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11 The Go Lab Inventory of Online Labs

11.1 HY.P.A.T.I.A

11.1.1 Lab Profile

“Sempre precisei De um pouco de atenção Acho que não sei quem sou

Só sei do que não gosto... Esse é o nosso mundo

O que é demais Nunca é o bastante”

Vim para cá e nunca saí

Nasci na Serrinha, que fica no bairro da Trindade {Florianópolis]. Cheguei a morar no centro de Floripa, mas com um ano idade eu vim para cá e nunca sai. Minha mãe nasceu aqui na cidade e meu pai é baiano, nasceu em Itabuna, na Bahia. Atualmente, eles são separados. Não sei dizer se meu pai continua morando aqui na cidade, eu perdi o contato com ele. Até os meus 10 anos de idade a gente se encontrava com freqüência. Bom, depois perdemos o contato, não sei quando foi a última vez que nos vimos.

A minha mãe está aposentada

A minha mãe está aposentada faz um ano. Ela era merendeira do Colégio de Aplicação da Universidade Federal. Faz um ano que ela está aposentada. Ela só teve o primário completo, porque parou de estudar na quinta série. Quando ela entrou no Colégio de Aplicação não existia concurso na época e a minha avó já trabalhava no Restaurante Universitário, no ‘bandejão’ universitário. Acho que era mais uma questão de contato, era mais por indicação, porque ela não entrou por concurso, eu acho! E para você estudar no Colégio de Aplicação tinha que ser filho de funcionário ou ter tempo de serviço na universidade. Eu entrei no colégio por tempo de serviço. Algumas coisas mudaram: hoje, você só entrar como aluno por meio de sorteio; outras coisas também mudaram agora a maioria dos serviços de limpeza é terceirizado.

Minha mãe servia cafezinho aqui neste Centro (Centro de Comunicação e Expressão – CCE), ainda quando a biblioteca central da universidade era de madeira e ficava atrás do Departamento de Letras. Enquanto minha avó trabalhava no RU, minha mãe trabalhava aqui

neste departamento. Ela já me falou onde era o lugar, mas esqueci. Os locais aqui na universidade mudaram bastante depois de várias construções. Tenho um tio que trabalha no Centro de Saúde, mais no Hospital Universitário, na parte administrativa.

A UFSC sempre foi o meu quintal

Quando criança, eu freqüentava muito o campus universitário. Minha mãe trazia a gente prá andar de bicicleta. Assim, a UFSC sempre foi o meu quintal, o quintal da minha casa. Eu me imaginava um dia estar aqui estudando. No morro onde morava não dava prá andar de bicicleta na minha rua, assim, a mãe descia comigo e a gente ia ou para a Avenida Beira Mar ou vinha prá cá, no campus. Havia um laguinho, agora está drenado, que tinha muitos peixinhos. Lógico, a gente trazia comidinha, pãozinho e ficava dando comida pros peixes. No Colégio de Aplicação as atividades de nossa educação física eram feitas também no Centro de Esportes da universidade. Acho que até hoje o Aplicação só tem uma quadra e ainda ela não é coberta. Então, as Olimpíadas promovidas pelo colégio eram aqui dentro do campus. Tudo acontecia aqui na UFSC. Assim, sempre estive muito envolvida com a universidade.

Acho que não caiu a ficha para minha irmã

Logo que terminou a escola [ensino médio], com dezoito anos, minha irmã passou para Ciências Sociais também aqui na UFSC, mas ela não gostou do curso e o abandonou. Ela não agüentou! Agora ficou mais séria, mas era a revoltadinha de casa. Ela pretende, atualmente, fazer Pedagogia e quer pagar a universidade. Como nossos pais são diferentes e o pai dela paga uma pensão, ela pretende utilizar o dinheiro para fazer uma universidade particular. O meu pai não pagou pensão, ele não tinha condições e o pai dela tem um pouquinho mais de condições. Acho que ela tem que continuar estudando, porque senão perde a pensão, tem mais isso também! Ela estudou até o ano passado, depois fez cursinho de novo. Enrolou, enrolou, e foi prá faculdade. Agora tá dizendo que quer estudar na UNIBAN, quer fazer Pedagogia. Ela fez um semestre de Ciências Sociais. Imagine prá quem tem dezoito anos e vive num mundinho... Acho que não caiu a ficha para minha irmã, sabe? Aquela coisa de achar que dinheiro dá em árvore... Ela acha que o dinheiro vem de maneira fácil. Ela trabalhou uma vez, por uns meses,

