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Le gouvernement libéral de Pierre Trudeau (1980-1984)

sur l’évolutiondes transferts aux provinces

Chapitre 4 : Impact du clivage partisan entre les partis conservateur et libéral sur le rôle de l’État

4.1 LES CHOIX BUDGÉTAIRES DES GOUVERNEMENTS ÉTUDIÉS ET LEURS

4.1.1 Le gouvernement libéral de Pierre Trudeau (1980-1984)

A exortação é uma “verdadeira apostila missionária com imperativos e convites, dicas metodológicas e pedagógicas interligadas”,248 voltadas ao avanço da nova evangelização. Para se ter uma visão panorâmica da mesma, optou-se pela análise de alguns de seus núcleos estruturantes.

É bastante significativa, na vida do Papa Francisco, a atitude de misericórdia, que

“insere-se no campo semântico mais amplo da justiça, do reconhecimento do outro, do serviço humilde e generoso de fraternidade, solidariedade e paz”:249“A Igreja, guiada pelo Evangelho da Misericórdia e pelo amor ao homem, escuta o clamor pela justiça e deseja responder com todas as suas forças” (EG 188; cf. 183). A misericórdia é a resposta transversal de Deus à

humanidade, pois “a salvação, que nos oferece, é obra da sua misericórdia” (EG 112). Essa

misericórdia inabalável é sinônimo de fidelidade, de seu amor infinito (EG 37). “A Igreja deve ser o lugar da misericórdia gratuita, onde todos possam sentir-se acolhidos, amados,

perdoados e animados segundo a vida boa do Evangelho” (EG 114).

246 SUESS, P. Vinho com gotas de vinagre. Revista Eclesiástica Brasileira, Petrópolis: Faculdade de Teologia; Instituto

Teológico Franciscano, v. 74, n. 293, p. 168, jan./abr. 2014.

247 Ibid., p. 161-162. 248 Id., p. 163. 249 Id.

Da misericórdia como graça da salvação emerge a opção pelos pobres que, em primeiro lugar, é uma opção de Deus que “manifesta sua misericórdia antes de mais a eles” (EG 198). A alegria da salvação resplandece nos lugares de despojamento de nosso Salvador: no presépio, no rio Jordão, na casa de Nazaré, nos caminhos percorridos, na Cruz e na ressurreição.

O Papa Francisco propõe:

uma Igreja pobre para os pobres [...]. É necessário que todos nos deixemos evangelizar por eles. A nova evangelização é um convite a reconhecer a força salvífica das suas vidas, e a colocá-los no centro do caminho da Igreja. Somos chamados a descobrir Cristo neles (EG 198).

O anúncio e a transmissão da fé que o Evangelho propõe acontecem prioritariamente pela atratividade de gestos e não através do proselitismo das palavras:250“A Igreja não cresce

por proselitismo, mas ‘por atração’” (EG 14); e o dinamismo evangelizador atua “por atração”

(EG 131).

O Papa Francisco é avesso ao “assédio espiritual” e à redução da religião a prescrições

e castigos em razão do não cumprimento das “obrigações”. Ele prefere o discurso de

testemunhas convencidas e convincentes da certeza de que Jesus e o Espírito Santo fazem o resto.251

Ao falar de um povo com muitos rostos, o Papa Francisco toca no tema importante e

difícil da inculturação e relê o célebre aforisma teológico: “A graça supõe a cultura e o dom de Deus se encarna na cultura de quem o recebe” (EG 115). Isso “não ameaça a unidade da Igreja”, nem “se pode pensar num cristianismo monocórdico” (EG 117). O papa atenta para o

fato de que, “às vezes, na Igreja, caímos na sacralização da própria cultura, o que pode

mostrar mais fanatismo do que autêntico ardor evangelizador” (EG 117).

