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11 The Go Lab Inventory of Online Labs

11.1 HY.P.A.T.I.A

11.1.2 Big Ideas of Science

foi o amigo negro mais presente na minha vida, é o meu irmãozinho de coração.

Não sou presa a essas questões de cor

Olha, nunca parei prá pensar nisso! Até eu acho tudo normal, pois não sou presa a essas questões de cor, sabe? Talvez, por eu ter nascida numa época mais fácil, digamos, que não pegou aquela questão racial mais forte que nossos pais passaram. Talvez, algum olhar ou outro tu tenhas sentido, mas quanto mais tu pensas nisso mais tu atrai. Se ficar pensando que em tal lugar tu vais sentir preconceito, por causa disso ou daquilo, tu acabas sofrendo preconceito! Talvez, na minha infância, quando era bem criancinha, as pessoas começavam a te dar uns apelidinhos que te faziam sentir algum preconceito. Mas sempre me sai muito bem desse tipo de situação! Quando estava na minha fase adolescente e adulta, eu nunca senti isso. Talvez, tenha me envolvido com as pessoas certas, não sei... porque sempre fui muito bem recebida na casa de meus amigos brancos e negros.

Tu esqueces... que tens uma cor!

Nunca me chamaram a “tua amiga moreninha” ou a “tua

amiga negrinha”. Sempre me chamaram pelo nome. Eu nunca senti na

pele, sabe? ... Tu esqueces. Esqueces! Esqueces que tens uma cor! Por mais que de vez em quando você faça uma poesia no dia da consciência negra ... Por mais que a gente lute, vá atrás, ache legal existirem as cotas, lute politicamente! Eu prefiro discutir politicamente algumas coisas a ficar no dia-a-dia pensando que sou negra e, por causa disto, as pessoas estejam fazendo isso ou aquilo. A minha mãe já tem mais isso! Estes dias, por exemplo, ela estava vendo um programa na tevê,

Ídolos59, e lá pelas tantas escolheram este e não aquele candidato. Aí ela me solta esta: “ah, tá!, eles só escolheram este porque aquele outro é

59

Ídolos é um programa de calouros, com base em um programa de calouros criados pelo britânico Simon Fuller, também chamado de Ídolos, onde milhares de candidatos se inscrevem para mostrar seu talento musical. Este programa teve duas temporadas (20006 e 2007) na emissora de televisão SBT, mas, atualmente, os direitos autorais estão cedidos à emissora da Record, que já realizou duas temporadas (2008 e 2009). Grosso modo, o programa consiste de duas etapas, a primeira chamada de audição, na qual são selecionados os candidatos por uma equipe de jurados, e, na segunda etapa, a realização de performance dos candidatos em palco sob avaliação de jurados e do público telespectador, que pode votar pela eliminação dos candidatos.

negro!”. Eu digo: “Oh, meu Deus! Mãe me dá um tempo!”. Ela tem isso

ainda, sabe? “Ah, imagina! Aquele cantor é negro, até parece que eles

vão votar nele”, ela insistiu. Sabe, esse programa de calouros acabou

recentemente, e achei o resultado final meio injusto. No fundo, eu também tinha achado que o menino negro – e, na verdade, ele nem era tão negro assim, era bem mais claro que eu, bem mais! - cantava melhor que o outro menino, mas o outro ganhou. Minha mãe sempre toma partido desta maneira. Ela acha que é isso: preconceito de cor. Talvez, pode ser que ela tenha sofrido mais preconceito do que eu ou tenha visto mais coisas do que eu. Bem, estou imaginando porque ela nunca me comentou nada sobre situações vividas por ela.

Não me lembro de uma única amiga negra dela...

Minha irmã também é negra, bem negra. Ela vive assim como eu, a maioria das suas amigas é branquinha. Não me lembro de uma única amiga negra dela. Agora, amigos negros ela tem mais e se envolve bastante com o pessoal do pagode. Ela tem amigos em bandas de pagode. Têm os meninos de pagode com quem ela sai, mas hoje também já é mais misturado. Hoje em dia tem mais banda de pagode com meninos brancos e meninos negros. Por isso, minha irmã tem mais amigos negros. Ela tem meninos com quem namorou que eram negros. E namorou bem mais que eu. Ah! bem mais!

