6. LOS MERCADOS DE CARBONO
6.1 EL MERCADO DE KYOTO
Um dos agentes centrais do desenvolvimento capitalista é a corporação empresarial. Suas decisões, que inclui compra, venda, desenvolvimento de ativos106 e estratégias competitivas, entre outras, desempenham importante papel no cenário geográfico.
As corporações possuem o maior quinhão de ativos industriais, de serviços, financeiros e imobiliários, em todo o mundo. Além de vender seus produtos, contratam trabalhadores, tomam dinheiro emprestado, compram materiais e equipamentos. Elas tendem a especializar-se em diferentes linhas de produtos formando grupos de corporações, conhecidos como setores, indústrias ou frações de capital. Esses grupos podem manter relações antagônicas entre si, como competidores ou como compradores e vendedores nos diversos mercados. Firmas financeiras, por exemplo (bancos, controladoras, firmas de corretagem), estão voltadas para a compra, venda e controle de ativos financeiros, disputando com empresas industriais e de serviços. (MARKUSEN, 2005, p.64).
As maiores empresas do mundo que atuam no setor florestal são oriundas dos países desenvolvidos. O Chile é o único país em desenvolvimento. As principais são: Intenational Paper (Estados Unidos), Stora Enso (Suécia/Finlândia), UPM-Kymmene (Finlândia),
106 Ativo define-se como um conjunto de bens, valores, créditos e semelhantes, que formam o patrimônio de uma empresa. Ao contrário de passivo que é o conjunto de dívidas, obrigações, etc. O ativo é subdividido em vários itens: o dinheiro em caixa, o depósito a curto prazo, o estoque de mercadorias, os terrenos e edificações, as instalações e máquinas. (SANDRONI, 1999, p. 34-35).
Oji Paper (Japão), Smurfit Kappa, Group (Irlanda), Mondi (Áustria) e Empresas CMPC (Chile). Ambas possuem a sede em seus países de origem, mas suas filiais se encontram distribuídas ao redor do mundo, praticamente em todos os continentes (FORBES, 2010 e 2015). No mapa 02 apresenta-se a espacialização da International Paper.
Através do mapa 02, verifica-se a dinâmica produtiva da International Paper (IP) no mundo. A empresa possui sua sede em Memphis, Tennessee (Estados Unidos). O grupo emprega cerca de 55 mil pessoas ao redor do mundo e possui filiais em mais de 24 países. O portfólio da companhia é composto, entre outros produtos, pelas marcas de papeis Chamex e Chamequinho, HP e Papel Offset Chambril. O faturamento da IP em 2015 foi de 26,2 $ Bilhões (dólares), um crescimento de 100% se comparado com o faturamento da empresa no ano de 2010. (FORBES, 2010 e 2015; INTERNATIONAL PAPER, 2016).
A IP é líder mundial na produção de papel e embalagens de papel. Seus negócios também incluem a Xpedx, empresa de distribuição na América do Norte. A International Paper no Brasil possui cerca de 2.600 funcionários sendo proprietária de algumas unidades florestais107, duas fábricas de papel e celulose em Mogi Guaçu e Luiz Antônio, no interior do estado de São Paulo, e uma fábrica de papel em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, além de atividades também em Franco da Rocha, Paulinia, Nova Campina e Suzano (SP), Rio Verde (GO) e Manaus (AM) (REVISTA EXAME, 2016; INTERNATIONAL PAPER, 2016).
A empresa iniciou suas atividades no Brasil em 1960, com a aquisição do controle de participação da Panamericana Têxtil. A celulose e planta de papel foram implementadas na cidade de Mogi- Guaçu-SP. A aquisição da Champion International International Paper, em 2000, a mudança no nome da empresa Champion Papel e Celulose Ltda. para International Paper do Brasil Ltda (BUREAU VERITAS CERTIFICATION, 2010).
