7. recommendations and conclUsion
7.8 Conclusion
ocorrendo nos dois primeiros horários. O planejado para esta primeira aula seria uma palestra de imersão sobre a violência, mostrando os tipos de violência e por onde ela perpassa no ambiente escolar. No momento da formação, foram delineadas as violências: sexual, a simbólica, a doméstica, a verbal, a física e a urbana.
Quanto ao espaço, o professor C preferiu que as aulas acontecessem no laboratório de informática. Segundo ele:
Professor C: Os alunos gostam quando a gente vem pra cá. É
um espaço diferente da sala de aula, eles prestam mais atenção, e gostam de mexer nas máquinas. Acho que vale a pena a gente fazer as aulas aqui por causa das máquinas e da facilidade de usar a internet aqui.
Para Niess et al. (2009), o professor de Matemática quando reconhece a tecnologia como importante e integram ativamente o ensino da Matemática com uma tecnologia apropriada, está em um nível de exploração das TDIC. Assim, o professor moveu o conhecimento tecnológico e do conteúdo (HARRIS; MISHRA; KOEHLER, 2009) ao propor uma atividade integradora do conteúdo com a tecnologia, porém precisaríamos também analisar o mover do conhecimento pedagógico em sua prática.
Figura 36 - Professor expõe vídeos sobre violência
Fonte: Arquivo pessoal do autor (2019)
Esses vídeos foram selecionados de acordo com o que ele achou que poderia sensibilizar os estudantes para a temática, como ele relatou:
Professor C: Eu fui atrás dos tipos de violência, no geral, pra
ver se os vídeos os sensibilizavam, o menino achou até a música triste, Tem outro que, como tem umas imagens muito fortes, sendo espancado, tudo mais, eu já tirei. Aí esses eu já tirei e coloquei em uma pasta a parte, porque eu não o abri, porque não seria bom, né? Porque tem gente sendo morta, e tudo mais. Parece que a ideia é falar sobre violência, mas
deixa vago porque fazer a violência em si, pode ser que eles gostem disso, né? Que eles podem vir a gostar disso.
O professor fez uma leitura crítica da situação da violência ao escolher os vídeos mais adequados para tratar os tipos de violência com os alunos da faixa etária do 6° ano. Isso mostra que ele moveu um conhecimento pedagógico do conteúdo no sentido de adequar a sua aula, o conteúdo encontrado, assim como a melhor maneira de abordá-lo (HARRIS; MISHRA; KOEHLER, 2009), como a seleção de um vídeo para a aula.
Além dos vídeos, ao final, o professor C trouxe uma apresentação de slides produzida em PowerPoint utilizado na sequência de ensino do primeiro ciclo sobre os tipos de violência, e se mostrou preocupado em mostrar o conceito correto da violência simbólica, quando traz Pierre Bourdieu e a explicação formal desse conceito:
(...) É uma forma de violência exercida pelo corpo sem coação física, causando danos morais e psicológicos. É uma forma de coação que se apoia no reconhecimento de uma imposição determinada, seja esta econômica, social, cultural, institucional ou simbólica (CUNHA, 2007).
Essa apresentação de slides preparada para a aula, assim como a seleção dos vídeos menos violentos e sensibilizadores, mostrou que o professor moveu o conhecimento tecnológicos e do conteúdo, no sentido de selecionar a melhor mídia e aplicar em uma aula de forma exitosa. Segundo Niess et al. (2009), quando o professor C consegue integrar essa tecnologia, ele está no nível de exploração das TDIC no ensino da Matemática.
Figura 37 - Professor expondo conceito sobre violência simbólica utilizando slides
Fonte: Arquivo pessoal do autor (2019)
Vale salientar que, apesar de a equipe OBAMA ter realizado um trabalho de recuperação de algumas máquinas no laboratório da escola no ano de 2018, observamos que
muitas máquinas não estão operando (apenas 6 computadores funcionando com todas as peças).
O professor C deixou para distribuir os temas na próxima aula, por meio de sorteio para grupos. Ele explicou como será a atividade, falando sobre a necessidade de se realizar uma pesquisa em sala de aula sobre os temas, que os estudantes realizariam algumas perguntas no caderno e depois ia passar para um formulário online:
Professor C: Vocês vão fazer perguntas no papel e depois vão
colocar online, no computador. Quando vocês fizerem isso, qualquer pessoa no mundo que tiver acesso ao questionário de vocês vai poder responder. A gente vai mostrar como faz nas próximas aulas.
Esse movimento de primeiro escrever as perguntas no papel e em seguida passar para o formulário online foi uma das estratégias decididas no momento da formação sobre o Google Formulários, no qual os próprios professores observaram que as perguntas quando são pensadas antes de serem escritas se tornam “boas perguntas”. Esse fato está relacionado as características de imigrantes digitais, de tal forma a ter um apego ao físico, como a lista de perguntas escritas à mão. Essa visão está evidenciada no diálogo a seguir:
Professor C: Aí isso seria lá na sala, porque eles vão colocar
as primeiras ideias.... Ficaram tais e tais perguntas… Então eles poderão rever as suas perguntas se estão boas, reavaliar e colocar no papel, como a gente fez na formação.
