Guy Standing and Ian Orton
4. The Lure of Conditionality
Desde criança, Julieta Pordeus Gadelha estudou na Escola Normal São José, uma instituição de ensino que educava e preparava os estudantes para a formação docente. Foi fundada em 1939 com o nome de Colégio São José e teve como diretor, o próprio fundador deste educandário, professor Virgílio Pinto de Aragão - professor Senhorzinho, tio de Julieta.
No mesmo ano, amparado pelo Decreto n° 1414 de 30 de maio, passou a funcionar no referido colégio, a Escola Normal, que formava professores, utilizando a denominação Colégio São José - Escola Normal. Segundo Julieta, “viu o Colégio São José coroado o seu incipiente êxito, pelo reconhecimento de parte do governo do Estado, do seu curso normal em funcionamento, como Escola Normal Livre” (GADELHA, 1986, p. 69). Para a escritora, esta foi uma conquista alcançada pelos sousenses, como a “mais justa solução do problema educacional sertanejo”.
Para a abertura do Colégio São José Escola Normal, no município de Sousa, houve toda uma preparação uma vez que eram instituições educacionais que representavam a instrução da elite, por isso, seus enormes espaços, fachadas e janelas aludiam a uma classe social que lá estudava.
[...] As escolas normais, plantadas inicialmente nas principais cidades do país, buscam, desde suas fachadas, frequentemente solenes, indicar a todas as pessoas que por ali passam que são distintas dos demais prédios, que têm um objetivo especial. (LOURO, 2012, p. 455)
Imagem XVIII: Colégio São José - Escola Normal Fonte: Arquivo pessoal de Evilásio Marques Pinto, Seu Vila, filho do professor Virgílio
Pinto de Aragão.
Na imagem acima, podemos perceber a arquitetura que lembra uma enorme casa, com portas e janelas grandes denotando a ideia de espaço reservado para atividades educativas necessárias à formação de professores. Eram os colégios espaços educativos que se assemelhavam as casas, uma vez que, suas raízes remontam os internatos, causando certa “intimidade entre lugar onde se estuda e vive” (OLIVEIRA, 2006, p. 27).
Esta arquitetura se explica porque antes do funcionamento da Escola Normal, existia no mesmo local, a Casa da Caridade, um internato que recebia e educava meninas órfãs, que geralmente, eram deixadas na roda dos enjeitados. O gerenciamento da casa ficava por conta das freiras que foram “responsáveis pela educação das órfãs que ali eram deixadas.” (PINTO, 2008, p. 100).
Em seu livro Antes que ninguém conte, Julieta Gadelha relatou que o sobrado da Casa da Caridade foi uma doação do Padre José Antônio Marques
Guimarães transformando-se em “orfanato erigido pelo benemérito Padre Ibiapina”. O orfanato funcionou durante muitos anos até que as freiras foram cedendo lugar para a abertura da Escola Normal. (GADELHA, 1986, p. 69).
Fundada e instalada em prédio pertencente ao vigário José Antônio Marques da Silva Guimarães, em 1868, a Casa da Caridade era especialmente destinada aos infelizes órfãos. Na “roda” do casarão iam sendo depositadas as crianças rejeitadas, os órfãos de pais vivos e mortos, aqueles em especial, que foram conseqüência de erros de uma sociedade que castigava os que assumissem as próprias faltas. (GADELHA, 1986, p. 92)
São muitas as histórias contadas por Julieta Gadelha sobre o que precedeu a abertura do Colégio São José, entre estas, a forma de gerenciamento das beatas e o destino dos (as) meninos (as) órfãos. Segundo Oliveira, (2006, p. 29), nessa época, “moradia, escola, igreja compunham, então, uma síntese inextricável, nos internatos dirigidos por religiosos”.
