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IV. L’IDENTIFICATION COMPARATIVE ET RECONSTRUCTRICE

4.3. Définition de l’identification reconstructive

4.3.4. L’estimation de l’âge

4.3.4.2. Chez l’adulte

Depois de finalizada a campanha ao Algarve, Ribeiro e Delgado tentaram em conjunto lançar no mapa de Portugal de Neves Costa todos os dados que tinham sido obtidos para com eles poderem efectuar um primeiro esboço geológico do país. Para concretizar este objectivo tinham à sua disposição mapas parciais de diferentes escalas, uns já publicados

outros ainda inéditos, que a Comissão tinha conseguido obter.1 Assim, o reconhecimento

geológico preliminar de Portugal continental baseava-se nos seguintes trabalhos:2

• colecções geológicas das províncias da Beira, Trás-os-Montes e Alentejo, propriedade de Ribeiro mas colocadas à disposição da Comissão aquando da sua constituição;3

• um esboço geológico de toda a Beira feito por Ribeiro entre 1848 e 1856, executado na carta militar inglesa na escala de 1:480 0004 compilada por James Wylde Júnior

(1812-1887)5;

• um esboço geológico colorido do Alentejo feito por Ribeiro sobre a carta de Charles Bonnet na escala de 1:833 333;

• um esboço de parte da geologia de Trás-os-Montes;6

• os cadernos de campo de Ribeiro desde 1848 a 1857;

• o reconhecimento geológico do Minho feito por Delgado em 1858 sobre a carta de Trant; apenas tinha sido deixada em branco a porção do Carbónico nas vizinhanças

1 No ofício não foi feita qualquer menção aos locais ou instituições que cederam os mapas parciais que aí são referidos.

2 Relatório de Carlos Ribeiro, 9 de Novembro de 1867, AHIGP, Pasta “Relatorios”.

3 Nesta altura, as colecções de Ribeiro constituíam o principal espólio da Comissão Geológica.

4 Este mapa encontra-se no Arquivo Histórico do IGM, intitulado “General Map Illustrative of the Operations in Portugal, and the adjoining frontier of Spain compiled under the Direction of J. Wyld, Geographer to the Queen, engraved by S. Stockley, Compiled from Survey made during the War”. Dimensões 126 cm x 86 cm, cortado em rectângulos e colado em tela, sem indicação de data. A escala aproximada é 1:500 000, estando os limites das formações geológicas traçados à mão, aguarelado, tendo na margem a convenção de cores. Estes dados foram gentilmente cedidos pela Profª. Ana Carneiro.

5

Tal como o seu pai, James Wyld (1790-1836) o responsável pela introdução das técnicas litográficas em Inglaterra, Wyld Júnior dedicou-se à publicação de mapas. Entre as suas inúmeras publicações, cita-se o Atlas of Batles, uma reprodução de Sir Thomas Mitchell’s Survey of Peninsular Batles. L. Stephen, S Lee (ed.), The Dictionary of National Biography, from earliest times to 1900, Oxford, Oxford University Press, vol. XXI, pp. 1148-

1149.

6 Ribeiro considerava inédita, a carta que serviu para o traçado deste esboço, não adiantando pormenores sobre a mesma. Carlos Ribeiro, “Apontamentos de para a história da Comissão Geológica”, AHIGM, Documentação não tratada, Pasta Sousa Brandão. Ver também op. cit. (2).

do Porto, os granitos e as rochas metamórficas que existem a oeste da mesma região da qual havia já uma descrição de Sharpe;7

• os dados recolhidos nas campanhas ao Algarve e de uma pequena parte do Alentejo depois de organizada a Comissão Geológica;

• o esboço geológico da região litoral do Algarve executada sobre a carta de Baptista Lopes depois das duas campanhas àquela região em 1858 e 1859.

