• Aucun résultat trouvé

Les propri´et´es chimiques

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 159-168)

IV.3.1 Les propri´et´es physico-chimiques

IV.3.1.1 Les propri´et´es chimiques

Bakhtin (2016) inicia suas reflexões sobre os gêneros destacando que, em suas diferentes atividades orais ou escritas, o ser humano serve-se da língua para se comunicar com intenções e finalidades peculiares a cada situação e para produzir enunciados que são organizados de formas diversificadas. Essas diferentes maneiras de ocorrências enunciativas é que Bakhtin (2016, p.12) conceitua como “tipos relativamente estáveis” denominados gêneros do discurso, os quais circulam nas diversas esferas sociais e apresentam características próprias.

Rojo (2007) alerta para o cuidado que devemos ter na interpretação do conceito de gênero, pois, ao se falar em estabilidade relativa, não se pode ignorar a questão da heterogeneidade. A estudiosa ressalta essa característica devido à infinidade e variedade dos gêneros do discurso, pois o fenômeno mais interessante da discussão sobre os gêneros é a força de atração ou de repulsão que os temas abordados pelo Círculo de Bakhtin exercem sobre os demais discursos.

O enunciado transparece as condições específicas e os objetivos de cada uma das situações nas quais são empregados, referentes não apenas ao conteúdo temático, mas também ao estilo verbal, e, principalmente, à construção composicional. De modo indissociável, esses elementos se unem ao todo do enunciado, sendo marcados pelas especificidades de cada esfera de comunicação humana.

O emprego da língua efetua-se em forma de enunciados (orais e escritos) concretos e únicos, proferidos pelos integrantes desse ou daquele campo da atividade humana. Esses enunciados refletem as condições específicas e as finalidades de cada referido

campo não só por seu conteúdo (temático) e pelo estilo da linguagem, ou seja, pela seleção dos recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais da língua, por sua construção composicional [...] (BAKHTIN, 2016, p. 12).

Assim, o autor considera que todos os diversos campos relacionados à atividade humana estão ligados por meio do uso da linguagem. Destaca ainda que o caráter e a forma de utilização dessa linguagem também são tão multiformes quanto os diferentes campos de atividade do homem.

Conforme Bakhtin (2016), os gêneros do discurso apresentam três dimensões essenciais e indissociáveis: conteúdo temático, construção composicional e estilo. Rojo (2005, p.196) explica que os temas podem ser definidos como os “conteúdos ideologicamente conformados”. Esses conteúdos são expressos ou comunicáveis por meio dos gêneros. A forma composicional pode ser percebida por meio dos elementos estruturais e semióticos. Esses elementos são compartilhados pelos textos que pertencem ao mesmo gênero. O estilo ou as marcas linguísticas são “as configurações específicas das unidades de linguagem, traços da posição enunciativa do locutor e da forma composicional do gênero” (ROJO, 2005, p. 196).

As três dimensões dos gêneros, na análise da estudiosa, são determinadas por meio dos parâmetros da situação de produção dos enunciados. Essa determinação ocorre, principalmente, pela apreciação valorativa do locutor sobre os temas e dos interlocutores de seu discurso. Por isso, os aspectos da expressão relacionada à enunciação a serem considerados são definidos pelas condições reais que estão sendo avaliadas, em especial as situações sociais mais imediatas, constituídas por seus elementos essenciais, dentre os quais podemos citar os parceiros de interlocução. Esses parceiros constituem-se por meio de diferentes relações de cunho social, que podem ser de caráter institucional ou pessoal, passando a ser contempladas a partir do foco apreciativo de valores de quem está emitindo a palavra. Isso determina diversos aspectos referentes ao tema, composição e estilo do texto ou do discurso.

A riqueza e a diversidade infinitas dos gêneros estão relacionadas às atividades humanas que são multifacetadas e inesgotáveis em possibilidades, como postula Bakhtin (2016). Para cada área do conhecimento há um grande repertório de gêneros, os quais crescem e apresentam diferenças e complexidades de acordo com o desenvolvimento de cada área, por isso, há necessidade de atentarmos para extrema heterogeneidade dos gêneros do discurso nas modalidades oral e escrita.

