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MATERIALS AND ACTIVITIES

Dans le document Peace Corps (Page 176-180)

Em geral, como veremos neste item, a decisão das mulheres de participarem de uma campanha eleitoral envolve diversos fatores, dentre os quais se destacam: a construção anterior de um capital político que possibilite sua entrada na disputa partidária para ser indicada como candidata do seu partido; as dificuldades estruturais e financeiras enfrentadas durante a campanha; as atribuições familiares que maciçamente ainda são tidas como responsabilidade basilar das mulheres; entre outras. Não foi diferente com as mulheres que foram vereadoras titulares em Florianópolis quando tomaram a decisão de se candidatarem à disputa de uma vaga na Câmara de Vereadores do município, segundo depoimento das entrevistadas sobre como foi o processo de suas campanhas e as dificuldades que enfrentaram.

Clair Castilhos nos contou que fazia parte do grupo de esquerda no interior do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), que mais tarde veio a se constituir no PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), onde ela e o marido se tornaram militantes e estiveram em disputas de direção partidária e de processos eleitorais.

Em uma discussão que buscava um nome deste grupo para participar do pleito eleitoral que se aproximava, em 1982, relata:

precisava de alguém que tivesse bom trânsito em vários lugares, e começaram a falar que seria bom que fosse referência na universidade, que fosse de esquerda, da área da saúde. Aí chegaram no nome do Alcides ou no meu. Preferencialmente o Alcides, porque claro, já tínhamos três filhas, e se hoje as pessoas estranham mulher disputando eleição, muito mais naquela época. O máximo que se fazia além de cuidar das crianças e da família era trabalhar fora, ainda não é tão diferente. O Alcides não aceitou, disse que não tinha perfil e defendeu o meu nome. Falou: ‘isso é coisa pra Caia’, que é meu apelido. Discutimos no grupo, foi aprovado meu nome e eu aceitei. Fui candidata numa campanha com muita gente envolvida, bem interessante e engraçada. Fui a primeira mulher a ser eleita vereadora titular em Florianópolis, na disputa eleitoral de 1982 para legislatura que começou em 1983.

É importante destacar a reação de Alcides, o marido, que, contrariamente ao que se previa, fez questão que Clair saísse como candidata. Ela reflete que o grupo político cogitou o nome dele antes do seu por uma questão cultural ainda bastante comum: a sociedade em geral avalia o fato de que, numa família com crianças, as mulheres devem dar prioridade aos cuidados da prole e do ambiente doméstico. Esse pensamento, segundo Maria Janilma Pereira Nogueira (2012, p. 21), “está ancorado em uma cultura (política) que exclui e é sexista. Nascer mulher ‘significava’ estar destinada para o lar, os filhos, o marido, enfim, a instituição familiar”.

Apesar de estar casada e com três filhas ainda pequenas, Clair demonstrou empolgação e não escondeu o desejo que tinha de ser candidata, conforme escreveu em uma de suas publicações que versa sobre a experiência que teve desde sua candidatura ao parlamento municipal: “É claro que, imediatamente, aceitei a indicação do grupo. Até porque tinha certeza que era este o meu desejo e a minha vocação (se é que se pode chamar assim às coisas que fazemos com o mais

absoluto prazer e motivação!), visceral para a atividade política” (Castilhos, 2013, p. 09).

A atitude de aceitar candidatar-se em 1982 lhe impulsionou para ser a primeira mulher eleita vereadora titular em Florianópolis e a única até hoje a exercer 10 anos de vereança neste município. Estar filiada a um partido político, ter disputado espaços de direção neste partido, fazer parte de um grupo político e aceitar o desafio de ser candidata deslocou Clair de suas atividades habituais para o espaço da disputa eleitoral e o exercício parlamentar, despertando-a para o feminismo e uma participação partidária que se prolonga até os dias de hoje.