fazendo telemarketing, foi o seu primeiro emprego. Até que ficou um tempinho porque não era difícil, mas ela tinha que vender muito e para isso você tem que ter lábia. Ela acabou demitida, porque não fazia muita venda. Daí ela pegou o gostinho da coisa, de ficar na vida boa, né? Também com a pensãozinha do pai e mais um dinheirinho da mãe! Além do mais, ela tem umas amigas que têm a vida boa, têm tudo muito fácil. Daí, prá ela, parece que ‘tá demorando mais prá cair a ficha. Eu também tive uma vida assim! Sempre tive muitos amigos com condição social melhor que a minha. Sempre! Aí é muito difícil ter um envolvimento com um pessoal de uma classe inferior. Até porque no colégio [Aplicação] em que estudava não tinha muita gente carente. Hoje, talvez tenha mais, mas naquela época não tinha porque eram muitos filhos de professores e de funcionários da UFSC. Era muito diferente. Hoje tá mais aberto à sociedade.

Na rua da minha casa, os meus amigos ou eram da mesma classe social ou eram um pouco melhor. Então, amigo, o meu estalo foi ali pelos dezesseis anos a partir de ver o esforço da minha mãe para criar duas filhas... e sozinha. Assim, para mim foi mais fácil. E prá minha irmã não está,... Dá vontade de dar umas esganadas! Mas já dei uma desistida. Minha mãe fica muito brava e há aquela briga entre as duas. Eu fico no fogo cruzado, ali no meio... Não é fácil!

Minha mãe nunca pediu prá eu trabalhar...

Minha mãe cobra bastante. Sempre cobrou bastante. Comigo nem tanto. Quando eu atingi a maioridade, acho que com dezessete ou dezoito anos, ela já viu, não que eu seja uma pessoa certinha, mas ela viu que eu ia atrás das coisas, me virava. Também, comecei a trabalhar com 20 anos. Minha mãe nunca pediu prá eu trabalhar, mas eu trabalhava porque tinha vontade. Quando fiz o vestibular na primeira vez, não passei, fiquei um ano correndo atrás de emprego, fiquei um ano sem fazer nada e eu não consigo ficar sem fazer nada, não consigo ficar parada. “Eu preciso fazer alguma coisa”, pensava comigo. Quando comecei a trabalhar, o meu primeiro emprego foi no comércio, numa loja de roupa. Era época de natal e sabia que seria contratada só por dois meses. Engraçado, a maioria dos meus empregos foi bem perto de casa. O primeiro foi nesta loja de roupas, sempre por indicação de alguém que me conhecia. Nunca consegui deixar um currículo para depois me

chamarem ou me chamaram após gostarem do meu currículo. Sempre alguém me indicou.

Não sei quantas vezes deixei meu currículo!

Nossa, meu Deus, não sei quantas vezes deixei meu currículo! Por mais que você tenha experiência, se você não tem um contato, ‘alguém que te ajuda’, você não consegue. Depois eu consegui numa empresa de transporte rodoviário, que ficava ao lado da igrejinha da UFSC. Ali fiquei durante uns 8 meses, depois esta empresa fechou. Quando estava com 20 anos, eu fiz um curso de comissária de bordo, porque eu não tinha passado para o curso que prestei vestibular, tinha prestado para Letras e Secretariado. Assim, precisava estudar e trabalhar. Precisava fazer os dois! Eu fiquei só trabalhando e não curtia muito só trabalhar, precisava me envolver com outras coisas. Só que quando terminei o curso de comissária, achei que não era bem o que eu queria fazer. Eu queria mesmo é ter passado na UFSC, isso ficou bem dentro de mim, mas fique buscando o tempo todo me ocupar enquanto não passava no vestibular. Eu prestei três vezes até ser aprovada. O meu primeiro vestibular foi para Letras e Secretariado Bilíngüe, depois Pedagoga e, por último, Letras: Inglês. Neste período, consegui outros empregos, saí da área de turismo porque queria ir prá São Paulo tentar a carreira de comissária. Só que eu mandei o currículo e não me chamaram. Ah! Foi superchato! Eu fiquei um tempo muito chateada, aí desisti de novo.

