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2. Matrices d’analyse des risques pour les thèmes spécifiés

2.1. Management et pilotage de la prévention des risques

Um Modelo de Valor tem a função de encapsular os mais diversos atributos de valor patrimonial existentes para o tipo de edificação. Os atributos de valor são indicações genéricas de fácil entendimento que orientam pesquisas de preferências com o público-alvo (SPENCER; WINCH, 2002). Para tanto, buscam-se identificar tais atributos, para que medidas financeiras não sejam as únicas medidas de valor para um cliente (Granja et al, 2009). Posteriormente, os atributos de valores poderão ser traduzidos em requisitos de projetos.

O estudo de Spencer e Winch (2002), de como agregar valor a obras, apresentou um Modelo de Valor dividido em quatro categorias-chave (genéricos): i) valor financeiro; ii) qualidade do ambiente interno; iii) qualidade espacial; e iv) simbolismo. A Figura 10 apresenta essas categorias.

Figura 10 – Matriz de Valor Patrimonial (categorias e atributos de valor patrimonial). Fonte: Adaptado de Spencer; Winch (2002)

A Matriz de Valor Patrimonial (MVP) ilustrada na Figura 10 foi uma das “chaves” para o desenvolvimento da pesquisa de Spencer e Winch (2002), e lhes permitiram identificar as categorias e atributos inerentes características do tipo de edificação estudada.

Muitos usuários somente identificam que seus desejos estão distorcidos após a obra finalizada. Isso possivelmente deve ter ocorrido pela falta de engajamento deles desde o início do desenvolvimento de projetos, bem como

também não deve ter ocorrido uma captura precisa de informações. A utilização da MVP permite que usuários apontem seus desejos por meio dos atributos de valor patrimoniais preferidos (SPENCER e WINCH, 2002).

Granja et al. (2009) adaptaram o modelo de Spencer e Winch (2002) para a Habitação de Interesse Social (HIS). E logo a MVP foi dividida em cinco categorias distintas, baseada em resultados preliminares obtidos em pesquisas de Avaliação Pós Ocupação (APO) disponíveis nesse mesmo contexto (KOWALTOWSKI et al., 2006b; KOWALTOWSKI et al., 2006c). As categorias são as seguintes: i) perspectiva financeira; ii) qualidade espacial; iii) qualidade do ambiente interno iv) percepções socioculturais de caráter socioespacial e v) percepções socioculturais referente a valores culturais. Elas contemplam vinte e seis (26) atributos de valor patrimonial, conforme se observa na Figura 11 e Quadro 2.

Figura 11 – Modelo de Valor para a HIS.

Fonte: Granja et al. (2009), adaptado de Spencer e Winch (2002).

Na aplicação de Kowaltowski e Granja (2011), os 26 itens de análise foram transformados em cartas de baralho (ilustrações) e aplicados com moradores de HIS da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano

do Estado de São Paulo (CDHU-SP), de modo a facilitar a pesquisa com um número elevado de respondentes (aproximadamente 200 entrevistas). Dividido em cinco categorias, os moradores classificavam tais cartas por ordem de importância em uma primeira rodada e, sequencialmente, a carta do baralho mais importante de todos os grupos foram comparadas entre elas, gerando uma segunda rodada. A seguir (Figura 12) é apresentados exemplos do “jogo de cartas” utilizado por Kowaltowski e Granja (2011).

Quadro 2 – Esquema da folha de coleta de dados para registro das preferências dos respondentes

PERSPECTIVA FINANCEIRA (5 itens) RÓTULO

Gastar menos com prestações/financiamento/aluguel V1

Gastar menos com consertos, reparos e reformas V2

Ter oportunidade de negócios V3

Gastar menos com as contas de condomínio, água, luz, gás V4

Gastar menos com transporte V5

PERCEPÇÕES SOCIOESPACIAIS (6 itens) RÓTULO

Segurança L1

O lugar L2

Privacidade L3

Aparência do conjunto habitacional (fachadas, limpeza, cores, telhados, janelas,

pisos...) L4

Área comuns (centro comunitário, quadras, parque de diversões) L5

Local para guardar o carro L6

VALORES CULTURAIS (5 itens) RÓTULO

Natureza (área verdes, árvores, flores) A1

Edifícios com aparência de casas A2

Edifícios com aparências variadas A3

Conjuntos menores com menos números de prédios A4

Elementos decorativos A5

QUALIDADE DO AMBIENTE INTERNO (5 Itens) RÓTULO

Iluminação dentro do apartamento Az1

Acústica do apartamento (evitar barulhos de fora, de vizinhos e entre cômodos) Az2

