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Mesure de l’ammoniac par chromatographie ionique

3.6 Comparaison à des méthodes chimiques

3.6.2 Autres méthodes : barbotage, colorimétrie et chromatographie

3.6.2.3 Mesure de l’ammoniac par chromatographie ionique

A trajetória empresarial de PO foi construída em duas frentes: a sua obsessão por ser rico e a sua estratégia de aproximação com figuras da classe alta e com poderosos. Seus dois casamentos também foram cruciais. Mas as suas aspirações não paravam por aí. Ainda nos anos 1960, sua amizade de escola com dois adolescentes que seriam muito conhecidos na política nacional, Fernando Collor de Mello, o primeiro presidente a ser afastado por um processo de impeachment, e Luiz Estevão (PMDB), o primeiro senador cassado pelo plenário daquela casa, traçaram o caminho natural para a sua entrada na política.

Em 1986, um ano depois da redemocratização brasileira, PO filiou-se ao Partido da Frente Liberal (PFL), legenda da qual participou da fundação no DF. A saída de cena dos militares abriu caminho para que a elite civil brasileira retornasse ao poder. Eram os anos de José Sarney (1985-1990), o governo que promoveu a transição para a democracia, e os três adolescentes de Brasília arregaçavam as mangas para participar das próximas contendas

90 eleitorais, muito cobiçadas pelos diversos partidos que foram fundados no início da década de 1980.

Em 1989, incríveis 20 presidenciáveis apresentavam candidaturas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições 1989. O primeiro pleito com votação direta do país, depois das eleições vencidas por Jânio Quadros em 1960, tinha um grande significado. Os candidatos com alguma repercussão eram o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Leonel Brizola (PDT), Mário Covas (PSDB), Paulo Maluf (PDS) e Ulysses Guimarães (PMDB). Até o apresentador de TV, Silvio Santos, articulou uma candidatura, mas em seguida abandonou a pretensão.

Um desconhecido Fernando Collor também surgiu como oponente, concorrendo por uma agremiação criada somente para sustentar a sua candidatura: o Partido da Reconstrução Nacional (PRN). Em um momento de desconfiança com as candidaturas de esquerda – materializadas nas figuras de Lula e Brizola –, e com o próprio jogo de poder da política, Collor lançou-se como um candidato pretensamente “apolítico”. Dizia que não precisava de aportes partidários, nem de apoio das antigas oligarquias, pois estava desvinculado dos tradicionais esquemas de poder.

Ele denunciava a corrupção, apresentando-se como o “caçador de marajás”, os quais se fartavam do dinheiro público. Dizia representar o povo humilde e sofrido do Brasil, os “descamisados”. O fato de ser jovem, de estilo agressivo – dizia que tinha “aquilo roxo” –, contribuiu para dar corpo à sua candidatura. E, em Brasília, PO, que crescia no mundo empresarial desde os negócios com Sérgio Naya, cedeu um de seus prédios para ser a sede do comitê de campanha de Collor, velho amigo de juventude, tornando-se também o coordenador da sua campanha na capital.

Mas decidiu também disputar a sua primeira eleição. Com o lema “Brasília muito mais feliz”, PO se candidatou a deputado federal pelo partido de Collor, na coligação formada pelo PRN (do qual passou a ser vice-presidente) e o PFL. Sua campanha se baseou em três grandes bandeiras: “operação preservar”, na qual defendia a preservação do ecossistema do cerrado, vegetação dominante do DF; “operação arrastão”, nome sugestivo que indicava sua intenção de lutar para transferir para Brasília todos os órgãos federais então sediados na antiga capital do país, o Rio de Janeiro.

Por último, erguia a bandeira do “ABC do trabalhador”, programa que propunha alfabetizar os trabalhadores da construção civil nos canteiros de obras. As duas últimas bandeiras, tratando dos órgãos federais e da educação dos operários, teriam uma importante

91 participação em sua trajetória política e econômica. O surpreendente crescimento de Collor nas pesquisas empolgava os seus correligionários, que viam o político alagoano obter cada vez mais adesões, especialmente da imprensa, do empresariado e de setores progressistas e conservadores da sociedade.

A vitória de Collor foi muito celebrada por PO, que também comemorou o fato de logo em seguida se sagrar o segundo deputado federal mais votado da sua coligação, com 38 mil votos. Com o amigo como chefe do Poder Executivo, PO, na Câmara dos Deputados, foi nomeado vice-líder do bloco governista PFL/PRN/PSC/PMN/PST em 1991, e vice-líder do governo até o desfecho melancólico do mandato do amigo de adolescência na presidência, interrompido por diversas denúncias de corrupção que se ampliaram até o seu afastamento.

