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Le gouvernement conservateur de Stephen Harper (2006-2009)

sur l’évolutiondes transferts aux provinces

Chapitre 4 : Impact du clivage partisan entre les partis conservateur et libéral sur le rôle de l’État

4.1 LES CHOIX BUDGÉTAIRES DES GOUVERNEMENTS ÉTUDIÉS ET LEURS

4.1.5 Le gouvernement conservateur de Stephen Harper (2006-2009)

É muito difícil classificar a realidade das paróquias no Brasil, porém se podem identificar desafios comuns. Em si, a paróquia está unida a outras paróquias da diocese. Ao mesmo tempo, ela está inserida na sociedade, recebendo e oferecendo influências. “É falsa, portanto, a concepção de paróquia como sendo um todo em si mesmo, formando quase uma

comunidade autônoma” (CCNP 28).

No Brasil encontram-se paróquias que não assumiram a renovação proposta pelo Concílio. Falta-lhes um plano pastoral em sintonia com um plano diocesano e a evangelização fica reduzida à catequese de crianças, sem os processos de uma autêntica iniciação cristã.393 Toda a vida da paróquia fica concentrada no pároco, e a evangelização fica restrita apenas ao fortalecimento da fé daqueles que procuram a paróquia (CCNP 29).

Todavia, muitas comunidades e paróquias do País vivenciam experiências de profunda conversão pastoral. São comunidades que se preocupam com a evangelização, e a catequese ocorre como processo de iniciação à vida cristã. A liturgia é viva e participativa, há animação bíblica da pastoral, envolvimento e atuação por parte da juventude, dos ministérios exercidos por leigos, além da existência e atuação dos Conselhos Comunitários, do Conselho Paroquial de Pastoral e do Conselho de Assuntos Econômicos. As pessoas que participam dessas comunidades têm vínculos comunitários. Há interesse e empenho na busca dos afastados, e o que se percebe é que seus membros desenvolvem uma pastoral de comunhão e participação. Porém, com toda essa riqueza, nem sempre atingem a maior parte das pessoas de sua jurisdição, em vista da extensão territorial (CCNP 29-30). “Ainda lhes falta ampliar a ação evangelizadora, através de pequenas comunidades que, juntas, formariam uma única comunidade paroquial” (CCNP 30).

392 BRUSTOLIN, L. A. La conversión pastoral de la parroquia. Rivista Lateranum, Roma: Lateran University

Press, v. LXXX, p. 26, 2014/1.

393 “A iniciação cristã constitui um processo em vista de um encontro cada vez maior com o Filho de Deus (DA

289). Este processo se inicia por um encontro inicial com o Mestre de Nazaré através do anúncio salvífico (querigma) e da ação missionária da comunidade, o qual segue a resposta correspondente na mudança de vida (conversão) que se desenvolve gradativamente ao longo do discipulado, alimentado pela catequese e pelos sacramentos. Naturalmente, todo esse processo acontece na comunidade e deveria propiciar uma autêntica experiência eclesial, fortalecida pelo empenho apostólico (missão) do cristão” (DA 280). (MIRANDA, M. F. Conjuntura eclesial e Sínodo para uma nova evangelização. Revista Eclesiástica

Mas o grande desafio das paróquias é sair em missão, ou seja, deixar a rotina e sair ao encontro das pessoas. A Evangelii Gaudium anima a superar a mesmice: “A pastoral em chave

missionária exige o abandono deste cômodo critério pastoral: ‘fez-se sempre assim’” (EG 33).

O Papa Francisco convida “todos a serem ousados e criativos nesta tarefa de repensar os

objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respectivas paróquias” (EG 33). Continua o papa: “é preciso fomentar a mística do discípulo missionário, capaz de promover a paróquia missionária”. Porque “o que derruba as estruturas caducas, o que leva a mudar os corações dos cristãos é, justamente, a missionariedade”.394

O concílio provocou mudança no modo de a Igreja se entender; de uma Igreja preocupada em definir a si mesma e em firmar seu ser e essência, passou a uma Igreja capaz de olhar o mundo, perguntando pelos desafios do mesmo. Uma Igreja capaz de valorizar a atividade humana (GS 3) valorizando suas conquistas, respeitando sua autonomia, uma Igreja capaz de dar nomes às realidades do mundo, compreendendo que, a partir delas é que poderia levar a diante sua missão evangelizadora. Tornaram-se objetos de reflexão, mediante diferentes mediações, a economia, a política, a educação, o social, os problemas humanos, entre outras realidades, sem as quais o Reino de Deus não poderia viabializar-se e se concretizar.

A centralidade da história e o considerá-la como lugar da revelação divina “em atos e palavras intrinsicamente conexos entre si” (DV 2) mudaram o horizonte epistemológico da teologia e da pastoral. Não se podia continuar apelando somente para a autoridade como avalista da verdade. Foi necessário aceitar com decisão e coragem uma visão encarnada da revelação e que, para falar razoavelmente das realidades divinas, são necessárias mediações. Por isso, uma teologia da história e uma prática pastoral que partam do “ver” a realidade foram consequências lógicas dessa mudança epistemológica.395

O compromisso com a realidade humana não significou um olhar unidimensional; pelo contrário, a justa autonomia das realidades terrestres abriu caminho para uma recíproca fecundação que continua sendo um desafio até hoje. E não podia ser de outra maneira ao proclamar o concílio a autonomia da consciência retamente formada, o respeito às suas livres decisões e a urgente necessidade de proclamar os direitos humanos, como forma de garantir a dignidade de toda pessoa (GS 41).

Mais ainda: reconhecendo que para solucionar os problemas humanos é indispensável a contribuição das ciências, pois elas auxiliam na construção de valores “da verdade, da

394 PAPA FRANCISCO. Mensagens e homilias. Jornada Mundial da Juventude, p. 89-90.

395 CARO, O. C. V. A 50 anos do Vaticano II: luzes e desafios. Revista Eclesiástica Brasileira, Petrópolis:

bondade, beleza e juízos de valor universal” (GS 57). Consequentemente, foi legitimada a

autonomia da cultura, das ciências e de seus respectivos métodos. (GS 59). Também os leigos foram convidados a ter uma formação teológica adequada, para que pudessem contribuir com suas respostas à solução dos desafios do momento presente (GS 62). Em relação ao compromisso político, o Vaticano II afirmou a legitima diversidade e pluralidade de opções políticas e promoveu sua aceitação e tolerância, buscando garantir o bem comum. (GS 75).

Foi, porém, a centralidade dos pobres, assinalada no Vaticano II (GS 1, 63, 66, 69, 88, 90; LG 8, 38, 41; AG 5, 12; PC 13), que impulsionou decisivamente o caminhar da Igreja latino-americana e caribenha, manifestada nas conferências episcopais, especialmente a de Medellín e a de Puebla.396 Impulso esse confirmado na conferência em Aparecida, quando se afirmou que a “opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica” (DA 392), opção que foi destaque no Sínodo dos Bispos (2012) e ponto de referência na pauta da exortação apostólica Evangelii Gaudium (2013).

“Nuclearmente, tudo se centra, ontem como hoje, no modo como a Igreja vê a sua

relação com o mundo contemporâneo e seus contornos sociais e culturais, com a história

humana e suas evoluções”.397