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3.3 Au niveau national

3.3.2 Aux États-Unis

3.3.2.1 Les biens, technologies ou logiciels à double usage

O conceito conhecimento torna-se mais claro quando comparado com os conceitos de dados e de informação. Há uma relação entre estes três conceitos, mas estes não são sinónimos. Para simplificar podemos pensar na principal diferença entre informação e conhecimento; a informação é codificada, enquanto o conhecimento pode, ou não, ser codificado; por outras palavras, informação é explícita e conhecimento pode ser explícito ou tácito. Esta diferença pode ser clarificada através da nossa linguagem comum quando perguntamos “onde está esta informação?” ou “quem sabe sobre este assunto?”.

Davenport e Prusak (1998) consideram os dados como um conjunto de factos distintos e objetivos, relativos a eventos; os dados organizados de modo significativo formam a informação. Já o conhecimento é informação contextualizada. Nesta mesma linha de pensamento, Shedroff (1999) considera que dados, informação, conhecimento e sabedoria podem ser encarados como componentes de um processo. Assim, as principais características destes componentes são:

• Dados - são entidades, itens ou eventos sem contexto, ou seja, por si só não têm significado; consistem nos tijolos que irão permitir a construção da informação e suportar os processos de comunicação;

• Informação - são dados processados, organizados de modo significativo de modo a serem apresentados; a informação é representada pelas relações entre dados e outras informações;

• Conhecimento - é a integração da informação com a experiência; a informação é estática e o conhecimento é dinâmico porque vem das diferentes perspetivas que as diferentes experiências acarretam; o conhecimento é representado pelos padrões entre dados, informação e outros conhecimentos;

• Sabedoria - o último nível de compreensão; assim como acontece com o conhecimento, a sabedoria opera dentro de nós; pode ser definido como uma etapa na qual é possível expressar um julgamento de qualidade sobre dados; a sabedoria resulta da contemplação, da avaliação retrospetiva, e da interpretação (todos estes processos são pessoais); não se pode criar sabedoria como se criam dados e informações, nem podemos compartilhar sabedoria com os outros como se compartilha conhecimento; a sua comunicação é difícil e muitas vezes só possível via indireta, porque exige o compartilhando das experiências, contextos e conhecimentos pessoais.

De acordo com Cleveland (1982) e Shedroff (1999), as distinções entre dados, informação, conhecimento e sabedoria não são discretas; trata-se sim de um continuum de compreensão (Figura 2.1). Observando esta figura, é possível situar os dados, a informação, o conhecimento e a sabedoria relativamente a dois eixos: (1) eixo do contexto; (2) eixo da compreensão. O primeiro nível do eixo do contexto diz respeito à recolha das partes, seguido da conexão das partes, da formação de um todo e, finalmente, na junção dos “todos”. A recolha das partes, surge porque para formar uma estrutura, ou significado, é necessário ter partes (peças). Estas peças são compostas por bits de dados. O único contexto ao nível dos dados diz respeito às relações com os outros bits de dados.

No segundo nível, situa-se a informação. Para começar a dar significado às partes (dados), é necessário organizá-los numa apresentação, como por exemplo um texto. A passagem dos dados para a informação requer a compreensão das relações entre os dados.

Figura 2.1 - O continuum da compreensão

Fontes: Cleveland (1982); Shedroff (1999)

O terceiro nível refere-se à formação de um todo. A este nível, é necessário compreender os padrões que emergem das diferentes fontes de informação. São adicionados contextos mais profundos ou complexos que necessitam e proporcionam experiência. Assim, o conhecimento é adquirido através da experiência.

Finalmente, no nível do denominado “junção dos todos”, das diferentes totalidades, (ou dos diversos conhecimentos) é necessário compreender os princípios fundamentais que agregam os vários conhecimentos.

Relativamente ao eixo grau da compreensão, quanto maior for o grau de compreensão, maior é a sua capacidade para pesquisar, absorver, fazer, interagir e refletir.

Esta visão hierárquica (dos dados à sabedoria), considera que no início se situam os dados; a partir deste nível constroem-se os sucessivos patamares aliados a um crescente grau de

compreensão. Os dados são assumidos como factos isolados e, quando estes dados são inseridos num contexto e combinados numa estrutura, emerge a informação. Por sua vez, quando é dado um significado à informação, interpretando-a, esta torna-se conhecimento. Ao nível do conhecimento os factos existem numa estrutura mental, que conscientemente podem ser processados; é o exemplo da utilização de dados para fazer previsões ou inferências. Quando a mente humana usa o conhecimento para escolher alternativas, o conhecimento torna-se inteligente. Finalmente, quando os valores e empenhamento guiam o comportamento, pode-se dizer que o comportamento se baseia na sabedoria. Para Pascual-Leone (1983) a sabedoria é um modo de processar símbolos através da integração de todos os aspetos da personalidade: incluindo afeto, vontade, cognição e experiência de vida. Seguindo esta perspetiva, podemos dizer que é necessária a inteligência emocional para agir sabiamente.

