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CHAPITRE III. ANALYSE DE LA VARIABILITE ET DES RELATIONS ENTRE LES

1. ANALYSE DES PERFORMANCES DES PARENTS ET DES F2

1.1. LA SURFACE DE LA FEUILLE ETANDARD ET LA DUREE DE LA PHASE

Para expor os resultados concernentes ao repertório comportamental das crianças, inicialmente, são descritos os dados referentes à ECI A2 – e, em seguida, ao QRSH – Pais. Esses resultados permitiram descrever a freqüência com que as crianças apresentam respostas indicativas de problemas de comportamento e respostas socialmente habilidosas, segundo avaliação das mães.

3.1.1 Indicativos de problemas de comportamento

Quanto à ECI A2, o Gráfico 1 apresenta o percentual de crianças que atingiram escore total na escala (maior que 16) que indica presença de distúrbios emocionais/comportamentais, aqui tratados como problemas de comportamento.

ECI A2 23% 77% Sem indicativo de problema Com indicativo de problema

Gráfico 1. Proporção de crianças com e sem indicativo de problemas de comportamento segundo o escore total na ECI A2.

Como é possível observar, 77% (n = 33) das crianças atingiram escore na ECI A2 que indica problemas de comportamento no nível clínico, de acordo com o relato das mães. Em contrapartida, 23% (n = 10) dos pré-escolares não obtiveram escore indicativo de problemas de comportamento. O escore médio das crianças no instrumento foi 21,8 pontos.

Quanto ao sexo das crianças, das 33 que apresentavam problemas de comportamento, 22 eram meninos e 11 meninas. Já entre as crianças que, segundo a ECI A2 não apresentavam problemas, quatro eram meninos e seis meninas. Essa diferença entre o gênero das crianças não mostrou ser estatisticamente significativa de acordo com o teste qui-quadrado (p = 0,13).

Com relação à questão sobre a necessidade de a criança receber atendimento psicológico ou psiquiátrico, 51% das mães disseram que a criança não necessitava de atendimento, enquanto 47% responderam que sim. Uma participante não soube responder.

Os 35 itens que compõem a ECI A2 foram agrupados em duas categorias referentes a

respostas internalizantes e externalizantes (Tabelas 9 e 10). Os itens que não puderam ser

inseridos nessas categorias foram descritos como outras respostas (Tabela 11), conforme categorização de Bolsoni-Silva e Marturano (2002).

A Tabela 9 descreve a freqüência das respostas das mães aos itens que investigam respostas internalizantes.

Tabela 9. Número de crianças que apresentavam ou não respostas internalizantes descritas na ECI A2 (teste qui-quadrado). Respostas internalizantes Crianças apresentavam a resposta p sim não

Tem queixas de dores de cabeça. 24 19 ns

Tem dor de estômago ou vômito. 17 26 ns

Asma ou crises respiratórias. 12 31 0,00

Faz xixi na cama ou nas calças. 13 30 0,01

Faz cocô na roupa. 2 41 0,00

Tem dado trabalho ao chegar na escola. 14 29 0,02

A criança tem medo de alguma coisa (de algum objeto, pessoa ou situação)?

31 12 0,00 Fica facilmente preocupado, preocupa-se com tudo. 21 22 ns Tende a ser uma criança fechada – um tanto solitária. 9 34 0,00 Freqüentemente a criança parece estar tristonha, infeliz ou angustiada. 17 26 ns É uma criança muito agarrada à mãe e que tenta manter-se sempre

perto da mãe.

40 3 0,00

Fica acanhada, tímida e de retrai na presença de pessoas pouco conhecidas.

33 10 0,00 É uma criança insegura e que não tem confiança em si mesma. 10 33 0,00

Conforme Tabela 9, foram encontradas diferenças significativas entre as respostas das mães em nove dos 13 itens que investigam respostas internalizantes, com destaque para os itens tem medo de alguma coisa, é uma criança muito agarrada à mãe e fica acanhada,

tímida, pela alta freqüência com que as crianças apresentam tais respostas, segundo as

participantes. Já os itens tem asma, faz xixi ou cocô na roupa, tem dado trabalho na escola,

tende a ser fechada e é uma criança insegura ocorreram com baixa freqüência no grupo.