Todavia, quando houve necessidade de agrupar os diferentes mapas num único que representasse a superfície de Portugal continental todas as expectativas saíram goradas, não obstante o cuidado aplicado na transferência dos dados recolhidos para o mapa de

Neves Costa.8 Segundo Ribeiro, este resultado deveu-se ao facto de terem sido usados

como minutas de campo mapas pouco rigorosos de diversas proveniências e escalas distintas. As incorrecções foram facilmente detectadas pela confrontação destes mapas com o de Neves Costa, e pela comparação com os apontamentos retirados no campo por Ribeiro e Delgado. As dificuldades aumentaram ainda mais quando Ribeiro se apercebeu que a carta de Neves Costa continha igualmente inúmeras falhas, contratempo que o levou a convencer-se da impossibilidade de alcançar a exactidão requerida neste género de trabalho. Além disso, salientou que os mapas disponíveis não exibiam convenientemente a configuração do solo, o regime das águas e a posição relativa das povoações, impedindo

por isso o transporte fiel dos resultados das observações recolhidas no campo.9 Esta

situação leva Ribeiro a tecer o seguinte comentário:10

V. Exa. [Filipe Folque] vio o mappa do Reconhecimento Geologico que a Commissão Geologica confeccionou, e vio também os trabalhos parciaes executados no campo e representados em cartas de diversas escalas, e convenceu-se pela sua confrontação de que os erros do mappa geographico influêm por tal modo na representação da distribuição das formações geologicas, que constituem o nosso solo, que seria uma condemnavel imprudencia ou antes uma rematada loucura publicar officialmente o reconhecimento geologico como elle sahia no mappa geographico, em que está feito.

Ribeiro lembra ainda que a representação do limite das formações era conseguida a partir do traçado de linhas num mapa, de pontos obtidos directamente das observações

7 “Relatorio dos trabalhos da Commissão Geologica a pedido do Exmo. presidente Filipe Folque, para o caso de ser necessario fallar dos sobreditos trabalhos na Camara dos Senhores Deputados, Lisboa 1862”, AHIGM, Armário 23, Prateleira 1, Livro “Commissão Geologica — Relatorios (nº 1)”, p. 85.

8Op. cit. (6). Op. cit. (2).

9 Ofício da Comissão Geológica dirigido a Filipe Folque, 15 de Março de 1859, AHIGM, Armário 23, Prateleira 1, Livro “Commissão Geologica — Correspondencia (nº 2)”, p. 1. A falta de correlação entre mapas era, segundo Folque, fruto da falta de rigor das cartas geográficas, públicas e privadas, as quais não obedeciam a um sistema definido, faltando mesmo o indispensável fundamento das triangulações. Ofício da Direcção Geral dos Trabalhos Geodesicos, Chorographicos, Hydrograficos e Geologicos do Reino dirigido ao Ministro e Secretário de Estado dos Negócios das Obras Públicas, Comercio e Indústria, António Serpa Pimentel, 30 de Abril de 1859 (nº 52), AHIGP, Livro de “Registro da Correspondencia referida á Secção Geologica desde Setembro de 1857 a Novembro de 1865”.

geológicas efectuadas no campo. Se tais pontos estivessem deslocados no mapa ou em posições relativas muito diferentes das presenciadas na natureza, seria evidente que as linhas obtidas seguiriam necessariamente um trajecto distinto da realidade e,

consequentemente, seriam também desiguais as áreas por elas delimitadas.11 Mesmo que

se pretendesse manter a configuração, haveria sempre descoordenação entre a descrição geológica escrita e a mapeada. Seria inevitável deixar muitos pontos com a indicação de corresponderem a formações diferentes daquelas a que na realidade pertenciam, ou efectuar a deslocação desses pontos a fim de os obrigar a entrar nos limites das suas respectivas formações. Neste caso, o desvio de múltiplos pontos importava forçosamente a correcção do respectivo mapa, tarefa seguramente mais árdua e morosa do que a elaboração de um novo.12

