HANARO FACILITY
X. Bravo, D. Parrat
3. MAIN CLASSICAL EXAMPLES OF FUEL TESTS UNDER NEUTRON FLUX: CASES OF NORMAL, TRANSIENT AND
Blanton, Crocker e Miller (2000) partiram da hipótese segundo a qual a comparação social de sujeitos sob ameaça do estereótipo apresenta peculiaridades em relação às pesquisas gerais a respeito do tema. Usualmente, a comparação com membros superiores do próprio grupo tende a diminuir a autoestima dos participantes do grupo. Sob ameaça do estereótipo, este estado de coisas poderia ser alterado devido ao estigma que paira sobre o grupo como um todo e especificamente sobre o indivíduo como membro do referido grupo. Para testar esta hipótese, estudantes afro- americanas foram colocadas em situação de ameaça do estereótipo, fizeram um teste de QI e depois tiveram contato com confederados. A manipulação experimental consistia na variação do grupo de pertença dos confederados (endogrupo ou exogrupo) que relatavam ter tido (ou não) êxito no teste que as estudantes haviam realizado há pouco. As variáveis dependentes foram medidas de estado de autoestima e estado de humor. Os resultados mostraram que as manipulações experimentais não produziram efeitos significativos no estado de humor dos estudantes. No que diz respeito à autoestima pode-se observar que o confederado branco (exogrupo) que relatou sair-se bem no exame produziu uma diminuição na autoestima das estudantes negras. Após o contato com confederados negros (endogrupo) que relataram sair-se bem no exame, as alunas negras apresentaram um aumento na autoestima.
Marx e Roman (2002) investigaram a influência de modelos do mesmo grupo como atenuadores da ameaça do estereótipo em um grupo de mulheres no domínio da matemática. Após induzir ameaça do estereótipo, a competência do experimentador no domínio do teste foi estabelecida ao se afirmar que o mesmo havia elaborado o teste e que ele ofereceria feedback aos participantes após os mesmos apresentarem suas respostas. O desempenho das alunas foi similar ao dos alunos quando o teste foi aplicado por uma mulher, mas quando o experimentador era do sexo masculino a performance das mulheres e a autoestima momentânea das mesmas mostrou uma deterioração significativa.
Em um experimento subsequente (MARX; ROMAN, 2002), todos os participantes foram levados a pensar que iriam interagir com uma experimentadora após o teste de matemática. A variável manipulada consistia em diferenciar o grau de
competência desta experimentadora. Metade dos participantes foram levados a crer que a experimentadora possuía um alto grau de competência em matemática e a outra metade foi induzida a crer que a experimentadora não era proficiente na disciplina. O desempenho das mulheres que foram levadas a crer na futura interação com uma mulher competente no domínio foi semelhante ao desempenho dos homens. No grupo colocado sob iminência de interação com a experimentadora pouco proficiente em matemática, as mulheres se saíram pior, mas os homens tiveram seu desempenho melhorado. Um terceiro estudo da mesma série também corroborou estes dados, mostrando ainda uma melhoria da autoavaliação das mulheres quando expostas a um modelo feminino de alto desempenho no domínio da matemática.
Marx, Stapel e Muller (2005) elaboraram um experimento no qual a exposição à leitura de um artigo de jornal fictício funcionou como variável independente. Um terço das participantes leram um artigo descrevendo outra estudante com excelente desempenho em matemática, outro terço leu um artigo semelhante sobre uma estudante não tão boa em matemática e o restante dos participantes não recebeu informação alguma sobre o desempenho dos demais estudantes (grupo de controle). Introduzida a ameaça do estereótipo em parte das participantes antes da realização do teste de matemática observou-se que as estudantes expostas ao modelo de aluna excelente demonstraram melhor resultado no teste, suas expectativas de sucesso eram maiores e suas preocupações acerca de julgamentos de outras pessoas menores. Para as estudantes não expostas à ameaça do estereótipo, a exposição ao modelo bem-sucedido do próprio grupo produziu efeitos contrários, indicando que quando a pertença identitária não é saliente no contexto imediato (como acontece no caso da ameaça do estereótipo), a exposição ao modelo de sucesso é contraprodutiva.
Em outro experimento da mesma sequência (MARX; STAPEL; MULLER, 2005), os autores investigaram se, para produzir redução da ameaça do estereótipo, o domínio de excelência do modelo precisava ser o mesmo daquele da atividade a ser executada pelo sujeito sob ameaça. As estudantes foram expostas a modelos de mulheres bem-sucedidas em matemática (mesmo domínio) ou em domínio diferente (esporte) da atividade à qual elas seriam avaliadas. Os resultados do teste de matemática mostraram que apenas a exposição a modelos bem-sucedidos de mulheres em matemática foi bem-sucedido em reduzir os efeitos da ameaça
destereótipo. A exposição ao sucesso de mulheres em outros domínios não melhorou o desempenho das mulheres em matemática especificamente. Este achado é relevante pois lança luz sobre a dimensão do estímulo que pode estar funcionando como redutor da ameaça, (mulheres bem-sucedidas no domínio avaliado) ao invés de pressupor a utilidade genérica de qualquer relação entre membros do grupo e o sucesso em geral.
Marx e Goff (2005) investigaram a influência das características do aplicador do teste no desempenho dos sujeitos avaliados. Neste experimento, os aplicadores do teste foram estabelecidos como competentes no domínio avaliado e a ameaça do estereótipo foi induzida. Os avaliadores eram brancos ou negros, e os alunos eram solicitados a explicitar sua raça antes do início do teste. Os resultados do teste mostraram que os alunos negros tiveram seu desempenho prejudicado quando o teste foi aplicado pelo avaliador branco. Os alunos brancos não mostraram diferenças entre as duas condições. Assim, a apresentação de modelos do mesmo grupo, mostrou-se um moderador do efeito da ameaça do estereótipo, sem prejuízo algum para membros dos grupos não estereotipados.
McIntyre e colaboradores (2005) investigaram a hipótese segundo a qual a exposição à modelos de sucesso do próprio grupo pode diminuir os efeitos da ameaça do estereótipo. Adicionalmente procuraram avançar as pesquisas no sentido de investigar o quanto de exposição seria necessário ou suficiente para que este efeito ocorresse. Alunos e alunas foram solicitados a responder questões de matemática. As alunas eram informadas que as mulheres tendiam a se sair pior nestas tarefas do que os homens. Antes de responderem ao teste, a manipulação experimental alocava os sujeitos a lerem 0, 1, 2, 3, ou 4 artigos sobre mulheres bem-sucedidas. O desempenho das mulheres expostas à ameaça, mas que não leram nenhum artigo foi pior do que o desempenho dos homens. Esta diferença desaparecia quando se comparou o desempenho dos homens com o das mulheres que leram pelo menos um artigo. O dado mais significativo obtido foi o aumento linear dos escores das alunas em par com o aumento do número de artigos lidos. Ou seja, quanto maior a exposição a modelos de mulheres bem-sucedidas, maior a diminuição dos efeitos danosos da ameaça do estereótipo.
A exposição do sucesso de outros membros do grupo como forma de diminuir os efeitos da ameaça do estereótipo também foi investigada por McIntyre, Paulson e Lord (2003). Após induzirem uma situação de ameaça do estereótipo no
domínio de matemática, os pesquisadores expuseram as estudantes do grupo experimental a textos biográficos de mulheres bem-sucedidas, e as participantes do grupo de controle a textos sobre corporações bem-sucedidas. A performance no teste de matemática mostrou que os efeitos da ameaça do estereótipo foram reduzidos mediante a exposição à modelos de membros bem-sucedidos do endogrupo.