7 Discussion 94
7.1 Les apprentissages 94
7.1.4 Les curricula 106
Segundo Lardy, a auto-suficiência local em cereais tornou-se um objetivo político importante durante o Grande Salto para Frente (1958-60). A eliminação do comércio inter- regional, pelo governo, reduziu em grande parte a eficiência da produção agrícola. Nota-se que a produtividade agrícola declinou consideravelmente no período entre 1965 e final de 1970. Assim, devido à restrição de fontes externas de grãos, as regiões tiveram, alternativamente, que buscar a auto-suficiência em cereais, através de métodos de corte e queima que resultaram na destruição da base da economia tradicional regional (óleo de
tungue e produtos florestais). Segundo Nove (1989), “... a excessiva mobilização de camponeses para obras públicas desviou a atenção da agricultura e levou a uma escassez de alimentos.” (NOVE, Alec (1989). A Economia do Socialismo Possível. São Paulo, Atica, 1989.)
Durante o “Grande Salto para a Frente” (1958-61), o governo criou “comunas populares”, na tentativa de, segundo Nove (1989), “introduzir formas extremas de vida comunal e de restringir e até mesmo abolir, os direitos dos camponeses a terras e gado privados.” Para Guoying (2004):
O "Movimento de Cooperativas Agrícolas", iniciado em 1953, e o "Movimento das Comunas Populares", em 1958, encarnaram concretamente essa linha durante o período de transformação do sistema econômico rural. O Movimento de Cooperativas Agrícolas experimentou uma série de estágios diferentes – da primária para alta cooperativa – e, finalmente, tornou-se um sistema econômico rural que foi chamado de "propriedade coletiva". As principais características desse sistema são:
1) A terra e outros meios principais de produção foram passados para a comunidade, os habitantes do coletivo, mas o direito de membros da comunidade de abster-se era extremamente restringido: a propriedade comum não retornava ao membro da comunidade em recursos (Lin Yifu, 1990).
2) Antes de 1978, a comunidade incluía apenas uma ou algumas vilas naturais. A propriedade e os produtos entre as comunidades não podiam ser alocados ou transferidos sem pagamento.
3) Os produtos da produção agrícola cooperativa eram distribuídos de acordo com a quantidade de trabalho dos membros da comunidade e os seus familiares. Entretanto, as contribuições em trabalho dos membros da comunidade na produção coletiva eram muito difíceis de ser supervisionadas e contabilizadas, dessa forma levando ao fenômeno de "empurrar o trabalho com a barriga", que geralmente existe na produção cooperativa. Essa era uma das grandes razões por que a produtividade das cooperativas era baixa.
4) Depois que o grão produzido pela cooperativa era distribuído para atender às necessidades dos membros da comunidade, o excedente era todo comprado pelo Estado. Além disso, a cooperativa deveria dar o "grão público", um meio pelo qual o Estado coletava um imposto de renda da cooperativa. (GUOYING, Dang (2004). Realizações Agrícolas e Reforma Rural na Nova China. In: BELLUCCI, Beluce. (Comp.) Abrindo os Olhos para a China. Rio de Janeiro: EDUCAM, UCAM, 2004. p. 159-190.)
Tamanho foi o desastre que as estatísticas foram suprimidas, voltando a ser publicadas apenas em 1979. As grandes mudanças institucionais e políticas do “grande salto para frente” combinadas à uma série de desastres naturais, culminaram, nos anos entre 1958-1961, no período que ficou conhecido como “A Grande Fome Chinesa”. Um número estimado entre 20 e 40 milhões de pessoas morreram neste período. O “ salto para frente” foi abandonado. Segundo Castelli (2010):
Os planos quinquenais que se seguiram no país se apresentaram desastrosos para a agricultura, pois entre 1957 e 1958 a produção agrícola cresceu apenas 1% para uma população que cresceu 2%, enquanto a produção industrial cresceu entre 1953 e 1957 18% e agricultura neste mesmo período, 3,8%. (CASTELLI, T.; Almeida, R. M. (2010). Revolução chinesa: da reforma agrárias às transformações recentes na agricultura. Anais XVI – Encontro Nacional dos Geógrafos, Porto Alegre - RS, 2010).
Para que o Estado chinês conseguisse o seu objetivo de industrialização foi necessário desenvolver a agricultura. No entanto, segundo Tang:
Promover o desenvolvimento na agricultura, extraindo o máximo de excedente revelou- se um problema de política difícil. O problema chinês foi dramatizado pelo slogan "A agricultura é a base" na década de 1960 após o Salto para Frente desastroso (1958-60). (TANG, Anthony M., A Critical Appraisal of the Chinese Model of Development. In: EICHER, Carl K. (Edited). Agricultural Development in the Third World. Baltimore, Maryland: editora The Johns Hopkins University Press, 1984. p. 403-419.)
De 1952 a 1977, segundo Tang, houve um aumento considerável no uso de recursos para aquisição de insumos para agricultura no exterior. Já para Lardy, no período entre 1953 e 1978, o estado distribuiu 12 por cento do seu investimento para a agricultura e 60 por cento para a indústria. Para Lardy:
O fluxo mesquinho de recursos do estado para a agricultura e do alto grau de tributação embutida na estrutura de preços que rege transações da classe camponesa se reflete no estoque muito modesto dos ativos na agricultura coletiva. (LARDY, Nicholas R., Prices, Markets, and the Chinese Peasant. In: EICHER, Carl K. (Edited). Agricultural
Development in the Third World. Baltimore, Maryland: editora The Johns Hopkins University Press, 1984. p. 420-435.)
Em 1966, com a Revolução Cultural (1966-76), observa-se um grande retrocesso para a China como um todo. Segundo Pomar (2003):
Essa “revolução” constituiu a tentativa mais extremada de implementar a idéia de que as massas mobilizadas são capazes de remover qualquer montanha. Todas as experiências de participação maciça para elevar a produção, desenvolver as ciências e a tecnologia, governar o Estado, exercer a democracia direta e implantar o igualitarismo foram praticadas durante seus dez anos de duração.
Apesar de contar com a direção de Mao Zedong até quase o seu final, a Revolução Cultural entrou em processo de esgotamento já em 1969, ao se transformar numa grande luta de facções, danificar a unidade e a estabilidade do país e não alcançar seus elevados objetivos na economia e na sociedade. Ao findar, em 1976, não tinha mais nenhum apoio social. Seus defensores ficaram totalmente isolados, abrindo campo para que as Quatro Modernizações fossem ampliadas e transformadas num programa de grande duração, de reforma e abertura no socialismo chinês.
(POMAR, Vladimir (2003). A Revolução Chinesa. – São Paulo: Editora UNESP, 2003.)
Com a queda da confiança em Mao Tse-Tung, o poder foi passado para Liu Shaochi e Chu Enlai, que implantaram políticas de cunho mais moderado de modo a corrigir os prejuízos objetivando a retomada do progresso. Ainda assim, não pode-se deixar de afirmar que o sistema continuava altamente centralizado.
2.5 A morte de Mao Tse Tung e o início das reformas modernizantes com a