Apesar de imperfeito e fornecer uma deficiente e remota ideia do que iria ser a carta geológica de Portugal continental, o esboço colorido elaborado foi agrupado à colecção de cartas geológicas da Comissão por ser, ainda assim, considerado um meio de estudo da

geologia do país.13 A par do esboço geológico Ribeiro também continuava ocupado na

redacção de uma memória sobre a orografia de Portugal continental, a qual deveria acompanhar o citado esboço. Contudo, estas vicissitudes levaram ao adiamento deste trabalho já que todo o programa de reconhecimento geológico teria de ser reorientado.14

Estas circunstâncias foram suficientes para que Ribeiro considerasse inevitável a elaboração de um mapa geográfico que satisfizesse os objectivos de um levantamento geológico. Solicita esta tarefa à DGTGCHGR por ser este o organismo responsável pelo

traçado de mapas no país.15 Segundo Ribeiro, mesmo que o mapa resultante não fosse

totalmente exacto sê-lo-ia incomparavelmente melhor do que todos até então conhecidos podendo servir especificamente, quer a Comissão Geológica, quer particulares ou diversos serviços da administração pública.16

Filipe Folque, consciente das dificuldades com que Ribeiro se deparara, reconhece imediatamente a impossibilidade de se apresentar um reconhecimento geológico em semelhantes condições. Todavia, como director dos Serviços Geodésicos, cabia-lhe esclarecer o governo que o pedido da Comissão Geológica não fazia, de todo, parte do plano de trabalho elaborado para aquele organismo, além de que, dentro desse plano, era despropositado efectuar o levantamento geográfico de Portugal continental na escala de

11

Ofício da Comissão Geológica dirigido a Filipe Folque, 15 de Março de 1859, AHIGM, loc. cit. (9), pp. 2, 3. 12 Ofício da Comissão Geológica dirigido a Filipe Folque, 15 de Março de 1859, AHIGM, loc. cit. (9), p. 3.

13Relatório da Commissão Geológica de Portugal, com referencia ao ano de 1858-1859, 15 de Outubro de 1859, AHIGM, Armário 1, Prateleira 2, Maço 9, Pasta 7, pp. 21-22.

14

Op. cit. (2).

15 Ofício da Comissão Geológica dirigido a Filipe Folque, 15 de Março de 1859, AHIGM, loc. cit. (9), pp. 3, 4. Carlos Ribeiro refere nos seus apontamentos que antes de propor a elaboração da carta geográfica ao governo combinou todo o processo com Filipe Folque. Op. cit. (6).

16 Ribeiro refere que terá falado pessoalmente ao Ministro das Obras Públicas de então, António de Serpa Pimentel, que prontamente aquiesceu entusiasticamente ao pedido formulado. Op. cit. (2).

1:500 000. Folque explica que este mapa seria consequência imediata do levantamento corográfico na escala de 1:100 000 que estava em curso, sendo a sua elaboração exclusivamente resultado de um trabalho que seria efectuado no gabinete. Antecipar a execução do mapa geográfico obrigaria a uma despesa adicional com trabalho de campo que não fora prevista no plano geral de trabalho dos Serviços Geodésicos, forçando ainda o destacamento especial de oficiais. Neste sentido, a sua anuência a um trabalho desta natureza apenas advinha do reconhecimento da urgência que tal projecto representava para a Comissão Geológica. Por este motivo, a carta geográfica deveria apresentar somente pormenores que interessassem exclusivamente ao reconhecimento geológico, devendo toda

a despesa envolvida ser igualmente repartida pela CGR e pela DGTGCHGR.17

As observações de Ribeiro e a concordância de Folque foram decisivas para que o governo autorizasse, na portaria de 5 de Maio deste ano, o levantamento do mapa geográfico de Portugal continental na escala de 1:500 000, o qual deveria visar o

reconhecimento geológico.18 Todo o trabalho deveria ser coordenado pelos Serviços

Geodésicos, sendo para tal nomeados Gerardo Pery (?–1893) e António Pery (?-?), e mais tarde César Augusto da Costa (?-?)19 para auxiliar no desempenho de tal tarefa.20 Entre os elementos que serviriam de fundamento à redacção deste mapa destaca-se a triangulação geodésica de primeira ordem, as seis folhas já levantadas da carta corográfica, e os trabalhos de reconhecimento de Portugal continental já existentes.

