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2.4 EXEMPLES D’APPLICATION

2.4.4 Les systèmes experts

As situações de pobreza e de exclusão social continuam a ser bastante representativas no contexto nacional, sendo a questão do social, nos últimos anos, se reveste de maior complexidade. Citando Pereirinha (2003) nos finais da década de 80, em toda a Europa, face à complexidade dos problemas sociais mais complexos dá-se o rompimento da conceção tradicional de pobreza monetária (Pereirinha,2003).

Além da questão monetária, incorporam-se, progressivamente, outras dimensões no conceito de pobreza, aproximando-o mais do conceito de exclusão social. Existem múltiplos fatores condicionantes dos direitos sociais, esses fatores podem ser de natureza económica, cultural, social, política e estrutural. As alterações das estruturas familiares e o funcionamento do mercado de trabalho constituem alguns dos fatores estruturais que podem pôr em causa as condições de integração social nas sociedades modernas, fortemente urbanizadas, e condicionar o exercício desses direitos (Pereirinha, 2003).

Devido a todas estas alterações, na vida dos indivíduos, desde as estruturas familiares, ao mercado de trabalho e à alterações do papel do Estado na regulação da questão social, surge o batalhar contra as desigualdades, em que o Estado para além de adoptar uma atitude de ação reparadora, adopta uma ação preventiva sobre as causas, com o uso da política social, visando uma maior coesão social. A abordagem a estes fenómenos, tende, nos últimos anos, a envolver, cada vez mais, um conjunto de atores sociais em dispositivos de trabalho em parceria (Pereirinha,2003). A política de Rendimento Mínimo Garantido, hoje designado de política activa de Rendimento Social de Inserção, objeto de estudo desta dissertação, é uma medida que se enquadra nesta lógica de política de rendimento condicionado à inserção, em alternativa às políticas clássicas de assistencialismo.

A criação e implementação desta medida de Rendimento Social de Inserção contribuiu para assegurar mínimos sociais e uma maior cobertura de riscos de combate à pobreza e exclusão social. Sendo que, como já foi referido anteriormente ao longo da dissertação, esta medida exige o envolvimento ativo dos técnicos e beneficiários implicando o compromisso de coparticipação e o envolvimento em atividades de

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inserção social e profissional adequadas às respectivas necessidades. Por conseguinte, a prestação pecuniária, que permite ao individuo satisfazer as suas necessidades básicas, como cuidados ao nível de saúde, alimentação, gestão das despesas relativas à habitação, despesas escolares, entre outras, tem subjacente um compromisso de inserção social que o compromete a identificar e colaborar na construção de programas de inserção.

As políticas de RSI a partir dos anos 90 do séc. XX seguem um novo perfil de políticas- ativas, corresponsabilizantes, contratualizadas e implementadas em parceria. Estas políticas de rendimento condicionado à inserção têm implicações técnicas de gestão e de acompanhamento individualizado, nomeadamente a partir das seguintes actividades: uso do atendimento e orientação social a potenciais beneficiários que estejam abrangidos pela medida e potenciais requerentes da mesma; visa a mobilização de apoios e recursos à inserção disponíveis na comunidade, com o uso dos serviços de apoio; um acompanhamento mais integrado e intersectorial dos programas de inserção; uma criação de recursos na comunidade, com vista à satisfação das necessidades dos beneficiários, um trabalho mais próximo do indivíduo e do meio envolvente.

A intervenção junto das famílias beneficiárias de RSI reveste-se de características atípicas. O universo das famílias beneficiárias de RSI é muito diversificado, verificando-se algumas situações problemáticas, que devido à sua natureza, gravidade e vivência de determinadas situações, constituem para o agregado familiar bloqueios enquanto sistema, levando a impactos na vida dos indivíduos, exigindo uma intervenção mais prioritária por parte da equipa em acompanhamento, pelo facto de cada indivíduo ter de ser visto como sendo um ser único e incomparável, em que o profissional necessita de colocar a sua intervenção mais centrada no individuo e no seu meio ambiente e ter em conta que cada indivíduo tem vivências, necessidades, problemáticas e capacidades distintas uns dos outros, sendo que a intervenção que fazemos a determinada família varia de acordo com as características de cada uma.

Se de um lado, estamos perante uma família Mesão-friense de tipologia nuclear com filhos, em que surgem indícios que os menores sofrem de violência doméstica e por outro temos uma família da mesma tipologia nuclear com filhos, em que a relação familiar é boa e apenas surge a problemática de insuficiência de rendimentos, devido a