Já para Jalila El Alchkar o interesse pela participação política eleitoral e partidária partiu de uma sugestão do seu irmão Cecim. Ela conta:

tinha terminado a pós-graduação no IBAM-RJ com foco no planejamento urbano e fiz um trabalho na prefeitura de Piraí do Sul (PR). Voltei para Florianópolis e passei no concurso público para o IPUF. Penso que o planejamento urbano é a menina dos olhos de qualquer município, mas a equipe técnica do IPUF não era ouvida, valorizada. Fiquei uns meses e pedi exoneração. Eu e uma colega estávamos com um escritório de arquitetura e o Cecim, meu irmão, veio me falar: ‘mana, quer ser candidata a vereadora?’ Ele era muito conversador, tinha vários grupos de amigos. Não foi fácil decidir, mas avaliei que poderia ser bacana e que era possível fazer um trabalho interessante na área do planejamento urbano. Então fui procurar e escolher um partido político para me filiar. Na época, em 1988, o PV (Partido Verde) estava se formando em Florianópolis e em Santa Catarina, tinha uma proposta de mudanças ligada ao meio ambiente, me filiei. Para o PV, a minha eleição foi um fato histórico, pois fui a primeira e única parlamentar do Partido em Florianópolis. Depois da minha eleição não elegeram mais ninguém aqui.

Notamos que também não partiu de Jalila a ideia de sua candidatura. Como ela própria relata, seu irmão sugeriu e a partir disso essa possibilidade começou a ser construída. Sequer era filiada a partido

político e não passava por sua mente, até então, ser vereadora. Seu êxito eleitoral foi uma grande surpresa naquela eleição, já que Jalila não se destacava como uma liderança em nenhuma esfera do movimento social, partidário ou político, tampouco tinha familiares envolvidos em atividades políticas. Talvez o irmão, que lhe sugeriu ser candidata, contava com redes de relações estruturadas na cidade, sendo ele médico pediatra já estabelecido. Porém não há registros nesse sentido e nem mesmo há qualquer menção na fala de Jalila sobre a incorporação deste setor (área da saúde/medicina) como um diferencial em sua campanha eleitoral. Trata-se de uma verdadeira exceção à regra, pois sem nenhum acúmulo de capital político, seja de movimento social ou partidário, raramente as candidaturas obtêm êxito eleitoral, conforme veremos mais adiante.

Em relação à candidatura de Angela Amin, como vimos anteriormente, estava filiada em partidos políticos desde 1980, coincidindo sempre com a mesma agremiação do esposo, Esperidião Amin. Consta no documento “Perfil de Angela Amin”, disponibilizado pelo site da Câmara Federal por ocasião do seu exercício parlamentar, que suas atividades com cargos políticos se iniciaram quando seu marido foi governador de SC (de 1983 a 1987),

em 1983 como Presidente da Fundação de Assistência Social do Estado. À época desenvolveu um projeto de assistência às crianças, denominado PROCRIANÇA40 que repercute no

Estado de Santa Catarina até hoje. Em função disso, foi candidata à vereadora em 1988.41

Quando foi candidata a um cargo eletivo pela primeira vez (1988), obteve um expressivo resultado, conquistando 7.771 votos e a maior votação da história, não superada – até agora - por nenhum candidato a vereador na cidade. No período de 1989 a 1990, presidiu a

40 O Programa Pró-Criança estava voltado para ações com foco no

“desenvolvimento psicossocial da criança de zero a seis anos, num trabalho associado à educação, saúde, cultura e comunicação, entre outros”, conforme consta biografia dos deputados federais no período 2007-2011.

41 Perfil de Angela Amin, documento disponível em:

<http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes- permanentes/cdu/seminarios-e-outros-eventos/participantes-xiii-conferen cia- das-cidades/angela-amin-1>. Acesso em 06 set. 2015.

Associação Florianopolitana de Voluntários - AFLOV, quando seu marido era prefeito de Florianópolis e ela estava na vereança. E, entre os anos de 1987-1990 integrou, como membro titular, o Conselho Estadual de Educação em SC.

