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IV. L’IDENTIFICATION COMPARATIVE ET RECONSTRUCTRICE

5.3 Les morsures humaines

Em Setembro de 1862 António Augusto Aguiar (1838-1887), na altura lente substituto da cadeira de Química Inorgânica e Analítica na Escola Politécnica de Lisboa,71 é nomeado

para membro adjunto da Comissão Geológica.72 A entrada de Aguiar para a CGR veio

possibilitar a criação de um laboratório de análises químicas e de um gabinete fotográfico, há muito reclamados pela direcção daquele organismo.

A construção de um laboratório químico requeria, naturalmente, a criação de infra- estruturas, designadamente o arranjo de um local apropriado73 e o seu apetrechamento com o equipamento indispensável. Esse equipamento viria a ser, na sua totalidade, importado do estrangeiro, por não existir naquela altura em Portugal nenhum estabelecimento capaz de o

fornecer74 o que mais uma vez atesta a precariedade da prática científica em Portugal.

Assim, a Comissão viu-se obrigada a encomendar em França o material de que carecia,75

situação que acarretou demoras e comportou riscos decorrentes do transporte do mesmo.76

De facto, chegou quebrado algum material de vidro além da balança de precisão ter sido muito danificada durante o transporte.77 Nem mesmo as reparações efectuadas no Instituto Industrial possibilitariam a sua recuperação, tendo por esse motivo a Comissão de

70 O ofício refere apenas que os recibos deveriam ser passados em nome de Filipe Folque, não mencionando qual dos membros deveria dirigir-se à Imprensa Nacional. Ofício da Comissão Geológica a F. Augusto Pereira Marecos, 19 de Fevereiro de 1863, AHIGM, loc. cit. (9).

71

Sobre a presença de Aguiar na Escola Politécnica de Lisboa, ver Vanda Leitão, A Química Inorgânica e Analítica na Escola Politécnica de Lisboa e na Academia Politécnica do Porto (1837-1890), Tese de Mestrado,

Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, 1998.

72 A nomeação oficial de Aguiar tem a data de 9 de Setembro de 1862, sendo o seu vencimento de 23$330 réis. Ofício da DGTGCHGR dirigido à direcção da Comissão Geológica, 13 de Setembro de 1862, AHIGP, loc. cit. (9).

Ver também apêndice F.

73 Em Setembro deste ano, a Comissão Geológica recebe 120$000 réis para efectuar obras no local onde deveria ser instalado o laboratório químico. AHIGP, Livro “Despezas Geraes, nº 1”.

74Op. cit. (63), p. 668.

75 Neste ano, foi C. Deroche et Morin, quem vendeu o material para o laboratório químico da Comissão Geológica, habitual fornecedor de material para a Escola Politécnica de Lisboa. A encomenda seria efectuada através de J. B. Baillière. Carta de C. Deroche et Morin dirigida à direcção da Comissão Geológica, 14 de Janeiro de 1863, e a carta de C. Deroche et Morin dirigida à direcção da Comissão Geológica, 20 de Outubro de 1862, AHIGM, Armário 3, Prateleira 1, Maço 28, Pasta 1.

76 Refira-se que somente cerca de dois anos depois, a Comissão teria possibilidade de efectuar encomendas para o laboratório da Comissão Geológica através da empresa Barral & Irmão. Veja-se as cartas de Barral & Irmão dirigidas à Comissão Geológica, 22 de Abril, 23 de Abril e 31 de Maio de 1864, AHIGM, loc. cit. (34).

77

Uma carta de resposta de Deroche e Morin à direcção da Comissão Geológica lamentava o sucedido com a balança de precisão que fora encomendada, sobre a qual garantiam a sua qualidade, mas não se poderiam responsabilizar pelo transporte. Carta de C. Deroche et Morin dirigida à direcção da Comissão Geológica, 23 de Julho de 1863, loc. cit. (75).

despender mais dinheiro na aquisição de uma nova.78 A nova balança era ansiosamente aguardada pela Comissão pois só desse modo poderia iniciar as análises às águas potáveis minerais existentes no país as quais, depois de acompanhadas dos respectivos dados geológicos, poderiam fornecer informação relevante para o seu conhecimento e exploração.79 Enquanto as análises quantitativas tiveram de aguardar pela solução deste problema outras iam sendo satisfeitas, designadamente as relativas a minérios extraídos nas colónias sob administração portuguesa,80 de minas existentes no território de Portugal Continental,81 entre outras.82

