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La spécification des modèles

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Chapitre III - La Méthodologie

C) La spécification des modèles

Nos Desportos Colectivos, nomeadamente no Futebol, as habilidades do jogo são de “natureza aberta” (Tavares, Greco & Garganta, 2006). Como o futebol é um jogo situacional de oposição activa, ou seja, é uma actividade onde a oposição directa regula de forma significativa o desempenho, concebendo assim situações que acarretam e exigem respostas diferenciadas (Garganta, 2006). E de acordo com o mesmo autor, essas situações ocorrem em contextos de elevada imprevisibilidade e aleatoriedade. As habilidades técnicas Realizam-se normalmente em contextos onde o envolvimento é imprevisível e onde a sua execução é condicionada pelos demasiados constrangimentos externos (posição e movimentos dos colegas e adversários, zona do terreno ou adversário a defender ou a atacar, distância do alvo,

No Futebol, a execução técnica é determinada por condições inerentes ao contexto táctico, “de tal forma isto acontece, que em duas técnicas formalmente similares, qualquer manipulação da estrutura duma delas, através por exemplo da modificação do ritmo de execução, produz alterações importantes, daí resultando técnicas diferentes” (Garganta & Pinto, 1998, p.99).

Em termos gerais, a técnica é definida como “o conjunto de processos utilizados para obter certo resultado” (Dicionário de Língua Portuguesa, 2004). Porém, quando falamos no âmbito do desporto, existem vários conceitos de técnica.

De acordo com Matvéiev (1986), a técnica é um modelo ideal da acção competitiva (mental, verbal, matemático ou outro), produzidos com base na experiência prática ou mesmo teórica.

Garganta & Pinto (1998) definem a técnica como um conjunto de recursos motores específicos que os jogadores apresentam no momento de concretizar a acção. Os mesmos autores descrevem a verdadeira dimensão da técnica subjugada à utilidade desta servir a inteligência e a capacidade de decisão táctica dos jogadores e das equipas em jogo.

Tavares (1993) refere que a técnica deve ser entendida como um sistema de acções motoras racionais, que quando realizadas de forma eficiente, permitem atingir elevados níveis de eficácia na aquisição de um resultado.

Garganta (2002) constata uma ambiguidade existente na literatura da especialidade relativamente à definição teórica da técnica. Não sendo consensual, o autor descreve duas perspectivas sobre o entendimento da técnica:

 As perspectivas que atribuem à técnica um sentido ideal e abstracto, considera-se que a técnica é genérica, ideal e impessoal e que consiste na execução dos elementos fundamentais do jogo: passe, recepção, drible e outros, através da aplicação dos princípios da mecânica humana, no sentido de tornar eficazes os gestos desportivos próprios da modalidade. É privilegiada a dimensão eficiência da habilidade (forma de realização), independentemente das dimensões eficácia (finalidade) e

adaptação, isto é, do ajustamento das soluções e respostas ao contexto, enfatizando-se a dimensão gestual-técnica em detrimento da dimensão jogo;

 As perspectivas que atribuem à técnica uma faceta dinâmica, adaptativa e relacional, a técnica é entendida como um meio da táctica pois implica uma execução coordenada dos sistemas de percepção e resposta do jogador, face ao envolvimento. A técnica e a táctica formam uma unidade que se influencia reciprocamente. Esta perspectiva induz nos praticantes uma apropriação inteligente dos elementos técnicos na sua relação com as situações de jogo, condicionando positivamente o desenvolvimento das capacidades cognitivas (percepção, antecipação e tomada de decisão).

Actualmente os autores estudiosos da prática do G.R., consideram a dimensão técnica da especificidade das acções do G.R. como sendo um comportamento dinâmico, adaptado a uma situação e relacionado com as capacidades cognitivas do G.R. que coordenam os sistemas de percepção e resposta face ao contexto de jogo. Implica que se adapte a técnica específica da execução motora à sua aplicação desportiva (Madir, 2002).

Voser et al. (2006) evidencia a importância de obter informações mais fidedignas sobre aspectos importantes ocorridos durante os jogos, de forma a poder constituir um planeamento de treino técnico associado ao treino físico, táctico e psicológico, mais próximo da realidade dos jogos.

Oliveira (2009) caracteriza a complexidade do planeamento do treino de G.R. de Futebol através da necessidade de integrar as condicionantes da performance em jogo, para não desagregar os domínios complementares do jogo (táctico, técnico, psicológico e físico). Para o mesmo autor, a habilidade técnica é precedida de uma tomada de decisão, uma acção táctica.