Em maio de 2016, a IP adquiriu o negócio de celulose da também americana Weyerhaeuser, umas das gigantes do setor nos Estados Unidos, por US$ 2,2 bilhões. A aquisição gerou especulações sobre uma possível guinada de portfólio da IP Companhia, diante do avanço no mercado de celulose e da nova redução do peso do segmento de papéis
107 Localizações das florestas(s): Patrocínio Paulista, Altinópolis, Brodowski, Serra Azul, São Simão, Santa Rosa do Viterbo, Guatapará, Luis Antônio, Santa Rita do Passa Quatro, Tambaú, Araraquara, Ibaté, Ribeirão Bonito, Brotas, Casa Branca, Vargem Grande do Sul, São João da Boa Vista, Aguaí, Espírito Santo do Pinhal, Estiva Gerbi, Mogi-Guaçu, Conchal, Mogi Mirim, Cajuru, São Carlos, Franca e Arthur Nogueira, Estado de São Paulo e Cássia e Pratápolis, Estado de Minas Gerais. (BUREAU VERITAS CERTIFICATION, 2010).
de imprimir e escrever no faturamento. O acordo prevê que a IP vai adquirir cinco fábricas de celulose e duas unidades de conversão que produzem celulose de fibra longa e fluff108, usada na fabricação de fraldas descartáveis e absorventes. Juntas, as unidades podem produzir 1,9 milhão de toneladas anuais de fibra, das quais 1,5 milhão de toneladas de fluff (VALOR ONLINE, 2016).
A IP possui ao todo 335 unidades produtivas109. Desse total, 236 unidades, ou seja 70% de sua estrutura produtiva, se encontra nos Estados Unidos. A China, México e o Brasil são locais onde a empresa mais possui filial. Isso ressalta a dinâmica do setor nos Estados Unidos, que se estende nos demais países, corroborando com a força do capitalismo estadunidense que se dissemina como o centro do sistema capitalista atual.
A chegada da IP ao Brasil, na década de 1960, através do processo de aquisição, assim como outras empresas e grupo que veremos no decorrer do trabalho com maior ênfase no capítulo III, reforça o processo de acumulação através da centralização e concentração de capitais, no bojo da fase mais madura do capitalismo, o capitalismo financeiro, onde “o processo de acumulação (concentração e centralização) de capitais conduziu ao longo de décadas ao aparecimento de empresas gigantescas e oligopolistas” (MAMIGONIAN, 1982, p. 40).
O segundo maior grupo mundial do setor florestal é a sueco- finlandesa Stora Enso, cuja espacialização produtiva demonstra-se no mapa 03.
108 A celulose do tipo fluff é utilizada, principalmente, nos segmentos de absorventes e fraldas descartáveis, pela alta capacidade de absorção que oferece (SUZANO, 2016).
109 Entende-se como unidade produtiva a unidade industrial e a florestal.
A Stora Enso é um grupo sueco finlandês com sede em Helsinque, Finlândia. Foi criado a partir da fusão da sueca Stora com a Finlandesa Enso. O surgimento remonta ao ano de 1862, mas a fusão que originou o grupo ocorreu em 1998. O grupo tem aproximadamente 26.000 funcionários com filiais em mais de 35 países, conforme apresenta o mapa 03. É considerada uma das maiores do mundo na produção de papel, embalagem, produtos de madeira, celulose e biomateriais (STORA ENSO, 2016).
O faturamento da Stora Enso em 2015 foi de 13,5 $ Bilhões (dólares), um crescimento de 5%, se comparado com o faturamento da empresa no ano de 2010. No Brasil, o grupo possui cerca de 1.500 funcionários nas seguintes unidades: São Paulo (SP), Arapoti (PR), Rosário do Sul (RS)110 e Eunápolis (BA)111 (FORBES, 2010 e 2015; STORA ENSO, 2016).
