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Local actions taken on discovery of the fault condition

Part V. Conclusions, recommendations and lessons to be learned

4. THE RESPONSE TO THE

4.1. Local actions taken on discovery of the fault condition

Os avanços científicos e tecnológicos no desenvolvimento de ferramentas de investigação em torno das funções biológicas da pele mudaram a compreensão a respeito dos efeitos provocados pelos produtos cosméticos, facilitando a interpretação de resultados obtidos em condições reais de uso. Os métodos de bioengenharia possibilitam investigar as diferentes respostas da pele aos múltiplos estímulos provocados, incluindo a hidratação da camada superficial da pele e seu efeito barreira (BYRNE, 2010; DRENO et al., 2014).

A avaliação da resposta da pele, quanto ao conteúdo hídrico do estrato córneo, foi avaliada por meio do equipamento Corneometer® fundamentado nas alterações na capacitância da pele ocasionada pelo aumento no seu conteúdo aquoso.De forma complementar, a perda de água transepidermal, consequente à função de barreira da pele foi avaliada por meio do evaporímetro de câmera aberta Tewameter®, dessa maneira dispondo da estimativa do gradiente de vapor de água da pele lançado ao ambiente (BYRNE, 2010).

As condições da pele foram investigadas após única aplicação das nanoemulsões estudas juntamente com a investigação de uma área sem a aplicação de formulações (controle negativo), eliminando quaisquer possibilidades de sobreposição de resultados e, assim, garantindo a eficácia exclusiva das nanoemulsões desenvolvidas. Em adição, um produto nanotecnológico (164 nm) já disponível no mercado foi utilizado como comparativo da atividade das nanoemulsões,

bem como das condições de uso dos equipamentos, aumentando a robustez dos resultados obtidos.

A Figura 18 apresenta os resultados obtidos quanto ao conteúdo hídrico do estrato córneo. Inicialmente, os voluntários apresentaram valores de hidratação inferiores a 40 Unidades arbitrárias (UA), o que, segundo a escala preconizada descrita no manual do equipamento, equivale a uma condição de pele seca (COURAGE KHAZAKA, 2014).

Figura 18 – Valores do conteúdo hídrico do estrato córneo (Unidades Arbitrárias) antes (basal) e 1, 2, 3, 4 e 5 horas após única aplicação das formulações em estudo. Os resultados estão representados em valores médios ± Erro padrão da média.

Onde: a = p-valor < 0,05 para ANOVA + Tukey vs controle negativo; b= p-valor < 0,05 para ANOVA +

Tukey vs veículo; c = p-valor < 0.05 para ANOVA + Tukey vs controle positivo; A1 – Controle negativo;

A2 – veículo; A3- formulação contendo 0,5% da fração enriquecida em polissacarídeos, oriunda do

resíduo industrial de Agave sisalana; A4 -Controle positivo (hidratante comercial).

Quando comparado ao controle negativo (A1), o veículo (A2) aumentou significativamente (p<0,05) o conteúdo aquoso do estrato córneo e esse efeito perdurou até a quarta hora do estudo. No entanto, a nanoemulsão contendo 0,5% da

BASAL 1 2 3 4 5 0 10 20 30 40 50 60 70 abc abc abc abc abc a a a ab ab ab ab Hidra taçã o d o EC (Unid ad es a rb itrá rias) Tempo ( horas) A1 A2 A3 A4 a

fração enriquecida em polissacarídeos (A3) alcançou maior hidratação da pele a partir da primeira hora e esse efeito foi mantido durante todo o período de estudo (5 horas). Vale destacar que, a partir da segunda hora, os valores de hidratação alcançados pela nanoemulsão contendo a fração oriunda do resíduo de Agave sisalana (FrE) foi significativamente maior (p<0,05) que o veículo, evidenciando que a capacidade de hidratação é da fração FrE e não dos componentes do veículo da formulação.

A capacidade hidratante da fração enriquecida em polissacarídeos pode ser relacionada aos compostos presentes em sua constituição química, como polissacarídeos e proteínas, compostos esses com atividade hidratante já relatada. Futrakul, Kanlayavattanakul e Krisdaphong (2010) avaliaram a capacidade hidratante de um gel de polissacarídeos obtidos de Durio zebethinus Murr e demonstraram a capacidade desses constituintes em promover o aumento do conteúdo hídrico do estrato córneo. Polissacarídeos obtidos biotecnologicamente de Klebsiella pneumoniae e polissacarídeos obtidos do extrato de Myrtus communis promoveram aumento da hidratação da pele (CAMARGO JUNIOR; GASPAR; MAIA CAMPOS, 2012). Segundo Dal’belo, Gaspar e Maia Campos (2006) a associação de polissacarídeos e aminoácidos (histidina, arginina, treonina, serina, glicina e alanina) foi capaz de promover o aumento da hidratação da pele.

A Figura 19 demonstra os valores de perda de água transepidermal obtidos para as áreas tratadas (A2, A3 e A4) e área não tratada (A1) comparando os valores obtidos aos seus valores basais.

Figura 19 – Valores da perda de água transepidermal (g/m2.h) antes (basal) e 1, 2, 3, 4 e 5 horas após única aplicação das formulações em estudo. Os resultados estão representados em valores médios ± Erro padrão da média.

