.400 grupos atuando em todo o território e em mais quatro países, além de 14.000 cães voluntários trabalhando e ajudando cerca de 1 milhão de pessoas (DOTTI, 2014).
Na Tabela 3 são apresentados semelhanças e diferenças entre a natureza e o processo da AAA e TAA.
Tabela 3 - Semelhanças e Diferenças entre as AAA e TAA
NATUREZA AAA TAA
Conceito
Básico Relação pessoa – animal de companhia.
Finalidade Promoção de bem-estar e qualidade de vida dos indivíduos. relacional, emocional ou cognitivo dos Recuperação do estado físico, sócio- indivíduos.
Objetivos Proporcionar oportunidades para motivar, educar e recrear.
Proporcionar terapias específicas: psicoterapias e reabilitação sócio-
emocional e física.
Indicação
Indivíduo (ou grupo), com ou sem problemas de saúde, contexto institucional (hospitais, escolas) comunitário (escuteiros, campo) e outros contextos sócio-educativos.
Indivíduo (ou grupo), com problemas de saúde específicos de natureza sócio-
emocional ou física em contexto de hospitalização, ambulatório Âmbito de
Inserção Programa de visitas sociais. Processo terapêutico.
Tipos Mais frequentes: visita social com cão.
Psicoterapias e reabilitação com animais diversos
Orientação Dupla: voluntário – animal (Exemplo: cão).
Dupla: profissional de saúde especializado – animal (Exemplo: cão).
PROCESSO AAA TAA
Execução Não sistemática; não sistematizada. Sistemática; sistematizada Conteúdo da
Atividade
Espontâneo: pode incluir várias atividades recreativas, motivadoras e
educacionais.
Programado: com atividades terapêuticas específicas.
Duração Não limitada, calendarizada. Limitada, com periodicidade regular. Requisitos
Princípios instituídos pela organização internacional; Normas legais e institucionais.
Princípios terapêuticos; Normas legais, institucionais e internacionais que regem
o uso de animais em contexto terapêutico.
Avaliação Avaliação geral das AAA Avaliação específica dos resultados terapêuticos.
Apesar de não ser uma nomenclatura oficial, Clerici (2009) destaca a aplicação da Educação Assistida por Animais (EAA), a qual segue os mesmos critérios da TAA, porém restringe-se a aplicação por profissionais da educação, como pedagogos, fonoaudiólogos e psicopedagogos. Segundo a autora, a relação entre crianças e animais motiva a aprendizagem, fortalece a autoconfiança e estimula a sociabilização e a comunicação por meio das experiências obtidas e do conhecimento adquirido sobre os animais, seu hábitos e comportamentos.
Clerici (2009) ressalta, ainda, o uso da terminologia Terapia Facilitada por
Cães (TFC), para as terapias realizadas apenas com o uso de cães, conhecida
também como cinoterapia. Retomando Vieira (2013), esta cita que a cinoterapia era uma terminologia erroneamente usada para designar a TAA como um todo no passado, já que não envolve outros animais.
Visto que o animal serve de ponte entre o paciente e a efetivação do tratamento, o processo de escolha do animal para a Atividade, Educação e Terapia Assistida por Animais (A/E/TAA) deve levar em conta a peculiaridades de cada espécie, bem como seus limites e suas características de trabalho. Os domésticos, como cães, gatos, aves e roedores, possuem manejo mais fácil por já possuírem maior convívio com o ser humano, porém também podem ser utilizados nos tratamentos os animais de fazenda, exóticos e até mesmo silvestres (VIEIRA, 2013). A seguir serão descritas algumas tipologias de terapias envolvendo animais diversificados.