2.4 Recherche d’images
2.4.1 La technique syntaxique
Para realizar a caracterização dos meus alunos da EJA foi aplicado um questionário aos mesmos. De um total de 13 (treze) alunos6 frequentando as aulas, somente 11 (onze)
responderam ao questionário, desses, nove são mulheres. A idade média dos alunos fica em torno de 34 anos, com estudantes cujas idades variam entre 16 a 58 anos.
Carrano (2005), ao analisar a identidade dos alunos da EJA, menciona que a heterogeneidade etária dos alunos está se transformando, pois durante um bom tempo caracterizou-se pela presença, quase exclusiva, de adultos e idosos, mas atualmente, há uma tendência que a EJA seja constituída por pessoas cada vez mais jovens. Essa diversidade etária pode gerar conflitos em sala de aula, o que demanda, tanto do professor quanto da escola, uma atenção diferenciada, pois lida com dois tipos de sujeito (jovens e adultos) de realidades diferentes e necessidades específicas.
Verificamos uma nova composição das turmas da EJA: antes formados quase exclusivamente por adultos que se afastaram da escola, hoje se configuram como espaços prioritariamente ocupados por jovens que, em sua maioria, não se afastaram da escola. Neste momento em que a educação se torna universal, acessível a todos, deparamo-nos com a presença majoritária de jovens excluídos da sala de aula regular, que buscam a EJA ou para ela são encaminhados pelo próprio sistema regular (JARDILINO, ARAÚJO, 2014, p. 181).
Na turma, há uma quantidade maior de mulheres do que homens, o que expressa uma tendência das mulheres, cada vez mais, buscarem a escola por diversos motivos, mas que tem um valor singular que representa “um direito que permite o empoderamento e a justiça de gênero” (JARDILINO; ARAÚJO, 2014, p. 167). A turma, em sua maioria, se considera parda (81%) e evangélica (73%), sendo também formada por 55% de solteiros contra 45% de casados, isso se justifica pela quantidade de jovens presentes. Cerca de 64% dos alunos têm filhos e, em média, são aproximadamente 03 (três) filhos por alunos declarado.
Dos 81% dos alunos que exercem algum tipo de atividade, somente dois alunos possuem carteira de trabalho assinada, sendo uma mulher e um homem; quatro alunos não
6 De acordo com a frequência da turma, 02 (dois) alunos não são assíduos nas aulas, o que dificultou que todos preenchessem o questionário.
possui renda, desses, dois são alunos que têm 16 (dezesseis) anos e duas são donas de casa, o restante exerce suas atividades de maneira informal, não usufruindo dos direitos trabalhistas. O aluno que trabalha de carteira assinada é o único que ganha mais de um salário mínimo, os demais recebem valores bem abaixo, nesses se enquadram as alunas da sala, o que reforça a desigualdade de gênero presente na sociedade. Jardilino e Araújo (2014) revelam que as mulheres buscam, na EJA, a qualificação para a inserção no mercado de trabalho, melhorando assim suas condições de vida, pois a maioria atua em funções de baixa remuneração. Em geral, são jovens e adultos trabalhadores de vários setores, sem emprego fixo, cuja renda mensal é menor que um salário mínimo.
O maior fator, apontado no questionário ligado à motivação que levou as alunas voltarem a estudar, está relacionado à exigência no trabalho ou conseguir um emprego melhor. Os demais regressaram à escola por vontade própria, incentivo da família e por morar perto da escola. Para essas mulheres, voltar a estudar representa a possibilidade de transformação social, que pode vir pelas melhorias no mundo do trabalho. Nesse caso, a escola tem a importante tarefa de organizar seu planejamento para a EJA, que levem em conta as necessidades e as realidades das mulheres, donas de casa e trabalhadoras, podendo reduzir a evasão e aumentar a assiduidade dessas alunas.
Diante de todas as dificuldades encontradas para manter-se no ensino regular, muitos alunos abandonaram a escola, na turma analisada, em sua maioria, os alunos afastaram-se do espaço escolar menos de 10 anos. Tem-se aqueles alunos que estão estudando pela primeira vez, num total de três nesta situação, com idade variada que vai de 23 a 54 anos, porém a turma apresenta dois alunos, ambos de 16 anos, que não se evadiram da escola, mas pelas dificuldades enfrentadas no processo de aprendizagem, foram permanecendo na escola até que foram transferidos para a EJA.