O novo rico de Brasília, que começava a subir degraus no mundo empresarial, estreava na política como todos os iniciantes: buscando aos poucos ocupar espaços em um local de disputas, onde pré-existem as regras do jogo. O seu primeiro mandato na Câmara foi muito turbulento. A sua atuação parlamentar foi discreta – economizou na apresentação de proposições e nos pronunciamentos –, mas foi principalmente e turbulenta pela quantidade expressiva de acusações contra ele o governo Collor, das quais sempre precisou se ocupar e para as quais dedicou a maior parte do seu desempenho.

Durante todo o seu mandato (1991-1995), PO teve apenas seis proposições, entre Projetos de Lei (PL), Projeto de Emenda à Constituição (PEC), Indicações (INC) etc., número bem inferior às 116 que ele desenvolveu no seu segundo mandato como deputado. Nenhuma das seis chegou a ser aprovada, sendo a maioria delas rejeitada pelas comissões técnicas da Câmara e arquivada com base no Regimento Interno da Casa. Embora seja reconhecidamente difícil fazer um projeto virar lei, o desempenho fraco de PO parece ter explicações para além da burocracia legislativa.

Como vice-líder do governo Collor, PO não deveria encontrar dificuldades para ter suas matérias aprovadas pelas comissões e por seus pares. Porém, um dos graves erros de Collor foi não ter construído uma sólida base de apoio ao seu governo no Legislativo. Isso o tornou bastante vulnerável às medidas impopulares que tomaria em seguida e ao aparecimento das denúncias de corrupção contra ele e membros de seu governo. Ademais, não se submeteu à classe política e empresarial de São Paulo, como ele mesmo reconheceria depois, o que trouxe prejuízos à tão necessária governabilidade.

PO, portanto, depois da enorme euforia de ver o amigo de adolescência ser eleito presidente do país – após ultrapassar Lula, o líder de todas as primeiras pesquisas –, precisou

92 amargar a realidade de compor um Legislativo cada vez mais em oposição ao chefe do Executivo. O último governo brasileiro e o atual, de Fernando Henrique e Lula, souberam administrar bem uma maioria confortável de parlamentares que os permitiram governar com tranqüilidade, aprovando suas matérias e reformas, bem como refreando os movimentos de oposição e fiscalização.

Além de não ter construído uma base governista forte, o ex-presidente não foi bem-sucedido em sua estratégia econômica, elemento crucial para a estabilidade popular dos governos. Buscando livrar o país da inflação desenfreada dos anos Sarney, o “Plano Collor”, divulgado no dia seguinte à posse e adotado imediatamente, reintroduzia o cruzeiro e instaurava o congelamento imediato de preços, seguido de gradual liberalização e livre negociação de salários entre empregados e empregadores, dando maior autonomia ao mercado e suprimindo algumas das antigas funções do Estado.

Mas a sua medida mais radical ainda estaria por vir. Para evitar o deslocamento de recursos da poupança para o consumo – como havia ocorrido em 1986, forçando uma elevação dos preços por conta do desabastecimento dos estoques –, Collor decidiu confiscar todas as contas correntes, poupanças e demais investimentos que excedessem os 50 mil cruzeiros. A medida duraria 18 meses. Decidiu ainda cortar drasticamente os gastos públicos, começando por demissões e aumento generalizado de impostos.

O argumento para justificar essa estratégia era tornar a economia brasileira mais eficiente, a partir de um Estado mais “enxuto”, com mínima intervenção no mercado. Por algum tempo, os resultados atingiram as metas desejadas, como foi demonstrado pela queda da inflação. Mas o país mergulhou em uma profunda recessão. A atividade industrial despencou com a concorrência estrangeira – facilitada pelo incentivo às importações – e as demissões se multiplicaram num nível alarmante. No final de 1990, a inflação voltou a subir.

Apesar do clima ruim, PO mantinha um discurso de defesa ao governo, a sua política econômica e ao compromisso de Collor com a “reconstrução nacional” – fez isso logo em seu primeiro pronunciamento na Câmara, em 4 de março de 1991. E, além de defender um governo cada vez mais submerso e exposto a críticas e insatisfações, PO precisou defender a si mesmo. Isso porque logo nos primeiros meses do seu mandato, sofreu acusações pela sua tentativa de comprar a Rede Manchete de Televisão, do empresário Adolpho Bloch.

Precisou defender-se disto em seu segundo pronunciamento, após o deputado José Luiz Clerot, do PMDB da Paraíba, ter questionado da tribuna a legalidade da negociação. O deputado paraibano suspeitava que PO estivesse recebendo tratamento especial do Banco do

93 Brasil. O Jornal Nacional, da Rede Globo, transmitiu à noite o pronunciamento do parlamentar, uma vez que a Roberto Marinho não interessava um aliado de Collor como seu concorrente (VEJA, 1991, p. 35). Logo em seguida, PO declarou da tribuna da Câmara que se afastaria das negociações.

