HANARO FACILITY
X. Bravo, D. Parrat
4. ACCIDENT TYPE TESTS
Aronson, Fried e Good (2002) buscaram investigar se diferentes modelos atribuição de inteligência poderiam ser moderadores da ameaça do estereótipo. Em uma pesquisa de campo, três condições foram criadas: 1) estudantes foram solicitados a escrever uma carta para um aluno que enfrentava dificuldades acadêmicas de forma que enfatizasse a inteligência como algo maleável, como um músculo que pode crescer com o esforço, 2) de forma que enfatizasse a existência de várias formas de inteligência ou, 3) foram alocados no grupo de controle, no qual não escreviam nada. Vários dias depois da intervenção os alunos (especialmente os negros) do grupo que descreveu a inteligência de maneira maleável, mostraram-se mais satisfeitos com a educação e a valorizavam mais do que os sujeitos dos outros grupos. Adicionalmente, as notas dos sujeitos, coletadas 9 semanas depois, mostraram melhoras significativas para o grupo daqueles que foram levados a endossar uma visão maleável da inteligência. Os brancos mostraram um efeito similar, mas em magnitude menor.
Como uma continuação e refinamento do estudo anteriormente descrito, Good, Aronson e Inzlicht (2003) buscaram comparar o efeito de diferentes formas de atribuições aplicadas às dificuldades acadêmicas. Em amostras de estudantes do sétimo ano (seventh grade), que receberam tutoria de estudantes universitários por um ano, três grupos foram formados. Além das discussões usuais, as manipulações experimentais consistiam em inserir em um grupo discussões sobre o caráter maleável da inteligência, em outro o caráter temporário e externo das dificuldades acadêmicas e no terceiro grupo foram combinadas ambas as mensagens. O grupo de controle foi composto por amostra na qual a discussão girou em torno de assuntos relacionados à drogas. O desempenho dos alunos em matemática e leitura foi mensurado. Em matemática, os garotos mostraram melhores desempenhos do que as garotas na condição de controle, mas não foi observada diferença nas outras três condições. Em
leitura, o grupo que enfatizou uma visão maleável da inteligência e causas externas das dificuldades mostrou melhor resultado do que o grupo de controle. O grupo que foi exposto às duas condições não apresentou melhora.
O impacto dos estilos de atribuição foi investigado por Dar-Nimrod e Heine (2006), valendo-se da metodologia de teste-reteste. Os participantes do experimento foram submetidos a um teste de matemática, depois a um teste de compreensão textual e novamente a um teste de matemática. A manipulação experimental consistia no conteúdo do texto apresentado entre os testes de matemática. O primeiro e o segundo grupo leram um texto sobre as diferenças entre homens e mulheres em matemática. Em um dos textos esta diferença era atribuída a fatores genéticos e no outro texto a fatores experienciais. O terceiro texto negava qualquer diferença entre homens e mulheres em matemática e o quarto texto, apesar de tratar de questões de gênero não mencionava diferenças de performance em matemática. Os piores desempenhos foram observados nos grupos que leram ou texto que atribuía a fraca performance das mulheres a fatores genéticos ou o texto que enfatizava a diferença entre os gêneros, mas não mencionava a performance matemática especificamente.
Resultados como estes mostram que atribuir diferenças de desempenhos a fatores genéticos tende a comprometer a performance dos membros incluídos nestes grupos. Por outro lado, quando a diferença entre os grupos é explicada fazendo-se referência a fatores experienciais, os efeitos adicionais da ameaça do estereótipo tendem a ser eliminados. Este achado é importante porque em muitas situações, a negação da existência de diferença entre os grupos não é viável ou crível, mas mesmo assim, tem-se uma forma experimentalmente fundamentada de eliminar os efeitos da ameaça do estereótipo.
