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4.3 Impact du mode annulaire austral sur les masses d’eaux sous la couche de

4.3.1 Les eaux interm´ediares antarctiques (AAIW)

Com os eventos catastróficos de Tiananmen, muitos intelectuais chineses dividiram – se em duas vertentes políticas cruciais. O primeiro grupo é a Nova Direita, que defende que o mercado livre é o grande objectivo a atingir e que aceita a sua acomodação com um modelo autoritário de governo, sendo uma das suas figuras mais

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proeminentes Zhang Weiying; o segundo grupo chama – se Nova Esquerda, e promove a igualdade e democracia política às custas da total liberdade de mercado, contado com estudiosos como Wang Hui, um dos seus principais apoiantes (Leonard 2008, p.29). A corrente da Nova Esquerda aprova reformas no mercado, como forma de combater as desigualdades sociais. A prioridade da China deverá ser a redistribuição igualitária dos seus ganhos, ao mesmo tempo que a defesa dos trabalhadores e a protecção do ambiente devem tornar – se fundamentais para Beijing. No fundo, trata – se de aplicar o modelo da social – democracia europeia, à realidade chinesa, algo que foi conseguido com grande sucesso na vila de Nanjie: os trabalhadores desta vila chinesa passaram a auferir salários acima da média, habitação e cuidados de saúde gratuitos, rações de carne e ovos e uma garrafa de cerveja diária. Ao nível da educação, o ensino é subsidiado, mesmo ao nível universitário. Mark Leonard descreveu este modelo como Yellow River Capitalism (Leonard 2008, pp.33 – 35).

Ainda hoje, existe um forte debate interno sobre se o caminho escolhido deve ser o crescimento sustentável ou o crescimento desenfreado, que ficou expresso numa célebre expressão de Deng Xiaoping:

“ «Não importa se o gato é preto ou branco. O que importa é que apanhe os

ratos.»” (Leonard 2008, p.42)65

Na realidade, seria de esperar que indivíduos como Zhang Weiying estivessem na mó de cima, dado ser um apoiante da forma de desenvolvimento criada por Deng Xiaoping. Contudo, Zhang acredita que muito ainda poderá ser feito em prol da Nova Direita: apesar de o número de empresas estatais ter diminuído de cerca de 300 mil há uma década para perto de 150 mil hoje e de o número de funcionários destas empresas

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“«It doesn’t matter if the cat is black or white. All that matters is that it catches mice»” (Leonard 2008, p.42).

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ter caído 40% (por volta de 45 milhões de empregos), o Estado continua a deter grandes empresas como a SINOPEC ou a China Mobile, a base industrial ainda é dominada pelo sector estatal, apenas perto de um terço das acções de empresas encontram – se disponíveis para serem transacionadas e mesmo as grandes empresas internacionais (como a Lenovo) estão de alguma forma ligadas ao Estado através de “redes obscuras” (Leonard 2008, pp.44 e 45).

Porém, a chegada ao poder da dupla Hu – Wen trouxe consigo um claro desafio para a Nova Direita, em prol da criação da sociedade harmoniosa, sendo que a Nova Esquerda apoia fortemente a sua concretização (Zheng e Tok 2007, p.10). O apoio a este paradigma ficou demonstrado no final de 2005, com a publicação do “11th Five Year Plan”, uma espécie de blueprint da sociedade harmoniosa. Pela primeira vez desde o começo das reformas no ano de 1978 o crescimento económico deixou de ser o principal objectivo da China, passando a colocar o bem – estar social em primeiro lugar: falou – se sobre a introdução do modelo escandinavo do Estado social que promete um aumento anual de 20% nos gastos referentes às pensões, aos subsídios de desemprego, ao serviço de saúde e às licenças de maternidade. Para as províncias rurais, ficou a promessa de acabar com os impostos arbitrários e que a educação e a saúde receberiam uma melhoria significativa. Hu e Wen também afirmaram que o consumo de energia seria reduzido em 20% por cada unidade do PIB e novos indicadores de desenvolvimento foram divulgados aos oficiais do partido, evidenciando os indicadores sociais e ambientais (Leonard 2008, pp. 49 e 50). Nas palavras de Leonard (2008):