Depois dessas denúncias, PO precisou se defender de outra acusação no começo de 1992. Uma matéria da revista Veja (1992, p. 18-31), sob o titulo A Cena do crime, acusava o ex-ministro do Trabalho e Previdência Social, Antonio Rogério Magri, de cometer irregularidades na contratação de uma empresa, chamada Confederal, pela pasta. PO era citado em conversas telefônicas de Magri, como se estivesse buscando, junto ao ministério, favorecimentos para a dívida que a empresa tinha com o governo. Em paralelo, as primeiras denúncias graves contra o governo Collor já haviam surgido.

Pouco antes,em outubro de 1991, o tesoureiro de campanha e amigo pessoal de Collor, Paulo César Farias (PC), foi acusado de pressionar o presidente da Petrobrás a realizar negócios em benefício de grupos particulares. Em maio de 1992, a revista Veja trouxe surpreendentes declarações de Pedro Collor, o irmão do presidente, segundo as quais o próprio Collor seria o beneficiário de operações financeiras obscuras coordenadas por PC. O Congresso instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o chamado “esquema PC”.

As apurações revelavam que membros do governo haviam recebido dinheiro do esquema, que vinha de empresas em troca de favores governamentais. O deputado Chico Vigilante (PT-DF) levantou suspeitas sobre a participação de PO no plenário da Câmara, e este logo se apressou para respondê-lo em dois dias seguidos de discursos – em 9 e 10 de março de 1992. Porém, como se nada estivesse acontecendo na política brasileira, em 20 de março de 1992, PO subiu à tribuna para fazer um balanço dos dois anos do governo de Collor – penosa tarefa dos líderes de governo, em qualquer conjuntura.

PO chegou a publicar esse enfático pronunciamento em um “livro” muito pequeno, de nove páginas, publicado pela Câmara, no qual enfatizava o progressivo ajustamento econômico do país. “A hiperinflação foi domada”, “os preços estão começando a cair”, “a economia está se arrumando”, dizia. E defendia as estratégias do governo em todas as áreas, até na forma como conduzia as investigações das acusações. “[...] as denúncias, envolvendo qualquer pessoa que seja, inclusive pessoal de primeiro escalão, têm sido objeto de apuração rigorosa pelos órgãos e pelo próprio governo. [...] a transparência é a norma” (OCTÁVIO, 1992, p. 6).

94 Os escândalos e a necessidade de defender o governo e a si mesmo fizeram com que PO não apresentasse nenhuma proposição em 1992, ano em que Collor seria afastado da presidência. Mas fez 18 pronunciamentos – número bem superior aos 5 do ano anterior, 1991 –, dos quais 11 foram respostas a acusações e 3 para defender o governo. Os esforços políticos estavam totalmente concentrados nos escândalos que se somavam, suprimindo sua produção parlamentar a algo próximo do zero. Quando menos esperava, mais um ataque emergia.

Quando a situação do governo Collor começou a ficar dramática – com a debandada dos seus apoiadores, sobretudo da imprensa –, PO manteve o discurso pró-governo até onde pôde. E continuou sendo alvo. A deputada Maria Laura (PT-DF) solicitou à corregedoria da Câmara a abertura de inquérito para apurar denúncias de que PO teria recebido recursos ilegais do empresário PC Farias, com base em reportagens do jornal Folha de São Paulo.

O clima ficou tão tenso que PO solicitou à Mesa Diretora que aprovasse pedido de representação contra a deputada por haver ferido o decoro. Passado esse episódio, PO foi apontado como avalista da chamada “Operação Uruguai”, esquema forjado que visava justificar a entrada de US$ 5 milhões na conta de Collor para reformar a Casa da Dinda. Outro avalista dessa operação era o ex-senador Luiz Estevão. Os três antigos amigos do Ciem de Brasília voltavam a estar juntos; desta vez, num dos maiores escândalos da política nacional.

O governo, com exíguo apoio político, dos empresários, da imprensa e da sociedade, estava a caminho do abismo. E a queda aparentava ser grande. A entrevista do irmão de Collor, Pedro Collor, ao repórter Teodomiro Braga, correspondente do Jornal do Brasil em Washington, jogava a última pá de lama na reputação do seu irmão. As acusações, versando sobre a vida privada do presidente, eram assustadoras: indicava que Collor era usuário de cocaína; Rosane Collor, a primeira-dama, traía o marida e chegou a fazer um aborto de um de seus amantes; e que Collor era um marido violento.

Em 29 de setembro de 1992, a Câmara decidiu pelo afastamento de Collor por 411 votos contra 38. Assumia a presidência, logo em seguida, o vice, Itamar Franco, à época também pertencente ao PRN.

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