• Aucun résultat trouvé

5 Measurements Results

Dans le document Collaborative Location Aware Mobile Services (Page 149-153)

A exploração dos conteúdos da gramática foi feita em 9 das 10 aulas destinadas ao trabalho com a análise linguística.

Vejamos na tabela abaixo, os assuntos trabalhados pela mestra e a frequência com que eles apareceram nas aulas desenvolvidas por ela.

Tabela 2: Conteúdos gramaticais explorados por Ana

CONTEÚDOS GRAMATICAIS EXPLORADOS Professora Ana – 10 aulas observadas

Observações Outubro Novembro Total

Datas 05 07 13 19 20 23 27 30 03 06 Alfabeto - - - - 1 - - - 1 Adjetivo - 1 1 - - - 2 Letra maiúscula e minúscula - - - 1 - 1 Ortografia 1 1 - - 1 - - - 1 - 4 Pontuação - - - 1 - 1 Pronome Pessoal Reto - - - 1 - - - 1 Sílabas - - - - 1 - - - 1 Sinônimos 1 1 1 - 1 - - - 4 Verbos - - - - - 1 1 1 - - 3 Total Geral: 18

De acordo com os elementos exibidos, constatamos que a docente realizou um trabalho de exploração dos conteúdos gramaticais em 18 situações, tendo trabalhado mais de uma categoria gramatical em cada uma das aulas que nós presenciamos (com exceção da última aula).

Vejamos no gráfico apresentado a seguir, a distribuição dos conteúdos gramaticais explorados por Ana:

Com base nos dados apresentados, podemos verificar que a docente explorou 9 categorias gramaticais durante as aulas por nós observadas. Os assuntos relacionados ao ensino da ortografia, dos sinônimos, dos verbos e adjetivos, apareceram, respectivamente, com maior frequência na prática de Ana e se revelaram enquanto objetos privilegiados do seu trabalho com a análise linguística.

Assim, percebemos que a ortografia e a exploração dos sinônimos ocorreu em 4 aulas distintas, correspondendo a 22% dos assuntos explorados. Discorrendo sobre o ensino da ortografia na sala de aula, a mestra declarou que a seleção dos aspectos a serem abordados se dava a partir das possibilidades oferecidas pelos textos que ela trabalhava com os alunos nos momentos de leitura.

Dessa forma, Ana relatou que observava as palavras que poderiam ser exploradas nesses materiais, em seguida escolhia outras que fossem grafadas da mesma forma e apresentava a regra de emprego do aspecto que desejava explorar (para os casos que existiam regras de uso). Após esse momento, ela disse voltar ao texto trabalhado para solicitar que os discentes selecionassem as palavras que poderiam exemplificar o que estava sendo estudado. Como podemos perceber, nesses momentos, o texto aparecia como pretexto para explorar questões ortográficas.

Ainda durante a entrevista, a mestra disse separar um dia específico da semana (quartas-feiras) para explorar a ortografia, porém, ressaltamos que, embora Ana tenha indicado fazer uso dessa tática para abordar o referido conteúdo, essa afirmação não pôde ser constatada no momento de nossas observações.

No que concerne a trabalho com os sinônimos, Ana buscou explorá-lo de forma articulada aos eixos da leitura e da produção de textos. Nesses momentos, o referido conteúdo foi tomado como objeto de reflexão com o objetivo de suscitar uma discussão sobre os sentidos que as palavras imprimiam ao texto, a partir do contexto em que eram empregadas.

Temos como hipótese que o fato de ter conhecimento das propostas atuais para o trabalho com os fenômenos linguísticos, justifica essa dinâmica utilizada pela mestra, a qual traduz, ainda, a sua busca por alternativas onde o ensino dos conteúdos da gramática acontecesse a partir do e no texto. Essa inquietação de Ana

também foi constatada por Morais (2000) ao realizar uma pesquisa com professores da rede de ensino do Recife, já mencionada nesta dissertação. Esse estudioso observou que havia entre os docentes uma preocupação nítida de fugir do modelo de ensino tradicional da gramática ao afirmarem em seus depoimentos que buscavam trabalhar com os aspectos gramaticais “sempre” a partir do texto, embora, na maioria das vezes o mesmo servisse como pretexto para a retirada de palavras ou períodos, para uma posterior classificação quanto aos conteúdos gramaticais trabalhados. Ele verificou, também, que a essa prática de ensino os docentes denominavam de “gramática contextualizada”.

Em relação ao trabalho com verbos, observamos que o mesmo foi explorado pela mestra 3 vezes, perfazendo um total de 17% do quantitativo em que ela trabalhou os conteúdos da gramática. Embora a docente tenha afirmado que não tinha como pretensão aprofundar o seu ensino em suas aulas, percebemos que isso não aconteceu durante o período que lá estivemos, pelo contrário! O mesmo recebeu um tratamento diferenciado, configurando-se como objeto de ensino privilegiado nas 3 aulas em que foi abordado.