Recebidos na “roda” ou na porta, os meninos eram amparados pelas beatas, as mães, talvez, que haveriam de conhecer para o resto da vida. Os meninos, depois de uma certa idade, ficavam sob a responsabilidade do vigário, que arranjava uma casa – em geral do padrinho – ali acabando de crescer e trabalhando para o seu protetor. As meninas aprendiam trabalhos manuais e ficavam aptas no manejo da agulha, nos serviços domésticos, sendo habilidosas no preparo de bolos, doces e salgados. Da Caridade elas saíam somente para casar, quando não encontrava alguém que as quisesse adotar. (GADELHA, 1986, p. 92)
“Posteriormente, os internatos passariam a ser desativados, tornando os colégios apenas casas de escola” (OLIVEIRA, 2006, p. 32). Não foi diferente, portanto, com a Casa da Caridade no município de Sousa - PB. Aos poucos, últimas beatas “foram morrendo, foram dispersando, a Caridade já não recebia órfãs, até que fechou de uma vez. As últimas irmãs dezertaram os quartos mal-assombrados cedendo lugar à atividade de um centro de ensino”. (MARIZ, 1980 p. 207 apud GADELHA, 1986, p. 94). Em 1939 inaugura-se o Colégio São José,
data em que despontava uma nova era no setor educacional e procurava-se libertar da dependência dos grandes centros culturais como Campina Grande, Mossoró-RN e João Pessoa na Paraíba para a conscientização de uma filosofia baseada na moderna pedagogia de ensino. (PINTO, 2005)
De acordo com o tipo de educação que se apresentava na época e a moderna concepção de ensino, baseada nos preceitos de uma Escola Nova ou Pedagogia Renovada, que tinha como característica a adoção de processos pedagógicos ativos, a “valorização da criança, dotada de liberdade, iniciativa e de interesses próprios e, por isso mesmo, sujeito da sua aprendizagem e agente do seu próprio desenvolvimento” (LIBÂNEO, 1994, p. 62), o Colégio São José - Escola Normal se modificou para atender as essas novas exigências educacionais.
[...] Foram abertos amplos salões de aula, de acordo com as normas de higiene escolar; construíram-se parques para educação física e áreas abertas para recreio e iniciação de clubes agrícolas escolares; dotou-se, enfim, o Estabelecimento de mobiliário novo e de material pedagógico á altura da moderna concepção do ensino. (GADELHA, 1986, p. 69)
Imagem XIX: Estudantes no interior do Colégio São José - Escola Normal Fonte: Arquivo Pessoal de Julieta Podeus Gadelha
Na imagem anterior, podemos ver o pavilhão em que as crianças eram levadas para eventos festivos e para cantar o hino nacional em ocasiões específicas, tais como o dia da bandeira. O pavilhão era um espaço aberto, ao ar livre, ladeado das salas de aula e da sala da diretoria. Esta estrutura arquitetônica, embora tenha sido modernizada, permanece até os dias atuais.
Entre as estudantes que aparecem na imagem, estão Julieta Pordeus Gadelha (a quarta da esquerda para a direita, na fileira de baixo) e sua irmã Criseuda Pordeus Gadelha, a primeira da mesma fileira. Ambas iniciam seus estudos no ano de 1946. Nesta imagem do interior do Colégio São José - Escola Normal, percebemos a amplitude dos espaços, além das janelas e portas compridas que aludiam às novas exigências de cunho higienistas da época.
Em 2 de janeiro de 1946, o Decreto-Lei de número 8.530 da Lei Orgânica do Ensino Normal, em seu capítulo III, discorre sobre os tipos de estabelecimentos de Ensino Normal:
Art. 4º Haverá três tipos de estabelecimentos de ensino normal: o curso normal regional, a escola normal e o instituto de educação.
§ 1º Curso normal regional será o estabelecimento destinado a ministrar tão somente o primeiro ciclo de ensino normal.
Imagem XX: Fachada da Escola Normal Regional São José - Sousa PB Fonte: arquivo pessoal de Evilásio Marques Pinto (Seu Vila)
A partir desta lei, o Colégio São José - Escola Normal passou a se chamar de Escola Normal Regional São José, formando professores regentes do ensino primário, em quatro anos. No capítulo II, dispõe sobre os ciclos e cursos do Ensino Normal dividindo-os da seguinte forma:
Art. 2º O ensino normal será, ministrado em dois ciclos. O primeiro dará o curso de regentes de ensino primário, em quatro anos, e o segundo, o curso de formação de professôres primários, em três anos.
Art. 3º Compreenderá ainda o ensino normal cursos de especialização para professôres primários, e cursos de habilitação para administradores escolares do grau primário.
Imagem XXI: diploma de Regente do ensino primário da Escola Normal Regional São José - Sousa PB.