Em suas reflexões, o autor explica que devem ser incluídas como gêneros do discurso as réplicas do diálogo do cotidiano, os quais também são diversificados de acordo com a situação, o tema, os objetivos e as finalidades. O filósofo concebe que a heterogeneidade dos gêneros do discursivo dificulta a definição em relação à natureza geral do enunciado, os quais apresentam uma distinção essencial entre os gêneros discursivos, denominados primários (simples) e secundários (complexos).

Os gêneros secundários, em seu processo de formação, incorporam e reelaboram características de diversos gêneros primários, os quais se formaram mediante condições da comunicação discursiva imediata. Ao serem incorporados, os gêneros primários acabam adquirindo um caráter especial, perdendo o seu vínculo imediato com a realidade concreta, porque todo estilo contido nos diferentes gêneros está ligado, de modo indissolúvel, ao enunciado e as suas diferentes formas, ou seja, aos gêneros do discurso.

Esse processo de constante incorporação e reelaboração podem ocorrer não apenas com os gêneros secundários (literários, publicitários, científicos), mas, também, com os primários (diferentes tipos de diálogo oral ocorridos nos meios sociais como salão, círculo familiar, discurso filosófico, político etc.). Isso pode ser consequência do fato de que todo meio de comunicação sofre mudanças, podendo os gêneros primários incorporar algumas características linguísticas dos secundários.

Os gêneros do discurso sofrem mudanças, reconstruções, renovam-se ao longo do processo histórico. Quando ocorre a passagem de um estilo de determinado gênero para outro, não há apenas mudança no caráter do estilo, mas também nas condições do gênero, ocasionando a destruição ou renovação deste.

Outro aspecto dos gêneros discursivos é a historicidade, sobre a qual Faraco (2009) faz menção à relevância atribuída a ela nos pressupostos bakhtinianos, declarando que, na perspectiva do filósofo russo, os tipos não são definidos de uma vez para sempre, porque não possuem propriedades sincrônicas fixas. Fato que pode ser averiguado nas contínuas transformações sofridas pelos tipos ao longo de suas constituições histórico-sociais, apresentando maleabilidade e placidez, pois as atividades humanas são dinâmicas e, também, estão em constantes mutações.

Com relação a essa constante modificação dos gêneros, Fiorin (2016) esclarece que Bakhtin não leva em consideração o gênero como produto e, sim, o seu processo de produção. Interessa-se mais pela forma como os gêneros se constituem do que com os seus aspectos formais, parte do vínculo interno, no qual há a utilização da linguagem nas atividades humanas. Os enunciados devem ser concebidos em sua função no processo de interação.

Nesta perspectiva de constantes mudanças dos gêneros do discurso dentro do contexto de comunicação que ocorrem nas diferentes esferas sociais, nas quais está incluída a escola, onde também circulam diferentes gêneros da esfera literária, cotidiana, jornalística entre outras, que direcionamos nossa proposta de intervenção. Esse direcionamento foi motivado pelo fato de considerarmos que essas mudanças auxiliam no processo de ensino e aprendizagem da língua.

A partir das observações das dificuldades dos alunos, elaboramos oficinas com atividades, nas quais inserimos algumas abordagens da teoria do Círculo de Bakhtin no que tange ao dialogismo e ao estudo dos gêneros discursivos. Essas oficinas foram desenvolvidas com uma turma de ensino fundamental de 8º ano, no primeiro semestre do ano letivo de 2018. Por isso consideramos relevante uma breve reflexão sobre os discursos pedagógicos a respeito desse tema e sua inserção para o ensino e aprendizado de língua.

4.2 CONTRIBUIÇÕES DOS ESTUDOS DOS GÊNEROS DISCURSIVOS PARA O

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 159-168)