Quanto aos demais itens, não houve diferença significativa entre a freqüência das respostas maternas, o que significa uma distribuição eqüitativa das repostas. Os resultados expostos na Tabela 9 sugerem, portanto, que respostas internalizantes ocorrem, em geral, com baixa freqüência no grupo, segundo avaliação das mães.

Tabela 10. Número de crianças que apresentavam ou não respostas externalizantes descritas na ECI A2 (teste qui-quadrado). Respostas externalizantes Crianças apresentavam a resposta P sim não

Fica mal humorado e nervoso. 38 5 0,00

“Mata” ou “enforca” aula. 6 37 0,00

Costuma roubar ou então pegar coisas dos outros às escondidas. 7 36 0,00 Muito agitado, tem dificuldades em permanecer sentado por muito

tempo.

32 11 0,00

Criança impaciente, irrequieta. 31 12 0,00

Muitas vezes destrói suas próprias coisas ou dos outros. 26 17 ns Briga freqüentemente ou é extremamente briguento com outras

crianças.

21 22 ns

Irritável. Rapidamente “perde as estribeiras”. 31 12 0,00

Muitas vezes é desobediente. 39 4 0,00

Não consegue permanecer numa atividade qualquer por mais do que alguns minutos.

19 24 ns

Muitas vezes fala mentiras. 20 23 ns

Maltrata outras crianças. 10 33 0,00

Fala palavrões, nomes feios. 15 28 0,05

É uma criança difícil, complicada ou muito particular. 15 28 0,05

Conforme a Tabela 10, em dez dos 14 itens organizados na categoria de respostas externalizantes houve uma distribuição da freqüência das respostas numa proporção significativa.

Para as mães, as respostas externalizantes apresentadas com freqüência alta e por um número significativo de crianças foram: fica mal humorado e nervoso, é muito agitado,

criança impaciente, é irritável e muitas vezes desobediente. Já as respostas mata aula, costuma roubar, maltrata outras crianças, fala palavrões e é uma criança difícil foram

relatadas com uma freqüência significativamente baixa.

Outras repostas que não puderam ser incluídas nas categorias anteriores estão descritas na Tabela 11.

Tabela 11. Número de crianças que apresentavam ou não outras respostas descritas na ECI A2 (teste qui-quadrado).

Outras respostas Crianças

apresentavam a resposta

p

sim não

Gagueja. 12 31 0,00

Há alguma outra dificuldade com a fala. 12 31 0,00

Há qualquer dificuldade de alimentação. 27 16 ns

Há qualquer dificuldade com o sono. 13 30 0,01

A criança apresenta algum movimento repetitivo do corpo ou do rosto ou tem tiques.

4 39 0,00

Não é uma criança muito querida pelas outras crianças. 5 38 0,00

Chupa freqüentemente os dedos. 2 41 0,00

Rói freqüentemente as unhas ou os dedos. 14 29 0,02

As respostas indicativas de problema não incluídas nas duas outras categorias foram relatadas com baixa freqüência pelas mães. Na Tabela 11, observa-se que, com exceção do item tem dificuldade de alimentação, os demais sete itens incluídos na categoria de outras respostas eram apresentadas por poucas crianças e numa proporção significativamente menor em relação àquelas que não as apresentavam.

3.1.2 Habilidades sociais

A análise dos dados coletados através do QRSH – Pais mostrou que a média das crianças no instrumento foi de 29,8 pontos (escore máximo igual a 38). Verificou-se também que nenhuma criança obteve escore menor que 50% do total de pontos do instrumento, ou seja, escore menor que 19 pontos.