Como não conseguimos obter informações diretamente de Angela Amin, acreditamos que o fato de ter se casado, em 1979, com um proeminente político local, que, inclusive, com apenas 27 anos de idade já tinha sido prefeito em Florianópolis (1975-1979), tenha influenciado decisivamente sua inserção na esfera da política partidária. A decisão de ser candidata a vereadora em 1988 também não é detalhada nos documentos que conseguimos ter acesso. Consta em um documento que apresenta algumas informações de seu “perfil” quando deputada federal (2007-2011) que sua candidatura a vereadora em 1988 decorreu do trabalho que liderou à frente de um órgão do governo do estado como primeira dama, principalmente do programa Pró-Criança42.

Zuleika Lenzi por sua vez, conta que se filiou no PMDB ainda durante a ditadura militar, em 1976, que atuava mais nas questões ligadas à área da cultura e trabalhava na UFSC dando aulas. Em função de sua vivência partidária, no final da década de 1980, assumiu a Secretaria Estadual de Cultura e Esporte no Governo de Pedro Ivo Campos. Segundo diz, essa experiência no executivo lhe proporcionou grande conhecimento do funcionamento da máquina pública. Quando começaram as discussões sobre as eleições municipais que se aproximavam, em 1992, Zuleika reflete:

Dentro do partido se dá importância diferenciada para militante e para liderança eleita. Você milita e ajuda outros a se eleger, mas se quiser implementar o que você pensa e defende, é preciso participar do processo político de disputa do poder. Eu já tinha uma participação política importante como secretária de estado da cultura e do esporte. Nesse tempo vivi com todos os atores

42 Mais informações sobre o Programa Pró-Criança podem ser encontradas no

artigo de Marilda Merência Rodrigues (2000) “Pró-criança: uma política

pública para a infância catarinense?”, disponível em:

<https://repositorio.ufsc.br/ handle/123456789/81724>. Acesso em 25 out. 2015.

políticos do estado, fiquei quatro anos nesta Secretaria e vi que a gente pode mudar a vida das pessoas de maneira correta: abrimos bibliotecas, construímos ginásios de esporte, criamos os joguinhos abertos para crianças, o programa recriar, colocamos nossos teatros no circuito nacional e internacional. Aquela fase foi de grande embasamento político, percebi como as forças sociais e políticas se inter-relacionam. Quando professora eu trabalhei muito, me dediquei e dirigi o departamento de cultura da UFSC. Mas na Secretaria de estado fui executora de políticas públicas e nesse lugar tive um grupo de pessoas que foram se aproximando em torno da liderança que eu exercia. Ao começar a discussão para o pleito eleitoral de 1992 no PMDB, esse pessoal cogitou que eu disputasse as eleições. A partir disso, começamos a pensar e organizar o que seria uma campanha. Decidi ser candidata quase um ano antes de iniciar o processo eleitoral. Com esse grupo mapeamos a cidade, buscamos apoios de lideranças, foi um processo bem sistematizado. Conseguimos cabos eleitorais – apoiadores - por toda a cidade. Quando a campanha teve início oficialmente já tínhamos tudo organizado, foi só sair atrás de votos. Constata-se que Zuleika, diferentemente das demais, decidiu com bastante antecedência que seria candidata, com um grupo de apoio estruturou sua campanha e apresentou o próprio nome para o partido, já dispondo de um capital político acumulado por ter sido secretária de estado da Secretaria de Esporte, Cultura e Lazer e também militante, desde 1976, do partido político pelo qual se elegeu vereadora em 1992. Na Secretaria de Estado, assim como Angela Amin - apesar de ser em outro contexto - adquiriu experiência na estrutura do executivo e ficou mais conhecida pela sociedade em geral, fator que contribuiu para se apresentar, no partido, como candidata. Zuleika conta que já tinha se envolvido em várias outras campanhas, porém, à frente da Secretaria, notou que estar no poder significa ter a possibilidade de realmente implementar suas ideias de políticas públicas.

