Chapitre 1 – Etat de l’Art
III. Caractérisation du pathosystème associé à l’Esca
III.4. Métabolites secondaires impliqués dans la pathogénicité
Não existem pontos de rupturas na história do MAB, nem houveram momentos claros de debate que externalizasse discordância de opinião ou embate de idéias significativo nos congressos e instâncias de decisão. As mudanças que ocorrem se processam em longos períodos e derivam do avanço do debate coletivo articulado com a formação política e estudo da realidade, fundamento para tomada de decisões estratégicas no MAB. Assim, progressivamente, o debate em torno da necessidade de um movimento dos atingidos forte e unificado toma corpo na mesma medida em que se afastam voluntariamente do MAB, lideranças e organizações que não viam um papel relevante ao MAB.
As recomendações do Congresso de 1999 passam, aos poucos, a serem implementadas em algumas regiões. Percebe-se uma clara estagnação das organizações regionais que objetivavam manter seu formato original, seja pela perda de referência política, pela diluição da identidade de atingido nos sindicatos e movimentos diversos, pela insistência de grupos de assessoria de se manterem como protagonistas principais da luta dos atingidos. Ao mesmo tempo, o MAB no sul do Brasil (antiga Crab) tem energias liberadas com o término das obras da UHEs Itá e Machadinho, que em mais de duas décadas de luta, fizeram emergir dezenas de militantes dispostos a ajudar os atingidos a se organizarem em outras barragens pelo país.
Aos poucos, o MAB toma nova feição. A nível de Coordenação, ocorre um esforço de coesionar os movimentos regionais em torno do movimento nacional, com pautas fortemente focalizadas em questões políticas macro e com a realização efetiva de mobilizações em datas específicas unificadas a nível nacional, em geral duas vezes ao ano, onde cada região realiza sua ação de massa (ocupação, caminhada, ato público etc) e uma pauta de negociação é apresentada por uma comissão de atingidos diretamente em Brasília. Os atingidos dispostos a ajudar a organizar o MAB em outras barragens passam a investir em várias regiões, mapeando lideranças, articulando comunidades, fundando grupos de base e coordenações locais. Ocorre nesse caso uma inversão, antes o MAB Nacional refletia a realidade das organizações locais, agora passa a ser o elemento promotor destas organizações. Ao mesmo tempo, um agressivo programa de formação política e educação popular busca criar as condições para o surgimento e capacitação de novas lideranças pelo país. O público principal das atividades de formação
são os jovens. A própria coordenação nacional do MAB fortalece sua coesão interna através de intensiva programação de estudos e debates teóricos sobre a sociedade e o modelo energético, que costumam ocupar até 2/3 do tempo das suas reuniões deliberativas.
A coordenação nacional do MAB se fortalece, ao mesmo tempo em que se dissemina diferentes grupos de trabalho a nível nacional, encarregados do processo de formação, organização e lutas, finanças, educação etc. O coletivo de educação, em especial, foi responsável pela alfabetização de seis mil jovens e adultos atingidos por barragens, somente no ano de 2005. Convênios entre o MAB e entidades educacionais, propiciam a entrada de atingidos por barragens em cursos técnicos, de graduação e especialização, constituindo um quadro melhor qualificado de militantes. Ao mesmo tempo, o MAB redefine sua relação com os assessores, que permanecem com um papel importante junto ao Movimento, mas secundário em relação ao protagonismo dos atingidos.
Estas mudanças se refletem na redefinição dos espaços de deliberação do MAB. O congresso nacional que reunia os representantes das organizações regionais é abolido. Em seu lugar, passam a ser realizados encontros nacionais massivos reunindo as lideranças locais e dos grupos de base do MAB. Isso significou o aumento em 10 vezes, o público dos Encontros, em relação aos Congressos. As organizações regionais se dissolvem, desaparecem ou se afastam do MAB. O 1° Encontro Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens, realizado em junho de 2003 em Brasília, contou com participação de aproximadamente mil delegadas de 16 estados da federação, onde foi reafirmado que o método de organização do MAB é através dos grupos de base, instância de organização, multiplicação das informações e resistência às barragens. O 2° Encontro Nacional é realizado em março de 2006, em Curitiba. Entre os dois encontros, em maio de 2004, o MAB realiza a “Marcha Nacional Águas pela Vida”, com mais de 600 atingidos caminhando de Goiânia à Brasília, para exigir mudanças no setor elétrico nacional.
Nota-se que ao contrário do que possa parecer, o período marcado pela afirmação do MAB como movimento unificado não significa perda da autonomia das organizações regionais. O significado da organização nacional no MAB, segundo Trindade, é dado pela definição de um movimento autônomo, de luta, de base, de massa e de militantes, com rostos regionais, que escolhe como forma de luta para conquistar e garantir os direitos imediatos e
históricos da classe trabalhadora, o caminho do enfrentamento (2005 p. 18). Cada região mantém a definição de sua luta específica de acordo com a barragem que enfrenta. O MAB a nível local mantém diversas formas de organização, de acordo com as realidade regionais. Nas jornadas de lutas nacionais, são as regiões que definem suas ações de acordo com suas possibilidades. A unificação dá-se nos símbolos, na bandeira, na forma de mobilização, nas ações conjuntas e articuladas, na construção de um projeto comum, de pautas nacionais discutidas nos grupos de base, nos encontros, espaços de formação e diferentes níveis de coordenação. Agora, para os seus integrantes e grupos sociais que se relaciona, já não há mais o MAB Nacional e organizações locais, há só o MAB.