No Uruguai o grupo adquiriu, em joint venture com a Chilena Arauco, uma área florestal de 123 mil hectares de terras para plantios florestais, e iniciou a construção de uma gigantesca indústria de celulose. Em 2014, iniciou as operações da Montes del Plata, no Estado de Sacramento, Uruguai, sendo considerada a mais moderna fábrica do mundo, inclusive com porto para recebimento de matéria-prima e exportação. Um dos motivos da opção pela construção da fábrica no Uruguai, em detrimento do Rio Grande do Sul, foi a legislação federal brasileira, que impõe restrições à propriedade de terras por estrangeiros. Além disso, o governo uruguaio tem incentivado por meio da concessão das zonas francas e incentivos a instalação das indústrias de celulose no país. (SIF, 2013; PAINEL FLORESTAL, 2014; PISSÓN, 2015).
Outro grupo gigante no setor florestal é a finlandesa UPM- Kymmene, cuja espacialização produtiva representa-se no mapa 04.
110 Base florestal de 100 mil ha com plantio de pinus e eucalipto. 111 Essa unidade corresponde à Veracel que é fruto da parceria entre a brasileira Fibria e a suecofinlandesa Stora Enso, que compartilham o controle acionário, detendo, cada uma, 50% das ações da empresa. As atividades iniciaram em 2005.
A UPM-Kymmene é uma empresa com sede em Helsinque, Finlândia. O surgimento remonta o ano de 1870, mas a corporação se constituiu em 1996 com a fusão da Kymmene Corporation e Repola LTD e sua subsidiária United Paper Mills LTD. O grupo possui cerca de 19.600 funcionários em 13 países, conforme apresentado no mapa 04 (UPM-KYMMENE, 2016).
O faturamento da UPM-Kymmene em 2015 foi de 13,1 $ Bilhões (dólares), um crescimento de 18%, se comparado com o faturamento da empresa no ano de 2010 (FORBES, 2010; 2015). A empresa produz papel, produtos de madeira e celulose. No Brasil, possui uma unidade em Jaguariúna (SP), a UPM Raflatac, especializada na produção de etiquetas auto-adesivas.
A expansão mais recente do grupo UPM na América do Sul ocorreu em Fray Bentos, Uruguai, nas margens do Rio Uruguai. A unidade iniciou as operações em 2007 com capacidade de produção de 1,3 milhões de toneladas de celulose branqueada de fibra curta (UPM- KYMMENE, 2016).
As operações das multinacionais sueco-finlandesas (Stora Enso e UPM) em território uruguaio tem forte apoio do Estado, através de concessão de zonas francas para produção. Isso faz com que as multinacionais não carreguem mais a madeira para as suas fábricas na Europa, mas transfiram a produção industrial para países do Cone Sul, no caso, do Uruguai, onde as condições de uma maior geração de lucro são mais favoráveis. A madeira produzida é exportada para a indústria instalada dentro da zona franca, o que significa que o Uruguai exporta madeira para o seu próprio território (PISSÓN, 2015).
Nos mapas 05 e 06 apresenta-se a espacialização produtiva da japonesa OJI Paper e da irlandesa Smurfit Kappa.
A OJI Paper (mapa 05) é um grupo japonês, fundado em 1873 que conta com aproximadamente 26 mil profissionais e atua em 4 continentes, com mais de 300 subsidiárias e unidades fabris, as quais produzem inúmeros tipos de papéis e produtos relacionados, como: papéis especiais, papel de imprimir e escrever, papel para jornal, papéis para embalagem, celulose, destacando-se como um dos maiores produtores mundiais do setor (OJI PAPER, 2016).
No Brasil, o grupo possui uma unidade que produz papéis especiais (térmicos e autocopiativos) em Piracicaba (SP) e é o principal acionista da Cenibra112, que produz celulose em Belo Oriente (MG). O faturamento do grupo OJI em 2015 foi de 12,6 $ Bilhões (dólares) (FORBES, 2015).
