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Partindo do sistema gerado com dimensionamento do item anterior, foi feito um orçamento com uma empresa da mesma cidade da unidade consumidora para a instalação do sistema, e ao final, este foi adquirido pelo custo total de R$54.016,00 (cinquenta e quatro mil e dezesseis reais) e contemplava os seguintes itens:

 Equipamentos fotovoltaicos já descritos (módulos e inversores);

 Materiais necessários para a instalação (cabeamento e demais dispositivos elétricos);

 Estrutura para fixação dos módulos no telhado;  Mão de obra para a instalação dos painéis;

 Projeto de Microgeração para conexão do sistema com a rede.

 Processo de homologação do projeto com a concessionária de energia.

Para a avaliação dos resultados foram usados os conceitos de Payback e VPL (Valor Presente Liquido). Payback que em português significa “retorno” é uma técnica muito utilizada para análise do prazo de retorno do investimento em um projeto. É, portanto, o tempo de retorno do investimento inicial até o momento no qual o ganho acumulado se iguala

_______________________________________________________________________________ ao valor deste investimento. Normalmente este período é medido em meses ou anos. Já o VPL é uma fórmula matemática-financeira utilizada para calcular o valor presente de uma série de pagamentos futuros descontando uma taxa de custo de capital estipulada. É, portanto, a diferença entre os benefícios gerados pelo projeto e seus custos. O valor é obtido pela seguinte fórmula:

Onde:

Io - investimento inicial

Fct -fluxo de caixa do investimento no período t,

r - taxa de desconto, t - período em questão

n - horizonte de análise do fluxo de caixa.

Assim, se o VPL for positivo, as receitas do projeto superam o valor investido somado às despesas do projeto, desta forma os casos considerados economicamente viáveis são os que apresentam VPL maior do que zero dentro de um horizonte de fluxo de caixa estipulado.

A primeira hipótese para a verificação do payback do investimento foi feita considerando pagamento a vista de todo o valor do equipamento e análise de geração de riqueza para um horizonte de fluxo de caixa de 25 anos, que é o tempo de garantia de geração com até 80% da eficiência para os módulos fotovoltaicos. Para o preenchimento da planilha foram considerados os seguintes fatores:

 Custo Atual de Energia Anual = R$0,74 (considerando o valor do kWh incluindo todas as taxas no mês julho de 2015 - conforme conta de energia RGE da unidade consumidora);

 Aumento Custo Energia Anual = 9,55% (Índice para levar em conta o aumento estimado no custo de energia ao longo do tempo, representativo de uma taxa de inflação no qual foi utilizado o acumulado para os últimos 12 meses do IPCA resultado no mês de julho de 2015 - consultado no site do IBGE, em 10/09/2015, e pode ser verificado na Figura 20);

 Custo de Energia Anual com Equipamento = R$10.624,18 (calculado pela planilha com base na quantidade de energia ainda comprada da concessionária para suprir a demanda da resistência com o valor atual de energia);

 Perda de Eficiência Anual do Equipamento = 1% (estimada pelos fabricantes entre 1 e 2,0%);

 Valor do Equipamento à Vista = R$54.016,00 (valor total do orçamento);

 Taxa de Desconto do Fluxo de Caixa = 6% a.a. (sendo o risco do investimento, adotado a taxa de juros da poupança da Caixa Econômica Federal, consultado em agosto de 2015);

 Horizonte do fluxo de caixa = 25 anos (o tempo final decorrente para geração de riqueza).

-

Figura 20: Índice IPCA, julho de 2015

Fonte: http://www.portalbrasil.net/ipca.htm

O fator "Custo Atual de Energia Anual" da planilha do estudo deve ser cautelosamente observado, uma vez que o índice de inflação da conta de energia elétrica não segue diretamente o IPCA e tem suas diretrizes diferenciadas. A inflação relacionada á tarifa de energia elétrica tem se mostrado de certa forma instável nos últimos anos conforme descreve a nota técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos:

A variação média da inflação de energia elétrica no país medida pelo IPCA-IBGE no ano [2015] é a seguinte:

• 36,4% no acumulado do primeiro trimestre (22,1% somente em março); • 42, 3% no acumulado do primeiro semestre;

_______________________________________________________________________________ No entanto, quando se observam as variações acumuladas nos três últimos anos, é possível notar comportamentos bastante distintos. Em síntese, em 2013, as tarifas ficaram mais baratas por conta da renovação antecipada das concessões nos segmentos de geração e transmissão, além da redução de alguns encargos setoriais. Nos dois anos seguintes, aumentaram e pressionaram a inflação, em decorrência da crise hídrica e do consequente uso das termoelétricas, além da adoção de bandeiras tarifárias e da revisão extraordinária das tarifas nas concessionárias distribuidoras em 2015. (DIEESE, 2015, p.2).

Isso posto, é importante considerar que o aumento do custo da energia pode ter índices bastante variáveis e não se pode prever com cem por cento de certeza o comportamento da inflação para os próximos 25 anos, o que contribui diretamente no payback do investimento e na geração de riqueza. Optou-se para este trabalho o IPCA como parâmetro de inflação para obter um resultado estimado.

Para as condicionantes estabelecidas acima, e uma taxa de reajuste na tarifa de eletricidade de 9,55%, verificou-se um payback do equipamento de 7,94 anos para o retorno do investimento e para o fluxo de caixa de 25 anos resultou um VPL de R$183.097,00, conforme pode ser verificado na planilha (APÊNDICE 2).