E tinha que usar muita maquiagem

O curso de comissária era só à noite, das seis da tarde, até umas dez e meia. Na verdade, comecei fazendo o curso pela manhã, mas depois passei prá noite, porque eu não gostava de maquiar de manhã. E tinha que usar muita maquiagem! Sombra, lápis, batom, enfim, tudo... Eu não gostava de me maquiar de manhã, no máximo uso um lápis, mas tinha que usar sombra, pó e estas coisas... O curso exigia que a gente se arrumasse como se estivesse pronta para ir viajar, como se fosse para embarque e arrumada como uma comissária... meia calça, maquiada, toda arrumadinha assim. Foi legal! Tive bastante amigas que gostaram e que ficaram um ano na empresa. Até fizeram um pezinho de meia e depois voltaram. Isso é engraçado, eu também nunca tinha andado de avião, tanto que fui andar de avião agora, aos 26 anos. E o mais

engraçado...: eu morri de medo! A minha primeira aterrissagem foi horrível!

...Fui ficando

Depois desse curso e outro de secretariado técnico, e eu peguei um estágio numa empresa na Tecnópolis57. Mas é difícil também ser secretária porque geralmente as pessoas te confundem com recepcionista e te colocam recepcionista. Nesta empresa, só havia dois diretores, mas nenhum tinha secretária. Mais essa ainda! Dali eu fui parar na área de produção de uma empresa de software voltado para engenharia civil e onde embalava produtos a vácuo. Depois fui parar numa empresa da área de cobrança. Eu fiquei oito meses na Tecnópolis, quando o estágio era de três meses, mas fui ficando. Na verdade, fui ficando porque estava sem minha carteira assinada e ganhava mais por isto. Só que depois fiquei pensando comigo: “pô, eu quero minha carteira assinada,

porque lá na frente isso vai contar prá minha aposentadoria”. Resolvi

ficar só até arranjar outro emprego. Aí consegui entrar na Videoteca, uma locadora de vídeos. Em todas as empresas, trabalhava mais como recepcionista do que de secretária. Trabalhei também em café e loja de modas.

‘Tava virando minha vida do avesso...

Acho que muita gente me conhece do período que trabalhei neste café e restaurante. Lá eu fiquei uns oito meses. Em resumo: eu fiquei no restaurante depois fui para um shopping e dali prá uma loja de Modas e Jóias, depois fui para a Tecnópolis e Videoteca, onde fiquei até julho deste ano, porque eu queria pegar bolsa permanência na universidade federal e uma das exigências é que não poderia estar trabalhando. Olha, também estava cansada de trabalhar no final de semana e nos feriados. Final de semana eu já estava acostumada, mas feriado ‘tava pesando muito! Eu ‘tava virando minha vida do avesso... Sabe? Nem ‘tava dormindo direito... Depois queria ver os amigos, queria trabalhar e estudar, não estava dando para fazer mais nada. Eu estava querendo um pouquinho de liberdade, como poder ir num fim de

57 O Parque Tecnológico Alfa - Tecnópolis é um espaço localizado no início da Rodovia SC- 401, em Florianópolis, destinado a receber indústrias e empresas de desenvolvimento de softwares, criado em 1991 pelo governo do estado. A expectativa é criar um grande pólo de tecnologia, já tendo recebido cerca de 50 empresas.

semana à praia, porque nem isso conseguia fazer. De vez em quando, faço uns bicos prá eles. Mas, eu só faço isto para uma única pessoa, meu antigo chefe. Ele tem uma franquia e me paga bem mais que os outros, então, sempre dou preferência prá ele e também porque ele foi um chefe muito legal comigo. Assim, a prioridade é dele sempre. Eu tinha que sair de lá...