Professor C: Porque primeiro eles vão fazer um ensaio na
sala, e esse ensaio pode ficar bom, pode ficar mais ou menos. Ai com essas coisas que a gente tem, que tá no drive, colocar mais informações sobre cada tipo (de violência) e até links para que eles possam ver outras coisas e, de repente, cada grupo vai ficar em frente a um computador e com outras coisas que ele pode ver e eles vão tá com uma pré ideia na mão. Será que vai dar certo isso?
Pesquisador: Eu acho que sim, se não der, pelo menos a gente
testou e sabe o que pode dar ou não certo.
Professor C: Trazer para cá (laboratório de informática) na
segunda feira não dá. Trazer diretamente para cá na quinta feira, e se trazer direto para o computador não vão saber nem como pensar nas perguntas. Segunda feira eles vão ficar na sala e a gente vai instigá-los no que a gente quer, com as ideias, como vai ser as perguntas. É melhor fazer isso (trazer para o laboratório de informática) na quinta que a gente tem mais tempo.
Ele preferiu que a produção das questões fosse realizada na sala, pois conseguiríamos ter maior controle sobre o tipo de questão que podia ser elaborada pelos estudantes. Além disso, percebeu que o movimento de pensar nas questões antes de elaborá-
las é a melhor opção. Apesar disso, no momento da formação foi abordado como o Google Formulários otimizaria essa atividade, sendo uma ferramenta colaborativa e de fácil compartilhamento. Destarte, isso mostrou uma integração dos conhecimentos pedagógico e do conteúdo no sentido de escolher a melhor estratégia, com base na sua experiência como professor (DAY, 2002) apesar das ferramentas abordadas no momento da formação.
No momento de avaliação, o professor C pareceu querer seguir à risca o que foi planejado. Ele comentou que levaria mais tempo para realizar a atividade do que previu:
Professor C: Eu posso trazer impressa uma folha de papel
para cada grupo e entregar para cada grupo. Espera aí, nós estamos fugindo um pouquinho daquilo que a gente tinha pensado. Mas a ideia não é ficar amarrado não, né? Mais aí é porque seria para a segunda feira, uma aula só. Uma folha, aí o grupo já vai receber a folha com o tema do seu grupo “esse aqui é o seu trabalho”, porque tem que ser amarrado as coisas. Aí quando eles vierem para cá, essas coisas da folha e mais alguma informação, link para o vídeo, já vai tá no forms, mas na sala eles já tinham feito alguma coisa, ou seja, eles vão repensar, vão melhorar como fazer no forms. Essa atividade vai demandar bem mais tempo do que eu imaginei.
O professor reconheceu que não tinha como quebrar a sequência para ser só na quinta-feira, teria que ser contínua, pois levaria mais tempo do que imaginou para realizar a sequência de ensino. Isso demonstra um conhecimento pedagógico, de tal forma que ele reconheceu a melhor estratégia para que a atividade aconteça na turma.
Destarte, o docente frisou a importância desse texto ser o mais simplificado possível e com a definição do que cada violência e as notícias motivadoras.
Professor C: Vamos fazer isso, produzir uma folhinha de
ofício, não pode ser mais do que isso, em letras grandes com as informações, mais objetivo, com a definição, com exemplo, aí vai que quando a gente trouxer pra cá, traz mais coisa, e isso aqui também, e o que a gente vai colocar. O que você acha?
Quanto a divisão do trabalho para elaboração das folhas, o professor C preferiu que os links das notícias sejam encaminhados por e-mail, porque fica mais fácil de abrir no
smartphone, basta que ele clique no link e já abre. Ele reclama sobre o WhatsApp, pois as
mensagens podem se perder fácil e preferiu que o material seja enviado por e-mail.
Pesquisador: Então... Esse papel, você quer as notícias
mesmo que a gente pesquisou ou pensou em alguma coisa específica?
Professor C: Podia misturar, né? A minha definição com as
violência. Mande para mim por e-mail, é mais fácil porque não mistura com as muitas mensagens que eu recebo por dia no WhatsApp.
Assim, ele se apropriou da smartphone para algumas atividades, mas preferiu que as informações sejam mandadas por e-mail, em uma conversa assíncrona, demonstrando um conhecimento tecnológico (HARRIS; MISHRA; KOEHLER, 2009).
Apesar de ter sido planejada para ter continuidade no dia 23 de setembro de 2019, o professor C teve alguns contratempos e a aula ocorreu apenas no dia 26, conforme demonstra o seguinte diálogo em conversa privada no WhatsApp com o Professor C:
[10:02, 22/09/2019] Professor C: Vamos fazer essa aula na
quinta-feira.
[10:04, 22/09/2019] Professor C: Quero finalizar o conteúdo
de divisibilidade.
[10:11, 22/09/2019] Pesquisador: Está beleza.
(Excerto da conversa no WhatsApp)
A escola possui uma rotina muito dinâmica e na segunda-feira, por ser um momento de fechamento de bimestre, o professor C optou por terminar o assunto relacionado a divisibilidade, adiando a aula para a quinta-feira. Esse fato se repetiu em outros momentos.
5.7.2. A segunda aula da sequência de ensino: Elaborando questões sobre