A técnica específica do G.R. de Futebol pode ser dividida em quatro categorias: acções defensivas com as mãos (base de actuação do G.R.), acção

defensiva com os pés, acções ofensivas com as mãos e acções ofensivas com os pés (Voser et al., 2006).

Marcellus (2004 cit. Nogueira et al. 2006) destaca como principais acções técnicas defensivas os encaixes ao nível da cabeça e do peito, defesa rasteira no meio e nas laterais, defesa a meia altura nas laterais, defesa alta no meio, defesa alta nas laterais, saídas a cruzamentos, grande penalidade e formação de barreiras.

Manoni et al. (1995) salienta dois grupos de acções técnicas: defensivas e ofensivas. As acções técnicas defensivas reportam-se aos encaixes ao nível do peito e do abdómen, às quedas laterais para ambos os lados rente ao chão, a meia altura e altas, quedas laterais com desvio da forma referida anteriormente e recepção aos cruzamentos altos, baixos e saídas. As acções técnicas ofensivas abarcam o pontapé de baliza e os lançamentos (com a mão tipo bowling, em parábola, com pé com a bola em jogo e o pontapé de saída).

Segundo Sarli (2000), o G.R. deve ser capaz de realizar o pontapé de baliza e sair a jogar com as mãos e com os pés. Este autor refere ainda que em termos de predisposição para as acções técnicas, o guarda-redes deve aprender que tem de existir um encadeamento de acções. Se, por exemplo, o G.R. realizar um encaixe, depois tem de iniciar a acção ofensiva através do uso das mãos (lançamento) ou dos pés, jogando curto ou longo.

Neste sentido, o estudo de Sainz de Baranda et al. (2005b) refere a importância das acções técnicas ofensivas em jogo, na actualidade têm cada vez maior preponderância no jogo do G.R., pelo que devem figurar na planificação do treino, a par das acções técnicas defensivas. A utilização das mãos está sendo substituída pouco a pouco pelos pés: o domínio da bola com os pés é imprescindível para o G.R. no futebol actual. Muitos guarda-redes utilizam mais os pés que as mãos, tanto no jogo ofensivo como no defensivo

(Sainz de Baranda & Ortega Toro, 2002).

Gaspar (2009) distingue o leque de competências técnicas em três tipos:

técnicas de distribuição; atributos como jogador de campo (acções ofensivas) e técnicas de intervenção (acções defensivas). Invariavelmente, no Futebol

Moderno, este aspecto terminológico revela a elevada importância da integração do G.R. em todos os momentos do jogo.

Decompõe as técnicas de distribuição:

 Lançamento com a mão: Rasteiro (tipo bowling) e Por cima.

Fig. 1 – Lançamento Rasteiro (Gaspar, 2006).

Fig. 2 – Lançamento por cima (Gaspar, 2006).

 Pontapé longo: “Drop Kick” (a bola «bate» no chão) e “Full Volley” (sem bater no chão).

Fig. 4 – “Full Volley” (Gaspar, 2006).

 Pontapé de baliza.

Fig. 5 – Pontapé de baliza (Gaspar, 2006).

Apresenta os seguintes atributos como jogador de campo:  Reacção.

 Recepção.

 Passe curto e passe longo.

Subdivide as técnicas de intervenção:

 Recepção: Bolas baixas; Bolas picadas; Bolas Médias; Bolas altas e Bolas acima da cabeça.

Fig. 6 – Recepção de bolas baixas (Gaspar, 2006).

Fig. 7 – Recepção de bolas médias (Gaspar, 2006).

Fig. 9 – Recepção de bolas acima da cabeça (Gaspar, 2006).

 Quedas laterais: Técnica de queda; Extensões altas; Bolas rasteiras; Mobilidade de pés; Força e explosão e Técnica de levantar.

Fig. 10 – Técnica de queda lateral (Gaspar, 2006).

 Punhos/Soco: Com um punho; Com dois punhos.

 Sacudir/Sapatadas: Por cima dos postes; Pelo lado dos postes.

 Cruzamentos: Técnica de recepção; Timing; Trabalho de pés; Alcance e Zona de Recepção.

Fig. 12 – Técnica de recepção (Gaspar, 2006).

 Um contra Um: Estilo de ataque e Como decidir (antes do remate, durante ou após).

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