O gabinete fotográfico era também ansiosamente desejado, sobretudo pelo reconhecimento das vantagens que a fotografia poderia proporcionar aos trabalhos da

Comissão Geológica.83 Contudo, a falta de pessoal qualificado e o risco de aumento

excessivo de encargos financeiros tinham provocado o sucessivo adiamento de tal projecto. Agora, graças ao empenhamento de Aguiar e aos conhecimentos que possuía acerca das técnicas fotográficas, era finalmente possível admitir a criação de um gabinete daquela

natureza.84 Nesse sentido, o desenhador Cordeiro Feio foi recebendo formação em

fotografia durante alguns meses vindo a revelar-se, segundo a Comissão, um verdadeiro

artista nesta área. Uma das primeiras técnicas empregues foi a do “colódio húmido”,

obtendo-se por meio deste processo algumas cópias de fósseis.

A utilização da fotografia permitia simplificar consideravelmente o trabalho dos desenhadores por dispensar a elaboração de desenhos adicionais antes da sua gravação na pedra, conseguindo-se em minutos o que anteriormente levava dias e acarretava

inúmeros custos à CGR.85 Mas a fotografia não traria apenas vantagens de utilização no

78

Desta vez a balança foi encomendada em Giessen, segundo o relatório da Comissão. Op. cit. (63), p. 668.

79Ibid. Note-se que até 1866, altura em que Agostinho Vicente Lourenço, lente na Escola Politécnica de Lisboa da cadeira de química orgânica e análise química desde 1864, publica um extenso relatório sobre as águas portuguesas, pouco se conhecia sobre este assunto. Até então apenas existiam publicações esparsas, sobre algumas águas minero-medicinais. Ver Vanda Leitão, A Química Inorgânica e Analítica na Escola Politécnica de Lisboa e na Academia Politécnica do Porto (1837-1890), Tese de Mestrado, Faculdade de Ciências e Tecnologia

da Universidade Nova de Lisboa, 1998.

80 Como exemplo, refira-se as análises feitas ao ferro extraído de Moçambique. Ofício da Comissão Geológica dirigido a Filipe Folque, 12 de Setembro de 1862, e muitos outros de data posterior, como por exemplo os respeitantes a análises de cobre de Angola e de Timor. AHIGM, loc. cit. (9).

81 Ofício da Comissão Geológica dirigido a Filipe Folque, 22 de Novembro de 1862, AHIGM, loc. cit. (9); ofício da DGTGCHGR dirigido à CGR, 28 de Agosto de 1862, e de 3 de Agosto de 1863, AHIGP, loc. cit. (9); ofício de

Filipe Folque dirigido ao MOPCI, 25 de Novembro de 1862, AHIGP, Livro 4, "Registro dos officios remettidos ao Ministerio das Obras Publicas desde Novembro 1852 a Março de 1865", ou outros de data posterior.

82 Por exemplo, refira-se as análises aos lodos extraídos do canal dos moinhos do Barreiro. Ofício de Folque dirigido à CGR, 23 de Julho de 1863, AHIGM, loc. cit. (9). Ver também “Relatorio sobre a analyse dos lodos extrahidos do canal dos moinhos do Barreiro, Boletim do Ministerio das Obras Publicas Commercio e Industria,

10 (1863), 374-375.

83 Recorde-se que Ribeiro reconhecera a sua importância no relatório que efectuou aquando da sua viagem à Europa, e por esse motivo frequentou também um curso de fotografia em França.

84 Até ao ano de 1864, ainda não tinham sido disponibilizadas instalações específicas para o gabinete fotográfico. “Relatorio da Direcção Geral dos Trabalhos Geodesicos, Chorographicos, Hydrgraphicos e Geológicos do Reino — oitava classe, Trabalhos geologicos — 9 de Dezembro de 1864”, Boletim do MOPCI, 8

(1865), 173-175 (174). 85Op. cit. (63), p. 668.