“O núcleo das estruturas insere-se no campo semântico de relações fraternas que correspondem à mensagem do Evangelho e à organização de sua transmissão histórica”.252

250 O Papa Francisco questiona o discurso de convencimento com finalidade proselitista: “Vais convencer o

outro a tornar-se católico? Não, não, não! Vai encontrar-te com ele, ele é teu irmão! E isto é o suficiente. E tu vais ajudá-lo; o resto é feito por Jesus, o Espírito Santo [...]. E talvez Jesus te indique o caminho para te encontrares com quem tem maior carência, teu coração começará a aumentar, a crescer, a dilatar-se! Pois o encontro multiplica a capacidade de amar”. (FRANCISCO, P. Videomensagem. Boletim da Sala de Imprensa da

Santa Sé, 7 ago. 2013).

251 SUESS, P. Vinho com gotas de vinagre. Revista Eclesiástica Brasileira, Petrópolis: Faculdade de Teologia; Instituto

Teológico Franciscano, v. 74, n. 293, p. 166, jan./abr. 2014.

Nesse núcleo, pode-se ressaltar palavras-chave, como: relações entre Igreja local e universal, relações entre Povo de Deus e pastores, estruturas hierárquicas e ministeriais, colegialidade e gênero, Igreja sedentária e caminho, centralização e descentralização.

Ressalta o papa que “não se deve esperar do magistério papal uma palavra definitiva

ou completa sobre todas as razões que dizem respeito à Igreja e ao mundo” (EG 16). Não sendo conveniente “que substitua os episcopados locais no discernimento de todas as problemáticas que se apresentam em seus territórios” (EG 16). Há necessidade de

descentralização e desburocratização do poder concentrado em Roma. Nesse passo, o Papa Francisco usa a expressão “conversão do papado”,253 para poder manter fidelidade ao ministério incumbido por Jesus Cristo e “às necessidades atuais da evangelização” (EG 32). Francisco sabe que, para ocorrer “uma nova etapa evangelizadora” (EG 17), são necessárias pessoas livres e responsáveis e não pessoas tuteladas.254

Retomando esses elementos, o atual papa quer imprimir à Igreja uma verdadeira conversão pastoral, ou seja, quer favorecer elementos de mudança que são cruciais para tornar a experiência eclesial mais autêntica, simples e aberta em prol da missão evangelizadora (EG 27).

Em 13 de abril de 2013, foi criado pelo papa um grupo de oito cardeais para que o aconselhem no governo da Igreja e para que estudem um projeto de reforma da cúria romana. O grupo é constituído por cardeais representantes dos cinco continentes: o italiano Giuseppe Bertello, o chileno Francisco Javier Errázuriz Ossa, o indiano Oswald Gracias, o alemão Reinhard Marx, o congolês Lauren Monsengwo Pasinya, o estadunidense Sean Patrick

O’Malley, o australiano George Pell e o hondurenho Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, que

terá a função de coordenador.255

253 Segundo Magister, Bento XVI, quando ainda era Cardeal Ratzinger, chegou a afirmar em uma entrevista

intitulada “Informe sobre a fé”, em 1985, que não concordava que “a Igreja católica se convertesse em ‘uma espécie de federação de Igrejas nacionais’”. Ao que parece, o Papa Francisco não dá tanto peso às reticências dos papas que o precederam: João Paulo II e Bento XVI. (SANSON, C.; LANGER, A. Conjuntura da semana:

Evangelii Gaudium: o programa de um pontificado. Disponível em: <http://www.ihu.unisinos.br/cepat/cepat-

conjuntura/526592-conjuntura-da-semana-evangelii-gaudium-o-pontificado>. Acesso em: 8 jul. 2014).

254 O Papa Francisco em entrevista à revista La Cività Cattolica, afirmou: “Os discatérios romanos estão a

serviço do Papa e dos bispos: têm que ajudar as Igrejas particulares e as conferências episcopais. São instâncias de ajuda [...]. Os discatérios romanos são mediadores, não intermediários nem gestores” (Ibid.).

255 METALLI, A. As reformas de Francisco com o “método Guadalupe”. Vatican Insider, 19 de maio de 2013.