São alunos que se situam na categoria de distorção idade/série, ou seja, alunos que, após uma trajetória marcada por reprovação e evasões, não apresentam idade compatível com aquela considerada adequada para série, comprometendo assim a “taxa de escolarização líquida (JARDILINO; ARAÚJO, 2014, p.184).
Os motivos apresentados pelos alunos que deixaram de frequentar a escola regular foram os mais variados, entre eles, destaca-se a necessidade de trabalhar e não conseguir conciliar com os estudos. A família também foi citada, nesse caso, as mulheres que pararam de estudar por causa dos filhos ou porque o marido não deixou. Também foi informado o
motivo relativo à distância da escola em relação à residência, por viagem e até mesmo por se sentirem vítima de bullying7.
De acordo com Jardilino e Araújo (2014), esses homens e mulheres da EJA carregam um estigma e são discriminados em diferentes espaços sociais e em diferentes circunstâncias, mas antes de tudo, são sujeitos de direitos, que precisam ser considerados numa perspectiva que os compreenda como tais, “superando visões restritas e estereotipadas que marcam negativamente a realidade daqueles que não puderam estudar em nosso país”, que vai ao encontro de Capucho (2012) ao falar da negação de seus diretos, o qual afirma que:
Jovens, adultos (as), idosos (as) precisam ser reconhecidos (as) como sujeitos de direitos, em virtude das situações de desigualdades presentes na sociedade brasileira e ausência do estado na garantia dos direitos, lhes foi negado o direito à educação no passado, e lhes é dificultado no presente. [...] as políticas públicas precisam focar medidas especiais e emergenciais com o objetivo de eliminar desigualdades históricas acumuladas (CAPUCHO, 2012, p. 23).
A escolaridade dos pais dos alunos também é baixa, como apontam nos questionários: 64% dos alunos afirmaram que seus pais nunca estudaram. Isso tem uma influência direta no processo de escolarização dos alunos, pois, em geral, a educação dos pais favorece a educação das crianças e adolescentes, porque quanto mais os pais estudam, mais conscientes ficam da importância da educação e tem mais, contribuirão para que seus filhos permaneçam na escola. Jardilino e Araújo (2014) apontam que uns dois motivos da importância da educação para as mulheres estão relacionados na melhoria da participação escolar de seus filhos, o que evidencia um avanço na sociedade em relação à participação dos pais nos estudos dos filhos.
Em relação à moradia, 64% moram em casas próprias e com até três pessoas morando na mesma casa; 55% moram no conjunto Maguari, onde está situada a escola pesquisada e 45% moram na circunvizinhança. Três alunos moram no Tenoné e um na comunidade do Tocantins8. Um percentual de 64% dos alunos gosta do lugar onde moram, atribuindo o
adjetivo de bom ou ótimo. Também responderam que o lugar é tranquilo e com pouca violência, “um lugar calmo, bom para morar”, “não tem muita violência”. Em sua maioria, esses alunos que classificaram o local onde mora como bom e ótimo residem no Conjunto Maguari. Os demais alunos que residem em comunidades próximas ao conjunto, acham o local perigoso e que alaga quando chove, “quando chove alaga tudo e não dar para sair”.
7
O bullying se configura aqui pelo sujeito não ser aceito e desvalorizado em sua condição social
8 Comunidade do Tocantins que originou de uma área de ocupação e que se formou as margens da Rodovia Augusto Montenegro, no Km 8, do lado oposto do Conjunto Maguari.
Os alunos classificaram a escola como boa e ótima, respondendo que, tanto os professores como os demais funcionários da escola, os tratam bem. Alguns escreveram que a escola “está sendo minha segunda mãe, está me ensinando a ler e escrever”. Para os alunos, a escola é um espaço de garantia de direitos e saberes, pois são alunos “de diferentes condições sociais e culturais, de gênero e religiões distintas que buscam na educação e com a educação estabelecer um diálogo com a sociedade e com o mercado de trabalho” (JARDILINO; ARAÚJO, 2014, p. 185). Para isso, faz se necessário reconhecer a importância de saber quem são estes alunos, identificando seu perfil, suas expectativas e vivências, para que eles possam ser considerados na construção de propostas, projetos e planejamento voltados para a educação de jovens e adultos neste país.