gabinete dado que poderia ser também aplicada nos trabalhos de campo. Todavia, esta última aplicação requeria o apuramento de novas técnicas mais facilmente manipuláveis e um transporte de equipamento mais simples. Neste âmbito, foram feitos alguns ensaios

empregando o “colódio seco” mas os resultados não tinham ainda correspondido às

expectativas. Esta situação não se devia à má preparação das chapas ou a defeitos técnicos mas principalmente devido à ausência de equipamento adequado, pois a fotografia de vistas exigia a utilização de chapas de dimensões apropriadas e uma máquina panorâmica, aparelhagem que a Comissão ainda não possuía. Ainda assim, o relatório da Comissão refere que foram obtidas algumas fotografias apesar da máquina existente na Comissão apenas poder fotografar horizontes muito limitados e em condições especiais.86

Trabalho de campo e de gabinete

Ribeiro é o primeiro a sair em digressão iniciando a sua actividade no campo na primavera de 1862. Principia pelo reconhecimento da escarpa marítima desde o forte da Conceição em Cascais, passa ao Cabo da Roca e Calhau do Corvo (próximo da Praia das Maçãs) e às escarpas entre as pontas da Lamparoeira e da Guincheira a sul e a norte da foz do Sizandro. Durante o estudo das rochas traquíticas existentes no Cabo da Roca e Monge e das dioríticas presentes na parte ocidental da Serra de Sintra, surgem diversas dúvidas, pelo que Ribeiro solicita a presença de Pereira da Costa para, em conjunto, debaterem in loco as suas observações. Do estudo em comum resultaria a resolução das dúvidas existentes a respeito das condições de jazida daquelas rochas, a divisão destas em diferentes formações e a determinação dos seus limites.87 Por essa ocasião Ribeiro e Costa

efectuam também o exame conjunto de uma das camadas desde Cambelas passando pela Lobagueira, Fernandinho, Livramento, Enxara dos Cavaleiros e Milharado, nas quais apareceram fósseis da parte inferior do Kimmeridgiano, apesar de terem sido inicialmente classificadas como pertencendo ao Neocomiano. Esta irregularidade foi explicada admitindo que os fósseis encontrados naquela formação “(...) haviam sido removidos com os detritos do kimmeridiense e ahi depostos na epocha da formação neocomiense, desapparecendo assim a apparente anomalia que n’esta camada se observa”.88

Até Junho, Ribeiro continua o estudo dos limites das formações do Jurássico desde o oceano a Torres Vedras, Alenquer e Serra de Montejunto, trabalho que prosseguiria ao longo do ano seguinte. Estuda também as diferenças litológicas apresentadas pelas

86Ibid. No AHIGM, não foram encontradas quaisquer fotos a que Ribeiro faz referência no relatório da CGR. 87Op. cit. (49), p. 535.

formações do Jurássico entre Alverca e Alenquer, e as de Bucelas, Aranhó, Cabeça de Montachique e Mafra as quais, segundo conta, lhe permitiram desfazer alguns equívocos.89 Delimita ainda a formação do Neocomiano na linha de costa da Ericeira à Praia das Maçãs e examina a forma e estrutura da escarpa oceânica compreendida nos mesmos limites. Esta campanha terminou com o estabelecimento do limite do Cretácico superior que aflora desde

a costa a Sul da Ericeira às escarpas de Bucelas.90 Naturalmente, toda a digressão foi

acompanhada pela realização de inúmeros cortes e recolhas de exemplares, os quais se

encontram pormenorizadamente enumerados no relatório da Comissão para este ano.91

Delgado, por sua vez, inicia o trabalho de campo em Junho tendo sido incumbido do reconhecimento geológico correspondente à folha 19 da carta corográfica. Na primeira quinzena do mês de Julho (cerca de 40 dias depois), conclui que esta região é formada principalmente por rochas do Mesozóico, do Cretácico inferior ao Lias, cobertas por um pequeno retalho do Terciário com algumas areias do Quaternário as quais, especialmente a NW das Caldas da Rainha, adquirem uma extensão considerável. Determina os contactos aproximados das diferentes formações e traça os cortes que deveriam preceder o

levantamento da segunda campanha.92 Em particular, Delgado refere que nas vizinhanças

do Vimeiro foi realizada uma investigação mais minuciosa, tendo sido por este motivo efectuado um maior número de recolhas.93

As recolhas efectuadas no campo iam sendo acompanhadas de dragagens, as quais permitiriam aos membros da Comissão a comparação dos espécimes vivos existentes com os dos depósitos que iam sendo estudados.94

No que respeita ao trabalho de gabinete, Delgado ocupa-se de diversas tarefas, entre as quais a classificação de exemplares. Ribeiro, por seu turno, vai descrevendo a geografia e constituição física de toda a região explorada. A par disso estuda os apontamentos reunidos até então com o fim de redigir uma descrição das formações do Jurássico e do Cretácico, e encarrega-se também do desenho de diversos cortes parciais para mostrar os desnivelamentos e a desnudação produzida sobre as rochas no solo adjacente às margens do Sizandro.

