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Les types d’admission

Dans le document AU TRANSPORT ADAPTÉ (Page 25-28)

São considerados meios de consumo da atividade, todos aqueles recursos explorados para levar o visitante a consumir os produtos e serviços oferecidos no espaço rural. Cabe esclarecer, no entanto, que os recursos aqui referidos não são aqueles processados/consumidos dentro do processo produtivo, como por exemplo, a água que abastece as propriedades, ou a lenha utilizada no preparo dos alimentos. Trata-se dos recursos territoriais utilizados como atrativos para estimular o consumo dos serviços e mercadorias "in situ", sejam eles materiais como o relevo, a

vegetação, os rios, os moinhos, os alambiques, ou imateriais como a cultura, a língua, os costumes, etc. (Prancha 4).

Assim sendo, as práticas de turismo desenvolvidas no espaço rural reservam aos elementos naturais e artificiais um papel fundamental, principalmente aqueles percebidos visivelmente através da paisagem. Os elementos naturais (água, topografia, vegetação...), enquanto recursos físicos são valorizados socialmente pela sua originalidade ou "intocabilidade", já os artificiais (casas antigas, moinhos, alambiques, estufas de fumo, fornos de carvão, pontes...), enquanto recursos patrimoniais o são pelo seu valor cultural, histórico e sentimental.

A paisagem rural é então assumida como um meio estratégico para o consumo de produtos e serviços, pois "somente quando as relações capitalistas se instalam é que os rios, montanhas, passam a ser apropriados economicamente pelo turismo" (OURIQUES, 2003).

Partindo deste princípio, no trabalho desenvolvido pela Acolhida, a paisagem recebe uma atenção especial, seja através da conscientização dos agricultores sobre a importância de preservar os recursos naturais e paisagísticos, seja através da exploração dos recursos naturais presentes na região (acesso às cachoeiras presentes nas propriedades, abertura de trilhas, etc.); ou ainda da "construção" da paisagem enquanto imagem. O concurso de jardinagem, organizado pela Associação em 2002, coloca explicitamente isso:

A campanha visa estimular a utilização de plantas nativas ou de uso comum na região, a recuperação de objetos tradicionais decorativos (máquinas, implementos, instrumentos de trabalho, etc.), a valorização do artesanato e de técnicas típicas de construção (portais, cercas, etc.) e o aproveitamento dos recursos naturais de cada local (água, relevo, rochas, etc.) (Acolhida na Colônia, 2002).

Cientes de que a construção da imagem vai além dos aspectos visuais, mas também engloba os simbólicos e sentimentais, o resgate cultural/patrimonial também foi incorporado ao trabalho. Um exemplo foi a incorporação de uma propriedade rural de Anitápolis, encorajada a se vincular ao projeto pelo potencial patrimonial que possui: "ele (técnico) veio aqui, viu a serraria e o gerador de energia movidos à roda d'água e nos encorajou a entrar para o agroturismo" (Associada 7 - Anitápolis).

Este é um processo comum, principalmente quando voltado ao turismo aposta na imagem local como diferencial. Nesse sentido, coloca Cara (1996 p.91):

O turismo atua como um incentivo...ao estimular a busca endógena das próprias imagens locais. Busca de originalidade, de raízes e reconstrução acelerada do passado simbólico, criando fábulas e metáforas...se está criando o passado a partir do presente com um sentido utilitário não ideológico.

A criação do passado a partir do presente, o reconhecimento da possibilidade de uso das identidades culturais como um patrimônio a ser preservado e valorizado pela atividade turística, levou a Associação a desenvolver um trabalho que envolveu: o resgate de técnicas artesanais de trabalho (atafonas, serrarias movidas à roda d'água, engenhos, etc.) incorporando-as ao circuito; adaptação de construções como paióis, ranchos e estufas de fumo como estruturas de recepção (pousadas, restaurante, local de eventos...); incorporação de utensílios e objetos antigos na decoração de pousadas, casas e jardins; promoção do concurso de "causos", que resgatou lendas e histórias dos habitantes da região e culminou na publicação de um livro; valorização da culinária, através do concurso de receitas típicas e incorporação nos cardápios das propriedades.