No entanto, como o mapa pretendia servir os objectivos da Comissão Geológica21 o

levantamento a executar deveria preencher certos requisitos definidos por Ribeiro.22 É com este propósito que Ribeiro sai em digressão para a Beira em Outubro de 1859 na companhia dos engenheiros que tinham sido encarregados do levantamento da carta

geográfica, para indicar in loco alguns aspectos que considerava importantes para a

representação do relevo. Todavia, para esta digressão Ribeiro ainda não assinalara na íntegra os pontos definidos no programa estabelecido porque tal implicava a consulta de

17 Ofício da Direcção Geral dos Trabalhos Geodesicos, Chorographicos, Hydrograficos e Geologicos do Reino dirigido ao Ministro e Secretário de Estado dos Negócios das Obras Públicas, Comercio e Indústria, António Serpa Pimentel, 30 de Abril de 1859 (nº 52), AHIGP, loc. cit. (9).

18 Portaria de 5 de Maio, Diario do Governo, 107 (1859), 9 de Maio, p. 634.

19 Este último foi nomeado a partir de 1862. Gerardo Pery foi encarregado da direcção dos trabalhos no gabinete. “Resposta ao relatório da Commissão de syndicancia feita á Direcção Geral dos Trabalhos Geodesicos, Topographicos, Hydrographicos e Geologicos do Reino, e requerida pelo contra-almirante engenheiro hydrographo Francisco Maria Pereira da Silva”, Lisboa, 1881, Imprensa de J. G. de Sousa Neves, pp. 30-31. 20

Filipe Folque considerava que, além de terem de ser destacados os oficiais mais habilitados, teria de haver inúmeras deslocações dos mesmos durante o desempenho daquele serviço. Assim, considerava justo que fosse abonado ao oficial responsável 130$000 réis mensais e 100$000 réis aos restantes. Ofício de Filipe Folque dirigido a António Serpa Pimentel, 8 de Outubro de 1859 (nº 63), AHIGP, loc. cit. (9). Ver também o ofício de

Filipe Folque dirigido a António Serpa Pimentel, 21 de Outubro de 1859 (nº 65), AHIGP, loc. cit. (9); ofício de

Filipe Folque, 8 de Outubro de 1859, AHMOP, Colecção dos processos individuais dos funcionários do MOPCI. 21

Foi exactamente este aspecto que Francisco Maria Pereira da Silva, sucessor de Filipe Folque na Direcção dos Serviços Geodésicos, pretendeu destacar acerca do mapa geográfico.

22 Houve uma preocupação em indicar as aproximações sobre a extensão das linhas de água, e a representação do relevo. Ver apêndice E.

todos os diários de campo que tinha em seu poder, um processo naturalmente moroso. As serras pertencentes à região norte também não se encontravam convenientemente assinaladas, lacuna somente ultrapassável depois de efectuados os reconhecimentos

geológicos que estavam programados pela CGR.23

Figura 5.1. Folhas 19, 20, 21, 23, 24, 25, 27, 28 e 29 da carta corográfica de Portugal continental na escala de 1:100 000, publicada pelos Serviços Geodésicos.24

Ano de 1860

A ausência de um mapa onde pudesse ser esboçado o reconhecimento geológico levado a cabo pela Comissão condicionou todo o plano de levantamento que tinha sido inicialmente elaborado. Por este motivo, a direcção da Comissão decidiu efectuar o estudo geológico da área limitada pelas folhas números 23, 24, 27 e 28 da carta corográfica de

23

“Programma dos quesitos a que deve satisfazer o Mappa Geographico de Portugal, necessario para a publicação do Reconhecimento Geologico do Reino”, AHIGM, loc. cit. (9).

