Bibliographie
Modèle 1 : Liste de Vérification pour l’identification des actifs des ménages
A aderência é uma propriedade que faz com que o revestimento se mantenha fixo ao substrato, através da resistência às tensões normais e tangenciais que surgem na interface base/revestimento. Essa resistência depende das propriedades da argamassa no estado fresco, da maneira a qual foi executado o revestimento, da natureza e características e limpeza superficial da base (MACIEL, BARROS E SABBATINI, 1998).
Na execução do ensaio de arrancamento o traço que obteve melhor desempenho foi o Traço I, composto pelos três agregados (50% areia natural, 35% resíduo de bloco cerâmico e 15% de areia de fundição. Os resultados do ensaio para cada traço relação a aderência da argamassa como revestimento esta apresentado na figura 41.
Figura 41: Gráfico de resistência da aderência à tração
Fonte: Autoria própria (2019)
Segundo Carasek (2007), a adesão inicial caracteriza-se pela capacidade de união inicial da argamassa no estado fresco a uma base. Tal propriedade está intimamente relacionada com as características reológicas da pasta aglomerante, especificamente a sua tensão superficial.
Na execução do traço II como revestimento pode-se notar a falta dessa característica, mesmo com a consistência adequada, a argamassa não obteve adesão ao substrato. Devido a sua
0,07 0,20 0,18 0,10 0,00 0,05 0,10 0,15 0,20 0,25
composição granulométrica com diâmetro maior e ao material componente, fez-se necessário a adição de água para possibilitar a aplicação de argamassa, esta solução pode ter influenciado na resistência do traço.
A NBR 13281 (ABNT, 2005) estabelece uma classe para a argamassa de acordo com desempenho de resistência obtido no ensaio de aderência conforme apresentado na tabela 17.
Tabela 17 - Classe quanto a resistência de aderência à tração
Classe Resistência potencial à tração (Mpa) MÉTODO DE ENSAIO A1 < 0,2 ABNT NBR 15258 A2 ≥ 0,2 A3 ≥ 0,3
Fonte: Autoria própria (2019)
Já a NBR 13749 (ABNT, 1996) estabelece os limites de resistência de aderência à tração para emboço e camada única, aplicados sobre paredes, necessários para determinar o local de aplicação e o acabamento que suporta. Estes limites estão apresentados na tabela 18.
Tabela 18 - Limites de resistência de aderência à tração
LOCAL ACABAMENTO RESISTÊNCIA DE
ADERÊNCIA (Mpa)
PAREDE
Interna Pintura ou base para reboco ≥ 0,20
Cerâmica ou laminado ≥ 0,30
Externa
Pintura ou base para reboco ≥ 0,30
Cerâmica ≥ 0,30
Fonte: Autoria própria (2019)
Em comparação com os parâmetros estabelecidos nas normas, pode-se definir a classificação das argamassas deste estudo em relação a sua resistência à aderência de acordo com o exposto na tabela 19.
Tabela 19 - Classificação das argamassas
TRAÇO CLASSE (NBR
13281) RESISTÊNCIA (Mpa) APLICAÇÃO (NBR 13749)
Ref. A1 0,07 Não atende
I A2 0,20 Parede interna, acabamento com pintura ou base
para reboco
II A1 0,18 Não atende
III A1 0,10 Não atende
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O único traço que obteve valor compatível com os limites estabelecidos na norma NBR 13749 (ABNT,1996) foi o traço I, que poderia ser utilizado para paredes internas como base para acabamento com pintura ou base para reboco. O traço de referência obteve o pior resultado.
No estudo de Brum (2018) os valores encontrados para resistência de aderência à tração foram maiores que 0,2 Mpa para todos os traços. Sendo assim os valores encontrados nesta pesquisa são relativamente baixos.
Estes resultados negativos obtidos podem estar associados tanto a erros na execução como também uma dosagem não adequada para a função na qual a argamassa seria empregada. Foi utilizada uma relação de o dobro de cal para a quantidade de cimento, isto facilitou a trabalhabilidade da massa no estado fresco, porém pode ter acarretado o mal desempenho quanto a resistência.