Desta forma, a Acolhida se empenha em fundir a riqueza dos recursos naturais presentes na região, com elementos da humanização do espaço, impregnados pela herança cultural de seus protagonistas. Vale ressaltar, que a valorização deste conjunto de elementos os tornam atrativos para o exercício do turismo - como expressa o seguinte depoimento: "gostavam de vir onde não tinha energia, tudo coisa natural, eles se sentiam bem, bastante mata, porque na cidade eles diziam que não se vê nada, só prédio...isso eles falavam..." (Ex-associada42 - Anitápolis) -, estimulando o interesse pela sua preservação. Em outras palavras, a Acolhida concebe os recursos físicos e patrimoniais não como objetos a serem consumidos/transformados dentro do processo produtivo, mas como bens cuja alteração/desgaste/depreciação pela prática do turismo é absolutamente indesejável.

Todas as ações da Associação visando valorizar os recursos existentes, tem a clara intenção de criar um ambiente de representações do modo de vida do homem rural, de forma que o que era tido como feio, ultrapassado e velho passou a ser valorizado e incorporado como parte integrante do produto turístico, como aponta uma das associadas: "desde o início era pra ser esse paiol o lugar de receber os turistas, mas naquele momento a gente não via que aquilo era aconchegante..." (Associada 6 - Anitápolis).

Percebe-se que as imagens e representações criadas pela atividade turística não atingem apenas os usuários, mas também as sociedades receptoras (CARA, 1996). O estudo constatou que, no início os próprios agricultores não se davam conta que o lugar onde moravam e produziam pudesse ser um atrativo. O resgate e valorização de aspectos relacionados à originalidade física e cultural do lugar passaram a acontecer principalmente a partir da valorização por parte dos turistas e da atuação da assistência técnica.

Na valorização dos recursos naturais e patrimoniais, os recursos técnicos foram fundamentais no processo de adaptação das propriedades para a produção turística. Assim, as dicas de segurança, conforto, embelezamento, saneamento e higiene foram claramente colocados pelos associados nas principais mudanças estabelecidas nas propriedades. Essas mudanças não ocorreram apenas no âmbito da organização do espaço físico, mas também da vida dos agricultores, que acabaram (re) adotando algumas práticas produtivas (do sistema convencional ao orgânico) e revendo hábitos como os de higiene, alimentação, etc. Os depoimentos seguintes enfatizam estas questões:

"a gente teve que trabalhar no todo... melhorar a imagem, dar um aspecto mais acolhedor" (Associado 2 - SRL);

"a gente investiu bastante no açude...na verdade aquele tipo de estrutura a gente não queria nem fazer, mas a gente se obrigou até pela questão da segurança dos turistas...." (Associada 1 - SRL);

"as camas na época era tudo de palha, agora troca tudo isso num estilo diferente...e a gente foi adaptando uma coisa na outra, tirando a criação de volta da casa, do quintal...." (Associado 8 - Anitápolis);

" nós não botamos nada de agrotóxico aqui....mas primeiro botava....depois que o turismo começou, não foi botado mais nada" (Associada 8 - SRL).

É possível perceber que, mesmo havendo um interesse pela manutenção da originalidade do lugar, resgate de práticas de produção, recuperação de construções, valorização de profissões artesanais, também há o interesse em determinadas adaptações que, dependendo de como são compreendidas pelos agricultores podem colocar em risco a preservação das qualidades originais, que fundam e perenizam a atratividade destes sítios (CAZES, 1996).

4.2.2 ... aos espaços complementares

Mas a simples existência de recursos turísticos - enquanto condição potencial - não basta para qualificar um espaço como espaço turístico: é preciso dar condições para os turistas chegarem até ele, se alojarem, se alimentarem, se divertirem, o que implica na funcionalização de espaços complementares.

Assim sendo, é a estruturação destes espaços que levará a comercialização do tempo de ócio, pois são eles que assumirão o papel econômico do sistema produtivo. Sánchez (1991) aponta duas vertentes principais de espaços complementares, os intraterritoriais, ou seja, espaços circundantes necessários para a produção turística; e os interterritoriais, que permitem a acessibilidade ao lugar de uso, seja dos turistas ou das mercadorias a serem usadas e consumidas.

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