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Part V. Conclusions, recommendations and lessons to be learned

3. THE ACCIDENTAL OVEREXPOSURE

Os testes avaliativos preliminares da estabilidade fornecem indicações preditivas quanto ao comportamento de um novo produto frente a condições ambientais a que possa vir a ser submetido (BRASIL, 2005).

5.5.1.1 Estudo da adequação de localização do sistema tensoativo e avaliação da estabilidade preliminar das formulações

Nanoemulsões são comumente obtidas utilizando misturas de tensoativos de forma separada, onde os tensoativos são dispersos conforme as suas características intrínsecas, ou seja, tensoativos com características hidrofílicas, como por exemplo o Polyssorbate 80, são dispersos em meio aquoso, enquanto que tensoativos com características lipofílicas são dispersos em meio lipofílico (RIBEIRO et al., 2015; SILVA et al., 2016). No entanto, alguns estudos demonstram que as misturas de agentes tensoativos, em uma única fase, apresentam melhor desempenho do que quando isolados em fases distintas, dispersando e solubizando mais facilmente na fase contínua da emulsão, sendo possível utilizar menor concentração do agente tensoativo e produzir emulsões estáveis a longo prazo (PENG et al., 2010; ROCHA- FILHO et al., 2014).

Fundamentados nos trabalhos citados a cima, as namoemulsões foram avaliadas quanto a sua estabilidade preliminar contendo o sistema tensoativo: a) adicionado a fase aquosa; b) na fase oleosa e, c) o Polyssorbate 80 na fase aquosa e o Sorbitan Monooleate na oleosa.

As amostras estão denominadas de acordo com a metodologia utilizada, onde aquelas formulações obtidas com os tensoativos separados foram, juntamente ao número que indica a localização no diagrama ternário, acrescidas da sigla TS. Formulações obtidas com os tensoativos juntos na fase oleosa foram denominadas de TFO enquanto a sigla TFA foi utilizada para designar aquelas obtidas com a mistura de tensoativos na fase aquosa da nanoemulsão.

Tabela 10 – Resultados obtidos para os testes de estabilidade preliminar para as amostras obtidas com tensoativos isolados (TS).

Onde:* = p < 0.05 comparado aos valores iniciais; SF = separação de fases. Formulação pH Tamanho (d.nm) PDI Potencial zeta (mV) Inicial (t0) Pós estufa (t5) Inicial (t0) Pós estufa (t5) Inicial (t0) Pós estufa (t5) Inicial (t0) Pós estufa (t5) 15_TS 5,01± 0,05 5,17± 0,06 155,80 ± 3,99 158,60± 3,33 0,09± 0,02 0,07± 0,00 * -20,41± 2,58 -16,01± 0,43 21_TS 4,88± 0,32 5,24± 0,11 130,0 ± 1,99 134,0± 1,92 * 0,12± 0,02 0,09± 0,01 -17,33± 1,51 -14,23± 1,13* 28_TS SF SF SF SF SF SF SF SF 36_TS 5,21± 0,04 5,33± 0,06 * 84,69± 1,64 160,01± 15,81* 0,24± 0,00 0,05± 0,03 * -13,57± 1,30 -12,70± 0,75 15AF_TS 4,47± 0,09 4,48± 0,01 155,0± 1,29 158,4± 2,91 0,10± 0,01 0,09± 0,01 -17,67± 0,40 -12,27± 1,88 21AF_TS 4,43± 0,02 SF 124,3± 4,50 SF 0,12± 0,01 SF -14,67± 1,24 SF 28AF_TS 4,42± 0,02 4,45± 0,03 113,5± 1,24 133,2± 7,30 * 0,17± 0,00 0,09± 0,01* -13,02± 1,8 -11,30± 0,44 36AF_TS 4,42± 0,02 4,44± 0,01 83,57 ± 2,35 188,07± 7,30 * 0,23± 0,00 0,05± 0,00 * -10,64± 1,73 -10,67± 0,67

Tabela 11 – Resultados obtidos para os testes de estabilidade preliminar para as amostras obtidas com tensoativos adicionados na fase oleosa (TFO).

Onde: * = p < 0.05 comparado aos valores iniciais; SF = separação de fases. Formulação pH Tamanho (d.nm) PDI Potencial zeta (mV) Inicial (t0) Pós estufa (t5) Inicial (t0) Pós estufa (t5) Inicial (t0) Pós estufa(t5) Inicial (t0) Pós estufa(t5) 15_TFO 5,30 ± 0,37 SF 153,37 ± 2,43 SF 0,10 ± 0,01 SF -15,08 ± 1,20 SF 21_TFO 5,31 ± 0,12 SF 130,89 ± 3,54 SF 0,12 ± 0,01 SF -12,21 ± 1,55 SF 28_TFO 5,19 ± 0,05 5,11 ± 0,15 111,74 ± 3,14 113,34 ± 6,16 0,16 ± 0,00 0,10 ± 0,01 -12,52 ± 1,38 -12,69 ± 0,77 36_TFO 5,29 ± 0,04 5,30 ± 0,09 95,97 ± 17,98 144,29 ± 6,14* 0,23 ± 0,01 0,07 ± 0,02* -13,88 ± 1,35 -12,56 ± 1,88 15AF_TFO 4,46 ± 0,03 SF 152,07 ± 1,40 SF 0,09 ± 0,02 SF -13,97 ± 1,15 SF 21AF_TFO SF SF SF SF SF SF SF SF 28AF_TFO SF SF SF SF SF SF SF SF 36AF_TFO 4,49 ± 0,03 4,46 ± 0,06 85,49 ± 1,29 169,98 ± 8,88* 0,24 ± 0,01 0,05 ± 0,02* -18,07 ± 6,32 -11,01 ± 1,89

Os resultados obtidos para a estabilidade preliminar, após 24 horas da manipulação (t0) e cinco dias após armazenagem em temperatura de 45°C (t5) dos sistemas estão apresentados nas tabelas 10 e 11, respectivamente.