De formação religiosa católica, já que a Colégio São José - Escola Normal foi fundada por iniciativa de vigários locais e baseada nos princípios do operário São José, pai de Jesus, os estudantes eram preparados sob os preceitos da fé cristã católica, através de inúmeras festividades religiosas, como a primeira eucaristia, além de adotar o ensino religioso como disciplina.
Outro fator marcante que favorecia a direção espiritual católica era o fato de estar localizada ao lado da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, que na época, era a igreja matriz da cidade. Todos estes fatores faziam do Colégio São José um local, por excelência, para a educação da juventude.
O contexto social que vivia o município de Sousa na época da fundação do Colégio Normal São José é caracterizado, através de inúmeras fontes, como sendo de forte influência da religião católica e conservadorismo na estrutura social. “Vivíamos em Sousa, na Década Quarenta, um clima de distinção, religiosidade católica, apostólica, romana e muito conservadorismo na sociedade [...]” (MATOS, 2004, p. 24).
A influência da Igreja Católica se dava através da presença dos vigários e freiras nos assuntos de cunho social, político, cívico, nas festas tradicionais atestando para que os rituais da Igreja fossem aceitos e praticados. Os representantes da igreja, por consequência, eram muito respeitados e as festividades, como os dias de Santos e padroeiros, cheios de significado e muita devoção.
As crianças pediam benção aos sacerdotes, e os adultos tiravam o chapéu, ou o tocavam, para cumprimentá-los, numa demonstração de respeito. Ah! tempos dos obrigatórios divinos nas igrejas, das irmandades numerosas congregando homens e mulheres, celebrando os seus padroeiros. E mais os ofícios da Semana Santa, ao soar da matraca, quando proibido estava de tocar o sino. [...] (MATOS, 2004. p. 26)
Se a sociedade vivenciava todos os rituais consagrados pela Igreja Católica, na educação oferecida pelos colégios não seria diferente. Sobretudo no Colégio Normal São José, fundado por iniciativa de vigários, a educação religiosa marca sua identidade institucional: uma educação de formação católica que era ensinada desde a mais tenra idade.
A imagem a seguir corrobora este tipo de educação religiosa, que era oferecida pelo Colégio São José como, por exemplo, os propósitos de obediência e fidelidade que são elencados no cartãozinho do Retiro Espiritual do ano de 1942:
Imagem XXII: criança orando diante da Jesus crucificado. Imagem XXIII: verso da imagem com os propósitos do retiro espiritual.
Fonte: arquivo pessoal de Maria de Lourdes Queiroga de Sena Magliano (Malu Magliano), filha de Isaura de Sena Moreira Queiroga, estudante egressa do Colégio São José, no ano de 1942.
Todos os rituais vivenciados pelos colégios de ordem religiosa faziam parte de uma cultura escolar disciplinadora e bem aceita pela população, sobretudo as elites, no sentido de formação não só de alfabetização, mas do caráter. “A cultura escolar desemboca aqui no remodelamento dos comportamentos, na profunda formação do caráter e das almas que passa por
uma disciplina do corpo e por uma direção das consciências”. (JULIA, 2001, p.22)
O altar da capela era uma parte do Colégio São José que representava esta cultura religiosa, pois assim como na Igreja Católica, tinha a estrutura arquitetônica voltada para as celebrações e orações que marcavam a formação dos estudantes.
Imagem XXIV: Altar da Capela do Colégio Normal São José - Sousa PB Fonte: Arquivo pessoal de Evilásio Marques Pinto (seu Vila).
As próprias normas e práticas do Colégio Normal São José atentavam para a educação que era cultivada, uma educação de referência na sociedade sousense, marcada, sobretudo, por “um conjunto de normas que definem conhecimentos a ensinar e condutas a inculcar, e um conjunto de práticas que permitem a transmissão desses conhecimentos”. (JULIA, 1995, p. 10)
Entre as práticas, se destacavam os desfiles cívicos que tinham grandes significados, sobretudo em 7 (sete) de setembro. Estas e outras atividades realizadas para garantir a formação docente, a elegância do fardamento e dos trajes em dias de festa, os corredores, as normas, o currículo, as fotos nas paredes, o corpo docente, a localização dentro da cidade, geralmente na rua da igreja matriz, além da ligação à religião católica, todas essas insígnias faziam do Colégio Normal um lugar simbólico, de direção de destinos. Nessa perspectiva, Almeida (1998, p. 40) afirma que:
[...] Os significados, as normatizações valorativas, as práticas e os símbolos, variam de acordo com as culturas, a religião, a economia, as classes sociais, as raças e os momentos históricos, formando redes de significações que se edificam e se relacionam integradamente.
