Our audit findings and recommendations
3. Little public information on deferred maintenance
Após a análise do contexto, do conteúdo e do processo da mudança na firma em análise, pôde-se observar que a principal mudança estratégica da Eletrosul nesse período foi a cisão parcial de seus ativos e passivos relativos às atividades de produção de energia elétrica que foram vertidos para a Gerasul (Centrais Geradoras do Sul do Brasil), o que lhe transformou numa empresa exclusivamente de transmissão de energia elétrica. Os ativos relativos à geração de energia representavam 72% da Eletrosul.
Dessa forma, foi possível constatar que no período em questão o determinismo ambiental, ou seja, as pressões políticas e ideológicas exercidas pelo ambiente, reduziram as opções estratégicas da empresa, fazendo com que o processo de mudança fosse essencialmente determinista. Dessa maneira, as ações estratégicas realizadas não foram planejadas deliberadamente pela firma no período referente aos anos de 1995-2002.
Esse determinismo pôde ser verificado pela imposição que o ambiente exerceu em relação à necessidade de expansão dos investimentos, que foi traduzida pela empresa e se transformou em ações estratégicas realizadas, possibilitando dessa forma, a expansão do sistema de transmissão (figura 15), o que evidencia o isomorfismo coercivo exercido pelo ambiente.
No período em análise, devido às incertezas do ambiente e também em virtude do início das privatizações, a entrada de novas tecnologias foi uma conseqüência inevitável, o que fez com que muitas empresas do SEB tivessem que se adaptar, inclusive a Eletrosul. Assim, pode-se dizer que o isomorfismo mimético exerceu influência no período, pois as empresas, de uma forma geral, moldaram-se umas às outras.
A adaptação estratégica ocorreu de acordo com a pressão exercida pelo ambiente, o que refletiu consideravelmente sobre as empresas do setor, devido aos seus objetivos de “expansão dos investimentos”. A Eletrosul, que nesse período passou a ser uma empresa lucrativa, recebendo inclusive vários prêmios, soube interpretar a pressão do ambiente. Assim, como havia se tornado uma empresa “saudável”, pôde realizar ações estratégicas que visavam à expansão do sistema elétrico de transmissão, pois a partir de 1998 a empresa se transformou na primeira estatal brasileira essencialmente voltada para o serviço público de transmissão de energia elétrica. Dessa forma, o pessoal responsável pela tomada de decisão estratégica na empresa foi levado a construir e reter a sua legitimidade pela conformidade das práticas institucionais, segundo a teoria institucional.
O setor também teve forte influência sobre as estratégias realizadas pela firma, conseqüentemente, de acordo com a ecologia das populações, o ambiente selecionou o melhor ajuste das organizações. O pessoal responsável pela tomada de decisão estratégica concentrou-se apenas na possibilidade de realizar ações estratégicas de explotação, isto é, concentrou-se no refinamento e na extensão das competências existentes na firma,
considerando as incertezas que permeavam no ambiente. Portanto, as estratégias realizadas garantiram um equilíbrio estável no período em análise, como pôde ser observado pelo seu desempenho no período em questão (ver figura 15).
Desempenho da economia:
expansão econômica e queda nos anos seguintes
Planos governamentais:
continuidade do Plano Real
Ideologia e obj. políticos:
idéias neoliberais; abertura e reformas estruturais
Regime institucional: privat.
precedeu a institucionalização
Novos entrantes: novas
empresas, maior eficiência
Modelo de negócios:
mudanças no modelo
Obj. do setor: expansão
dos investimentos, competição
Din. competitiva: competição
na geração e comercialização
Desemp. setor: crescimento
(95-97) com queda consumo
Desempenho da firma:
lucro (1996) e prêmios
Objetivos organizacionais:
redução de custos, expansão, aumento da competitividade Desenvolv. de capacidades: estagnação até 1999 e desenvolvimento posterior Estr. emergentes: necessidade de expansão urgente Estratégias realizadas: expansão do sistema de transmissão CONTEXTO PROCESSO CONTEÚDO MA CRO -A MB IE NT E AM BIEN T E SE T O R IA L FIRMA
Efeitos coevolucionistas Influências contextuais Influências processuais
Não houve planejamento formal nesse período
Figura 15: Coevolução das mudanças estratégicas na Eletrosul no período de 1995-2002 [Fonte: Elaborado pela autora].