A segunda hipótese para a verificação do payback foi feita considerando pagamento com 50% do valor financiado e os demais 50% com pagamento a vista, também fazendo a mesma análise de geração de riqueza para um horizonte de fluxo de caixa de 25 anos. Para esta verificação, foram consultadas as instituições financiadoras Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Santander e Banrisul para se ter conhecimento das linhas de crédito ofertadas. Nenhuma destas instituições possuía em suas linhas de empréstimo algum programa de financiamento específico para sistemas fotovoltaicos para pessoa física. Uma das justificativas, é que, produtos importados, como é o caso dos sistemas fotovoltaicos não são favorecidos para aquisição de empréstimos. Optou-se então em adotar o financiamento do Programa Máquinas e Equipamentos do Banco Banrisul, que seria a linha que credito que poderia adaptar-se as características do investimento. Para este cenário, o preenchimento da planilha considerou os seguintes parâmetros:

 Custo Atual de Energia Atual = R$0,74 (considerando o valor do kWh incluindo todas as taxas no mês julho de 2015 - conforme conta de energia RGE/CPFL da unidade consumidora);

 Aumento Custo Energia Anual = 9,55% (Índice para levar em conta o aumento estimado no custo de energia ao longo do tempo, representativo de uma taxa de inflação no qual foi utilizado o acumulado para os últimos 12 meses do IPCA referente ao mês de julho de 2015 - consultado no site do IBGE, em 10/09/2015);  Custo de Energia Anual com Equipamento = R$10.624,18 (calculado pela planilha

com base na quantidade de energia ainda comprada da concessionária para suprir a demanda da resistência com o valor atual de energia);

 Perda de Eficiência Anual do Equipamento = 1% (estimada entre 1 e 2,0%);  Valor do Equipamento à Vista = R$54.016,00 (valor total pago);

 Taxa de Financiamento do Equipamento= 33,65% a.a juro simples adotado, (informado que é variante entre 2,5% a 3,8% a.m. definido pelo banco conforme o risco do cliente);

 Prazo do Financiamento = 4 anos (tempo de extensão para o parcelamento);

 % Financiada = 50% (O percentual do valor total do investimento que seria financiado);

 Taxa de Desconto do Fluxo de Caixa = 6% a.a. (sendo o risco do investimento, adotado a taxa de juros da poupança da Caixa Econômica Federal, consultado em agosto de 2015;

 Horizonte do fluxo de caixa = 25 anos (o tempo final decorrente para geração de riqueza).

Como o payback refere-se ao pagamento do equipamento com a economia gerada pela redução do consumo de energia fornecida pela concessionária, o valor do payback permanece o mesmo que o encontrado para a situação de pagamento a vista, isto é, 7,94 anos. Já a riqueza gerada desconta o valor dos juros referente ao financiamento. Assim o VPL para o fluxo de caixa ao final dos 25 anos resultou em R$164.275,00 como geração de riqueza, conforme pode ser verificado na planilha (APÊNDICE 3).

_______________________________________________________________________________ A linha de crédito citada acima oferece opção de financiamento para até 80% do valor do equipamento, portanto a verificação do VPL para uma hipótese no qual 100% do sistema seria financiado, não foi considerada para avaliação.

Na planilha do Excel desenvolvida para esta análise, foi considerado um campo "Custo de Reposição do Inversor", pois como foi descrito nos capitulo 2, os módulos oferecem vida útil superior a 25 anos, porém a vida útil de serviço dos inversores é prevista para 15 a 20 anos. O PVL resultante nas avaliações acima está considerando a substituição de um inversor no 15º período do horizonte estipulado para o fluxo de caixa.

Julgando os resultados acima, é possível afirmar que um sistema de 6,12kWp, na expectativa de uma inflação anual de 9,55%, é capaz de gerar riqueza após 7,94 anos da sua instalação, e que, ao final de um período de 25 anos este valor pode chegar a R$164.275,00 mesmo quando pago através de um sistema de financiamento, ou até R$183.097,00 quando for pago o a vista.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base no conhecimento adquirido pelo estudo, pôde-se verificar que existem duas razões pelas quais as pessoas revelam interesse pela energia fotovoltaica. Uma delas está diretamente atrelada a redução dos custos domésticos com a autoprodução de energia, e a outra, a satisfação em estar contribuindo com o meio ambiente ao usufruir de uma energia que é considerada limpa e causa menos danos ao planeta.

Entretanto, o Brasil ainda está distante do nível de países europeus, onde o investimento nestes sistemas é atraído tanto pelo fato de além de reduzir as tarifas de eletricidade, ainda se torna uma fonte de renda para os proprietários que também podem vender a energia gerada. Além dos custos elevados, o governo brasileiro não oferece subsidio, como pode ser observado no capitulo 4 que constatou que não há ofertas de linhas de crédito para o financiamento a pessoas físicas. Esta condição poderia ser melhorada caso o governo dispusesse mais atrativos do ponto de vista financeiro para estimular a geração de energia limpa para o setor residencial.

O cenário, porém, comparado os últimos 10 anos, revela algum avanço e é possível concluir que o investimento em um sistema fotovoltaico para residência tem se tornado um pouco mais atrativo. Pode-se afirmar que é necessário um pouco menos que 1/3 do tempo de vida do sistema para se conseguir pagar o investimento.

Para que os sistemas fotovoltaicos sejam aceitos de forma bem-sucedida, é necessário que a população tenha condições de adquiri-los. Para isto, é fundamental que outros fatores, além da Resolução 482/2012 sejam oferecidos. Programas socioeconômicos, subsídios do governo, linhas de financiamento, parcerias publicas com privadas, abertura do setor elétrico, incentivos fiscais, entre outros, são exemplos que podem ser adotados. É uma mudança que pode ser muito positiva para o futuro da energia no Brasil

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