Recena (2012) afirma que os problemas em relação às argamassas ocorrem fundamentalmente pela aplicação de processos incorretos de dosagem, pois sempre haverá um proporcionamento mais adequado a cada tipo de material, também por ser exigido uma resposta acima da competência técnica que cada material pode alcançar.
Segundo o Manual de Revestimentos da ABCP (2002) argamassas de cal se destacam por possuírem boa trabalhabilidade e capacidade de absorver deformações, porém possuem também reduzidas resistência mecânica e aderência.
Quarcioni (2009) afirma que a cal hidratada é um material que apresenta uma área específica, em geral, superior à do cimento Portland. E em função desta característica, quando a cal é incorporada nas argamassas, se faz necessário a utilização de uma maior quantidade de água de amassamento para que seja possível manter uma mesma consistência. Essa água adicional, que não é consumida na hidratação do cimento, permanecerá livre no sistema e, ao evaporar, implicará uma maior porosidade da argamassa endurecida.
5 CONCLUSÃO
Este trabalho teve como objetivo a avaliação da viabilidade de substituição da areia natural por resíduos de bloco cerâmico e areia de fundição. Esta viabilidade confirmada através da avaliação das propriedade físico-mecânica de argamassas, estas encontradas nos resultados dos ensaios regulados pela ABNT que foram realizados ao longo do estudo.
Através desse estudo pode-se verificar as propriedades adquiridas pela argamassa tanto no estado fresco como no endurecido. Analisando-se a trabalhabilidade, a resistência a tração na flexão, resistência a compressão e a aderência à tração dos diferentes traços.
Na questão da trabalhabilidade, através do índice de consistência, pode-se perceber a grande interferência de cada material para se chegar ao estado desejado da argamassa. Além do elevado consumo de água registrado no traço de referência, que é o convencionalmente utilizado em obras, observou-se o elevado consumo de aditivo, principalmente no traço com maior consumo de resíduo cerâmico devido ao seu maior padrão granulométrico.
Ao avaliarmos os resultados dos ensaios de resistência à tração na flexão e compressão, todos os resultados obtiveram resultados superior ao traço referência e atenderam ao exigido pela norma. Contatou-se que tanto o resíduo cerâmico quanto a areia de fundição apresentam bons resultados quando solicitados a esses esforços.
Quanto ao ensaio de resistência a aderência à tração, pode-se observar que todos os traços tiveram um desempenho de resistência abaixo do exigido pela norma, não sendo adequados para utilização como revestimento de massa única. Com isso pode-se perceber a necessidade de se buscar uma compatibilização nas propriedades do substrato com a argamassa. Acredita-se que o traço utilizado tem um consumo muito elevado de cal, que acaba afetando diretamente as propriedades de resistência. Logo no início do processo de cura do revestimento já pode-se observar a fissuração da argamassa, representando a elevada retração por secagem da mistura empregada.
Destaca-se nesta pesquisa o Traço II, que obteve um desempenho adequado e além disso as classificações mais superiores da norma em dois dos três ensaios de solicitação de resistência mecânica e no terceiro ficando muito próximo ao limite permitido pela norma. Apresentou resultados melhores que o traço referência, com um desempenho muito mais alto. Este fato pode estar diretamente ligado com a relação da granulometria, sendo que os resíduos de blocos
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cerâmicos possuem diâmetros maiores que o da areia, permitindo que a areia de fundição que é mais fina (também com desempenho melhor que a areia natural) preenchesse os vazios, tornando uma pasta com menos vazios, mais uniforme.
Contudo comprova-se a grande influência de cada característica dos materiais empregados na mistura, aspectos como granulometria além da própria composição do material, interferem diretamente no resultado final de desempenho das argamassas. O resíduo cerâmico solicitando uma maior quantidade de água/aditivo, influenciando nas propriedades como consistência, trabalhabilidade e resistência de aderência do material, já a areia de fundição por ser um material muito fino também influencia em aspectos como a resistência final da argamassa.