Les recommandations et prises de position éthiques de la C.N.E
6.1. Les prises de position éthiques de la Commission
A maioria dos estudos sobre a metaforicidade na Doença de Alzheimer refere- se a provérbios. Em testes de múltipla escolha, dados da literatura indicam que o desempenho de pessoas com Doença de Alzheimer está significativamente prejudicado na interpretação de provérbios. Kempler e colaboradores (1988), em uma amostra de 29 indivíduos com Doença de Alzheimer e 43 controles, identificaram que o desempenho do grupo clínico foi significativamente pior. Chapman e colaboradores (1997) sugerem que o prejuízo em tarefas de explicação de provérbios é menos grave em comparação a tarefas de múltipla escolha.
Elmore e Gorham (1957), utilizando um teste de explicação verbal, identificaram um prejuízo significativo de compreensão proverbial no grupo clínico. No entanto, o grupo controle não foi especificado. Treves e colaboradores (1990) aplicaram uma tarefa de explicação de provérbio a um grupo clínico de 89 indivíduos e seus respectivos controles, relatando desempenho significativamente inferior dos participantes com demência, para a qual, entretanto, não foi realizada a diferenciação entre Doença de Alzheimer e Demência vascular.
Campanha et. al. (2008) investigaram, com base em uma tarefa de explicação verbal, a compreensão de provérbios brasileiros ambíguos em uma amostra de 120 participantes subdivididos igualmente em grupo clínico e grupo controle. Os resultados encontrados indicam desempenho inferior do grupo Doença de Alzheimer. Santos e colaboradores (2008; 2009), também no Brasil, averiguaram o desempenho significativamente baixo de pessoas com Doença de Alzheimer comparativamente a um grupo controle por meio do Teste de Rastreio da Doença de Alzheimer com Provérbios, construído a partir de um jogo de memória no qual é solicitada explicação verbal, sendo necessário reconhecer, interpretar e recordar significados de provérbios.
Com relação à familiaridade dos provérbios, tanto nos casos de Doença de Alzheimer, quanto nos grupos não patológicos, pesquisas indicam que as expressões conhecidas são mais fáceis de interpretar, sendo a competência para compreendê-las dependente do conhecimento que se tem delas (PENN; JACOB; BROWN, 1988; NIPPOLD; HAQ, 1996; UEKERMANN; THOMA; DAUM, 2008). Essa interdependência resultaria do fato de que o reconhecimento de expressões figurativas familiares envolveria a percepção de um padrão global (GIBBS, 1980), ao passo que a
compreensão de provérbios não literais novos demandaria um extenso processo de associação semântica referente ao conhecimento geral de mundo.
Vários autores procuram apontar que pessoas com Doença de Alzheimer exibem desempenhos interpretativos literais na compreensão de provérbios, ou seja, interpretações "concretas” em vez de figurativas, "abstratas" (CODE; LODGE, 1987) assim como tendem a proceder a interpretações adequadas de provérbios familiares (KEMPLER et. al., 1988). Brundage (1996) sugere que a dificuldade se relaciona a sua familiaridade, já que para haver a compreensão, é necessária a recuperação de um sentido associado na memória, em vez de um processo de abstração das palavras.
Chapman e colaboradores (1997) argumentam que indivíduos com Doença de Alzheimer poderiam fornecer informações precisas sobre interpretações de provérbios conhecidos, apesar de apresentarem habilidades de pensamento abstrato prejudicadas. No mesmo estudo, quando os participantes receberam uma tarefa de múltipla escolha, com quatro alternativas, incluindo "concreto" e "abstrato", o efeito de familiaridade desapareceu para os participantes que têm dificuldade em escolher a interpretação figurativa. Portanto, as diferentes condições (explicação verbal x múltipla escolha) parecem ter demandas cognitivas distintas, já que os participantes com Doença de Alzheimer exibiram pior desempenho na condição de múltipla escolha.
Sé (2011) investigou, por meio do emprego de uma tarefa de explicação verbal composta por um procedimento metalinguístico e outro contextual, os processos de significação na interpretação de provérbios mais metafóricos e menos metafóricos por indivíduos com Doença de Alzheimer, comparados a controles. No que se refere à metaforicidade, a autora assinala que os indivíduos com Doença de Alzheimer foram capazes de identificá-la, embora tenham exibido melhor desempenho na interpretação dos provérbios menos metafóricos. Segundo a autora, isso se deve à maior familiaridade dos participantes com as propriedades léxico-semânticas e pragmáticas dessas expressões, que seria a chave interpretativa para os provérbios. Quanto às interpretações ditas literais, as pessoas com Doença de Alzheimer as realizaram predominantemente frente aos provérbios mais metafóricos. Sé ressalta que, mesmo não acessando o sentido dos provérbios conforme as categorias de relevância pragmática, os indivíduos com Doença de Alzheimer apresentaram interpretações apropriadas em relação ao léxico usado na expressão, o que leva à consideração de que
alguns dos conceitos metafóricos veiculados pelos provérbios não estejam no repertório de pressupostos ou pré-construídos dessas pessoas.
Papagno e colaboradores (2003) investigaram em um grupo Doença de Alzheimer e outro controle a compreensão de expressões idiomáticas não-ambíguas por meio da apresentação de duas imagens relativas a cada uma delas, sendo uma representando a linguagem literal e outra a figurativa. Os participantes com Doença de Alzheimer apresentaram desempenho significativamente prejudicado nessa tarefa, contudo, ao serem solicitados a escolherem entre uma imagem que representava o significado da expressão idiomática e uma imagem cuja representação não possuía relação com ela, o grupo clínico obteve melhora nos resultados. O estudo sugere que indivíduos com Doença de Alzheimer são capazes de interpretar expressões figurativas, mas, têm dificuldades de suprimir de forma eficiente a interpretação literal quando é apresentada como alternativa. O desempenho em descrições verbais é superior ao desempenho em tarefas de seleção de imagem de múltipla escolha, assim como há variação quanto à natureza das imagens apresentadas como alternativas.