24

Este excerto da carta corográfica foi obtido em, Direcção dos Trabalhos Geodesicos, Topographicos Hidrographicos e Geologicos do Reino, Rapport sur les Travaux Géodésiques, Topographiques, Hydrographiques et Géologiques du Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional, 1878. Note-se que a folha 19 (Caldas

da Rainha) foi levantada de 1856 a 1857 e publicada em 1858, a folha 23 (Lisboa, Sintra) de 1853 a 1854 e publicada em 1856, a 24 (Lisboa, Benavente) de 1857 a 1858 e publicada em 1859, a 27 (Lisboa, Cascais) durante 1859 e publicada em 1862, e a 28 (Lisboa, Setúbal) durante 1853, 1858 a 1859 e 1861 e publicada em 1862. Luís de Pina Manique, “Subsídios para a história da Cartografia Portuguesa”, Boletim do Instituto Geográfico e Cadastral, 3 (1943) 183-319 (258-261, 265).

Portugal continental na escala de 1:100 000 publicadas até esta data pelos Serviços Geodésicos (ver figura 5.1), enquanto aguardava pela elaboração do mapa geográfico.25

Esta nova orientação da actividade da Comissão Geológica condicionaria também a organização do trabalho dos elementos que a compunham. De facto, procedeu-se a uma divisão mais clara das tarefas dos membros da CGR contrariamente ao sistema adoptado até então, passando Ribeiro a estar encarregado quase exclusivamente do trabalho de campo e Costa da disposição e classificação dos exemplares que iam sendo coligidos. Delgado era o único elemento que não possuía definição específica do seu trabalho estando encarregado de auxiliar, ora um ora outro director, conforme a conveniência do serviço.26

Trabalho de campo e de gabinete

Durante os meses de Janeiro e Fevereiro de 1860 todos os membros estão ocupados em trabalhos de gabinete. Prossegue-se o estudo e classificação dos exemplares coligidos anteriormente, nomeadamente os pertencentes ao Terciário,27 dos recolhidos em Valongo e no Buçaco, e inicia-se ainda a primeira separação dos espécimes provenientes de outras localidades. Porém, a Comissão lastima a lentidão de todo este processo apesar do trabalho regular de dois dos seus membros. Por se tratar de um trabalho moroso e ser escasso o número de elementos dele encarregados, era complicado conseguir acompanhar o ritmo de chegada dos exemplares coligidos e dos cortes representativos realizados pelos diversos colectores ao serviço da Comissão, sendo por isso de esperar atrasos na classificação.28

Entretanto, nos primeiros meses deste ano era remetida para Suess uma colecção de 197 exemplares de braquiópodes das formações do Mesozóico portuguesas. No âmbito da cooperação implementada aquando da viagem de Ribeiro ao estrangeiro, este cientista deveria completar e corrigir a classificação já iniciada nos gabinetes da Comissão Geológica.29

25 Os serviços Geodésicos foram incumbidos do levantamento da carta corográfica na escala de 1:100 000, por Fontes Pereira de Melo a 27 de Outubro de 1852, objectivo que não pode ser alheado do projecto de obras públicas largamente impulsionado durante a Regeneração. É devido a este facto, que se inicia o levantamento

por Lisboa, por onde necessariamente passariam as grandes artérias das vias de comunicação. Portaria de 27 de Outubro de 1852, Diario do Governo, 255, 28 de Outubro de 1852. Neste sentido, a primeira folha a ser

publicada era a número 23 (1856), seguindo-se a 19 (1858) e a 24 (1859). Luís de Pina Manique, op. cit. (24), p.

204.

26 “Relatorio da Direcção Geral dos Trabalhos Geodesicos, Chorographicos, Hydrgraphicos e Geologicos do Reino — oitava classe, Trabalhos geologicos — 14 de Dezembro de 1861”, Boletim do MOPCI, 1 (1864), 148- 151 (148).

27

“Relatorio da Direcção Geral dos Trabalhos Geodesicos, Chorographicos, Hydrgraphicos e Geologicos do Reino — setima classe, Trabalhos geologicos — 26 de Dezembro de 1860”, Boletim do MOPCI, 12 (1863), 602-

605 (603).

