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Partie 3 – Les professionnels de l’orientation des adultes

1. Les professionnels de la transition chômage-emploi

A escola localizada na zona urbana fica no centro da cidade e a maioria dos alunos reside no próprio centro, ou então, em bairros próximos a ele. Nesse sentido, compreendemos que esses alunos possuem mais opções e facilidades que os alunos da zona rural para o acesso a bancos, supermercados, farmácias, padarias etc. Possuem mais opções de lazer também, como o acesso ao cinema, artes, música, clubes, lan houses, dentre outros espaços. No centro da cidade, há também maior facilidade quanto à formação do ser humano, nos diferentes sentidos: no acesso aos cursos de idiomas, escolas particulares, cursinhos pré-vestibulares, cursos técnicos, cursos de informática, cursos de dança ou de instrumentos e também na prática nos diferentes tipos de esportes. Nesse mesmo sentido, observamos vários alunos da cidade que já fizeram cursos técnicos ou cursos de informática, alguns que praticam esportes ou demais atividades físicas, enquanto que ao tratar dos alunos da zona rural, eles pouco se referem a essas atividades.

O dia-a-dia dos alunos da escola urbana é marcado pelo estudo, trabalho e também pelos momentos de lazer no período da noite e aos finais de semana, em cujos alunos entrevistados relataram que vão ao cube, jogam bola, vêem o/a namorado/a e navegam na internet.

Já o bairro onde se localiza a escola de zona rural, com base na entrevista com a diretora da escola, se subdivide em três subáreas que pertencem ao perímetro rural do município, o qual possui quatro mil habitantes (bairro mais populoso do município).

Ele é constituído principalmente por oleiros. A entrevistada nos informou que, desde pequenas, as crianças já trabalham com os pais. Por metade do período frequentam a escola e, no outro período, “já são aproveitados na olaria”. No entanto,

esse trabalho não se daria de modo “escravizante”, segundo a entrevistada, que vê nele

aspectos positivos. A questão do trabalho infantil nas olarias pode ser melhor ilustrada através do depoimento a seguir:

E na olaria você começou com dez anos?/ (A3): É./ (E): O que você fazia na olaria?/ (A3): De tudo, fazia tijolo, enfornava, carregava caminhão./ (E): Com dez anos?/ (A3): É, com dez anos, precisa trabalhar, né?/ (E): Tinha bastante criança que trabalhava na olaria?/ (A3): Ah, tinha, viu? A maioria com a minha idade, trabalhava tudo junto. A mulecadinha, sé coitado, tudo da minha idade, em noventa e sete, noventa e oito trabalhava tudo de manhã e ía pra escola à tarde (Cássia, 22 anos, aluna da escola de zona rural).

As olarias seriam, ainda, produções familiares, sendo que trabalham nelas tanto proprietários quanto empregados. Estes últimos seriam poucos (por volta de três ou quatro, pelas informações obtidas pelos alunos), devido ao fato dos próprios proprietários de olarias e suas respectivas famílias trabalharem nelas, ou seja, pais, filhos e número reduzido de empregados. Conforme informações da diretora, a grande parte das olarias seriam registradas, existindo a associação dos oleiros do bairro. No entanto, há olarias que não estariam legalizadas, conhecidas como olarias mais

“rudimentares, mais familiar”. No bairro, haveria também muitos caminhoneiros que

trabalham como autônomos, no transporte de tijolos e água, sendo que os “filhos também já vão seguindo os pais”. Haveria também “chacreiros”, já que há muitas

chácaras de veraneio, de modo que os moradores do bairro também são empregados destas.

Conforme a diretora, o emprego no bairro é diferente ao ser comparado com outros bairros rurais do município. Nos bairros onde predomina o trabalho na lavoura, o emprego é menor e muitos dos alunos concluintes do Ensino Médio, ao se formarem, acabam indo trabalhar em outros locais, como, por exemplo, em indústrias localizadas em municípios vizinhos. No entanto, neste bairro onde predomina o trabalho nas olarias, juntamente com os demais citados, há a tendência de se fixar o homem no campo, já que lá se emprega um maior número de pessoas.

A comunidade do bairro compõe uma comunidade religiosa, havendo um significativo número de evangélicos. Ao questionar os alunos sobre o tipo de leitura dos pais, 28,5% dos alunos responderam que os pais teriam o costume de ler a Bíblia, contra 7,9% da mesma resposta obtida pelos alunos da zona urbana.

Conforme a diretora, no bairro não há situação de pobreza, como pessoas passando fome, sendo que a comunidade religiosa oferece amparo (cestas básicas) para os casos de maior dificuldade econômica. Há uma heterogeneidade no que tange à situação socioeconômica dos moradores dessa localidade e dos alunos da escola, pois mesmo os mais providos economicamente não procurariam as escolas da cidade, contudo as escolas do próprio bairro.