Lia Kleine se filiou ao PCdoB em meados de 1985 e só veio a ser candidata a vereadora em Florianópolis nas eleições de 1996. Ao longo

desses mais de dez anos entre sua filiação e eleição como vereadora titular, foi sindicalista e dirigente partidária de nível municipal e estadual, além de ter sido candidata a deputada federal. Tudo isso lhe rendeu uma importante experiência política, conforme fica evidenciado em sua fala:

Antes de ser candidata nasceu minha filha Helena, em setembro de 1989, durante o processo eleitoral de disputa entre Collor e Lula! Foi um dos momentos políticos de consolidação de minhas ideologias. Sempre gostei de participar de campanhas eleitorais, sendo ou não candidata. Me jogava nas eleições, me divertia, trabalhava bastante, mas era prazeroso, é uma rica experiência. Nas vezes que fui candidata a deputada federal viajei o estado e aprendi muito sobre a realidade rural. Até hoje guardo com carinho o ensinamento de pessoas que foram fundamentais nesse processo. Fui bem votada quando me candidatei a deputada federal. Não fui eleita, mas comecei a ficar mais conhecida e também comecei a conhecer como era ser candidata.

Sendo candidata, Lia foi conquistando popularidade e, ao mesmo tempo, conhecimento sobre a realidade das mais diversas questões da população catarinense. Desta forma, adquiriu capital político, foi preparada e conscientemente preparando-se para disputar com viabilidade eleitoral uma cadeira na Câmara de Vereadores de Florianópolis. Segundo nos conta,

ser candidata a vereadora foi uma decisão do conjunto partidário. Nada aconteceu de um dia para o outro, foi um processo amadurecido. Na época o partido notou que era interessante colocar uma mulher. Não tinha lei de cotas obrigatórias, mas se discutia a participação das mulheres na política, não tão elaborado como hoje. E havia no PCdoB uma força na militância das comunistas para que uma mulher fosse candidata e não tinha resistência dos dirigentes homens nesse sentido. Se via que a sociedade era receptiva à ideia de

mais mulheres na política. Eu tinha potencial eleitoral, não havia discurso contrário ao meu nome dentro do partido, eu estava bem preparada e queria ser candidata. Então aconteceu minha candidatura. Houve concentração e todo o partido fez campanha para mim. Eu não tinha bens materiais para vender e investir na campanha e todo recurso financeiro foi arrecadado com apoiadores, de modo muito simples, com grande esforço e dedicação de centenas de pessoas que se envolveram de diferentes modos na campanha. Foi um sucesso eleitoral, até me pegou de surpresa. Sabíamos que estávamos entre as boas possibilidades, mas fiquei entre as cinco candidaturas mais bem votadas, fizemos votos em todos os cantos. Foi muito trabalhoso, mas também foi muita alegria.

Lia menciona que se percebia a boa recepção da sociedade para as mulheres na política e seu partido impulsionou a sua candidatura. Em consonância a este entendimento, conforme argumenta Marta González (2007), existem fatores de “oferta e demanda” para se eleger em disputas eleitorais e esses fatores atuam conjuntamente: é necessário que se tenha quem queira se candidatar e é necessário calcular a receptividade e chances desta pessoa ser eleita. Neste sentido, dentre os obstáculos mais comuns para as mulheres que querem disputar cargos políticos encontram-se:

aqueles relacionados à visão estreita dos papeis de gênero, as doutrinas religiosas, as condições socioeconômicas discriminatórias, as resistências masculinas ao reconhecimento das mulheres como iguais dentro dos partidos e os fatores institucionais, como determinados sistemas eleitorais (GONZÁLEZ, 2007, p. 30).

Deste modo, por mais que uma série de fatores, associados às questões de gênero dificultassem o êxito eleitoral de Lia Kleine, o apoio recebido de seu partido político foi definidor para ela.

