Bom, na carreira para frente uma coisa que eu acho que muda bastante é... Como que eu vou te dizer? É o peso... Eu não quero falar isso, mas é o peso de referência, não é de liderança. É o peso de referência que você passa a ter dentro da sua unidade, dentro do seu grupo, dentro da sua instituição, talvez essa seja a maior mudança que eu consiga perceber ao longo da carreira. Enquanto você tinha que... Eu sempre fui muito... Mais uma vez, eu entrei mais maduro, sou uma pessoa bem realizada maritalmente, familiarmente, pessoalmente e também profissionalmente. Eu nunca tive medo de falar, isso é uma característica minha.
Eu falo até hoje. Às vezes eu chego lá e falo: “Hoje eu vou perder o emprego.” [risos] Mas, eu nunca deixo de falar, mesmo que vá contrariar superiores, mesmo que... Eu falo e eles sabem que eu falo. Tem gente que até agradece, porque muitas vezes não se fala e a coisa passa batida. Quando a gente chega, você fala, esgoela e muitas vezes você não
é ouvido. Na medida em que você vai crescendo na carreira, vai aumentando sua projeção, a tua participação, as responsabilidades, mas ao mesmo tempo o reconhecimento a sua fala passa a ter mais peso. A sua presença passa a ter mais peso. E você acaba se transformando muitas vezes em referência. Isso é uma coisa que muda bastante. Eu sinto, muda bastante. A gente hoje é a velha guarda, 21 anos. Tem gente... Tem gente que foi contrato há dois meses. Nos últimos anos... Nosso grupo passou de 18 docentes para 35. E o grosso contratado é em 5 anos. Certo?! Isso a gente sente. O que aumenta de certa forma a responsabilidade também?! E por que isso? Porque você conhece melhor. Você já tem um domínio maior da instituição, da estrutura, da academia como um todo. A quem tem uma projeção externa muito maior, mais uma vez o Kleber é um grande amigo e referência para mim, o Paulo Eugênio é outra, Jimi, é o diretor, é outra. Essa projeção pode se dar externa como é do Paulo, do Kleber, ou mais interna como é o meu e do Jimi. Entendeu?! Então dentro da instituição a gente é consultado para as coisas, independente do cargo tá?!
Hoje parte dos cargos, mas quantas vezes a gente foi consultado para isso ou aquilo. Ou quando chega uma reunião, qual é a opinião do Oswaldo, qual é a opinião do Jimi. Então, não sobe a cabeça não, mas aumenta a responsabilidade porque você já sabe que vão te ouvir. Eu acho que a diferença na docência do Ensino Superior é que essa é uma mudança forte.
Durante os primeiros anos de carreira eu achei que talvez pudesse ter tido mais dificuldade do que tive. Não tive problemas com a instituição. Com a construção da minha carreira, nem com a relação professor-aluno, nem tampouco com as minhas relações dentro da Instituição. Ao contrário, quando a gente chegou por um lado tinha esses conflitos, a gente veio pesando a balança mais para o lado dos titulados. Mais dos titulados em relação aos não titulados. A gente tinha outro espírito, com menos pessoas, em outro momento histórico. A gente tinha um envolvimento muito maior fora da Universidade, eram jantares, reuniões, almoços. Então, isso ajudou muito nessa chegada e nesse início de caminhada.
O que a gente buscava eram melhores condições de trabalho. Isso a gente continua até hoje?! Como a coisa vai mudando, você vai buscando. Mas, não está aquele laboratório. Nós chegamos a ter uma sala para cada docente aqui nessa unidade, foi reivindicação de uma luta antiga de ter seu espaço para atender o seu aluno, de trazer seu aluno para dentro da sua sala. Então aqui, por exemplo, que eu tive por vários anos essa sala inteirinha comigo, com esse aumento muito grande de docentes, agora a gente teve que voltar a dividir sala. Re-utilização de espaços. Mas essa busca de melhor condição de trabalho isso nunca vai acabar. Desde que chegamos... Como eu te disse eu ganhei uma mesa e um armário.
Então, eu tive que batalhar. Você viu tem armário lá fora meu, que não cabia mais as coisas que eu tenho aqui dentro. Eu tenho o meu escritório em casa, grande parte das minhas coisas estão no escritório lá em casa também. Então, você vai acumulando, acumulando bens?! Do ponto de vista científico aquele armário está todinho cheio de dissertações e monografias. Entendeu?! Você tem que guardar em algum lugar?! É história, é registro, é memória. Mas, também laboratório, quando a gente veio da formação de mestre visando formar grupos de pesquisa, primeiro consolidar linhas de pesquisa, depois formar grupo de pesquisa e dando saltos maiores como o nosso programa de pós-graduação.
Todo mundo vislumbrava montar o seu laboratório. Eu montei o laboratório de Ornitologia e Bioacústica que é um laboratório em pleno funcionamento. Laboratório
que tem hoje estagiários, estagiários de iniciação, mestrandos e doutorandos trabalhando e três pesquisadores; a professora Celine de Melo coordenadora, desde a criação. Eu fui coordenador, por seis anos, esse ano passei para ela. O professor Alexandre, que foi meu primeiro doutorando, se doutorou e que é pesquisador associado do laboratório com bolsa pró-doc aqui do Instituto, então os 3 pesquisadores. Uma produção que nós (...) Ecologia tirando as Instituições que sediaram os eventos tem o maior número de trabalhos apresentados, nos dois últimos congressos de Ornitologia no Brasil. Então, altamente produtivo dentro dessa coisa que todos nós buscamos. Criar um laboratório, criar um espaço de pesquisa, consolidar e começar a formar gente. Graças a Deus. Pode olhar ele lá, se já não olhou. É bom. A produção está lá... Eu não sou nenhum pesquisador top, não tenho produção científica nas estrelas, mas também não faço feio não! Em termos de orientação e publicação.