Chapitre 3 : Méthode d’élaboration du cahier des charges du système PLM
2.2 Quels langages pour modéliser les buts, les cas d’utilisation et les contraintes ?
Quando se fala do decurso do processo da mediação social refere-se ao desenvolvimento do processo de mediação depois da criação do ambiente que coloca as pessoas aptas para começar o diálogo. A intenção nesta subcategoria é perceber os traços que caraterizam o decurso de mediações social.
Questionados sobre como tem sido o decurso das mediações na solução de conflitos, os envolvidos referiram vários elementos de compreensão.
O decurso do momento de mediação decorre num ambiente de liberdade das pessoas, sendo que os mediadores convidam os indivíduos envolvidos nos conflitos a expor os seus casos, com simplicidade e duma maneira calma. Se algo não for percetível pede-se que a pessoa torne a explicar para permitir que todos possam compreender e tomem nota sobre o que for necessário para contestar.
Notou-se que quando os protagonistas dos conflitos falam, os mediadores ficam atentos, vão corrigindo algumas passagens não claras, interditam sobre o uso dos termos ou linguagem pejorativos, levando o diálogo para os objetivos previamente preconizados. As pessoas seguem o que os mediadores dizem em termos de procedimentos, pois elas percebem que o resultado satisfatório depende da postura dos envolvidos manifestados
118 diante do diálogo. Quando assim acontece denota-se que as pessoas tomaram novas atitudes, o que demonstra estar-se diante da mediação sociopedagógica, na mediada em que diante das pessoas ocorreu a aprendizagem.
É assim que o decurso da mediação dos conflitos, segue a dinâmica de interação que conduz o processo a um diálogo desejável, tendo em vista o fim a que se quer alcançar. Millán e Gómez (2011,p.88) dizem que na etapa de explicação, as pessoas trazem à luz os problemas e faz-se uma breve análise na base de afirmações dos envolvidos no conflito. Nesta etapa o mediador deve estar muito cauteloso e atento escutando tudo quanto se diz e no final poderá parafrasear.
No mesmo contexto, verificou-se que os mediadores se preocupam com a postura dos envolvidos no conflito, fazendo com que se tornem mais atentos, e principalmente que estejam bem disciplinados na sua reação, sendo que todos têm a palavra e podem deixar ficar as suas contribuições. Por esta razão, os mediadores apelam no início, a uma boa escuta, e os que falam, não podem manifestar gestos, nem palavras que não dignificam o respeito. Acima de tudo pede-se aos participantes esta atitude de respeito pela dignidade humana, pautando por uma postura de comportamento aceitável diante do processo dialogal.
Fiorelli, Malhadas e Moraes (2004, p.68), referindo-se ao processo de mediação, enfatizam que há uma sequência de procedimentos que se devem observar a saber: a abertura que diz respeito a clarificação deste processo de acordo como os objetivos, que também inclui o esclarecimento de todas as dúvidas que podem constituir obstáculo na atividade mediadora (…) outro momento tem a ver com a compreensão do conflito, onde os mediados são convidados, primeiro a estar atentos ao que se diz e em segundo, fazer perguntas sobre qualquer dúvida que se lhe aparecer.
Como se nota, neste processo são criadas todas a condições para que as pessoas possam participar ativamente nesta atividade porque os resultados que advêm desta ação são o culminar de uma entrega total das de todos que ditam o sucesso ou não. Significa que as decisões que aparecem do processo de mediação são fruto das reflexões levadas a cabo por
119 todos envolvidos nesta atividade. É por esta razão que o agente mediador fica preocupado com todos, incentivando neles a necessidade do seu maior envolvimento, pois a participação é muito importante, para que se chegue a uma decisão conveniente e que possa beneficiar a todos. Neste processo devem ser considerados todos como tendo o direito ao acordo que estiver ao alcance.
Fiorelli, Fiorelli e Junior (2008, p.76) referem, ainda que “o processo de mediação compreende um conjunto de atividades distribuídas em etapas, apresentadas em detalhes(…) o atendimento compreende o conjunto dos procedimentos que vão do acolhimento de uma das partes”.
Da observação feita no tribunal comunitário de Mutauanha, constatou-se que o mediador, terminada a alocução do primeiro convidado, ele perguntava “mais alguma coisa?...já terminou? Não tem mais nada a acrescentar?”.