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um elemento maior se encontrar desempregado, não podemos comparar as duas famílias. Podemos, adoptar os mesmos métodos de intervenção, como o uso de entrevistas individuais ou grupais e visitas domiciliarias que nos permitem um contacto mais direto com o individuo, mas temos de ter em conta que a família de tipologia nuclear com filhos, em que existe a problemática de violência doméstica, exige por parte do técnico uma intervenção mais prioritária, nomeadamente uma maior articulação com os parceiros, como por exemplo, o parceiro da CPCJ devido à existência de menores. A intervenção técnica deve através do diagnóstico social, identificar quais os problemas e dificuldades existentes em determinada família ou indivíduo e a partir dessa análise, definir um programa de inserção junto dos elementos que integram o agregado familiar. Nem sempre os problemas de determinada família se prendem apenas pela insuficiência de rendimentos, mas muitas vezes esta insuficiência de rendimentos numa família leva ao despoletar de outras problemáticas, como o abandono escolar por parte dos menores, em que o trabalho do técnico passa por mostrar aos menores a importância que o meio escolar possui, para tal pode articular com o parceiro da educação de modo a que juntos consigam modificar a situação, a falta de trabalho dos elementos maiores, podem levar a sentimentos de falta de autoconfiança, de desespero, de sentimento de desfiliação, sendo o papel do técnico trabalhar com a família, dialogando com os elementos, encaminhando para sessões junto da psicóloga, junto do parceiro do IEFP, de modo a que este ponha a par o agregado familiar das oportunidades de emprego existentes. A prática do Assistente Social, deve, como salienta Moura (2006), promover a mudança social, a resolução dos problemas no contexto das relações humanas e a capacidade e empenhamento das pessoas na melhoria do bem-estar, ajudar as pessoas a sentirem-se pessoas. Neste caso, esta medida RSI, tem como objectivo maior, auxiliar o individuo que se encontra perante uma situação de risco, de modo a que ele próprio consiga de acordo com os meios disponíveis na sociedade, modificar a sua situação de modo a se autonomizar da mesma.

Através do estudo feito ao Concelho de Mesão Frio, verifica-se ao nível populacional uma diminuição da população residente desde o ano 2001 até 2013, devido à diminuição da taxa de natalidade, ao aumento dos fluxos migratórios e do aumento do envelhecimento populacional. Ao nível económico, a economia do concelho é dominada

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pela cultura da vinha e trabalhos agrícolas, não existindo indústria, sendo os serviços escassos e quase inexistente a oferta de emprego.

A carência económica que se faz sentir, a insuficiência de rendimentos e a elevada taxa de desemprego, a par com os problemas de saúde e as fracas condições habitacionais são alguns dos constrangimentos sentidos pelos beneficiários da medida RSI de Mesão Frio. Através da análise da distribuição dos beneficiários com acordos assinados por áreas de intervenção, verifica-se que num total de 546 ações de inserção por áreas temáticas, destacam-se as 390 ações de Ação social, 60 de Educação, 46 de Saúde, 24 de Emprego, sendo que, as que registam valores inferiores são as áreas da Habitação e Formação Profissional com 13 ações. Assiste-se à preocupação em inseri- los socialmente, permitindo a melhoria do nível de escolaridade e de saúde. Esta inserção é feita muitas vezes pelo técnico em função dos recursos disponíveis na sociedade, sendo que, no presente o que tem permitido a inserção dos beneficiários do concelho e alguma autonomização por parte destes, é o encaminhamento para os Contractos de Emprego e Inserção+, projecto que o concelho ainda se tem candidatado.

Tendo em conta a própria conjuntura económica do próprio concelho de Mesão Frio, é enorme a dificuldade de inserção do beneficiário no mercado de trabalho, o que leva a que o processo de autonomização seja mais moroso.

Ainda no âmbito do acompanhamento social realizado em Mesão Frio, verifica-se a existência de situações de desempregados com baixa escolaridade, que quando orientados para formação recusam. Nestes casos recusam as hipóteses de melhorar a sua escolaridade e de melhorar o acesso ao emprego. O que esta falta de atitude colaborativa por parte dos indivíduos pode dificultar o trabalho do técnico.

Sendo importante referir que ao nível do concelho Mesão-friense e tendo em conta a problemática mais presente ser o desemprego e a falta de empregabilidade no concelho, o técnico deve ter sempre em conta a adopção de um trabalho multidisciplinar em parceria, pois esta é uma pobreza mais ligada ao factor estrutural, ao facto de não existir industria, de apenas as instituições empregadoras serem na maioria a Câmara Municipal e a Santa Casa da Misericórdia que se trata de instituições em que os empregados necessitam de experiência e qualificação profissional e a maioria dos beneficiários não possuem qualificação profissional. A experiencia profissional mais vigorante nos

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beneficiários estão ligados à área da agricultura, mas no presente até nessa área existe dificuldade.

Necessita-se que as instituições existentes no território, se diferenciam para responder à diversidade de necessidades sentidas no terreno.

É necessário trabalhar a confiança entre os colaboradores e stakeholder no trabalho em rede e em parceria pois frequentemente verifica-se a existência de sobreposições de trabalho por exemplo, a recolha de informação social por vezes processa-se de modo fragmentado. Cada profissional envolvido recolhe a informação que precisa para resolver a situação no imediato e esquecesse de recorrer à colaboração e partilha dessa informação com outros profissionais envolvidos

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