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Markets in Vientiane

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Revision unit 1-5

Lesson 1 Markets in Vientiane

Se no início do século existia um desinteresse generalizado relativamente à questão da educação, este desinteresse agravava-se quando a questão se centrava na educação feminina. Já desde o século XVIII que se fazia sentir esta falta de atenção relativamente à educação feminina, pois seria provável que “por razões económicas e da mentalidade vigente, se pensasse, entre outras coisas, que as mulheres não eram aptas para a instrução, ou que esta se lhes não devia estender, por ser um investimento inútil.” (Lopes, 2005, p. 47). Tal situação é em grande parte justificada, como o afirma Irene Vaquinhas,

pela instabilidade política decorrente das invasões francesas e das lutas liberais, por dificuldades financeiras e, sobretudo, pela ausência das condições estruturais que, nos

países mais desenvolvidos, fizeram avançar a instrução feminina: a industrialização e a existência de uma classe burguesa forte, incentivado de novas necessidades nos campos económico e tecnológico. Acrescem-lhe factores de ordem ideológica, em particular, a permanência de preconceitos pouco favoráveis ao progresso cultural feminino. (Vaquinhas, 2005b, p. 75)

Esta foi uma herança recebida do século anterior, contudo, o certo é que cedo se tornou um dos temas centrais em torno da educação em Portugal, no século XIX. Estando o assunto mulher cada vez mais presente no debate público não é de estranhar que todo o tipo de assuntos a ela relativos suscitassem um cada vez maior interesse, entre eles o tópico correspondente à questão da educação feminina.

Apesar de o movimento feminista não ter surgido como “um movimento organizado ou de massas, ou apoiado num texto fundador ou num corpo doutrinário solidamente estruturado” e antes se ter manifestado «mais sob a forma de actos “breves”» (Vaquinhas, 2005a, p. 47) o certo é que este foi o motor que iniciou toda uma mudança um pouco por toda a Europa, mudança também sentida em Portugal. Ao trazer para o debate público assuntos que faziam notar as diferenças sociais, como as diferenças na educação entre sexos, este foi um ponto inicial de um processo de alteração do estado de coisas.

Tendo deste modo como fontes de maior poder no país os ideias tradicionais e conservadores, a missão com vista à sua alteração por aqueles que eram, à época, a minoria, tornava-se ainda mais complexa, pois a possibilidade de se fazerem ouvir era bastante reduzida. Contudo, estes mesmos excluídos não deixaram parar a luta e continuaram a combater no sentido de tornar a vida social em Portugal mais justa e igualitária.

Como já anteriormente afirmado, dentro deste grupo de excluídos da sociedade que lutaram por alterar o estado de coisas estavam as mulheres. E muito importante foi a sua participação para que esta mesma causa despertasse a atenção necessária e, assim, conseguisse ter o resultado pretendido. Efetivamente, “As mulheres do nosso país, independentemente da classe a que pertenciam, parecem ter actuado de forma benemérita na melhoria das condições das jovens desfavorecidas do seu sexo” (Lopes, 2005, p. 99).

Não lhes faltando uma vontade de intervenção e de mudança, várias foram as mulheres que se juntaram à causa liberal (Lopes, 2005).

Com o objetivo de educar a população, os liberais tiveram que travar uma longa luta, não só contra os ideais absolutistas mas também para conseguirem fazer entender à população, na sua generalidade, a necessidade de uma boa educação. As diferenças entre classes apresentavam-se como mais um obstáculo que se erguia contra a difusão de uma democratização da educação, juntando-se assim aos já existentes problemas vigentes de carácter político ou de mentalidades.

De facto, a educação era, em larga medida, maioritariamente vedada às classes mais baixas. Para colmatar esta lacuna bastantes foram as instituições, privadas e do estado, que procuraram permitir o acesso à educação de várias crianças desfavorecidas. Contudo, embora esta tenha sido uma ajuda que beneficiou várias pessoas, a verdade é que não foi o suficiente para educar todos aqueles que precisavam de ser educados. Acontece que muitas vezes não era permitido às crianças mais desfavorecidas o acesso à educação pela própria família que não encontrava nenhuma vantagem na sua escolarização tendo em vista a sua vida futura. Sublinhe-se de novo que estas diferenças entre classes eram ainda mais notórias quando se tem em conta a educação da população feminina.