Devido às fortes mudanças que aconteceram no SEB e na Eletrosul, durante os anos de 1995 e 2002, essas mudanças inibiram o poder que a alta direção tinha para influenciar nas estratégias, caracterizando-se portanto como um comportamento defensor. Entretanto, as ações estratégicas realizadas pela firma que permitiram a expansão do sistema de transmissão estavam relacionadas às suas capacidades, pois estavam dentro do escopo da atual estratégia da firma, e que, segundo a teoria das capacidades dinâmicas, foram orientadas de acordo com as suas competências e também de acordo com as oportunidades de mercado. Também é importante destacar, segundo a teoria da escolha estratégica, que as ações não teriam sido realizadas caso o pessoal de primeiro escalão não fosse politicamente ativo e, de certa forma, capaz de influenciar no ambiente.
Assim, pode-se considerar que as competências que a Eletrosul possuía para realizar tais ações estratégicas diziam respeito aos diferentes recursos que a firma possuía e que estavam relacionadas a um conjunto de fatores tangíveis e intangíveis. Dessa maneira, não bastou apenas a imposição do ambiente para que a empresa realizasse as estratégias. Foi necessário também que a Eletrosul tivesse determinadas especificidades (recursos e capacidades) organizacionais para que ela realmente pudesse levar a cabo as ações estratégicas, que lhe proporcionaram certa vantagem competitiva. Dessa forma, o papel exercido pelo pessoal responsável pela tomada de decisão estratégica na empresa, foi o de maximizar os recursos e capacidades da empresa para que a Eletrosul pudesse realizar as ações estratégicas do período em análise.
A realização das ações estratégicas possibilitou a mudança da Eletrosul, sendo assim, ela passou a ser a primeira estatal brasileira essencialmente voltada para o serviço público de transmissão, o que possibilitou à empresa uma posição de destaque no cenário nacional, principalmente no ano de 1999, quando implantou, em tempo recorde, dois grandes empreendimentos. Esse fato caracteriza a micro-coevolução do período, ou seja, a partir do momento que as ações estratégicas levadas a cabo pela empresa refletiram positivamente sobre a mesma (desempenho, capacidades e objetivos), gerou os efeitos coevolucionistas do período (ver linhas pontilhadas da figura 15).
Assim, esses aspectos repercutiram positivamente sobre a firma (por meio dos diversos prêmios recebidos) e conseqüentemente sobre o setor, pois dessa forma a Eletrosul estava contribuindo para o cumprimento dos objetivos deste. Repercutiu também
positivamente sobre o macro-ambiente, pois a Eletrosul foi a primeira empresa a ser cindida, impactando, dessa forma, sob a ideologia e os objetivos políticos. Esses aspectos evidenciam a macro-coevolução do período em questão, pois os efeitos coevolucionistas ocorreram por meio da realização de determinadas ações estratégicas que tiveram influência sobre os ambientes externos da empresa, como pode ser visualizado pelas linhas pontilhadas da figura 15. As propriedades supracitadas evidenciam que os efeitos coevolucionistas podem ocorrer em múltiplos níveis, como pode ser observado na figura 15.
Além disso, verificou-se no período de 1995-2002 que as empresas, de um modo geral, moldaram-se umas às outras, o que caracteriza as causalidades multidirecionais dos efeitos coevolucionistas. A partir do momento que as ações estratégicas que foram realizadas pela Eletrosul repercutiram sobre o ambiente externo e interno da empresa, pode-se dizer que essas mudanças não foram lineares e que houve uma interação constante entre a firma e o ambiente externo, caracterizando o feedback positivo.
Para finalizar, como a Eletrosul vivia em um ambiente bastante institucionalizado, sendo que essa institucionalização resultou na inclusão da empresa no PND e a sua conseqüente cisão. Assim, pôde-se verificar que a adaptação da empresa no período em questão foi um processo histórico-dependente, pois as estratégias foram influenciadas pelo ambiente em que estava inserida e também pelo seu comportamento passado.