Totalmente o oposto de tudo que imaginei prá mim

Na minha vida, não só nos relacionamentos, a questão de ser ou não negro nunca foi decisivo. É claro que eu fico feliz quando eu vejo um negro se dar bem, “ah! que bom!”. Tem essa coisa dentro da gente, tem isso: “oh! que bom!”. Nos meus relacionamentos eu sempre falo sobre isto. Neste caso agora que estou tendo, o meu namorado é loiro e eu nunca gostei de loiro. Ele é totalmente o oposto de tudo que imaginei prá mim. Ele faz engenharia mecânica e é descendente de italiano. Já falei prá ele isto, ele só ri. Essas coisas a gente não escolhe, ele é descendente de italiano por parte mãe e a família é de Chapecó, interior do estado. Ele é bem mais novinho que eu, então, acho que sou a primeira namorada séria ou sou a primeira. Ele tem 22 anos. Então, sou o primeiro namoro sério dele. A gente já terminou uma vez, ele viajou, foi prá Europa, voltou agora em março. A gente tinha terminado não por cauda da viagem, mas por outros motivos, sabe? Essas coisas de

menino, que tem muita coisa prá fazer, que não dá conta da namorada. Ele tem duas bandas, faz duas faculdades e não sei mais o quê. Aí, a corda arrebentou pro lado mais fraco: a namorada. Depois, acaba achando que a gente tá cobrando demais. Agora ele voltou, a gente combinou e tá melhor, tá melhor do que antes! Acho que tem essa coisa dele ser mais novo, mas temos que nos entender, daí eu brinco: “quem

manda querer namorar pirralho, dá nisso!”. É que sempre namorei

meninos da mesma idade, nunca mais novos e sempre mais morenos. Impressão de que os meninos negros não queriam namorar comigo

Eu sempre tinha a impressão de que os meninos negros não queriam namorar comigo, só querem ficar. Eu já fiquei com meninos negros, mas o que fiquei mais tempo foi por seis meses, e quando descobri que tinha outra namorada, dei um fora nele. Outras vezes foram nos pagodes da vida ou em formaturas. Eu sou meio exigente também: tem que ser negro e ser lindo, não gosto de negro meia boca, tem mais essa! Tem que ser meio modelo. E também por causa dos meios em que ando, quando era mais nova ia a pagode, mas eu nunca ia assim como eles falam, “ir prá guerra”. Ia mais prá dançar, eu gosto muito de dançar, sempre fui prá dançar, nunca prá procurar menino, porque namorado a gente não encontra assim! A gente encontra na escola! O meu primeiro namorado foi na escola, outro foi na sinuca e este, agora, na aula de canto. Então, nunca saio prá procurar homem, saía prá dançar. Depois deixei de sair prá ir a pagode, porque deixe de gostar de pagode e passei a gostar mais de samba de raiz. Não gosto mais de pagode! E acontece que quando você vai pro pagode ou pro samba, está quase tudo igual e, às vezes, têm mais pessoas brancas que negras. Misturou tudo! Não tem mais essa coisa de ser só prá negro ou nas quadras de escola de samba. Mas, no rock’n’roll, por onde eu circulo, tenho a impressão que há mais pessoas brancas, pois nunca vi um negro gostar de rock’n’roll.

Não saio mais como saía antes...

Em relação à música, sou bem eclética, só sertanejo não gosto muito. Eu já fui à festinha da Engenharia que era uma parada da [Engenharia] Mecânica, curti horrores! Então, depende da companhia, como quem tu estás. É bem difícil ir prá música de dance, tipo como é que fala, aquelas que viram a madrugada: isto rave. Fui uma vez só, faz

tempo, achei legal, mas nada demais, não achei tão bom, é quase igual ao Planeta Atlântica, só que você vai embora às seis da manhã, quando ia lá ao Planeta só chegava em casa por volta das oito da manhã. Agora parei de ir, porque só tem bandinha bem prá criança, você chega lá e só tem criança. Eu detesto!