O Smurfit Kappa Group (mapa 06) é um grupo irlandês, que surgiu em 1934, com sede em Dublin. A empresa é considerada umas das maiores fabricantes de embalagens de papel reciclado do mundo. Possui cerca de 43.000 funcionários em 33 países - 21 na Europa, 12 nas Américas, conforme Mapa 06. (SMURFIT KAPPA GROUP, 2016). O faturamento do grupo Smurfit Kappa Group em 2015 foi de 10,7 $ Bilhões (dólares) (FORBES, 2015).
As operações do Grupo Smurfit Kappa são bem recentes no Brasil. Em janeiro de 2016 o grupo comprou duas indústrias de papéis brasileira: a Indústria de Embalagens Santana (Inpa), com duas unidades fabris no Estado de Minas Gerais (Pirapetinga e Uberaba) e a Paema Embalagens, com sede em Bento Gonçalves (RS) e filial em Maranguape (CE). (VALOR ONLINE, 2016).
Nos mapas 07 e 08 apresentam-se a espacialização produtiva da austríaca Mondi e da chilena CMPC.
112 A CENIBRA foi fundada no dia 13 de setembro de 1973. Localizada em Belo Oriente (MG), é o resultado da junção de capitais da Companhia Vale do Rio Doce – CVRD e da Japan Brazil Paper and Pulp Resources Development Co., Ltd. – JBP (que faz parte o Grupo japonês OJI Paper). Em 2001, a Japan Brazil Paper and Pulp Resources Development Co., Ltd. – JBP adquiriu a participação da Cia. Vale do Rio Doce – CVRD, atual Vale, assumindo o controle acionário da CENIBRA (CENIBRA, 2016).
A Mondi (mapa 07) é um grupo austríaco, que surgiu em 1967, com sede em Viena. A empresa produz embalagens à base de papel com operações em 30 países. Possui aproximadamente 25.000 funcionários, conforme Mapa 07. O faturamento do grupo MONDI em 2015 foi de 8,5 $ Bilhões (FORBES, 2015; MONDI, 2016). O Grupo não possui operações no Brasil.
A CMPC (mapa 08) é um grupo chileno, fundado em 1920, Considerado um dos principais produtores de papéis, principalmente sanitários, da América Latina, produz também celulose e produtos madeireiros. Possui mais de 25 fábricas na América Latina e, aproximadamente, 8 mil funcionários que atuam em 5 áreas de negócios, através das seguintes empresas: CMPC Florestal, CMPC Celulose, CMPC Papéis, CMPC Tissue e CMPC Produtos de Papel (CMPC, 2016).
No Brasil, o grupo possui três unidades indústrias: a CMPC Melhoramentos, em Mogi das Cruzes e Caieiras (SP) que produz papel higiênico, papel toalha, guardanapo de papel, lenços, absorventes, fraldas descartáveis para adultos, fraldas descartáveis infantis e protetor de assento sanitário, e a Celulose Riograndense em Guaíba (RS) que produz celulose de fibra curta. O faturamento da CMPC em 2015 foi de 4,8 $ Bilhões (dólares), um crescimento de 62% se comparado com o faturamento da empresa no ano de 2010 (FORBES, 2010 e 2015; CMPC, 2016).
Através dos mapas é possível perceber a forte atuação dos grupos em escala mundial, mas principalmente nas regiões próxima às suas matrizes, que possuem forte potencial atrativo. Como enfatizamos, a IP tem uma forte atuação nos Estados Unidos. As empresas UPM- Kymmene e a Stora Enso atuam com grande ênfase nos países nórdicos (Suécia e Finlândia). Devido a tradição no setor florestal, a Suécia e a Finlândia desenvolveram um setor com tecnologia de ponta, com o desenvolvimento de máquinas robustas, com alto domínio tecnológico e forte apoio e proteção do Estado.
A Mondi e a Smurfit Kappa Group têm sua área de atuação intensificada na Europa e a Oji Paper tem maior atuação na Ásia. Já a CMPC se internacionaliza apenas na América do Sul e se ramifica em até o México. Percebe-se assim, a ação intensa desses grupos em quase todos os continentes, à exceção da África, com uma participação da Mondi no Marrocos e na África do Sul.