Angela Albino conta que tinha atuação como sindicalista antes de se filiar ao PCdoB, e que a decisão de ser candidata partiu tanto de uma decisão coletiva, no partido, e também de uma vontade sua:

Eu já era dirigente sindical há alguns anos e tinha participado perifericamente das campanhas eleitorais de 2000 e 2002, sem protagonismo, só ajudando outras candidaturas. Foram as minhas primeiras participações partidárias, apesar de só ter me filiado em 2002. Em 2004, foi a primeira vez que estive dentro de uma campanha eleitoral e já era candidata! Isso teve um lado ruim, que era a inexperiência.; e não sabia como fazer as coisas. Mas teve um lado bom e importante em minha formação: a total confiança na direção partidária. Foi assim que me criei politicamente no partido e estruturei minha visão de que deve ser o Partido quem dirige o processo, e não o indivíduo; e que cada partido tem suas ideologias, e são essas ideologias que as candidaturas de cada partido representam.

Angela, assim como Lia Kleine, também foi a única a disputar as eleições por seu partido em 2004. Novamente percebe-se o investimento partidário concentrado na estruturação de sua campanha eleitoral, garantindo o êxito e uma expressiva votação. Mas, diferentemente de Lia, Angela não tinha experiência em disputas eleitorais anteriores, a não ser como apoiadora de outras candidaturas. Apesar de ter tido êxito eleitoral e o envolvimento do conjunto partidário, ela não deixa de fazer críticas ao seu partido em razão do pouco espaço para o protagonismo das mulheres, a partir de sua vivência nas instâncias de decisão:

Quando decidi me filiar ao PCdoB, já tinha uma aproximação com pessoas do partido. Em 2000 ajudei na campanha eleitoral do Nildão, meu colega de trabalho e de movimento sindical. Me filei em 2002 e fui candidata em 2004. Tanto no sindicalismo como no partido, eu percebia a dificuldade de protagonismo das mulheres. Estávamos na militância, mas como dirigentes e parlamentares éramos poucas, ainda somos na política em geral. Me aproximei das mulheres do PCdoB, formamos um núcleo - chamávamos de ‘fração de mulheres’ - onde debatíamos as

protagonismo. Quando começou o debate para candidaturas em 2004, meu nome foi levantado, apesar de nunca ter sido candidata a nada antes na política partidária. Eu não disse que não queria, e as mulheres do partido se entusiasmaram com as chances de ter novamente uma mulher comunista na Câmara - depois da Lia não tinha tido mais vereadora. Fui candidata e o PCdoB manteve a estratégia de concentração: uma candidatura e toda militância se envolve na campanha. Foi um ótimo resultado, ficamos entre os mais votados, passamos de 4 mil votos. Desde então participei como candidata em todos os processos eleitorais e sempre mantive alinhamento com as questões feministas.

É fato que tanto as instituições dos movimentos sociais como os partidos políticos que disputam os espaços de poder, segundo Rodrigues (2005) compõem as sociedades democráticas. Contudo, movimentos sociais e partidos políticos precisam ser aperfeiçoados e estabelecer formas equitativas para ampliar a participação das mulheres, pois, conforme assinalou a entrevistada, as mulheres são maioria em grande parte da base da militância sindical e partidária, inclusive nos movimentos comunitários, mas a cúpula das direções dessas organizações continuam maciçamente nas mãos de homens.

Outro fator interessante a ser observado na fala de Angela Albino foi sua estratégia de se “enturmar” no partido ao qual recém se filiava: aproximou-se das mulheres militantes e formaram um grupo que debatia dificuldades e alternativas para potencializar o protagonismo delas dentro do próprio partido. Segundo conta, como veremos adiante, isso lhe possibilitou conhecer as reivindicações feministas e o feminismo.

Realizar debates feministas no interior dos partidos políticos certamente é um trabalho árduo, pois implica tanto desafiar a maioria masculina que comanda essas instituições, exigindo que esses homens reconheçam a opressão patriarcal que historicamente recai sobre as mulheres e as implicações sociais que isso gerou e gera, quanto exigir que os partidos implementem mudanças concretas, como a adoção das cotas de participação de mulheres nas instâncias de direção e decisão partidária, buscando alterar a estrutura de poder dos partidos políticos.

3.4 CAMPANHAS ELEITORAIS DE MULHERES: CRIATIVIDADE

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