Paralelamente, nas instalações da Comissão Geológica, Pereira da Costa ocupa-se sozinho da descrição de fósseis dos gastrópodes das formações do Terciário de Portugal das quais tinha já identificado 18 novas espécies. Prossegue também a classificação e arranjo de diversas colecções, que conta com a participação dos restantes membros da

89Op. cit. (63), p. 660. 90Ibid.

91

Op. cit. (63), pp. 662-665.

92 No relatório da Comissão vem indicado que os colectores não se encontravam imediatamente disponíveis para realizar os cortes, por se encontrarem ocupados com outros trabalhos. Op. cit. (49), p. 535.

93Op. cit. (63), p. 662.

94 Como exemplo, veja-se a relação das espécies recolhidas, apresentada no relatório da Comissão Geológica.

Comissão nos intervalos das suas campanhas.95 Entre o trabalho realizado até então apenas permaneciam por classificar espécimes que nunca tinham sido descritos, ou por se encontrarem tratados em obras que a Comissão ainda não possuía, ou ainda devido ao seu estado de conservação. Neste campo, o trabalho ia-se intensificando, quer pelo número crescente de exemplares e de cortes obtidos nas digressões já realizadas, quer pela chegada de colecções que iam sendo adquiridas a Saemann, na época o principal fornecedor da Comissão Geológica. As colecções de fósseis expostas nas salas da Comissão Geológica enchiam, nesta altura, 35 armários de oito prateleiras cada um, as de rochas 16 armários, e o que ainda havia para expor ocuparia, segundo Ribeiro, outro tanto espaço.96

Entre as colecções estrangeiras, a Comissão Geológica acabava de adquirir, por

intermédio de Saemann, a colecção de fósseis do Jurássico que pertencera a Archiac.97

Apesar de nem toda a colecção se encontrar classificada, em todos os exemplares fora marcada a sua procedência, designadamente o depósito a que pertenciam. Além disso, todos os espécimes que compunham a colecção tinham sido identificados nas obras de Archiac, de acordo com as palavras de Saemann:98

Le déballage demandera de soins spéciaux pour éviter confusion. (...) Avant de commencer l'emballage j'ai fait numéroter tous les cartons et boîtes pour que vous puissiez retrouver l'ordre dans la lequel la collection était rangée. Chaque numéro soit un nom, fait une indication qui renvoie au volume et à la page de l'Histoire des progrès de la géologie où le fossile est cité. Un grand nombre de gros échantillons n'ayant pas pu se classer (...) mais je pense que vous trouverez facilement la place qui leur revient. (...) En mettant les paquets dans un grand nombre de petites caisses qu'on a numéroté dans l'ordre de l'emballage nous avons été tout danger de les voir gravement endommagés, mais il est inévitable que quelques fossiles ne se décalent de leurs cartons et même qu'il n'arrive quelques cassures.

O arranjo e disposição desta colecção era um trabalho que se adivinhava muito moroso não tendo sido por isso finalizado durante o ano de 1862. Costa chega a colocar algumas questões a Saemann sobre a classificação dos exemplares desta colecção, mas este responde-lhe que apenas poderia garantir a classificação das espécies que se encontravam já largamente descritas em França. Contudo, lembra ao professor da Escola Politécnica que o objectivo último da aquisição de colecções era a comparação de exemplares:99

95Op. cit. (49), p. 536. 96Op. cit. (7), p. 91.

97 Esta colecção era composta de 2304 exemplares, a qual teria servido de base à publicação da sua obra

Histoire des progrès de la géologie, e de algumas memórias publicadas na Société Géologique de France. Op. cit. (63), pp. 665-666. Através da correspondência com Saemann, fica-se ainda a saber que a colecção de

Archiac custaria 3500 francos à Comissão. Cartas de Saemann dirigidas à Comissão geológica, de 28 de Março, 5 de Junho e 30 de Julho de 1862 AHIGM, Armário 3, Prateleira 1, Maço 28, Pasta 3.