Por conseguinte, a já pouca educação aberta às mulheres estaria à partida na sua maioria reservada e direcionada para as senhoras da alta burguesia ou ainda para as religiosas. Para estas estaria destinado um culto das letras e das artes, assim como o ensino das prendas “femininas”, como trabalhos de bordados e vários ensinamentos de ordem doméstica.

Em especial para as mulheres pertencentes às classes mais baixas a educação não era algo acessível. Estas mulheres eram, na sua maioria, desde novas preparadas para seguirem uma vida de trabalho manual, como na tecelagem ou agricultura. Deste modo, a sua educação era considerada um desperdício pois não lhes traria, segundo o que muitos acreditavam ainda, nada de proveitoso para a vida profissional futura que as esperava. Contudo, para as instituições privadas a educação tornou-se cada vez mais necessária e com propósito.

O papel desempenhado pelos recolhimentos, asilos ou outras instituições na instrução e no agasalho de crianças foi muito importante, e ainda mais o daqueles que tinham como objectivo preparar as alunas para o mundo do trabalho. A instrução era assim vista numa perspectiva funcional, em termos de utilidade (idem, p. 109).

Sendo assim, vista com um fim com utilidade, a educação passa a ganhar um maior interesse, mesmo entre o grupo das mulheres. Esta ganha ainda maior destaque com a crescente profissionalização, como já anteriormente mencionado, das mulheres enquanto educadoras. Esta profissão que foi adquirindo mais adeptas durante o século XIX, oferecendo uma maior independência e liberdade, torna-se não só a maior fonte de emancipação durante o século mas também um dos maiores veículos para uma educação feminina cada vez mais presente e com mais impacto junto da população.

Sobretudo em meados do século XIX o país inicia um processo com vista a uma aproximação ao que se considerava uma Europa civilizada, sendo que para tal se torna vital uma educação uniforme a nível nacional e uma inserção cada vez mais ativa da mulher na vida social do país. Assiste-se assim, maioritariamente durante a segunda metade do século XIX, a um crescente aumento de uma onda de emancipação feminina, uma preocupação cada vez maior com a mulher e com o seu estatuto em vários níveis, desde a sua educação à criação de várias medidas que abrem a possibilidade à sua participação ativa:

A emergência de novas formas de sociabilidade, a criação e a difusão de uma imprensa escrita e dirigida por mulheres, o despontar dos feminismos, a formalização de um novo enquadramento legal, o empenho posto pelo Estado na instrução feminina são sintomas inequívocos de mudança, enquanto se difunde um discurso tendente à valorização das mulheres. (Vaquinhas, 2005b, p. 135)

Deste modo, com uma educação que era tão díspar entre homens e mulheres não seria de estranhar que no espaço literário houvesse uma presença muito mais forte de uma escrita masculina. As mulheres no século XIX não só não teriam as possibilidades económicas para investir numa boa educação como também não teriam de todo a oportunidade para a conseguir alcançar. Mesmo as mulheres pertencentes às classes mais

altas, aquelas para quem a educação se encontrava mais disponível e para quem mais oportunidades se abriam, inclusive para estas a literatura continuava um campo difícil no qual entrar.

Com a frágil educação que recebiam, as mulheres não teriam, à partida, os mesmo conhecimentos que os homens. Daí deriva igualmente o descrédito atribuído à sua palavra e às suas ações. Porém, nos finais do século XIX os papéis sociais começam a ser abalados. Cada vez mais mulheres conseguem acesso à educação, e a uma boa educação, e, assim consequentemente, cada vez mais mulheres passam a ver o seu nome impresso em variadíssimas obras, de vários géneros, abrindo novas portas, novas oportunidades, e, acima de tudo, tornando a sua presença no mundo literário cada vez mais notória, o que continua de forma mais acentuda durante o século seguinte, o século XX.

Capítulo 4. – Escritos com viagens em escritoras portuguesas

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