Contrariamente ao descrito por Peng e colaboradores (2010) e Rocha-Filho et al. (2014), as formulações contendo a mistura de tensoativos na fase aquosa (fase contínua) foram instáveis, apresentando cremagem ou separação de fases 24 horas após a obtenção. Os resultados para as formulações obtidas com a mistura de tensoativos na fase oleosa (TFO) não apresentaram benefícios significativos que justificassem a sua utilização como melhor forma de obtenção.

5.5.1.1.1 Determinação do valor de pH

A determinação dos valores de pH é de grande importância em formulações tópicas, uma vez que essas devem apresentar valores de pH compatíveis com os da pele 4,5 - 6,0 (RIBEIRO et al., 2015). As formulações apresentaram-se levemente ácidas e não foram observadas alterações nos valores de pH após o armazenamento em 45°C ± 2°C, indicando que não houveram modificações nos componentes das formulações capazes de alterar os valores destes, exceto para a formulação 36, onde foi observado aumento nos valores de pH (p>0,05).

5.5.1.1.2 Determinação do tamanho de gotícula e polidispersividade

Inicialmente, todas as amostras apresentaram diâmetro médio máximo de 155 nm. Apenas as formulações 15_TS e 15AF_TS, não apresentaram aumento significativo (p>0,05) no tamanho de gotícula. Além disso, após 5 dias em estufa, as formulações 36_TS e 36AF_TS apresentaram redução significativa (p>0,05) nos valores de polidispersividade .

Menores tamanhos de gotícula representam maior estabilidade para nanoemulsões frente a fenômenos de instabilidade, tendo em vista que pequenas gotículas reduzem a força gravitacional tornando o movimento browniano capaz de superá-la (KABRI et al., 2011; McCLEMENTS; RAO, 2011). No entanto, a formação de pontes de Ostwald é o principal fenômeno de instabilidade observado em nanoemulsões (YUKUYAMA et al., 2016).

Pontes de Ostwald alteram a estabilidade dos sistemas favorecendo a difusão de pequenas gotículas em gotículas maiores e dessa forma alterando a estabilidade a longo prazo (McCLEMENTS; RAO, 2011; YUKUYAMA et al., 2016). Assim, o

aumento significativo do tamanho de gotícula aliado a uma expressiva redução dos valores de PDI podem sugerir a instabilidade das formulações 36_TS e 36AF_TS.

Gupta e colaboradores (2016) relataram que a solubilidade da fase dispersa na fase contínua é um fator crítico para a formação de pontes de Ostwald. Wooster et al. (2008), avaliaram a influência da composição oleosa na formação de pontes de Ostwald e relacionou que a insolubilidade dos óleos proporciona uma barreira cinética capaz de impedir o surgimento desse fenomeno de instabilidade em nanoemulsões e sugeriram proporções de pelo menos 50% de óleos insolúveis na fase contínua. McClements e Rao (2011) observaram resultados semelhantes e relataram que a adição de 10% de óleos insolúveis em suas formulações foi suficiente para manter a estabilidade das nanoemulsões. As formulações desenvolvidas apresentam em sua fase oleosa o Caprylic/CapricTriglyceride (Triglicerídeo de cadeia média), Ethylhexyl Palmitate (éster de cadeia ramificada) e o Isostearyl Neopentanoate(éster de cadeia longa) na proporção de 1:1:0,5 (p/p/p). Fundamentados nas literaturas citadas acima, pode-se inferir que se a concentração de óleo de cadeia longa na fase oleosa das formulações 36_TS e 36AF_TS fosse mais elevada, o processo de instabilidade poderia ter sido minimizado e possivelmente o sistema seria estável.

5.5.1.1.3 Determinação do potencial zeta

O potencial zeta é um parâmetro amplamente utilizado na avaliação da estabilidade de nanoemulsões (MAHADI et al., 2011; RIBEIRO et al., 2015; TICHOTA et al., 2014). Tal parâmetro indica a força de repulsão entre as gotículas adjacentes de mesma carga, e dessa forma demonstram o importante papel da camada superficial das gotículas no processo de estabilização. Altos valores de potencial zeta (>ǀ30ǀ mV) indicam a resistência à agregação das partículas, consequentemente maior estabilidade (BALI; ALI; ALI, 2010). No entanto, além da estabilização eletrostática, a adição de estabilizadores não iônicos aos sistemas coloidais promove uma estabilização estérica alcançada pelo efeito de solvatação (WU; ZHANG; WATANABE, 2011).

As formulações apresentaram valores de potencial zeta negativos e menores que ǀ30ǀmV, inferiores ao recomendado pela literatura. No entanto, após o armazenamento em 45°C, apenas a formulação 21_TS apresentou redução significativa (p<0,05). Os menores valores de potencial zeta não representa um indicativo de instabilidade, pois neste caso, a estabilização do sistema pode ser

relacionada ao mecanismo de estabilização estérica (WU; ZHANG; WATANABE, 2011).

Diante da análise geral dos parâmetros após estocagem das formulações em temperatura de 45°C± 2°C, as formulações 15_TS e 15AF_TS foram selecionadas para continuidade dos estudos de estabilidade, pois não apresentaram alterações significativas (p<0,05) nos parâmetros estudados sendo, portanto, consideradas preliminarmente estáveis.