Estes pronunciamentos significam que durante o decurso das sessões há valorização das ideias dos protagonistas envolvidos no conflito, onde são convidados a terminar o seu raciocínio. Um dos aspetos que caraterizava este momento era o facto de os agentes mediadores estarem a repetir alguns pontos dos depoimentos, parafraseando e destacando o que o primeiro disse, e a seguir, convidando o segundo a tomar da palavra.
O que se depreende nesta alocução é que, o mediador, tem a ideia de como conduzir o processo e guia-se na base de alguns procedimentos que se tornam específicos deste processo. Neste contexto, Millan e Goméz (2011) defende que a mediação carateriza-se por ser uma negociação, onde os envolvidos ajustam as suas ideias face ao conflito e no mesmo processo identificam o problema e propõem soluções que eles mesmos julgam justas e adequadas ao seu raciocínio. Ora, nesta negociação está patente o elemento aprendizagem, quando as partes aceitam o que está sendo dito na negociação, pois, pressupõe-se que se esteja a aperceber o rumo que se quer seguir face ao debate em questão.
Nesta linha de pensamento, Fiorelli, Malhadas e Moraes (2004, p.69) reiteram que um dos procedimentos, no processo de mediação, é a compreensão do conflito que corresponde ao momento em que os mediados são convidados a estar atentos ao que o outro está a explicar.
120 Nesta perspetiva percebe-se que a actividade reflexiva deve acompanhar a ação mediadora onde todos são levados a enveredar o seu esforço, no sentido de se envolver com afinco no processo para tornar a solução convincente, própria dos mediados, e não dos mediadores. No decurso das sessões de mediação, foi constante, ouvir dos agentes mediadores, “ o que está a pensar? Qual é a sua decisão?” e com base nestas ideias os agentes mediadores esclareciam os pontos de vista na base das declarações dos envolvidos no conflito, tentando balançar as ideias sem, no entanto influenciar nas decisões.
Dos entrevistados, envolvidos nos conflitos, reiteram que tem sido habitual, os agentes mediadores velarem pelo processo, tentando acalmar os ânimos de muitos que aparecem muito emocionados.
Olhando para estes dados, nota-se que se evidenciam os aspetos que têm a ver com a compreensão, por parte dos mediadores, do sentido de que se reveste este processo.
Mediante estes elementos arrolados, que caraterizam o dia-a-dia do trabalho dos mediadores na cidade de Nampula, percebe-se as necessidades destes agentes usarem várias estratégias de ação para lograr os intentos da sua missão como agentes promotores das relações humanas sociopositivas. A perícia e a idoneidade nesta atividade são, sempre, importantes e, até certo ponto, válidas para a nobre tarefa de mediação. Estas ideias demonstram a relevância na observância das regras que conduzem melhor o caminho das mediações, remetendo as pessoas a uma preparação ou a aquisição de uma experiência no âmbito das atividades de mediação.
Tal como Millan e Gomez (2011, p.87) referem sobre a observância das etapas, eles enfatizam que o resultado positivo da mediação sociopedagógica depende do uso da inteligência das etapas que são sugeridas para o processo de mediação, pois estes constituem os pontos orientadores que elucidam o roteiro do processo levado a cabo pelos agentes de mediação em diferentes contextos. Estas etapas a serem observadas conduzem o processo da sessão de mediação dando as claras indicações e o rumo que se deve tomar face ao acordo que se vai celebrar.
121 Enfim, o decurso da sessão de mediação deve observar estes momentos para que a atividade mediadora tenha o rumo para o qual é orientado o objetivo desta tarefa, pois de contrário, fica apenas uma simples intervenção que não responde aos fins que para o qual se promove o diálogo, diante do processo de mediação. Esta é a razão pela qual se diz que os mediadores devem ser profissionais estrategas que sabem orientar o processo na base de algumas indicações que lhes são sugeridas pelo processo.
Tendo-se chegado a uma clarificação sobre o decurso do procedimento mediacional, no tribunal comunitário de Mutauanha, pode-se referir que neste se verifica uma participação efetiva onde todos tomam a palavra e se sentem respeitados.