Os locais de lazer são quase inexistentes e são muito distintos dos locais da cidade. Conforme nos mencionou a própria diretora, a própria escola consiste num ponto importante de lazer e encontro dos estudantes aos finais de semana. Lá há a

Escola da Família e são desenvolvidas atividades como futebol e outros esportes, aulas de pintura, artesanato, jardinagem, dentre outros, variando conforme a época. A escola, como local de lazer, pode ser vista no depoimento a seguir:

(E): E em fim de semana, o que você faz geralmente?/(A6): De sábado, à tarde eu faço aula de pintura aqui na escola. De sábado e domingo, eu faço aula de pintura e de fazer caixinha manual./ (E): E você faz essas aulas por que? Pra fazer pra vender depois ou por que gosta? /(A6): Não, gosto mesmo. É pintura de caixinha de madeira./ (E): Tipo porta jóia? /(A6): É. E tecido em guardanapo. (Gabriele, 18 anos, aluna da escola de zona rural). Nesse contexto, a escola consiste num ponto importante de lazer e encontro dos estudantes nos finais de semana e também durante a semana, pois conforme mencionou a própria diretora:

Cada escola é uma realidade, acredito que a nossa difere das demais escolas da cidade na frequência, temos mais frequência, porque o aluno uma vez que sai de casa pra ir pra escola, ele entra, porque ele vai ficar onde? Na estrada? fazendo o que? Na cidade tem um clube, tem uma festa, agora na zona rural, ele vai ficar onde? Andando na estrada e vendo o que? Não tem atrativo, então se ele sai de casa e vem pra escola, ele vem pra escola, porque ele não tem um lugar de lazer que ele possa se sair melhor. A escola acaba sendo ponto de referência, ponto de encontro dos amigos, um lugar de prazer, então eu tenho uma frequência muito grande. Tem determinados professores que me disseram que a escola bate record em freqência até em sextas-feiras à noite (diretora da escola de zona rural).

Além da escola, como referência de lazer dos estudantes, a diretora menciona os campos de futebol que há no bairro, onde são disputados diversos campeonatos. Muitos alunos também relataram gostar de ir à cidade aos finais de semana, às praça, ao clube, à lanchonetes, ou então, ficar assistindo filme em casa e ver o namorado (a). Por outro lado, diversamente dos alunos da cidade, muitos relataram também passear em cidades vizinhas, em visitas a amigos e parentes e também alguns mencionaram gostar de ir às cachoeiras.

Dentre as principais dificuldades encontradas pelos alunos e demais moradores do bairro, encontram-se a distância do bairro da cidade e também a forma de se locomover até lá, já que há somente cinco linhas diárias de circular que passam pela localidade. Outro aspecto a ser melhorado consiste também nas estradas: somente as vias principais são asfaltadas e, no entanto, são bastante esburacadas, tornando-se perigosas para todos que transitam por ela. Já as demais estradas que dão acessos aos sítios, são de terra e, em períodos de chuva, tornam-se intransitáveis. Esse aspecto negativo presente no bairro pode ser melhor ilustrado nas palavras da diretora:

A zona rural está com as estradas ruins, aquelas que são de terra, em tempo de chuva, ficam intransitáveis e mesmo a nossa que está asfaltada, está muito esburacada, então é muito perigoso, porque você vai desviar, pra desviar você invade a pista do outro, né? Então, têm acontecido acidentes por conta disso”. Além disso, embora haja vendas, bares, escolas e posto de saúde no bairro, há poucos estabelecimentos como esses, ou seja, pouca variedade e opção de escolha, sendo que há pouco tempo havia uma farmácia e uma lan house, mas ambas foram fechadas. Essa é uma realidade desconhecida pelos alunos que residem na cidade, que têm várias opções de escolha e facilidade no acesso aos lugares.

O dia-a-dia dos alunos da zona rural é marcado pelo trabalho e pelo estudo, mas, primordialmente, pelo trabalho, já que trabalham período integral, diferentemente dos alunos da zona urbana, que, quando o fazem, fazem somente meio período, tendo mais tempo reservado para o lazer e estudo, o que quase não existe no caso de alguns alunos da zona rural.

Podemos dizer, assim, que os alunos das duas escolas vivenciam experiências distintas em seu dia-a-dia, por residirem em locais distintos, assim como são seus estilos de vida. Nesse contexto, a escolha do método praxiológico e referencial teórico pautado em Bourdieu foi de extrema importância, uma vez que oferece subsídios para compreensão de como o meio social e seus componentes - condições objetivas econômicas, sociais, simbólicas e culturais presentes no cotidiano da vida escolar e pessoal de cada agente - são interiorizados na subjetividade. Consideramos que se trata de uma teoria sobre a lógica das práticas dos agentes sociais e que se caracteriza por uma compreensão dialética de elementos objetivos e subjetivos constitutivos de disposições interiorizadas (habitus), ou seja, que se trata de um conjunto de proposições e conceitos valiosos para a investigação e análise do como são formadas as expectativas de vida de atores sociais de origens e posições sociais relativamente distintas e de como tais expectativas, mediadas pelas dimensões concretas da socialização na família e na escola, se reproduzem ou se transformam, de modo a produzir diversas e contraditórias estratégias de estudo ou trabalho no campo social (BOURDIEU, 1983a; 1996a; 1996b; NOGUEIRA; NOGUEIRA, 2002).

2. Dados sobre o Ensino Médio e análise preliminar das escolas urbana e