As representações que escolas normais tinham, nessa época, eram muitas. Entre elas, forjava a de que nestas instituições, carregadas de relações de poder, a educação estaria garantida, sobretudo, a educação feminina, uma vez que, os cursos normais estavam em voga como locais, por excelência de formação de professores, sobretudo de mulheres professoras Aos poucos, as escolas normais se enchem de moças.
As escolas normais se enchem de moças. A princípio são algumas depois muitas; por fim os cursos normais tornam-se em escolas de mulheres. Seus currículos, suas normas, os uniformes, o prédio, os corredores, os quadros, as mestras e mestres, tudo faz desse um espaço destinado a transformar meninas/mulheres em professoras. A instituição e a sociedade utilizam múltiplos dispositivos e símbolos para ensinar-lhes sua missão, desenhar-lhes um perfil próprio, confiar-lhes uma tarefa. A formação docente também se feminiza. (LOURO, 2012, p. 454)
A feminização do magistério, nome atribuído à quantidade excedente de moças nas escolas normais, também chegou a Sousa. Nesse sentido, pudemos constatar que na primeira turma concluinte do Colégio São José, no ano de 1942, o número de mulheres é bem superior ao de homens. Sobre este aspecto, Gadelha (1986) relata que foram 19 (dezenove) alunos concluintes desta turma, sendo 17 (dezessete) mulheres e 2 (dois) homens.
Imagem XXV: Primeira turma da Escola Normal São José.
Fonte: Acervo pessoal de Mirtes Arruda Fontes, estudante da primeira turma.
Os homens não aparecem na imagem da primeira turma do Colégio Normal São José, porém, Julieta Gadelha os cita, quando menciona os primeiros professores formados pela referida escola:
Os primeiros professores do colégio São José foram: Alzenir Rodrigues, Francisca Sena Moreira, Lucíola Marques Pinto, Maria do Carmo Cirilo, Maria Diniz Barbosa, Maria Guadalupe Marques Pinto, Maria Ivaní Pires de Sá, Maria do Socorro Douetes, Maria José Lopes Fontes, Maria Vanda Pires Ribeiro, Maria Zeneide Gadelha de Oliveira, Mirtes Arruda Fontes, Raimunda Cordeiro Cavalcanti, Teresa Pordeus Gadelha, Ananias Pordeus Gadelha, José Mariz Melo (GADELHA, 1986, p. 69 – grifos nossos).
Julieta Gadelha foi estudante do Colégio Normal São José a partir do ano de 1946, fazendo parte, portanto, da quarta turma. Na imagem que a representa como estudante da referida instituição, destacamos o modelo do uniforme adotado: camisa branca de mangas compridas, saia abaixo do joelho e gravata da cor da saia.
Imagem XXVI: Julieta Pordeus Gadelha (a esquerda) e sua irmã Criseuda Pordeus Gadelha, estudantes do Colégio São José - Escola Normal.
Fonte: acervo pessoal da escritora.
O uniforme do Colégio Normal São José representava sua identidade, pela beleza e seriedade que eram características fortes da instituição: Beleza pela riqueza de detalhes como a saia cor de vinho, a blusa de mangas longas e a gravata que formavam a elegância de um colégio que marcou época, nome e
cravou o significado de empoderamento no município de Sousa. Seriedade porque a saia comprida, que não marcava o corpo, isto porque a instituição era religiosa, católica e educativa.
Em 1949 Julieta Gadelha forma-se pela Escola Normal São José para atuar como regente do ensino primário, habilitação que era permitida pela escola. De acordo com textos lidos, as formaturas da Escola Normal São José eram sempre cheias de muita comemoração, com colações de graus e rituais de entregas de canudos, bailes de formatura em que as moças exibiam seus vestidos majestosos. Havia também nas formaturas pronunciamentos de discursos, geralmente feitos por alguma autoridade ou pelo diretor Virgílio Pinto de Aragão.
