2. Principaux résultats sismologiques
1.8. Localisation en profondeur des couches anisotropes
Inicialmente a escola atendia apenas alunos da Educação Infantil, mas, já a partir do segundo ano de existência, iniciou o atendimento a alunos do Ensino Fundamental. A Lumiar dispunha de autorização legal para atendimento de alunos do Ensino Médio, mas até o final de 2009 esse atendimento não havia tido início.
Dentro do Ensino Fundamental os alunos se agrupavam em ciclos de três anos (de 6 a 8, de 9 a 11 e de 12 a 14 anos), mas eles tinham permissão para participar de projetos junto a alunos de ciclos diferentes do seu, de acordo com seu interesse, e desde que atendessem aos pré-requisitos eventualmente exigidos em cada projeto.
Em 2005 a Lumiar estendeu sua experiência a uma rede pública municipal de ensino, por meio de uma parceria público-privada, que possibilitou a implantação de uma escola Lumiar piloto no Lageado, zona rural do município de Santo Antônio do Pinhal, estado de São Paulo.
Em 2009 uma terceira unidade da rede foi criada, também na zona rural do município de Santo Antônio do Pinhal, mas esta privada e bilíngue, Português – Inglês.
As especificidades de cada unidade conviviam com algo que poderia ser definido como o referencial teórico Lumiar (que inclui forma de organização e gestão, currículo, metodologia, forma de avaliação dos alunos), que tornava as três unidades parte integrante de uma única
74 proposta. Embora já tenha sido apresentada ao longo do texto, a essência da proposta da Lumiar pode ser resumida na declaração de princípios publicada no site do Instituto Lumiar46:
“Uma Visão da Educação que vê a educação como processo contínuo e permanente de desenvolvimento do ser humano que abrange não só os aspectos cognitivos desse desenvolvimento, mas também os seus aspectos emocionais e sociais, e que acontece através das múltiplas interações do indivíduo com seu ambiente humano e natural, fora e dentro da escola;
Uma Visão da Aprendizagem que vê a aprendizagem como processo de criação e expansão de capacidades, vale dizer, de desenvolvimento de competências, através do qual as pessoas se tornam capazes de fazer coisas que antes não conseguiam fazer; Uma Visão da Escola que vê a escola como ambiente privilegiado de aprendizagem, organizado para propiciar aos alunos oportunidades de aprendizagem ricas, flexíveis e envolventes, que encoraje a liberdade de aprender, incentive a autonomia do aluno e, ao mesmo tempo, exija dele responsabilidade pelas suas escolhas, decisões e ações, dentro de um clima que favoreça a individualidade e, ao mesmo tempo, a cooperação; a diversidade e, ao mesmo tempo, a igualdade de direitos e a existência de atributos comuns; a tolerância e o respeito mútuo;
Um Currículo focado no desenvolvimento de competências pelos alunos e não na transmissão de conteúdos disciplinares pelos professores e que se caracteriza, portanto, como uma Matriz de Competências, organizada ao redor dos Quatro Pilares da Educação propostos pela UNESCO, e não como uma grade de disciplinas;
Uma Metodologia de Aprendizagem centrada na participação dos alunos em Projetos de Aprendizagem cuidadosamente definidos para facilitar aos participantes o desenvolvimento de competências específicas e oferecidos em quantidades e modalidades suficientes para propiciar aos alunos real liberdade de escolha – participação essa que substitui as aulas tradicionais;
Uma Metodologia de Avaliação da Aprendizagem centrada no registro constante e cuidadoso, em um Portfólio do Itinerário de Aprendizagem do aluno, de observações relevantes acerca do seu desenvolvimento, tanto através das atividades relacionadas aos Projetos de Aprendizagem como, fora delas, através atividades que podem ser descritas como integrantes do “Currículo Oculto”: participação em assembleias e comissões, papel assumido nas atividades de recreação, relacionamento com colegas e com os profissionais (pedagógicos ou não) da escola etc.;
Um conjunto de Profissionais Pedagógicos diferenciados em dois grupos: de um lado,
Tutores (Mentores, Orientadores e Conselheiros) dos alunos, que são contratados pela
escola em tempo integral (mínimo de seis horas) e que têm a função de acompanhar e supervisionar, ano a ano, um mesmo grupo de alunos em todas as suas atividades, inclusive nas presumidas como apenas recreativas, interagir com eles e com seus pais com o objetivo de incorporar informações extraescolares ao Portfólio de Aprendizagem dos alunos e manter os pais informados sobre o desempenho dos alunos na escola, assistir os alunos, juntamente com os pais, na escolha dos projetos de que irão participar, e avaliá-los periodicamente (pelo menos a cada dois meses e ao final do ano); De outro lado, Mestres com competência e alto nível de interesse em áreas que possam servir para o desenvolvimento de competências por parte dos alunos, que são contratados pela escola por períodos limitados (dois a quatro meses em regra) e que têm a função de planejar e coordenar projetos de aprendizagem e avaliar o desenvolvimento das competências dos alunos que participam desses projetos;
Uma Forma de Gestão democrática e participativa que encontra sua melhor expressão na Roda, que é uma assembleia geral da comunidade escolar que se reúne todas as semanas para discutir problemas que lhe são trazidos por qualquer membro da
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O conteúdo disponibilizado no site do Instituto Lumiar. Disponível em: <http://www.institutolumiar.org.br/declaracao_interna.php> (Acesso em: 18/05/2012).