Dos bares que o pessoal tem indo mais à noite, eu gosto mais dos da Lagoa: o Drakkar e o John Bull. Também ‘tava indo muito no ‘Célula Cultural Mané Paulo’, que fica ali no [bairro] João Paulo, em frente à Videoteca, em que trabalhava. Ali tocam só bandas da Ilha. Agora esse ano eu dei uma segurada mais pela questão da faculdade. O ‘Célula Cultural’começou no centro com o nome de Cube da Luta, que era o nome da festa. Havia algumas regras, tipo, era sempre música própria e 3 bandas por noite. Quando fecharam lá, surgiu o ‘Célula

Mané Paulo’, que foi criado pelos meninos de uma banda que botaram a

mão na massa e construíram o lugar, que era um espaço antigo. Agora, tenho saído muito pouco este ano, dei uma segurada! Não saio mais como saía antes por causa da faculdade, por causa da demanda de textos que tenho que ler. Esse último semestre foi bem mais corrido, sai bem pouco! Até os 18 anos saia de segunda a segunda, depois fui diminuindo, só uma vez por semana, continuo ainda neste ritmo de uma vez por semana. Agora tô saindo uma vez a cada duas semanas. Normalmente, saio só de casal, com meu namorado ou com outros casais. Saio com grupos de amigos quando tem uma coisa em comum, um show que todo mundo vai.

Muito de meus amigos já estão na fase de casar

Tenho uma amiga que voltou recentemente da Nova Zelândia e eu ‘tava um tempão sem a ver. Ela acabou casando lá e foi morar com o menino. Agora ela veio visitar a gente e vai ficar mais um ano, depois ela volta porque eles querem construir casa lá. Muito de meus amigos já estão na fase de casar por causa da idade. Eu tenho amigo de varias idades, só que hoje tenho andado mais com pessoas a minha faixa etária, tipo, de 26 a 30 anos. Convivo com os amigos do meu namorado que são os mais novos porque são do grupo de amigos da escola onde estudou, são meninos mais novos de 22, 23 e 24 anos. Meus amigos, que a gente chamava, brincando, de quarteto fantástico, tem 27, 29 e 30, dois já casaram. Estava morrendo de saudade desta amiga, porque a gente fazia parte deste quarteto, saíamos somente nós quatro, sempre e todos.

Éramos só nós quatro! Três meninas e um menino... Duas já casaram, eu estou namorando e o outro menino, tá na vida, pegando todas (...). As minhas amigas de infância, que têm a mesma idade que eu e que moravam na mesma rua de casa, já se casaram e têm filhos. Todas! Eu tenho poucos contatos com elas. Também depois de casadas, é um problema sério! Algumas ainda ligam, “ah, vem prá cá”, mas às vezes é longe! As meninas que moram perto não ligam e eu também não vou atrás, nunca fui atrás. Agora dou uma esnobada, se quiserem que venham.

Na minha vida, eu sei, [as idéias] não vão bater

Tem o pessoal da faculdade: fiz amizade com três pessoas, aquelas com as quais tenho envolvimento mais forte. Pena que algumas delas abandonaram o curso porque tinham muita coisa prá fazer. Fiquei bem triste! A minha sala é muito heterogênia e tem muita menina nova... A maioria é muito mais nova que eu, tem gente com 17, 19 anos ou por aí. Poucos têm entre 26 e 30 anos e somente 4 pessoas com mais de 40 anos. A gente se envolve um pouquinho com todo mundo, mas dependendo do assunto, não dá prá falar de tudo com todos, não dá! É normal. Quando me envolvo com um pessoal mais jovem, fora da sala, é a mesma coisa, não tem jeito, a cabeça é outra. Ainda tem o pessoal que tá naquela “ah, porque que eu tenho que aprender isso?”. Isso me dá um nervoso! Então, acabo conversando só o básico, não entrando muito em discussão com essas pessoas, evitando atritos. Assim, falo o essencial e faço os trabalhos acadêmicos junto com elas, mesmo que as idéias não batam. Talvez durante a análise e discussão de um texto, as idéias batam, mas na minha vida, eu sei, não vão bater. O pensamento, as idéias, a vida, o ser humano não batem sempre. É aquela coisa assim, um assunto polêmico: “tem que prender ou tem que matar?”; “mata

mesmo, tem que acabar com ele”. É aquela coisa de responder sem

pensar. Essas coisas me dão um nervoso! Então, procuro não entrar em discussões polêmicas com esses tipos de pessoa. Não dá, é impossível! Sou extremista demais!

... Mais feliz do que imaginava ser

Eu acho que hoje sou mais feliz do que imaginava ser. Aos 18 anos, me imaginava com 25 e com 26 já ter um filho. Quando eu cheguei aos 24 não tinha nem namorado, não tava dando, e pensavam