4. land administration
4.3 Low-cost demarcation and recording
O processo formativo na escola se iniciou no mês de maio de 2018, a partir de um primeiro contato com a gestão e a apresentação da proposta do projeto D-ESTAT por parte do professor orientador desta pesquisa. A gestão escolar aceitou a participação, assim como os professores de Matemática do turno matutino.
Com o intuito de delimitarmos o procedimento metodológico do estudo, dividimos os encontros desse primeiro ciclo de acordo com as fases do PPDAC, quais sejam: Problema, Planejamento, Dados, Aplicação e Conclusões. Para cada fase foram delimitados alguns procedimentos que serão descritos nos próximos parágrafos. Vale salientar que se tratou de uma pesquisa com base colaborativa e, por isso, os passos foram pensados e decididos em conjunto com as necessidades formativas apontadas pelos professores no processo formativo, além dos interesses do D-ESTAT e da escola.
Na fase do Problema, houve a aplicação dos instrumentos diagnósticos do D- ESTAT24, tanto para os professores quanto para os estudantes. Os resultados dos 24 Ver Anexos C, D e E.
instrumentos dos professores foram discorridos na seção anterior. Para este estudo, essa etapa teve o intuito de avaliar quais foram as necessidades formativas dos professores em relação aos conhecimentos pedagógicos, tecnológicos e do conteúdo estatístico dos professores. Como posto, as demandas levantadas, promovemos um encontro sobre o estudo dos conceitos estatísticos que foram identificados nos diagnósticos, tais como: medidas de tendência central e identificação de variáveis qualitativas e quantitativas. Além dos conteúdos estatísticos, os professores estudaram o ciclo investigativo e as etapas do PPDAC. Nesse processo, utilizamos o Google Classroom para o compartilhamento de textos e materiais da pesquisa, além da criação de fóruns.
Figura 19 - Google Classroom do D-ESTAT na escola
Fonte: Arquivo pessoal do autor (2019)
Do diagnóstico inicial, participaram 13 turmas de 6º ao 9º ano da escola, totalizando 305 estudantes25. Esses estudantes responderam perguntas sobre conceitos estatísticos propostos no teste do D-ESTAT.
Na fase do Planejamento os professores debateram sobre temas correntes no cotidiano dos estudantes e decidiram realizar um levantamento prévio sobre a percepção dos estudantes sobre as problemáticas da escola. Para realizar esse levantamento, foi construído colaborativamente um questionário no Google Formulários. Dentre as perguntas presentes no formulário, questionaram sobre quais os pontos positivos e negativos os estudantes observam na escola. Os estudantes responderem no laboratório de informática no momento das aulas. Aqui, houve a colaboração de todos os docentes da escola. Ao analisar os dados das respostas do questionário, a temática aparente no formulário foram os índices de
25 Melo, Nunes e Guedes (2019) desenvolveram uma análise exploratória de dados educacionais sobre os resultados deste instrumento diagnóstico, analisando as habilidades referentes ao letramento estatístico nos estudantes, evidenciando as necessidades formativas.
Violência na escola.
Como dito, as discussões e interação entre o grupo de professores da escola e os pesquisadores aconteciam não apenas nos encontros presenciais, mas também por meio do grupo no WhatsApp, que permitiu a troca de mensagens de forma síncronas e assíncronas. Para uma pesquisa colaborativa, esse recurso foi relevante tanto pelo fato de aproximar os envolvidos na pesquisa, como para colocar em prática a colaboração de todos durante o processo.
Figura 20 - Grupo do WhatsApp dos professores da escola
Fonte: Arquivo pessoal do autor (2019)
Tendo em vista a problemática, propuseram a construção de um plano de aula colaborativo para uma sequência de ensino (CAZORLA; SANTANA, 2010), utilizando a função Plano de Aula disponibilizada pela Plataforma OBAMA26, que já traz um modelo de
plano pré-definido.
Vale salientar que essa etapa aconteceu durante dois encontros e que os professores, a princípio, tiveram dificuldades de se apropriarem da ferramenta, assim como a gerência do trabalho colaborativo em um ambiente virtual para fins pedagógicos. Os professores também fizeram suas contribuições em casa, entrando na plataforma a partir de seus logins e fazendo as contribuições sincronamente. Além do engajamento, o conhecimento tecnológico foi observado na medida em que os professores utilizam uma tecnologia para ressignificar suas práticas pedagógicas, como a elaboração da sequência de ensino. Almeida (2005) elucida a necessidade da formação do professor sob uma perspectiva colaborativa para a inserção das TDIC em suas práticas, trazendo a tecnologia digital como suporte para atividades anteriormente realizadas.
Na fase dos Dados, estudamos os conteúdos estatísticos em cima dos dados recolhidos no questionário do Google Formulários, como por exemplo, as medidas de tendência central e tipos de variáveis. Além disso, no momento de estudo dos temas relacionados à violência, os professores identificaram outros tipos de violência que eram desconhecidos, como por exemplo, a violência simbólica.
Figura 21 - Respostas dos estudantes sobre os pontos negativos identificados na escola
Fonte: Arquivo pessoal do autor (2019)
No encontro realizado sobre os dados coletados pelo formulário, observamos que a violência foi uma das respostas que mais apareceram, porém, sem clareza das diversas formas que ela pode se apresentar. Com o intuito de compartilhar esses conhecimentos adquiridos na formação, os professores realizaram uma palestra sobre violência para toda a escola. Segundo levantamento de trabalhados na RSL, Nascimento e Castro-Filho (2018), assim como Santana (2016) salientam que problemáticas apontadas no cotidiano da escola podem ser potencializadoras no processo de aprendizagem dos conceitos estatísticos com suporte de tecnologia.
