Chapitre 3. L’usage de psychotropes (drogues)
3.1 Les produits psychoactifs en France
3.1.1 Les chiffres
3 O processo vital do ser humano é irreversível^unidireeional ao longo-doeixo espaço-^empo.
4 O padrão identifica o ser humano e reflete sua totalidade inovadora:
5 O ser humano caracteriza-se por sua capacidade de abstração e imaginação, linguagem e pensamento,
sensação e emoção.
O recém-nascido, como um todo, mantém uma relação dinâmica com o seu ambiente, trocando matéria e energia. O processo vital do recém-nascido em UTI pôde ser entendido através dos princípios da homeodinâmica de Rogers (1990) que se organizam em 3 princípios básicos: integralidade, ressonância e helicidade.
O princípio da integralidade, neste estudo é representado por tudo que envolve com o recém-nascido. Penso que o envolvimento e o processo mútuo e contínuo de troca de energia aconteceu. O mais importante é que este processo mútuo de troca e envolvimento aconteceu em sentido de mão dupla: tudo e todos interagiram, ou seja, houve reciprocidade e sincronia mútua e contínua.
As transformações, as modificações da proposta inicial foram acontecendo ao longo do processo, que foi se tornando maissentimental. Todos os dias o “planejado" (a inclusão da pessoa significativa no cuidado do bebê) precisava ser reavaliado, considerando o estado/situação de Paris, de Maria, as minhas disposições, o movimento da UTI, enfim, uma infinita gama de probabilidades e possibilidades. Rogers apud Leopardi (1999, p. 104), considera a existência de uma mutualidade nas transformações em um dado ponto no espaço-tempo, em crescente complexidade, evoluindo de múltiplas relações prévias. Ocorre uma revisão prévia do modelo imediatamente anterior, tanto do ser humano, como do ambiente. Nada do que aconteceu em um dia foi igual no outro, porque os acontecimentos dos dias anteriores, influenciavam o modo de perceber e sentir a situação. O processo cuidativo, como já mencionei foi um ir e vir constante. Embora os comportamentos não fossem iguais, foram similares porque serviram de direção para a inclusão da pessoa significativa no processo cuidativo do recém-nascido em UTI. Para que possa haver integralidade, os campos em que ocorrem as inter-relações, se encontram como campos totais e abertos. (Leopardi, 1999, p. 104)
O princípio da integralidade possibilitou uma abordagem conceituai para a compreensão de muitos dos significados neste processo de inclusão e do processo vital de Paris. Ajudou a compreender as angústias, medos, alegrias, os sentimentos de Maria e Frederico. Ajudou a respeitar os seus ritmos e a compreendér Paris, como um ser humano social. Este princípio ajudou a
í
dimensionar ou redimensionar muito o meu cuidado aos recém-nascidos internados em UTI.
O referencial teórico ajudou a guiar esta vivência, foi muito importante para que eu pudesse compreender e enfrentar as mudanças no processo vital de Paris e de Maria. Mas a experiência demonstrou os limites do conhecimento formal. Os livros não nos ensinam tudo. Precisei buscar uma combinação entre o subjetivo e o objetivo, ciência e arte, espontaneidade e introspecção, criatividade e sensibilidade para finalmente compreender o seu significado maior: o processo mútuo e contínuo de trocas e o envolvimento com os campos humano e ambiental do bebê, que não há nenhuma mágica. Basta procurar envolver-se. Assim, esta vivência foi um procedimento amoroso. O partilhar e com-partilhar esteve presente durante toda essa trajetória. O princípio da ressonância, neste estudo, pode ser entendido como a proposta de mudança no cuidado ao recém-nascido em UTI. Em outras palavras: como foi para Paris, Maria, Frederico, para mim e para a equipe a inclusão da pessoa significativa no processo cuidativo. Penso que tenha sido ressonante, o que pode ser evidenciado pela participação de Maria, o interesse da equipe na proposta, pelo meu prazer em desenvolvê-lo, pelo envolvimento e trocas
que proporcionou, pelos seus significados e as diferentes formas que foi sendo desenvolvido. Enfim, a sua própria evolução evidencia sua ressonância.
Este princípio, pode ser representando pela dança da prática, com seus diferentes movimentos, ritmos, passos, compassos e descompassos. As contínuas mudanças do cuidado, sublinham os diferentes ritmos do ser humano. Assim, evidencia-se que os campos se propagam como ondas, que podem ser harmônicas ou dissonantes, em diferentes amplitudes, velocidades e intensidades. As relações entre os passos, compassos e descompassos permitiram perceber os diferentes ritmos e significados do processo, possibilitando muitas vezes a repadronização para a harmonia entre os campos.
O processo cuidativo nesta vivência pode ser contextualizado por meio de um conjunto de sentimentos que ora facilitaram ora dificultaram o processo, que representam a troca de matéria e energia entre os campos humano e ambiental.
