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Le traitement des demandes

Dans le document AU TRANSPORT ADAPTÉ (Page 42-45)

Embora o turismo ocupe mão-de-obra familiar e contratada nas propriedades rurais, não garante na mesma proporção o benefício econômico para as famílias envolvidas. Os depoimentos dos entrevistados variam a esse respeito:

" a nossa fonte de renda é quase só a aposentadoria dos pais e o leite" (Associado 3 - SRL); " a gente ainda não viu muito retorno com o turismo, porque a gente ainda está investindo...mas eu acredito que mais tarde vai ter esse retorno" (Associada 7 - Anitápolis); " a renda principal ainda é o meu salário, mas se for juntar o agroturismo com o mel, eu diria que empata" (Associado 5 - SRL);

"mesmo não tendo muito movimento, hoje o turismo é a nossa principal fonte de renda"

(Associada 6 - Anitápolis).

Mesmo que os entrevistados não tenham respondido claramente sobre a participação do agroturismo na renda familiar, um levantamento dos dados registrados no escritório da Acolhida, permitiu inferir o montante deixado pelas excursões técnicas de 2005, nos estabelecimentos de Santa Rosa de Lima e Anitápolis, conforme tabela 8.

Tabela 8 - Valor deixado nos estabelecimentos associados e não associados à Acolhida, através de excursões organizadas pela Associação no ano de 2005.

Estabelecimento Município Valor recebido (R$) em 2005 proveniente de excursões

Doce Encanto (Pousada e Agroindústria)

Santa Rosa de Lima 11.483,00

Pousada Tenfen Santa Rosa de Lima 8.288,00

Pousada Vitória Santa Rosa de Lima 4.400,00

Pousada das Águas Santa Rosa de Lima 1.123,00

Quartos Coloniais Assing Santa Rosa de Lima 760,00

Quartos Coloniais Vandressen Santa Rosa de Lima 706,00

Condomínio Rio do Meio Santa Rosa de Lima 672,00

Condomínio Willemann Santa Rosa de Lima 578,00

Condomínio Geração Santa Rosa de Lima 455,00

Condomínio Sul do Rio Santa Rosa de Lima 310,00

Condomínio Cachoeiras Santa Rosa de Lima 55,00

Condomínio Florada da Serra Santa Rosa de Lima 104,00

Condomínio Delícias da Cana Santa Rosa de Lima 18,00

Paraíso das Águas Santa Rosa de Lima 2.211,00

Centro de Formação Santa Rosa de Lima 2.454,00

Santa Rosa de Lima Sub-total: 25.329,00

Pousada Recanto das Cachoeiras Anitápolis 2.049,00

Pousada Schüller Anitápolis 502,00

Pousada Rio das Pedras Anitápolis 184,00

Sítio Passárgada Anitápolis 708,00

Sítio Silva Anitápolis 77,00

Museu do Roberto Anitápolis 157,00

Anitápolis Sub-total: 3.677,00 SRL e Anitápolis Total: 37.294,00

Através de uma estimativa junto aos associados de Santa Rosa de Lima (pousadas e quartos coloniais), sobre os valores correspondentes ao turismo de final de semana, levantou-se um valor de aproximadamente R$ 47.705,00 distribuídos desigualmente entre os empreendimentos. Os agricultores de Anitápolis não souberam dar estimativas.

Com respeito aos dados acima levantados, cabe tecer os seguintes comentários:

- a falta de controle interno nos estabelecimentos se dá pelo desconhecimento em gestão de alguns associados, mas também porque parte deles não quer divulgar o montante recebido, sobretudo em função do não repasse dos 5% para a Associação44;

- em relação as agroindústrias, os valores indicados na tabela 8 correspondem somente aqueles relativos às visitas (R$ 20,00 para grupos menores que 20 pessoas, ou R$ 1,00/pessoa para grupos maiores), não estando contabilizada a venda direta (muitas vezes superior ao valor pago pela visita). As agroindústrias praticamente não recebem turistas de final de semana, pois não estão organizadas para isso;

- fica evidente na tabela apresentada, que Santa Rosa de Lima encontra-se privilegiada pelas excursões técnicas em relação à Anitápolis, sobretudo sua pela estrutura e presença das agroindústrias;

- o movimento de turistas de final de semana em Santa Rosa de Lima (segundo a estimativa dos agricultores acima apresentada) responde por aproximadamente 36% da renda total proveniente do turismo, embora muitos entrevistados tenham apontado que o movimento de turistas de final de semana já corresponda à 50%.