Rassiga et. al. (2009), visando a testar a hipótese de que há dificuldades de supressão de interpretação literal, investigaram a compreensão de expressões idiomáticas ambíguas em 15 pessoas com Doença de Alzheimer por meio do emprego de duas tarefas. Na primeira, os participantes deveriam selecionar o significado correto em cada quatro imagens, enquanto que, na segunda, eles tinham que escolher entre quatro palavras. Para ambas as tarefas, as alternativas eram a imagem/palavra correspondente ao sentido figurado, uma associação semântica (imagem/texto) para a última palavra da expressão idiomática e duas alternativas não relacionadas. A compreensão dos participantes foi significativamente prejudicada em ambas as tarefas, principalmente, na de correspondência com imagem. Os autores sugerem que a dificuldade para interpretar expressões idiomáticas pode advir de uma falha de inibição da interpretação literal, ao passo que o grau de inibição necessário pode ser afetado pela modalidade de teste: a correspondência de imagem requer mais inibição do que a correspondência de uma única palavra, possivelmente, porque alternativas com cenas envolvem mais recursos de memória de trabalho para associarem-se a uma sentença apropriada.
Tratando de metáforas e de expressões idiomáticas, Papagno (2001) investigou a compreensão de metáforas convencionais e não convencionais e de expressões idiomáticas consideradas altamente familiares por estarem dicionarizadas,
através de tarefas de explicação verbal, durante um período de tempo de 6 a 8 meses. Sua amostra foi constituída apenas por participantes com Doença de Alzheimer, cujo número variou de 39, inicialmente, a 23 indivíduos, ao final do estudo. Verificou-se que expressões idiomáticas e metáforas diferem-se quando considerados os tipo de erros interpretativos produzidos, já que, naquelas houve muitas interpretações literais, e nestas a predominância de não produção de respostas. O decréscimo no desempenho da compreensão de metáforas, especialmente de metáforas novas, mas não da compreensão de expressões idiomáticas, foi significativo após o decorrer do período supracitado. A linguagem não literal foi relativamente preservada ao longo do estágio inicial da doença.
Amanzio e colaboradores (2008) procederam a um estudo comparativo da compreensão de metáforas convencionais, metáforas novas e expressões idiomáticas, a partir das tarefas de Papagno (2001), em uma amostra de 20 indivíduos com Doença de Alzheimer e 20 controles. Em relação aos controles, os participantes com Doença de Alzheimer exibiram prejuízo significativo apenas na compreensão de metáforas novas, sendo capazes de compreender metáforas convencionais e expressões idiomáticas. Segundo os autores, a razão principal para o prejuízo na compreensão de metáforas novas na Doença de Alzheimer é o déficit nas funções executivas, tratadas por eles de raciocínio verbal, as quais são consideradas necessárias para calcular as relações nas combinações entre tópico e veículo das metáforas não convencionais. Metáforas convencionais e expressões idiomáticas demandam menos esforços das funções executivas, já que sua compreensão envolve a recuperação de um significado associado a partir da memória semântica.
Com relação a metáforas, Roncero e de Almeida (2014) investigaram o efeito da aptidão, controlando a variável familiaridade, na compreensão de metáforas copulares (por exemplo, os advogados são tubarões). O grupo Doença de Alzheimer de 11 participantes forneceu interpretações que variaram tanto em aptidão quanto em familiaridade, exibindo resultados inferiores comparados aos do grupo controle. A capacidade de interpretação metafórica foi relacionada à aptidão em detrimento do nível de familiaridade, de forma que indivíduos com Doença de Alzheimer são capazes de compreender uma metáfora quando podem realizar abstrações – ao interpretarem além do significado dito literal – no caso de tais metáforas terem um nível suficiente de aptidão. Assim, a capacidade para construir interpretações figuradas para metáfora nem
sempre seria diminuída em pessoas com Doença de Alzheimer, pois não é dependente apenas do nível novidade da expressão.
Como podemos observar na revisão da literatura, as pesquisas sobre provérbios e idiomáticos metafóricos, assim como metáforas na Doença de Alzheimer são, em sua maioria, desenvolvidas comparativamente a populações controle. A configuração dos instrumentos de investigação é variada, sendo utilizados testes de múltipla escolha com estímulos pictóricos, orais e/ou escritos, assim como tarefas de explicação verbal. A maior parte das análises é efetuada de forma comparativa a indivíduos sem comprometimento neurocognitivo, tendo como ferramentas fórmulas estatísticas que visam a assinalar diferenças entre os grupos. Existem poucos estudos que se interessam pela dinâmica interacional envolvida na configuração da figuratividade das expressões. Em alguns estudos, há o interesse por variáveis que constituem a metaforicidade das expressões, tais como ambiguidade, familiaridade e aptidão.
Nessa ótica, o estudo que desenvolvemos tem, a um só tempo, a vantagem e o desafio de estabelecer e comparar as regularidades linguísticas, pragmáticas e discursivas associadas à interpretação da metaforicidade em dois relevantes quadros clínicos, as afasias e a Doença de Alzheimer. Soma-se a isso o fato de nos debruçarmos sobre três diferentes tipos de expressões metafóricas: provérbios, idiomáticos e metáforas. Nosso empreendimento pode ser considerado uma tentativa de problematizar de forma mais completa os aspectos que concorrem para a realização de cálculos metafóricos nessas duas patologias.