Agora, vim parar na UFSC, antes estava fazendo um curso de Letras-Inglês, numa universidade particular que se chama Borges de Mendonça, hoje, Instituto do Saber. Inicialmente, ela funcionava no centro da cidade, mas, neste momento, está funcionando junto com a Faculdade Decisão, aqui na Trindade. Só que eu não gostei da parte administrativa deles, até falei, reclamei... Tentei fazer transferência prá universidade federal, mas eles perderam minhas notas, meu histórico. Deu o maior rolo. Eu tinha que sair de lá. Como tinha o curso de secretariado técnico ali, tinha um desconto.

“... de repente o vestibular não é prá ti!”

Houve um período em que fiquei mais trabalhando do que estudando. Eu me lembro que fiquei revoltada com o vestibular quando não passei na primeira que fiz. Estava bem estressada porque tinha tirado dez em Redação, e ela valia 12 pontos; tinha tirado, na verdade, 10,40. Como sempre quis fazer Letras, estava bem nas provas da área de humanas, mas me dei muito mal em Matemática e Física. Não cheguei a zerar, mas fui muito mal, acho que tirei 2,40 pontos e, no total, tinha feito 48,33 pontos. No último vestibular fiz novamente uns 48 pontos e uns quebradinhos. Então, me irritei tanto que fiquei dois anos sem fazer vestibular. Dois ou três anos sem fazer vestibular! Fiquei bastante chateada e aí decidi ficar mais trabalhando, me disse: “Vou trabalhar.

Vou trabalhar e fazer uns cursos por fora”. Enquanto isso tinha

escutado um monte de gente me dizer: “ah, Mariana, de repente o

vestibular não é prá ti!”. Eu fiquei magoada, não pode ser! Ouvi muito

isso! “De repente é um curso técnico mesmo que você tem que fazer”. Ai, não pode ser! Sabe? Eu sou meio determinada, às vezes, me dá uma desanimada, mas eu sempre fui muito atrás do que eu queria, outras vezes, não fui por medo. Tenho essa coisa de ser meio medrosa também, mas na questão de emprego, quando não gostava, largava mesmo porque

tinha certeza que encontrava outro melhor. Acho que depois do terceiro emprego isto foi mais tranqüilo, acredita que encontraria outro melhor. Foi um tempo importante da minha vida

No colégio, ao invés de sair com 17, saí com 20 anos. Reprovei muitas vezes, chegava a matemática, reprovava. Foram três vezes: na quinta série por meio ponto em matemática; na sexta por um ponto em matemática e no primeiro ano do ensino médio, tinha que tirar um sete na prova de física, tirei quatro. Não passei. Aliás, matemática e geografia no primeiro ano me pegavam. O Colégio de Aplicação era, assim, bem pesado, mas apesar disso ele foi o amor da minha vida, tanto que a semana passada, nós, os alunos do terceiro ano, nos reencontramos numa festa promovida pelo Colégio. O Colégio foi um tempo importante da minha vida, foram 14 anos dela. Um dia penso em dar aula lá. Era bem puxado e tinha uma preguiça gigante prá matemática. Até hoje não gosto muito. Aí tu começas a ver as coisas que tu não gostas. O Colégio era bem puxado, os deveres eram assim de várias páginas.

“Vou te reprovar por causa disso, disso e aquilo...”

A primeira vez que reprovei - nunca vou esquecer -, o professor de Matemática chamou minha mãe e eu, e falou assim: “olha, Mariana,

vou te reprovar por causa disso, disso e aquilo, tem que estudar mais um pouquinho...”. Na verdade, tinha que tirar nota 6 na prova, mas tirei

somente 5,5 porque tinha errado questões de sinais, o mais e o menos. Acho que até hoje tenho muito falta de atenção. Fazia toda a conta certinha e chegava ao final, errava o sinal. Gostava do professor de Aritmética da quinta série, ele foi até legal comigo apesar de ter me dado aquele sermão e depois me reprovado. Eu achei legal, até hoje ele dá aula lá. Depois eu passei tranqüila pela quinta. Chegou na sexta de novo reprovei em Matemática, porque eu relaxei mesmo e não queria mais estudar esta disciplina. Na sétima e na oitava, tranqüilo. No primeiro ano do ensino médio já era meio grandinha e tinha um problema sério, agora com a Física. Os professores sempre foram muito bons, bem exigentes, todos, todos. Acho que só o Inglês mesmo era mais tranqüilo, e Educação Artística também.