28Op. cit. (27), p. 604.

29 Junto com a colecção, tinha sido enviada uma lista das localidades onde foi efectuada a recolha dos exemplares através do embaixador português em Viena, o Barão de Santa Quitéria. Ribeiro acrescenta ainda

Os desenhadores ao serviço da Comissão ocupam-se do desenho de fósseis das formações do Terciário cabendo a direcção dos trabalhos a Costa e a Delgado, executando-

se também algumas provas litográficas dos desenhos já concluídos.30 A manter-se este

andamento a Comissão esperava iniciar, a breve prazo, a publicação de trabalhos sob a sua

chancela.31 Cabia ainda aos desenhadores efectuar a representação da sucessão das

formações em diferentes cortes, além de desenhar as escarpas que deveriam acompanhar a futura descrição daquelas formações.32

Em Março de 1860 Costa é o único membro da Comissão que se dirige à região norte para uma digressão, na qual seria oficiosamente acompanhado pelo inspector de minas do primeiro distrito, João Baptista Schiappa de Azevedo (1828-1882). Esta viagem fora empreendida com o fim especial de estudar as formações do Silúrico e do Carbónico de Valongo e São Pedro da Cova, as quais não tinham ainda sido objecto de investigação nas excursões até então realizadas. Todavia, esta digressão foi afectada pelo mau tempo e pela saúde de Costa, durando por esse motivo apenas alguns dias.33 Ainda assim, o colector da Comissão coligiu espécimes contidos no depósito de estanho da Rebordosa, considerado importante pelas condições de jazida, e efectuou um corte desde a foz do Douro ao Porto34 depois de ter recebido indicações do citado inspector de minas daquela região. Um estudo posterior dos exemplares recolhidos permitiu concluir que os depósitos do Carbónico aí observados pertenciam à mesma formação e não a formações distintas como até então se

pensava.35 Depois desta digressão Costa permaneceria em Lisboa o resto do ano ocupado

unicamente com a classificação dos exemplares que iam sendo recolhidos pelos colectores ao serviço da Comissão.36

Ainda durante o mês de Março Ribeiro inaugura as digressões que deveria efectuar durante o ano de 1860. Inicia o estudo das formações do Terciário e dos limites da formação basáltica na margem direita do Tejo desde Alhandra até à foz pela linha de costa, da foz à praia da Samarra, e pela linha tirada desse ponto passando por Cheleiros, Montachique,

que na Comissão Geológica existia uma colecção semelhante, à qual tinha sido atribuída a mesma numeração para facilitar a posterior classificação. Carta de Ribeiro a Suess, 14 de Março de 1860, AHIGM, Armário 3, Prateleira 2, Maço 32, Pasta 1.

30Op. cit. (7), p. 86. 31Op. cit. (27), p. 605.

32Op. cit. (25), p. 148. No apêndice F, pode verificar-se que o desenhador Castro esteve no campo nos meses de Agosto e Setembro, certamente para executar desenhos desta natureza. Ribeiro, num relatório da Comissão, refere que Castro se ocupou do desenho da escarpa da margem esquerda do Tejo e linha de costa entre a Trafaria e o Cabo Espichel trabalho, segundo diz, muito perfeito e rigoroso. Op. cit. (27), p. 604.

33Op. cit. (6). Op. cit. (7), p. 87.

34 Numa carta dirigida a Ribeiro, encontra-se indicado que Manuel Gomes fora o colector ao serviço da Comissão. Foram expedidos para a Comissão Geológica 10 caixotes de exemplares, cinco da zona próxima do Douro, um com um corte da Rebordosa, e três com cortes efectuados da zona do Porto à Serra do Baltar. Essa mesma carta diz também que, a dada altura, passou a ser o engenheiro Simão Augusto Guerreiro a orientar o colector nos cortes que deveriam ser executados. Nesta carta, encontram-se também discriminadas as despesas

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