Tamanho e localização das portas e janelas Az3

Qualidade (pisos azulejos, vedação, pintura, esquadrias, hidráulica e elétrica) Az4

Temperatura dentro do apartamento Az5

QUALIDADE ESPACIAL (5 itens) RÓTULO

Novos espaços (varanda, quintal, jardim) R1

Tamanho dos cômodos R2

Apartamento com área maior R3

Mais cômodos no apartamento R4

Disposição dos cômodos dentro do apartamento (localização de cada cômodo no

apart.) R5

Figura 12 - Exemplos de dois cartões. Um da categoria perspectiva financeira, e outro da Qualidade Espacial utilizados nas entrevistas estruturadas de captação de valor desejado no

contexto de HIS.

Fonte: Kowaltowski e Granja (2011).

A hierarquização dos atributos de valor desejado, baseada no Índice Geral de Importância (IGI), pode indicar quais necessidades devem ser priorizados durante o processo de projeto no ponto de vista do usuário para que a tomada de decisões e melhorias projetuais ocorram em função de suas necessidades mais relevantes (KOWALTOWSKI; GRANJA, 2011; RUIZ, 2011; ARAGÃO, 2014). Ver exemplo de IGI no Gráfico 1.

Gráfico 1 – Índice Geral de Importância – Atributos de valor hierarquizados Fonte: A partir de Granja et al. (2009)

16,5% 10,5% 9,6% 8,4% 6,2% 6,1% 5,4% 4,4% 4,0% 3,9% 3,2% 3,0% 2,8% 2,5% 2,1% 1,7% 1,6% 1,4% 1,3% 1,2% 1,1% 0,8% 0,8% 0,7% 0,6% 0,3% Segurança Natureza Condomínio, água, luz e gás Acústica Qualidade Mais cômodos Prestações, financiamento e aluguel Novos espaços Apartamento com área maior Oportunidade de negócios Privacidade Tamanho dos cômodos Edifícios c/ aparência de casas O lugar Conjuntos menores Iluminação Consertos, reparos e reformas Aparência do condomínio Transportes Tamanho e localização das portas e janelas Local para guardar o carro Áreas comuns Temperatura Edifícios c/ aparências variadas Elementos decorativos Disposição dos cômodos

Voordt e Wegen (2013) também citam alguns exemplos de atributos de valor que podem ser incluídos num programa de arquitetura (Quadro 3).

Quadro 3 - Sugestões de atributos de valor para programa de necessidades de edificações.

 Ocupação;

 Orientação (sol, vento, arredores ou entorno);

 Área do terreno a ser construída;  Área útil total e por ambiente;  Volume da edificação, número de

andares e pé-direito desejado;  Desejos relativos a projeto, cor e

estrutura das fachadas, disposição geral e facilidade de organização;  Facilidade de substituição,

deslocamento, ajustes e extensões;  Acessibilidade;

 Limpeza;  Rentabilidade;

 Sustentabilidade e vida útil;

 Sinalização;

 Clareza (entrada, tráfego interno);  Transporte (pessoas, mercadorias) e

distância percorrida a pé;  Remoção de lixo;

 Segurança (contra fogo, roubos, vandalismo);

 Saúde e conforto;  Eficiência;

 Controle ambiental (por exemplo, luz natural);

 Carga nos andares e forças horizontais;

 Necessidade de energia;  Controle do clima interno;  Sistemas de comunicação;  Manutenção técnica;  Valor de utilidade futura;  Método de construção.

Fonte: Voordt e Wegen (2013).

Para Hershberger (1999), os valores são as qualidades mais importantes em um edifício, segundo a percepção do ocupante. Para este autor, os valores podem ser divididos da seguinte forma:

 Humanas: atividades funcionais para ser habitável; relações sociais a serem mantidas; características físicas, fisiológicas; psicológicas e necessidades dos usuários;

 Ambientais: terreno e vistas; clima; contexto urbano; recursos naturais; resíduos;

 Culturais: históricos, institucional, político, legal;

 Tecnológicos: materiais; sistemas estruturais; processos construtivos e de concepção da forma;

 Temporais: crescimento; mudança; permanência;

 Econômicos: financeiro; construção; operação; manutenção; energia;  Estéticos: forma; espaço; significado;

 De Segurança: estrutura; incêndio; químico; pessoal; criminoso (vandalismo).