98 Carta de Saemann dirigidas à Comissão geológica, 19 de Junho de 1862, AHIGM, loc. cit. (97). 99 Carta de Saemann dirigidas à Comissão geológica, 24 de Agosto de 1862, AHIGM, loc. cit. (97).

(...) avant tout j'insiste que le but réel de la collection doit être la comparaison des objets et j'ose dire qu'il vous ferait impossible de remontrer un gisement avec un certain nombre de fossiles (...) conservés du Gault ou de l'Oxfordien sur lesquels vous ne trouveriez pas un renseignement précis dans la collection autant plus qu'il paraît (...) que les formations sédimentaires du Portugal se rataient au type anglo-normand.

Saemann propõe ainda à Comissão Geológica, a compra de outra colecção de fósseis do Jurássico de diferentes localidades provenientes da bacia do norte de França, a qual era

composta de 770 exemplares.100 Ele próprio se compromete a reunir esta colecção

garantindo por isso à Comissão que esta não correria o risco de possuir exemplares duplicados. Através da correspondência trocada sabe-se também que a Comissão estava interessada numa colecção de conchas marinhas e terrestres muito difícil de obter, mas Saemann tinha esperança em conseguir adquirir a de Jean Pierre S. De Grateloup (1782- 1861), que morrera havia algum tempo.101

Todavia, os negócios não eram o único tema da correspondência trocada entre a Comissão e Saemann. Refira-se, por exemplo, que eram também dadas informações aos geólogos da Comissão portuguesa sobre as comunicações mais recentes apresentadas à Société Géologique de France: “Une communication faite lundi dernier (...) sur les faluns de Bordeaux tend à prouver que contrairement à l'opinion généralement admise jusqu'ici, le falun de Léognan est supérieur à celui de Mérignac; j'ai pensé que le fait doit vous intéresser.”102

Por seu turno, Ribeiro questionava Saemann diversas vezes sobre algumas formações existentes em França.103

Durante este ano os desenhadores ocuparam-se principalmente do desenho litográfico de fósseis do Terciário, estando prevista para breve a litografia dos gastrópodes das formações deste período. Castro desenhou seis estampas e meia compreendendo 59

desenhos. Teodoro da Mota, desenhador contratado no final do ano de 1860,104 desenhou

124 fósseis mais 4 estampas e meia compreendendo 95 desenhos, tendo uma destas estampas sido repetida por a pedra já finalizada ter sido estragada pelo estampador.

100 Saemann refere que o valor da colecção não deveria ultrapassar o valor de 1200 a 1500 francos, e propunha ainda à Comissão a compra de outras colecções: “Parmi les fossiles crétacés je possède surtout la plus belle collection du Gault que j'ai eu depuis longtemps, elle est riche dans les plus beaux céphalopodes et provient surtout de la Champagne. Son prix sera d'environ 800 francs. (...) J'ai acheté récemment la collection de Gerville mort à Valognes. Il y a là une série très complète des terrains tertiaires du Catentin appartenant à différents étages. Ces fossiles n'on jamais été décrits, ils ne pourrait servir pour la détermination des étages, mais il serait possible que tôt ou tard, ils pourrait nos être utiles par rapport à la position géographique de ce petit bassin à l'extrémité occidental du continent européen. Il n'existe pas à Paris de collection aussi complète. Son prix est de 350 francs.” Carta de Saemann dirigidas à Comissão geológica, 5 de Junho de 1862, AHIGM, loc. cit. (97).

101 Saemann, tinha tido alguma dificuldade em adquirir esta colecção, porque a viúva de Grateloup não pretendia decidir a venda sem a anuência do filho, o qual era oficial em África. Além disso, a sua venda não necessitava de ser apressada, porque Grateloup lhe tinha deixado uma elevada fortuna. Carta de Saemann dirigidas à Comissão Geológica, 19 de Junho de 1862, AHIGM, loc. cit. (97).

102 Carta de Saemann dirigidas à Comissão geológica, 5 de Junho de 1862, AHIGM, loc. cit. (97). 103 Carta de Ribeiro dirigida a Saemann, 8 de Março, (sem ano), AHIGM, loc. cit. (97).

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