As entrevistas complementam os dados acima, nos seguintes aspectos:

- os agricultores que apontaram o baixo retorno econômico com o turismo são principalmente os que oferecem quartos coloniais. Essa condição de hospedagem além de apresentar uma capacidade reduzida de atendimento, nem sempre é apreciada pelos visitantes, que pelo mesmo valor (já que os preços da Acolhida são tabelados) podem se hospedar com mais privacidade e conforto em pousadas;

- por ser uma atividade recente e desenvolvida por agricultores com poucos recursos financeiros, os investimentos são constantes, o que consome o pouco lucro obtido: "por enquanto a gente não viu muito retorno, porque a gente ainda está aplicando muita coisa...a gente teve que fazer muitos melhoramentos nesses quatro anos..." (Associada 7 - Anitápolis);

- as propriedades que não produzem o alimento servido ao turista tem o seu lucro bastante reduzido: "ele (esposo) se envolveu com a serraria e esqueceu de plantar,

44 A não divulgação dos valores por parte dos associados se deve ao fato da pesquisadora ser também técnica da

porque tu tens que ter as coisas...porque se tiver que comprar tudo, aí não dá lucro" ( Associada 7 - Anitápolis);

- o agricultor que apontou o agroturismo como principal fonte de renda, desenvolve a agricultura exclusivamente para o consumo da família e dos turistas, de tal forma, que a mesma não é contabilizada como renda agrícola, e sim um componente do produto agroturístico;

- os agricultores que estão mais satisfeitos com o agroturismo são aquelas cujo retorno financeiro se iguala ou ultrapassa o da produção agrícola. Isto aponta para o papel do agroturismo como alternativa para as famílias que não conseguem estabelecer uma relação vantajosa com o mercado convencional, mas agregam valor à produção através da oferta dos produtos na mesa dos turistas ou na venda direta.

Alguns motivos podem ser destacados para a não satisfação da expectativa financeira de todos os associados, entre eles: pouca disponibilidade de tempo para se dedicar à atividade; falta de recursos para investimentos; pouca identificação com o turismo; falta de alguns espaços complementares (estradas, meios de comunicação, etc.); pouca visão empreendedora.

Dentre os estabelecimentos mais bem sucedidos, encontram-se os que se voltaram ao agroturismo como atividade principal, e cuja agricultura é praticamente produzida para o consumo da família e dos turistas, como ressaltado nas entrevistas: "o que a gente produz, a gente serve aqui na mesa...." (Associada 6 - Anitápolis), ou " tem que ver que a agricultura também faz parte do nosso lucro..." (Associado 5 - SRL).

A este respeito, ressalta-se um aspecto importante: a produção para o consumo representa uma fonte de renda indireta proveniente da propriedade, como reconhece um dos entrevistados: "o que eu planto e colho aqui, representa o meu salário" (Associado 1 - SRL), apresentando-se como uma estratégia importante, tanto para a segurança alimentar da família, como para a sua própria reprodução social45.

Além de responder por estes aspectos, percebe-se que a produção para o consumo vem sendo incorporada como parte do produto turístico (matéria-prima para a alimentação, atrativo e venda direta), tornando-se mais um elemento da propriedade enquanto "espaço de produção turística". Assim, "aos poucos a agricultura vai se transformando em mais um complemento à

45 A importância da produção para o consumo na reprodução social dos agricultores foi verificada por Cazella,

(2003), Flexor e Gavíria (2003), Carneiro (2003) em pesquisas realizadas para aprofundar os estudos sobre a multifuncionalidade nos espaços rurais brasileiros.

renda através do consumo direto e da comercialização em pequena escala" (CARNEIRO, 2002 p.227).

Apesar da agricultura contribuir no lucro obtido pelo turismo, os agricultores apontaram a inviabilidade de produzir tudo, assim quando há necessidade de comprar produtos, eles o fazem em primeiro lugar com os vizinhos: "quando não tenho, compro da minha cunhada" (Associada 1 - SRL); "compro nos outros colonos mesmo" (Associado 8 - Anitápolis), na AGRECO "é quase sempre recolhido nos vizinhos e nos condomínios" (Associado 2 - SRL) e com menor freqüência no mercado "é difícil os vizinhos terem o que a gente não tem, aí tem que correr pro mercado mesmo"(Associado 3, SRL).

4.3.2 Sobre a reorganização das propriedades

A reorganização das propriedades rurais que se voltam ao turismo se dá sob vários aspectos, dentre eles, a divisão do trabalho. Assim, no geral os homens se encarregam das atividades agrícolas e da organização do ambiente externo. As mulheres, além de terem uma participação variável nos serviços gerais, se envolvem de forma mais direta com a atividade turística, desde sua organização até os serviços internos (arrumação, organização dos ambientes, alimentação). Esta questão já foi verificada anteriormente por Cabral (2004) na mesma região de estudo, e por Fernandes e Paulilo (2004) em outras regiões do estado de SC.

Mudanças também ocorrem na propriedade, os ambientes precisam manter-se arrumados para não comprometer o aspecto visual, assim como, garantir a segurança dos visitantes. Desta forma o turismo passa a ser visto pelos agricultores como parte do processo produtivo, da mesma forma que os processos produtivos são organizados para serem contemplados pelo turismo. Este aspecto é bem evidenciado na seguinte entrevista:

"a gente está tentando organizar a propriedade que possa ser incluído tudo, agricultura, visitação...agora está saindo o projeto de peixes, talvez criação de marrecos pra alimentar os açudes...e de repente envolver isso tudo em áreas que possam ser visitadas pelo turista"

(Associado 2 - SRL).

Mas se por um lado, a inserção do turismo nas propriedades gera novos esforços, pode também significar a redução de outros, como por exemplo:

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