Assim como a concepção rogeriana, partilho da crença na ampliação das possibilidades do ser humano, na sua percepção de realidade, com suas facetas e contradições, propondo um novo modo de “fazer” enfermagem. Também a construção desta história não ficou restrita aos processos cuidativos, foi tornando-se
mais sentimental, até porque nada acontece isoladamente e o processo é dinámico.
Esta experiência foi diferente de tudo que já vivi, de urna riqueza de aprendizado
incrível, além de ser uma experiência muito prazerosa.
O terceiro e último princípio é o da helicidade. Este princípio implica em uma ritmicidade do processo vital. Paris no seus tantos cuidados, parece ficar esperando o cuidado da mãe como uma forma de acalentar o seu cotidiano desarmônico. Maria em meio a um turbilhão de emoções, tenta compreender a situação, lidar com esta desarmonia e de uma certa forma procura diminuir o sofrimento da filha. Eu, envolvida neste processo, procurei interagir com as duas e com o pai, a fim de facilitar a inclusão de Maria no processo cuidativo de Paris, possibilitando assim a ritmicidade neste processo cuidativo. Este processo é unidirecional, no entanto, manifesta uma ritmicidade não repetitiva. Cada momento é único e apresenta seus significados específicos. A ritmicidade do processo cuidativo pode possibilitar previsões probabilísticas, baseadas em conhecimentos anteriores e situações similares às vivenciadas,, permitindo a compreensão do processo e na medida do possível, prevenir desarmonias entre os campos humano e ambiental. A helicidade representa a inclusão de Maria nos cuidados de Paris. Este princípio permite compreender os momentos semelhantes do cuidado, de como Maria se utiliza de seus conhecimentos e experiências anteriores para cuidar da filha. Ou serve para entender por que em determinados momentos ela não se sentiu em condições de cuidar da filha. Em contrapartida, a inclusão de Maria no processo cuidativo, possibilitou muitos saltos, tanto que em muitas ocasiões ela parecia estar em casa cuidando da filha, tamanha era a sua desenvoltura no ambiente da UTI.
Durante todo o processo de criação e produção deste espetáculo de dança, procurei instruir os bailarinos a usarem os movimentos conforme os ritmos da música, muitas vezes os movimentos foram mais amplos e enérgicos, os saltos eram maiores e os gestos mais expressivos. Outras vezes predominavam os movimentos
suaves com ritmos lentos. Para que conseguissem essa performance sugeri
figurinos que lhes permitissem total liberdade de movimentos, a fim de combinar todos os tipos de dança. Tentei, durante esta trajetória, inspirar os bailarinos e me inspirar, a desenvolver os potenciais. Penso que, se conseguiu uma bela composição, apontando novas direções para o cuidado e todas as artes associadas a ele, estendendo assim, seus movimentos a outras esferas.
Os conceitos, pressupostos e princípios da concepção rogeriana, se confundem e se fundem, formando uma rede de relações, na qual não dá para visualizar, ou ter a noção exata do seu início, meio e fim. Da mesma forma, as trajetórias do cuidado, são diferentes e dinâmicas, caracterizadas pelo movimento.
Procurei neste convívio fazer com que os cuidados diários de Paris, fizessem parte do cotidiano de Maria de modo que, o cuidado servisse como uma oportunidade de envolvimento e trocas. O contexto do recém-nascido internado em UTI e os significados da internação para a família, serviu de apoio para a ação- envolvimento-troca. À medida que Maria permitia-se mostrar seus sentimentos (alegria, tristeza , esperança, angústia) facilitou o processo. Neste convívio, aprendi a escutar ainda mais com o coração o que facilitou a interação entre a pessoa significativa o recém-nascido e eu. Estas conversas sobre o que estava sentindo, ou seja os sentimentos que fazem parte do contexto do cotidiano, permitiram modificar os caminhos do cuidados e buscar condições para reorganização dos padrões e repadronização dos campos. Entendo que estas interações representam os princípios da homeodinâmica, proporcionando diretrizes para predizer a natureza e direção do ser humano, na medida que são efetivadas as respostas aos desequilíbrios ambientais e humanos do recém-nascido. Promovendo a relação
harmônica entre os campos, repadronizando-os a fim de fortalecer a integralidade do
recém-nascido. Este convívio com todas as suas nuances, pode ter tornado a vivência do recém-nascido, pessoa significativa e seu companheiro menos dolorosa, mais compreensiva e participativa. Essa vivência permitiu que eu compreendesse melhor os meus limites, potencialidades e vulnerabilidades e também os de Paris, Maria e Frederico. Penso que essa compreensão tenha facilitado o processo cuidativo, nos aproximado ainda mais e tornado o convívio intenso.