A seguir, na Tabela 12, é apresentado o número de crianças que apresentavam ou não as respostas socialmente habilidosas descritas em cada item do QRSH – Pais, segundo avaliação materna. Os 19 itens que compõem o instrumento foram agrupados em três categorias disponibilidade social e cooperação, expressão de sentimentos e enfrentamento e

Tabela 12. Número de crianças que apresentavam ou não cada item do QRSH – Pais (teste qui- quadrado). Respostas socialmente habilidosas Crianças apresentam a resposta p sim não

Disponibilidade social e cooperação

Faz pedidos. 43 0 - Procura ajudar. 41 2 0,00 Procura atenção. 43 0 - Faz perguntas. 43 0 - Cumprimenta as pessoas. 42 1 0,00 Faz elogios. 38 5 0,00 Toma iniciativas. 38 5 0,00

Expressão de sentimentos e enfrentamento

Expressa desejos e preferências. 39 4 0,00

Critica. 28 15 ns

Expressa carinho. 43 0 -

Expressa sentimentos de desagrado. 38 5 0,00

Usualmente está de bom humor. 42 1 0,00

Expressa seus direitos e necessidades de forma apropriada. 38 5 0,00

Expressa próprias opiniões. 41 2 0,00

Negocia e convence outras pessoas de seu ponto de vista. 34 9 0,00

Interação social positiva

Interage de forma não-verbal com pessoas de sua convivência. 39 4 0,00 Apresenta facilidades para fazer amizades. 39 4 0,00

Brinca com colegas. 42 1 0,00

Comunica-se com as pessoas de forma positiva. 41 2 0,00

Na avaliação das mães, pela Tabela 12, observa-se que o número de crianças que apresentou cada item do instrumento QRSH – Pais foi alto e significativo (p ≤ 0,05), com exceção do item critica. Esse resultado sugere que, de acordo com as mães, uma proporção significativa das crianças apresenta respostas socialmente habilidosas. Cabe destacar que, em quatro itens do instrumento, as participantes relataram que todas as crianças apresentavam a resposta descrita, as quais foram faz pedidos, procura atenção, faz perguntas e expressa

carinho.

3.1.3 Relações entre problemas de comportamento e habilidades sociais

Para investigar possíveis associações entre problemas de comportamento e o repertório socialmente habilidoso das crianças, empregou-se o teste não-paramétrico de Spearman. O mesmo foi utilizado para verificar se havia relação entre os escores na ECI A2 e no QRSH – Pais, tanto no que refere ao escore total quanto ao escore nas categorias de cada instrumento.

Tabela 13. Correlações entre as categorias e o escore total da ECI A2 e do QRSH – Pais. Variáveis 1 2 3 4 5 6 7 8 1. Respostas internalizantes 1,00 2. Respostas externalizantes ,31* 1,00 3. Outras respostas ,27 ,25 1,00 4. Total ECI A2 ,65** ,84** ,53** 1,00 5. Disponibilidade social e cooperação -,16 ,17 ,07 ,06 1,00 6. Expressão de sentimento e enfrentamento -,04 ,09 ,03 ,07 ,42** 1,00

7. Interação social positiva -,09 ,09 -,19 -,01 ,30 ,30 1,00

8. Total QRSH – Pais -,10 ,11 -,01 ,05 ,79** ,80** ,59** 1,00 * p < 0,05 ** p < 0,01

Como mostra a Tabela 13, não foram encontradas correlações entre o escore das categorias da ECI A2 (respostas internalizantes, externalizantes e outras respostas) e o escore das categorias do QRSH – Pais (disponibilidade social e cooperação, expressão de sentimentos e enfrentamento e interação social positiva), bem como entre o escore total dos instrumentos.

Contudo, verificaram-se correlações positivas entre: a) as três categorias do QRSH – Pais e o escore total do questionário, o que significa que, quanto maior o escore nas categorias disponibilidade social e cooperação, expressão de sentimento e enfrentamento e interação social positiva, maior o escore total em habilidades sociais; b) as categorias disponibilidade social e cooperação e a expressão de sentimento e enfrentamento, mostrando que, quanto maior o escore da criança em uma categoria, maior o escore na outra; c) as três categorias da ECI A2 e o escore total da escala, de maneira que, quanto maior o escore em problemas de comportamento, maior o escore em respostas internalizantes, externalizantes e em outras respostas; d) as respostas internalizantes e externalizantes, indicando que, quanto maior a freqüência com que as crianças apresentavam respostas internalizantes, maior a freqüência com que apresentavam respostas externalizantes.