Sawyer e Hollis-Sawyer (2005) elaboraram um estudo para examinar a influência de fatores individuais e contextuais sobre a performance em um teste de habilidade cognitiva. Os fatores individuais foram medidos através de um inventário relativo aos cinco grandes fatores da personalidade e questões referentes à concepção de inteligência (maleável ou estável) foram aplicados. A ameaça do estereótipo foi manipulada como variável contextual. Os resultados mostraram que os sujeitos que atribuíam um caráter estável à inteligência eram mais propensos a sofrer os efeitos da ameaça do estereótipo e produziam resultados piores no teste. Este dado é importante
por mostrar que o modelo atribucional de inteligência não apenas reduz os efeitos da ameaça do estereótipo, mas é um fator individual preditor da suscetibilidade de ocorrência do próprio fenômeno.
Em uma série de experimentos Goff, Steele e Davies (2008) investigaram a influência da ameaça do estereótipo sobre o comportamento de sujeitos brancos prestes a interagir com sujeitos negros em um contexto no qual havia a possibilidade de aqueles serem vistos como racistas. Depois da manipulação experimental que induzia esta ameaça do estereótipo, os sujeitos eram solicitados a organizarem as cadeiras para a interação. Valendo-se do paradigma da distância física como variável dependente, observou-se que a introdução da ameaça do estereótipo aumentava a distância das cadeiras, indicando que os sujeitos brancos pareciam temer confirmar, na discussão por vir, o estereótipo de que eles eram racistas. Nos grupos cuja manipulação não induzia a ameaça, ou os parceiros de conversação fossem também brancos, os sujeitos brancos organizaram as cadeiras mantendo uma distância mais próxima uma das outras.
No terceiro experimento desta série, os sujeitos foram induzidos mediante a leitura de um texto a considerar concepções incrementais ou entitativistas de comportamento (DWECK, 1999). O modelo de atribuição entitativista enfatiza aspectos mais estáveis do comportamento, usualmente relacionados à habilidade, como sendo responsáveis pelo desempenho O modelo atribucional incrementalista, por sua vez, ressalta a dimensão do esforço e aspectos mais maleáveis do repertório comportamental. Os resultados deste experimento mostraram, que tal como já se havia observado nas pesquisas sobre modelos de atribuição, os efeitos produzidos pela ameaça do estéreotipo também foram menores para o grupo induzido a adotar uma visão incrementalista do que para o grupo induzido a adotar uma visão entitativista do comportamento. Tais resultados são importantes por mostrar a convergência de duas linhas de pesquisas produtivas, e por apontarem o modelo atribucional como um mediador capaz de potencializar ou mitigar os efeitos da ameaça do estereótipo
Thoman e colaboradores (2008) elaboraram um experimento com o objetivo de investigar que dimensão do estereótipo é afetado pela ameaça do estereótipo. Especificamente no caso do estereótipo envolvendo o baixo desempenho de mulheres em matemática, hipotetizaram que o estereótipo diz respeito à habilidade das mulheres na disciplina e não ao esforço das mesmas. As participantes foram
alocadas em três grupos. O primeiro grupo foi exposto à uma prova difícil de matemática e iniciou a atividade prontamente (Controle da ameaça do estereótipo). O segundo grupo foi exposto a um texto no qual se enfatizava a superioridade dos homens em matemática e se atribuía esta superioridade a diferenças genéticas (ameaça da habilidade). O terceiro grupo lia um texto no qual a superioridade masculina em matemática era atribuída não à maior habilidade, mas a um maior esforço (ameaça do esforço).
Os resultados mostraram que quando o esforço é ameaçado, as participantes tentam menos questões, mas acertam mais itens no geral do que os participantes alocados nos outros grupos. Tanto no grupo de controle quanto no grupo de ameaça da habilidade, as participantes tiveram seu desempenho igualmente prejudicado quando comparados com o grupo de ameaça do esforço. A atribuição das diferenças de gênero em matemática, mesmo quando não explicitamente mencionada, parecem atrelar-se a habilidade, como parece indicar a correlação dos dados do grupo de controle com o grupo de ameaça da habilidade. Por outro lado, os resultados apontam para a maleabilidade das atribuições referentes ao esforço, que funcionam como fator moderador dos efeitos da ameaça, diminuindo o prejuízo causado pelo estereótipo. Ou seja, mesmo sem negar a existência de uma diferença de resultados entre o grupo masculino e feminino, ao se atribuir esta diferença ao esforço ao invés de à habilidade pode-se produzir uma diminuição na diferença final observada.