Pensamos que o fato de a mestra fazer tal declaração acerca do trabalho com os verbos, mas sua prática ir de encontro às suas afirmações, estava ligado à tentativa de afastar-se, pelo menos em seu discurso, do modelo de ensino prescritivo da GNT e, ainda, devido à preocupação de se atrelar a sua imagem de profissional àquela de um professor que não conseguiu dar conta do planejamento pretendido para a série que lecionava. Ainda por ocasião da entrevista, ela declarou que esse assunto figurava-se como parte integrante da lista dos conteúdos que julgava mais importante ensinar na série que lecionava e, por conseguinte, os alunos aprenderem, por se tratar de uma “preparação” (grifo nosso) para o nível posterior, já que eles precisariam ter certo domínio desse assunto na 5ª série.

Em nossas observações, verificamos que Ana explorou o conteúdo supracitado a partir do livro11 didático que possuía como apoio à organização do seu trabalho com a gramática. Desse modo, em todas as aulas que trabalhou com

11

Discorreremos sobre os livros didáticos utilizados pelas mestras para a elaboração e desenvolvimento de suas aulas, na seção que tratará dos materiais selecionados por elas para o trabalho com a análise linguística.

verbos, a mestra buscou nesse material os conceitos e as regras de uso do conteúdo e as escreveu no quadro para que os alunos as anotassem em seus cadernos e sugestões de atividades para fixar a aprendizagem do assunto explorado. Essa mesma dinâmica foi utilizada por ela ao trabalhar adjetivos na classe. Cabe ressaltar que o livro didático não foi o único material utilizado pela mestra para abordar os conhecimentos linguísticos, embora este tenha tido um papel de destaque no desenvolvimento de suas aulas.

Outro fator relevante, ainda relacionado ao uso do manual e ao ensino dos conteúdos da gramática, diz respeito à sequência com que estes foram abordados por Ana. Percebemos que a docente parecia seguir a ordem dos conteúdos disposta no sumário, mas que, em dado momento, avançou em relação aos conteúdos listados, excluindo da sequência, alguns deles, como aconteceu com o ensino dos pronomes, que ficava na lista entre os adjetivos e os verbos, sendo, assim, suprimido pela mestra. Pensamos que esse fato pode ter se dado devido ao período em que os adjetivos foram explorados, com base no que era proposto pelo livro didático estarem atrasados e a preocupação de Ana em não permitir que os alunos fossem para a série posterior sem terem estudado verbos.

Ainda em relação ao trabalho com os conteúdos pertencentes às classes das palavras, durante a entrevista a mestra pontuou que era imprescindível que estes constassem em seu planejamento, mas que a exploração dos mesmos só deveria acontecer quando os alunos já se encontrassem alfabetizados, como podemos ver em seu relato a seguir:

“Conteúdos como substantivos, adjetivos e verbos, têm que constar no programa, a não ser que os alunos não estejam alfabetizados. Nesse caso eu acho inválido ensiná-los, mas se o aluno avançou, se a turma avançou, eu avanço junto com eles, agora claro que o foco não vai ser esse, né?”

Os demais conteúdos explorados por Ana e elencados na tabela exibida no início dessa seção e que representa 6% do quantitativo total da frequência dos assuntos abordados, foram explorados tanto de forma reflexiva como através de exercícios estruturais para a consolidação da aprendizagem de nomenclaturas e

regras. Assim, verificamos que o ensino dos adjetivos, pronomes, sílabas e verbos aconteceram numa perspectiva da gramática tradicional, enquanto que o trabalho com o alfabeto, letras maiúscula e minúscula, ortografia, pontuação e sinônimos se deu de forma articulada à leitura, à produção de textos e à oralidade.

Desse modo, percebemos que a mestra tanto recorreu ao modelo de ensino da gramática tradicional como buscou explorar os conhecimentos linguísticos de maneira mais reflexiva e funcional, sendo a primeira perspectiva predominante na sua prática pedagógica. Assim, concluímos que, dependendo do conteúdo a ser estudado, o trabalho da mestra se aproximava mais de um ou de outro modelo de ensino, ou ainda, através da combinação entre ambos.

Essa postura assumida por ela também foi percebida por Silva (2009). Em pesquisa já mencionada no primeiro capítulo desse estudo, a pesquisadora ao investigar a prática de ensino de dois professores que lecionavam no ensino médio em escolas da rede estadual do Recife, concluiu que os conteúdos selecionados pelos professores para a abordagem em sala de aula, além de servirem como objeto de ensino/aprendizagem, também desempenhou importante papel na definição do(s) quadro(s) teórico-metodológico assumido pelos docentes.

Na seção seguinte, dissertaremos sobre os materiais selecionados pelas mestras ao proporem o trabalho com o eixo da análise e reflexão sobre a língua.

3.4 A natureza dos materiais didáticos selecionados para o trabalho com a

Dans le document Collaborative Location Aware Mobile Services (Page 149-153)