Imagem XXVII: Julieta Pordeus Gadelha em traje para receber o canudo no baile de formatura da Escola Normal São José.
Fonte: acervo pessoal da escritora Julieta Pordeus Gadelha.
Imagem XXVIII: Julieta Gadelha de beca para a placa de formatura da Escola Normal São José
Fonte: acervo pessoal da escritora Julieta Pordeus Gadelha
Nas imagens acima, Julieta Gadelha veste trajes diferentes. Na primeira, está vestida para receber o canudo, na colação de grau, seguida do baile de formatura. Na segunda, a foto com a beca, era para a placa de formatura que ficava pendurada nas paredes do colégio.
Era comum na época, oferecer as fotos de datas especiais, geralmente, comemorações de casamentos, formaturas, bailes de debutantes para parentes, namorados ou amigos. No caso da primeira foto, em que Julieta Gadelha usava o vestido para receber o canudo, oferece para seu irmão Cláudio Gadelha, “com dedicação e carinho”.
Imagem XXIX: Julieta Gadelha oferece foto de sua formatura ao irmão Cláudio Gadelha.
Fonte: acervo pessoal da escritora Julieta Pordeus Gadelha.
Vimos os oferecimentos em quase todas as fotos dos bailes de formatura a que tivemos acesso. Nas fotos oferecidas estavam representadas a consideração e a lembrança daquela pessoa que não pôde estar presente, mas era especial para o formando.
Os bailes de formatura da Escola Normal São José ficaram conhecidos pelas exibições dos vestidos das professorandas, como eram chamadas, sendo alguns modelos confeccionados pelas avós ou outros familiares, como é o caso de Gilda Gadelha que em 1955, teve seu vestido confeccionado pela sua avó, Donana Gadelha.
Imagem XXX: Gilda Gadelha com o modelo confeccionado por sua avó Donana Gadelha.
Fonte: acervo pessoal de Gilda Gadelha.
Muitas foram às marcas deixadas pela Escola Normal São José, que mesmo tendo sido desativada, em 1957, permanece na memória e história dos sousenses. Mesmo não existindo mais, na Paraíba, muitos colégios da mesma época “passaram a ser a regra na educação pública e privada, até os nossos dias”. (OLIVEIRA, 2006, p. 32). É o caso do Colégio Normal São José, instituição de ensino que ultrapassou fronteiras ficando no legado cultural sousense.
Em 1958, passou a funcionar no mesmo prédio daquele educandário, o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, sob a coordenação das filhas de Santa Tereza de Jesus, uma congregação religiosa de origem no Crato - Ceará.
Mais precisamente em 19 de março de 1958 acontece a abertura oficial do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, conforme vemos na imagem abaixo onde as autoridades seguem em desfile, ladeadas das estudantes daquele colégio. Entre as autoridades presentes, está o ex - prefeito do município de Sousa, Felinto da Costa Gadelha (de roupa branca), pai de Julieta Gadelha.
Imagem XXXI: Abertura oficial do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em 19/03/1958. Fonte: Livro Jubileu de Ouro - Colégio Nossa Senhora Auxiliadora
Estudamos no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, a partir do ano de 1990 e vivenciamos, naquela instituição, vários momentos que se assemelharam aos que viveram Julieta Gadelha. Foram momentos religiosos, apresentações em datas comemorativas, festas de formatura... Foi lá que ouvimos falar, pela primeira vez, no nome de Julieta, foi lá que conhecemos seu trabalho de escritora. Foi lá que conhecemos também Virgílio Pinto de
Aragão, contribuinte para a educação sousense, como a própria sobrinha Julieta Gadelha, muito menciona em seus escritos.
Como pesquisadora que tem a intenção de contribuir com a história local, através do presente trabalho, acreditamos que falar sobre Virgílio Pinto de Aragão, ainda que de forma breve, é tornar viva sua memória e todo o legado deixado à educação sousense. Como diretor e professor de duas das instituições de ensino mais renomadas que Sousa conheceu no século XX, a Escola Normal São José e o Colégio 10 de Julho, Virgílio Pinto coloca sua marca na educação sousense.