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Méthodes de détection directionnelles

2.3 Description et analyse des méthodes existantes

2.3.9 Méthodes de détection directionnelles

todos os seres. Para um ser humano cultivado espiritualmente, nada do que ocorre no mundo lhe é alheio e sente-se parte de um Todo orgânico e, num constante dinamismo frente a si mesmo, aos outros, à natureza e ao Outro. Neste sentido, diz Torralba:

“A inteligência espiritual gera a consciência cósmica ou relacional, que consiste em sentir-se parte de uma unidade com todos os demais, com todos os seres, humanos e não humanos. Capacita a tomada de consciência da fraternidade entre tudo quanto existe. Isto significa que o cultivo da mesma liberta da prisão do ego, rompe as fronteiras entre o que eu sou e o que me separa do mundo, num movimento de perdão, de abnegação e amor”143

.

A inteligência espiritual é a capacidade de reconhecer que somos mais que a mente, é a capacidade de transcender o ego. “O QEs é a inteligência que reside na parte profunda do Eu que está ligada à sabedoria para lá do ego, ou mente consciente, é a inteligência com a qual não só reconhecemos os valores existentes, mas ainda descobrimos criativamente novos valores”144

.

Assim, esta inteligência está em potência em todo o ser humano e requer um cultivo e uma educação para que se articule e desenvolva em plenitude. Mas que tipo de educação privilegiar?

O objetivo da educação do novo milénio não pode centrar-se exclusivamente na transmissão de informações e conhecimentos. Vemos, como nas atuais práticas educativas, está tão enraizada a ideia de transmissão de informações e conhecimentos. A avaliação interna e externa da escola obedece a critérios numéricos e rankings percentuais do saber saber e não tanto do saber ser e ser com os outros. É aqui que reside a beleza do lugar cimeiro, oásis, da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica, no sistema educativo da escola pública. Mas disto falaremos quando abordarmos a importância desta disciplina no desenvolvimento da inteligência espiritual.

A autêntica finalidade da ação educativa é ajudar a criança, o adolescente e o jovem a descobrir e a desenvolver, de forma equilibrada e harmónica, todas as suas dimensões e capacidades, facultando-lhes os recursos necessários para o

143 Francesc TORRALBA, Inteligencia Espiritual, op. cit., 153. 144

desenvolvimento das suas inteligências e acompanhando-os no seu processo de maturação, que se desenvolve num contexto social, e que podem melhorar contribuindo com a sua originalidade e criatividade. Com isto estaremos a favorecer a construção da sua capacidade para ser feliz. Saber qual é o sentido de sua existência, para que vive e que sentido se dá à própria vida, é imprescindível para a realização de cada indivíduo. O ser humano é criado para a felicidade e aí está o grande objetivo de toda a pessoa, ser alguém, construir algo e realizar-se.

O termo felicidade está associado ao de inteligência porque, graças a esta, a pessoa tem a capacidade para compreender e resolver problemas e fazer escolhas com sentido. Assim, a inteligência espiritual abre-nos à questão do sentido, permite-nos perceber os pontos fortes e os mais débeis da nossa vida. Isto é essencial para concebermos, inteligentemente, um projeto de vida feliz e isto só é possível pelo recurso a todos os tipos de inteligência, incluindo, a espiritual.

Qual é o sentido da vida? Esta é uma inquietação constante que perpassa o interior de todas as pessoas. Consciente ou inconscientemente, todos sem exceção, buscam a felicidade.

Muitos de nós, educadores, pensamos que a felicidade dos nossos alunos só vai acontecer no futuro, na medida em que sejam capazes de assimilar todas as competências, conhecimentos, destrezas e atitudes, que no futuro darão os seus frutos e lhes abrirão a porta à realização de um projeto de vida, e que, assim, consigam ser felizes, etc. Mas estaremos realmente a ajudar os nossos alunos a aprender a serem felizes, no aqui e no agora?

Um dos princípios básicos é de que não existe uma educação neutral, porque é o encontro, antes de mais, entre duas subjetividades, entre dois seres humanos distintos: educador e educando.

Mas o que é educar? Na educação, é essencial ter-se em conta que ela é um processo contínuo e harmonioso. A expressão educação vem do latim e compõe-se de duas palavras: ex e ducere. Ambas querem dizer que, de dentro, se faz sair algo para fora com a ajuda de outro.

A primeira tarefa do educador é acompanhar os educandos no caminho em direção à sua interioridade, um caminho que está longe de ser fácil de percorrer. O educador sábio é aquele que inspira e ajuda a desabrochar o que já existe no interior do

educando e ajuda a gerar condições interiores que possibilitem a experiência de Deus, objetivo último da educação para a interioridade.

Esta perspetiva assenta na convicção de que a pessoa é o sujeito da sua história e do seu processo de vida, que se reconhece para além de si: original, único e individual, mesmo que relacionado com o outro. O educador, para tanto, apenas conduz, impulsiona, dá estímulos e ajuda a desdobrar o que está no mais íntimo e que é o anseio da pessoa para descobrir o seu potencial e realizar-se. A educação assim pensada ajuda a afirmar a autovalorização e a consciência da própria dignidade; capacita para a vida e fomenta uma sã autonomia pessoal.

Qual é a tarefa educativa? Acompanhar no caminho do conhecimento pessoal e fazer emergir as potencialidades interiores. Esta dupla tarefa representa, acompanha e educa o movimento e a respiração vital de todo o ser que consiste em reconcentrar-se para irradiar. Lançar o olhar sobre a interioridade é descobrir que temos um tesouro, um potencial e uma força interior que nos permite gerir positivamente as situações da vida.

Este conhecimento permite-nos ouvir, para integrar as nossas luzes e as nossas sombras; para escutar a natureza, usufruindo dela, mas respeitando-a; para escutar os outros, acolhendo-os em nosso ser; e para desenvolver através deste caminho de três dimensões, a nossa sensibilidade para o Mistério, entendida como elemento fundamental com esse Todo de que somos parte.

A educação resulta de um determinado lugar, contexto, expressa um conjunto de crenças e valores. O olhar humano nunca é neutral. A subjetividade é própria da condição humana que se encontra encarnada num determinado tempo e espaço, condicionada por múltiplos fatores psicológicos, sociais, religiosos, etc.

Passamos a apresentar alguns caminhos, não os únicos, para podermos educar para a inteligência espiritual.

2.3.2. Seis caminhos para uma maior inteligência espiritual (dever, cuidar,