“Apesar de os detalhes ainda estarem a ser trabalhados, o 11º Plano Quinquenal é um molde do Yellow River Capitalism. (…) Ao focar a obrigação do Estado em dividir os rendimentos do crescimento e oferecer serviços sociais, apresenta um desafio directo ao desenvolvimento capitalista laissez – faire da

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filosofia do «flat world». Esta promessa de providenciar crescimento económico ao mesmo tempo que se mantém controlo estatal está a tornar – se num farol para

governos em desenvolvimento à volta do mundo.” (Leonard 2008, p.50)66

Em suma, as ideias da sociedade e mundo harmonioso já são uma parte integrante das políticas praticadas na RPC. O facto de Hu Jintao e Wen Jiabao pretenderem coligar os dois termos, faz com que a expansão da influência da China no mundo seja uma extensão daquilo que se passa internamente. Por outro lado, mesmo que não se façam sentir muitos esforços da parte das autoridades em promover a democracia e os seus ideais adaptados à realidade chinesa, existe um claro esforço em melhorar as condições de vida da população, revelando maior preocupação com questões sociais ou ambientais. No que respeita as questões ambientais, o povo chinês vê com maus olhos o consumo brutal de carvão que, em 2006, correspondia a cerca de

70% das necessidades energéticas chinesas (2,4 mil milhões de toneladas)67. Em 2000, a

RPC previu que o consumo de carvão iria duplicar até 2020, mas no final de 2007 já terá atingido esse valor. Elizabeth Economy (2007) afirmou que, à data do seu estudo, a China tinha 16 das 20 cidades mais poluídas do mundo (Economy 2007, pp.39 e 40). Como agravante, séculos de desflorestação fizeram com que vastas regiões do norte e noroeste da China se tenham degradado. O deserto de Gobi aumenta a um ritmo de

1900 milhas2 por ano, fazendo com que um quarto do país seja deserto (Economy 2007,

p.41). Mas o maior problema ambiental que a China enfrenta está relacionado com os recursos hídricos: 60 milhões de pessoas têm dificuldade em obter água potável para as

66 “Although the details are still being worked through, the 11th Five Year Plan is a template for

Yellow River Capitalism. (…) By stressing the state’s obligation to divide the proceeds of growth and deliver social services, it mounts a direct challenge to the ‘flat world’ philosophy of laissez – faire capitalist development. This promise of delivering rapid economic growth whilst maintaining state control is turning Yellow River Capitalism into a beacon for developing governments around the world.” (Leonard 2008, p.50);

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Em 2011, 72,5% das necessidades energéticas chineses provieram de energias fósseis (CIA 2013c).

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suas necessidades diárias, e cerca de 700 milhões de pessoas consomem água contaminada diariamente (Economy 2004; Economy 2007, p.43). Os lençóis de água que providenciam 70% da água consumida na China estão em risco, devido ao uso intensivo de pesticidas e fertilizantes, à água poluída na superfície e aos locais de despejo de lixo. Mais de 75% da água que passa pelas áreas urbanas é considerada imprópria para consumo ou para a pesca, e o governo estima que 30% da água dos rios seja inapropriada para a agricultura e indústria. Por exemplo, o rio Yangtze recebe 40% dos detritos do país, 80% dos quais não são tratados. Em 2007, o governo chinês anunciou que estaria a adiar, em parte devido à poluição, o desenvolvimento de um projecto para desviar o rio para alimentar as cidades de Beijing e Tianjin no valor de $60 mil milhões (Economy 2007, pp.42 e 43).

O rio Amarelo também se encontra em situação semelhante. Capaz de fornecer água a 150 milhões de pessoas e de regar 15% dos terrenos agrícolas chinesas, dois terços da sua água é imprópria para beber e 10% da sua água foi classificada como sendo residual, ou seja, esgoto. No início de 2007, um terço das espécies piscícolas nativas do rio Amarelo estavam extintas devido à poluição e à construção de barragens (Economy 2007, p.43).

Actualmente, o debate interno dá vantagem à Nova Esquerda, mas ainda é cedo para avaliar o seu peso nas políticas da administração Xi – Li. Após a análise da realidade das políticas interna e externa da China, é necessário observar as especificidades que marcam a política em África e compreender a evolução das relações sino – africanas. O domínio destes conhecimentos será essencial para organizar os principais traços distintivos do regime angolano, para além de permitir um estudo coerente centrado nos contactos entre Beijing e Luanda.

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