Onde: A1 – Controle negativo; A2 – veículo; A3- formulação contendo 0,5% da fração enriquecida em

polissacarídeos, oriunda do resíduo industrial de Agave sisalana; A4 -Controle positivo (hidratante comercial); t1 – Após 1 hora; t2 – Após 2 horas; t3 – Após 3 horas; t4 – Após 4horas; t5 – Após 5 horas.

Não foram observadas alterações estatisticamente significativas na perda de água transepidermal. Resultados semelhantes foram observados por Ribeiro e colaboradores (2015) onde nanoemulsões contendo extrato hidroglicólico de Opuntia ficus-indica promoveram o aumento do conteúdo de água na camada superficial da pele e mantiveram a condição de barreira da pele sem alterações. Segundo Dal’belo, Gaspar e Maia Campos (2006), a capacidade de elevar os níveis de água na camada superficial da pele aliada a não modificação nos valores de perda de água podem estar relacionadas à capacidade higroscópica dos mono e polissacarídeos presentes nos extratos. A característica higroscópica desses compostos aliada à maior

A1 A2 A3 A4 0 2 4 6 8 10 12 14 16

g/m

2

/h

Área tratada Basal t1 t2 t3 t4 t5

capacidade de permeação obtida pelas nanoemulsões podem favorecer a permeação dos ativos pela camada córnea e a retenção de água pela sua extensão (DAL’BELO; GASPAR; MAIA CAMPOS, 2006; LU et al., 2014). No entanto, deve ser observado que o tipo de veículo pode influenciar no mecanismo de ação pelo qual os ativos hidratantes podem atuar (DAMASCENO et al., 2016).

Segundo Lóden (2012) a redução da perda de água transepidermal é dependente da quantidade de conteúdo lipídico presente nas formulações. Dessa forma, o conteúdo predominantemente aquoso das nanoemulsões pode justificar a não formação de filme capaz de reduzir a perda de água da pele. Por outro lado, o aumento do conteúdo hídrico ocasionado por ativos umectantes que promovam a retenção de água no estrato córneo pode favorecer o aumento na perda de água transepidermal (DRAELOS, 2000; RIBEIRO et al., 2015).

Os resultados apresentados neste trabalho demonstram o potencial do subproduto de Agave sisalana como fonte de ingredientes ativos para produtos cosméticos com diferentes aplicações como hidratação e pela atividade antioxidante apresentada pela matéria-prima, possivelmente para prevenção do envelhecimento cutâneo, no entanto para comprovação dessa última atividade outros testes de eficácia necessitam ser conduzidos.

Finalmente, por meio desse trabalho, é possível configurar que a FrE, uma matéria-prima obtida a partir de resíduos da indústria de sisal, pode ser considerada uma nova matéria-prima para indústria cosmética com comprovação inédita da sua eficácia hidratante. Este trabalho contribui sobremaneira, agregando valores à cadeia produtiva de Agave sisalana, propondo outros usos para o resíduo que pode causar impacto ambiental, além da contribuição socioeconômica, especialmente para a agricultura familiar, que tem suas rendas pautadas na plantação e produção do sisal.

6 CONCLUSÕES

Nas condições experimentais padronizadas nessa pesquisa, foi possível concluir que:

A partir do resíduo industrial de Agave sisalana foram obtidos: o extrato bruto que após precipitação com etanol gerou uma fração sobrenadante (FrE) e um precipitado (FrP).

O extrato bruto e as duas frações apresentaram açúcares, polifenois e proteínas, sendo a fração resultante do sobrenadante a que apresentou maior concentração de açúcares totais (65,49% ± 0,51).

Testes de segurança in vitro demonstraram que a fração enriquecida em polissacarídeos (FrE) é segura, não apresentando citotoxicidade ou fototoxicidade, enquanto que o extrato bruto apresentou citotoxicidade.

A avaliação in vivo da compatibilidade cutânea demonstrou que a fração enriquecida em polissacarídeos não é irritante para uso tópico, obtendo-se assim, uma nova matéria-prima para uso cosmético a partir do resíduo de Agave sisalana.

O potencial antioxidante da fração foi demonstrado pela capacidade de sequestro de radicais DPPH com uma concentração efetiva de 50% equivalente a 1,79mg/mL e uma capacidade antioxidante total de 917,48 equivalente grama de ácido ascórbico, indicando um potencial uso em cosméticos como ativo antioxidante.

Nanoemulsões constituídas de 40% de fase oleosa, 50% de fase aquosa e 10% de tensoativos adicionados em fases separadas, aditivada ou não com 0,5% da fração enriquecida em polissacarídeos do resíduo de Agave sisalana, foram obtidas a partir do pseudodiagrama e avaliadas como estáveis por um período de 90 dias em diferentes temperaturas.

Como a nanoemulsão contendo 0,5% da fração enriquecida em polissacarídeos foi diferente significativamente do veículo nos testes clínicos, pode-se concluir que a atividade hidratante é atribuída à fração estudada.

A nanoemulsão contendo 0,5% da fração enriquecida em polissacarídeos promoveu o aumento no conteúdo hídrico do estrato córneo e manteve a função de barreira da pele após 5h de uma única aplicação, podendo assim ser considerado um produto cosmético hidratante.