Tuomi (1999) propõe uma hierarquia invertida (Figura 2.2). Os dados emergem no fim do processo, ou seja, o conhecimento tem que existir antes que a informação possa ser formulada; esta por sua vez tem de ser anterior aos dados. Este autor considera que um dado em bruto não existe, porque este é o resultado de um pensamento ou de um processo de conhecimento que levou à sua identificação e recolha. Argumenta ainda que o conhecimento ao ser articulado através de um esforço cognitivo, num contexto linguístico e conceptual, pode ser representado num documento. Convencionalmente é a este nível que se situa a informação. Os documentos, que atualmente podem ser guardados num ficheiro na memória de um computador, são como que divididos em átomos sem significado, os dados. Conforme exposto, para chegar a esta etapa de obtenção dos dados foi necessário muito esforço cognitivo e de conceção de trabalho. Tuomi (1999) reforça a sua posição ao afirmar que os dados não se tornam informação depois de lhes ser acrescentado significado. Pelo contrário os dados são criados a partir de informação, visto que é criada uma estrutura prévia onde são posteriormente inseridos os dados. Um exemplo ilustrativo desta conceção encontra-se num problema prático; quando se necessita de definir o modelo conceptual para uma base de dados é necessário dissecar a informação em duas formas: os dados e a estrutura de dados. Deste modo, uma arquitetura robusta de banco de dados pressupõe uma estrutura da base de dados bem definida semanticamente.

Figura 2.2 - A hierarquia invertida

Fonte: Tuomi (1999)

Para melhor explicitar este ponto de vista, o autor exemplifica com as medições feitas num laboratório de física. Observa-se a temperatura usando um termómetro e, com base nos dados obtidos, é possível dar significado a estes dados, através de um modelo que os explique (hierarquia tradicional do conhecimento). Mas, o instrumento utilizado para recolher os dados tem inscrito em si importantes aspetos de uma sedimentação de conhecimento.

Os valores de temperatura observados pela leitura de um termómetro são dados. Numa perspetiva convencional, os dados recolhidos constituiriam o ponto de partida para a construção de conhecimento; porém, sabemos que a criação do instrumento de medida precedeu os dados. Quando o instrumento foi criado, este fixou na sua estrutura uma parte do significado dos dados. Este significado vai permitir que o instrumento seja usado por diversas pessoas, em diferentes contextos. Mas não basta dar um termómetro a uma pessoa para ela construir informação sobre as observações feitas. Para tal, é necessário saber usar o termómetro, saber ler, perceber e interpretar os valores. O mesmo se passa quando o artefacto é um software que permite aceder a dados; o utilizador tem que aprender a usar,

saber recolher os dados e saber como os usar, ou seja, tem que ter conhecimento para tirar rendimento dessa ferramenta.

Alavi e Leidner (2001) consideram que a informação é convertida em conhecimento quando esta é processada na mente dos indivíduos. Por sua vez, o conhecimento torna-se informação quando é bem articulado e apresentado na forma de textos, gráficos, palavras ou outras formas simbólicas, de modo a que possa ser comunicado. Uma implicação importante, deste ponto de vista, refere-se ao facto de quando se pretende que diferentes indivíduos cheguem a uma compreensão comum sobre determinados dados ou informação, há que assegurar que os mesmos partilham uma certa base comum de conhecimento. Este denominador comum constitui o contexto partilhado. Como Nonaka e colegas (2000, p. 18) afirmaram “sem estar inserido no contexto, é só informação, não é conhecimento”. A informação é estática e cristalizada, enquanto o conhecimento é dinâmico e criado pelas interações sociais entre indivíduos e organizações. Mais tarde voltaremos a este assunto, aquando da apresentação do tema de gestão do conhecimento organizacional.

Resumindo, podemos argumentar que dados e informação são muito diferentes do conhecimento, principalmente devido à ausência/presença de contexto, significado e ação. Isto não quer dizer que basta juntar uma dose de significado à informação para automaticamente esta se transformar em conhecimento. Neste ponto o principal aspecto a reter diz respeito ao modo de como o conhecimento é construído, ou seja, através da ação e embebido num contexto histórico e organizado.