Logo em seguida, após a explanação dos conteúdos colaborativamente com os professores, decidiu-se aplicar um segundo questionário para fins de identificação das principais formas de violência sofridas pelos estudantes. Assim como no primeiro, os alunos foram encaminhados para o laboratório de informática e houve colaboração de toda a escola.
Figura 22 - Violência sofrida pelos estudantes da escola
Fonte: Arquivo pessoal do autor (2019)
Após os estudos sobre os tipos de violência, por meio de materiais compartilhados no ambiente do Google Classroom e do WhatsApp, os professores identificaram cinco tipos de violência, quais foram: física, sexual, doméstica, verbal e simbólica. Esta última se tornou uma surpresa para eles, pois não tinham atentado para esse tipo de violência ao ler as respostas dos alunos.
Como propõe o projeto D-ESTAT e a pesquisa colaborativa, na etapa da Análise, foi acompanhada uma aula do professor C em uma turma do 6° ano, pois dentre os professores, naquele ano, ele possuía mais aulas conjuntas com os alunos em questão. A aula aconteceu no dia 21 de dezembro de 2018 e teve como objetivo trabalhar os conteúdos relacionados às medidas de tendência central com os dados respondidos pelos estudantes, assim como a construção de gráficos de colunas.
Figura 23 - Aplicação da aula pelo professor C
Fonte: Arquivo pessoal do autor (2019)
Em termos de conceitos estatísticos foram contemplados na aula os conteúdos relacionados às medidas de tendência central e a construção de gráficos de colunas. Um momento que merece destaque dessa prática foi quando o professor C explicava como encontrar a média entre os termos coletados, numa dada situação, explicando a necessidade
de somá-los e depois dividir pela quantidade de termos coletados.
Na fase da Conclusão, ocorrida em maio de 2019, fizemos uma retrospectiva de todo o processo formativo do ano de 2018, e avaliamos as possibilidades, quais foram: o que fazer diferente; o que concluímos do trabalho que foi realizado; se é viável continuar com o mesmo tema; quais os indícios de aprendizagem dos conceitos estatísticos pelos alunos; se há outras tecnologias que podem ser utilizadas no processo do ciclo investigativo com o PPDAC.
Avaliamos de forma positiva a execução de todo o processo. Realizamos os devidos ajustes quanto aos recursos tecnológicos utilizados, como por exemplo, o uso do
WhatsApp que foi mais comum frente ao uso do Google Classroom.
Os professores, ao serem convocados a avaliarem as tecnologias inseridas no processo formativo, avaliam como positivo a integração das tecnologias em todo a formação percorrendo o ciclo investigativo, como o uso do plano de aula da Plataforma OBAMA, o Google Classroom e o grupo do WhatsApp. Apesar disso, relataram que o engajamento fora do período da formação era pouco, e que seria interessante que fizéssemos tudo no horário da formação. Alegaram que o questionário realizado no Google Formulários ajudou a agilizar e otimizar o tempo e os dados, ampliando seus usos, como por exemplo, para elaborar e aplicar um teste diagnóstico.
Como problemática para execução do ciclo investigativo em 2019, os docentes ponderaram a importância da continuação do trabalho com o tema sobre violência. Para tanto, foram realizadas discussões no grupo do WhatsApp sobre esses tipos de violência que são amplamente difundidos por meio da internet.
Vale salientar que no momento de desenvolvimento do PPDAC não foram utilizados os dispositivos móveis. Para Niess et. al. (2009), o uso (ou não) de TDIC se dá pela falta de conhecimento desses dispositivos ou da ausência de consciência da contribuição positiva que eles podem trazer para a prática pedagógica e a aprendizagem dos alunos.
Em 2019, retomamos a projeto D-ESTAT na escola no mês de Maio devido ao início tardio do ano letivo e agenda de formações e semana pedagógica do município do Natal estar lotado, impossibilitando as formações acontecerem anteriormente. Quando voltamos o olhar para o primeiro ciclo, tomado como piloto para as análises deste estudo,
avaliamos colaborativamente a inserção de novos recursos tecnológicos, entre eles os dispositivos móveis.
Os professores avaliaram como positivo a formação ocorrida em 2018, porém apontaram a necessidade de os estudantes usarem ferramentas, como os smartphones, para as suas aprendizagens.
Professor A: É interessante a gente ver como colocar o
celular nas aulas, eles vivem acessando, pedindo para acessar
no momento da aula.
Professor C: Concordo totalmente. Eles vivem com os
celulares nas mãos. Vamos ver uma forma de fazer uma aula com eles.
Nesse momento, os conhecimentos tecnológico, pedagógico e do conteúdo são movidos pelos professores na medida que reconhecem o uso dessa tecnologia em suas salas de aula integradas aos conceitos estatísticos e a necessidade de formação para o seu uso (UNESCO, 2014).
Figura 24 - Momento de avaliação do ciclo anterior do PPDAC
Fonte: Arquivo pessoal do autor (2019)
A integração dos dispositivos móveis na segunda sequência de ensino com o ciclo investigativo e o processo formativo será discorrida nas próximas seções. Foram quatro encontros formativos para a apropriação das tecnologias, de acordo com o levantamento de necessidades formativas realizado anteriormente e cinco aulas para aplicação da sequência de ensino.
5.3. O primeiro encontro formativo: Formação sobre o uso pedagógico do