Uma certeza tenho...

Ah! ali tive muitas coisas interessantes! Tive aula de violão, aula de flauta doce... Lembro-me que fique desesperada porque tinha que ser quinze alunos e era a minha última chance de conseguir ir para as aulas de violão. Nossa, eu chorei, chorei, até me colocaram. Até hoje toco, mas só com os meus livrinhos com músicas cifradas Na época, eu precisava muito aprender violão, porque gostava muito do ‘Legião Urbana’. No colégio também cantava no coral desde os 10 anos. Mas ainda não posso dizer que sou uma grande cantora, falta muito, muita coisa... Também parar e continuar, parar e continuar não ajuda. Iniciei algumas vezes aula de canto, mas tive que parar por causa de dinheiro. Não é muito barato. A última vez que estava fazendo aula de canto, mas a professora matava muita a aula: “ah, não quero mais essa professora”, decidi. Antes dessa, tive aula com a professora do colégio mesmo, a gente até chegou a fazer apresentação pública, mas esta professora ficava tão nervosa nas apresentações que me deixava completamente tensa, ficava quase sem voz, por isso, ela me deixou meio desiludida. Então, parei de novo. Depois de ficar um tempão sem aula, recomecei no ano passado, mas já dei uma segurada novamente. Sabe? Vai aparecendo outras coisas, e aí você quer aprender outras coisas. Agora, queria aprender teclado. Ah! uma certeza tenho: não vivo sem música. Eu acordo com a Itapema [emissora de rádio FM] ligada! Pareço um “ET”: adoro, adoro Itapema, MPB...

Isto tudo tem muita influência da minha mãe, porque ela tinha discos dos Demônios da Garoa, Vinicius de Morais, Clara Nunes... Também tenho um tio que cantava (acho que canta ainda) no coral da UFSC. Quando o coral fez a primeira viagem para se apresentar na Europa, ele foi junto e tem muitas fotos, recortes disto...

Por que eu tenho mais amigos homens?

Eu só tenho contato com a família da parte de minha mãe. Cresci com a minha avó sempre do lado, porque a gente morava numa casa de madeira atrás da casa dela e tinha, ao lado, a casa do meu tio mais novo e de meus primos. O terreno era bem grande e, entre as casas, havia um quintal bem espaçoso em que todos os primos brincavam. A minha avó faleceu há uns seis anos e agora só tem dois tios ali, o mais novo, o temporão, que é do segundo casamento da minha avó e o segundo mais novo, além de minha mãe, eu, minha irmã. Tem mais: a

minha avó casou duas vezes e a maioria dos filhos é do primeiro casamento. Do segundo casamento ela teve só um filho. Este segundo avô era com quem convivia mais tempo e é dele que sinto mais saudade. Ele era bem direto, brincava de casinha comigo e eu vivia muito grudado nele, por isso, tenho muita saudade. Ele preenchia aquela ausência do pai. Por mais que a gente não se dê conta, mas acho que isso era forte. Quando a gente é criança não sabia que substituía meu pai. Hoje, pensando um pouquinho, acho que era uma presença muito forte. Eu acho que por isso, agora tenho mais amigos homens que mulheres. Pode ser eu não sei! Nunca conversei sobre isso com psicólogo, nunca toquei nessa questão com ninguém, mas é uma coisa que fico pensando mesmo: por que eu tenho mais amigos homens? Talvez, justamente pela falta de contato masculino, pela falta de um pai. Engraçado, eu tenho mais tios, que tias (só aquelas que se casaram com meus tios); tenho mais primos, que primas! Sempre brinquei mais com os primos do que com as primas. Engraçado, não tinha pensado nisso!

Se ele quiser saber sobre mim...

A separação foi muito difícil para minha mãe, eu tinha um ano quando aconteceu. Meu pai bebia muito e na primeira vez que ele bateu nela, ela terminou. Foi obrigada a terminar. Ela o mandou embora. Isso