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comunidade escolar e que vão desde questões disciplinares até questões relacionadas à natureza da comida servida ou da limpeza dos banheiros;
Um uso criativo e inovador da Tecnologia, que a põe a funcionar como ferramenta da aprendizagem individualizada e personalizada do aluno e não como uma ferramenta de apoio ao ensino do professor no gerenciamento da classe e na transmissão de conteúdos disciplinares.
Numa visão como esta, a Lumiar, em vez de focar no conhecimento disciplinar e transversalizar o desenvolvimento de competências, faz o contrário: foca no desenvolvimento de competências e transversaliza a busca de conhecimentos disciplinares relevantes, que entram na formação do aluno à medida que se mostram necessários ou úteis para a realização dos seus projetos de aprendizagem ou para a definição e implementação de seu projeto de vida.”
A organização e a rotina das escolas, bastante peculiares, passaram por intensos processos de mudança desde a sua fundação. Inicialmente, por exemplo, os alunos não tinham horários padronizados para entrar ou sair da escola47, tamanha era a flexibilidade da proposta. Os projetos ocorriam em diversos horários ao longo de todo o dia, compreendendo os períodos da manhã e da tarde, e as crianças participavam dos projetos que escolhiam, buscando compatibilizar os horários dos projetos escolhidos com seu horário de permanência na escola.
Posteriormente, a escola passou a disponibilizar apenas o período da tarde para o atendimento ao Ensino Fundamental. Essa era a realidade de 200848, quando todos os alunos chegavam ao mesmo horário, e os encontros dos projetos eram dispostos em uma grade de horário muito similar às grades de horários de aulas de escolas tradicionais, cada encontro tendo cinquenta minutos de duração. Os alunos eram persuadidos a se inscrever em projetos de modo que ocupassem a maior parte do tempo que passavam na escola nos encontros dos projetos. Dessa forma cada aluno participava de aproximadamente vinte projetos de diferentes tamanhos e profundidades em um bimestre.
O excesso de projetos, no entanto, se revelou um obstáculo ao aprofundamento da aprendizagem dos alunos. Portanto, foi necessário pensar uma forma de organização que possibilitasse que os alunos se inscrevessem em um número menor de projetos, e pudessem dedicar mais tempo a cada um deles. Assim também foram propostas mudanças quanto aos agrupamentos em idades e períodos.
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MARTINS, C. Escolas democráticas: o desafio de transformar ilhas de liberdade em modelo educacional. Disponível em: <http://cantoa.blogspot.com.br/2007/11/escolas-democrticas-o-desafio-de.html>. (Acesso em: Acesso em: 07 Jul.. 2012.)
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76 Outra característica da organização do trabalho até então era que cada projeto era conduzido por um mestre diferente, e havia pouca integração entre os mestres no desenvolvimento de projetos transdisciplinares.
Por isso, a partir do segundo semestre de 200849 os projetos passaram a ser conduzidos por uma equipe de, no mínimo, três ‘mestres’ que integravam seus saberes para proporcionar experiências de aprendizagem mais amplas aos estudantes, sem perda de profundidade. Os temas dos projetos que seriam oferecidos eram discutidos e votados previamente pelos estudantes. A partir dessa mobilização, os ‘mestres’ elaboravam as propostas de projetos que seriam oferecidos.
Em vez de vinte diferentes projetos para cada ciclo, a escola passou a oferecer cerca de doze projetos para toda a escola, e os alunos escolhiam apenas três deles, nos quais teriam a oportunidade, necessariamente, de desenvolver habilidades e competências ligadas às áreas de Língua Materna e Matemática, e outras, diversificadas, ligadas às Ciências Naturais, Ciências Sociais, Artes, Esportes etc.
Ao mesmo tempo foi criado um projeto especial chamado ‘Saindo da Lumiar’ voltado aos estudantes em fase de conclusão do Ensino Fundamental, cujo objetivo era ajudá-los a se prepararem para ingressar em uma escola de Ensino Médio pautada pelo paradigma tradicional de organização, com grades curriculares rígidas, conteúdos disciplinares, ensino expositivo, provas etc.
A partir de 200950, além dos projetos, foram criadas algumas oficinas, onde os estudantes poderiam se dedicar ao desenvolvimento de algumas habilidades e competências específicas (principalmente relacionadas à Língua Materna e à Matemática), independentemente de um projeto transdisciplinar mais amplo.
Ainda a partir de 2009 foi criado um projeto que seria conduzido pelos educadores (em vez de os mestres), chamado ‘Leitura de Mundo’ envolvendo leitura e discussão diária das manchetes de jornais. Além de ampliar e fortalecer o vínculo da aprendizagem dos alunos na escola com o
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Fonte: anotações pessoais. 50
77 mundo real, esse projeto ainda servia de uma espécie de ‘celeiro de projetos’, uma vez que despertava os alunos para problemas reais que posteriormente poderiam vir a se transformar em projetos.
Além dos projetos, semanalmente os estudantes participavam da chamada “Roda”51, uma assembleia onde eram discutidos e votados assuntos diversos de interesse da comunidade escolar, na qual todos os estudantes tinham direito a voz e voto tanto, a exemplo dos educadores e mestres e dos demais membros da comunidade escolar.
Na Lumiar não existiam salas de aula convencionais, mas diversos espaços compartilhados de convivência. Em 2009, alguns desses espaços eram ocupados pelos grupos de cada ciclo, para eles se reunirem com seus ‘tutores’ antes e após os encontros dos projetos. Os outros eram utilizados, por meio de agendamento, para os encontros dos projetos, a Roda, as refeições e demais atividades da escola.