VI- La grande cause de la culture et de l’identité
2- La Palestine à l’Unesco, histoire d’une admission
Dentro de uma formação há sempre lugar para novas formações Cunha, 2008, p. 35
Quando coloquei este ponto no meu projecto de formação individual não tinha muito claro na ideia quais as dúvidas a que me referia, isto é, não podia precisar que dúvidas me iriam surgir ao longo deste processo. O meu objectivo foi não deixar escapar oportunidades de fazer perguntas a todo e qualquer interveniente do processo ensino e aprendizagem, não descartar opiniões, fossem elas de quem fossem, e não descartar situações que me fizessem crescer enquanto profissional.
“Quando uma pessoa deixa de perguntar, ela deixa de aprender, deixa de crescer.” Cury, 2004, p. 130
Hoje não sou capaz de relatar todas as perguntas que fiz nem consigo dizer todas as situações que me ensinaram algo (até porque foram quase todas). No entanto posso afirmar com toda a segurança que aprendi algo com todas as pessoas com quem interagi este ano. Como já deixei claro, no ponto 4.4.1., não entendo o desenvolvimento profissional apenas como o
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desabrochar de competências na sala de aula, no pavilhão, mas antes por toda a aprendizagem que o Professor alcança no seu local de trabalho, a escola. Segundo Estrela (1987:55, citado por Albuquerque, Graça, & Januário, 2005; p.25), “competência é o conjunto de conhecimentos, saber - fazer e atitudes a desenvolver no Professor em situação de ensino”.
Um exemplo claro. O seguinte excerto refere-se ao final da 2ª ficha de avaliação que eu realizei na minha turma, na aula 67 e 68. Como não tinha sala disponível tive que utilizar o espaço da biblioteca. Um aluno que demora sempre muito a entregar os testes ficou para último e eu encontrava-me ao seu lado:
“(…) a experiência de estar na pele de um Professor deu-me mais uma pequena lição. Ao falar com o Mário sentei-me, inconscientemente, na mesa adjacente à dele, e, passado um tempo curto, reparei nisso e apressei-me a sair, uma vez que não é um bom exemplo. No final do dia o Encarregado, o Sr. Ilídio, chamou-me a atenção precisamente para isso. Num curto espaço de tempo tive um pequeno mau comportamento que não passou em claro, mostrando-me que, enquanto Professor, devo ter sempre cuidado com os meus actos. Mal ou bem sou um exemplo para os alunos. Foi uma coisa quase sem importância, mas que acaba por ser muito importante.” (p. 2).
Um momento óptimo para eu crescer como profissional. O Sr. Ilídio, coordenador dos assistentes operacionais, funcionário respeitadíssimo pela comunidade escolar, não deixou passar em claro um pequeno aspecto que se calhar hoje, erradamente, pouca importância se lhe atribui. É uma pessoa cuja experiência na escola está anos-luz à minha frente, logo eu só podia acatar com toda a humildade e agradecimento o conselho prestado. Um Professor é um exemplo, não pode cometer este tipo de erros básicos. Que moral tenho eu, agora, para dizer a um aluno para não se sentar em cima da mesa? E se o Sr. Ilídio não me chamasse a atenção? Voltaria a cometer esse erro? Tenho a certeza que aquele momento marcou o meu estágio, não apenas pela situação em si, e o que eu aprendi com ela, mas também pela moral da história, e pelo sinal que me foi dado. A moral da história é facto de o Professor ser um Professor em tudo o que faz na escola. É um exemplo em todas as suas
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acções e está sempre a ensinar, por vezes sem se aperceber. O sinal foi o despertar os sentidos para todas as vias possíveis de aprendizagem. Quando menos se espera, e de quem menos se espera, surge uma lição que nos faz aprender, crescer, e é minha obrigação estar atento a isso. O Professor cresce de várias formas, aumentando o seu conjunto de conhecimentos mesmo quando não está à espera.
Como é óbvio eu próprio também coloquei muitas dúvidas a muitos membros da comunidade escolar e participei em muitas conversas entre Professores, a maior parte das vezes apenas como ouvinte, absorvendo tudo o que podia.
Aprendi muitas coisas, umas mais específicas da Educação Física, outras mais latas, referentes à Educação, ouvi muitas opiniões diferentes. Mas a lição mais importante que aprendi - resultado de tudo o que aprendi este ano - foi que não há consenso em relação a nada, no que toca à Educação. Cada Professor tem as suas crenças, tem as suas experiências - que valem tanto mais quanto mais reflectidas forem - cada disciplina tem a sua perspectiva sobre a escola e a educação, cada escola tem as suas particularidades, cada aluno apresenta capacidades e dificuldades diferentes. Ribeiro (1989) afirma que “não há fórmulas de ensino aplicáveis pelos Professores em todas as circunstâncias e a todos os alunos; não há métodos aplicáveis a todos os contextos, em qualquer momento e sobre quaisquer condições; não há teorias da educação, princípios de aprendizagem, tecnologias de ensino universalmente aceites das quais se possa derivar um único perfil de Professor adequado em quaisquer circunstâncias.
Por consequência, o Papel do Professor consiste em escolher, de uma enorme variedade de alternativas, pressupostos sobre valores, princípios científicos e procedimentos técnicos e em estar apto a justificar as suas decisões, de acordo com as circunstâncias concretas do ensino no momento e no local em que exerce as suas funções docentes.” (p. 82).
Assim torna-se imprescindível que uma escola seja uma organização bem organizada, com uma boa comunicação interna e externa. Os alunos vão
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continuar a ser diferentes, as opiniões vão continuar a ser distintas, as disciplinas vão continuar a marcar o seu território, as suas crenças e as suas metodologias. A escola é assim mesmo, complexa. O que importa é que cada um saiba qual a sua posição lá dentro e qual o seu trabalho, conseguindo resolver os problemas que lhe surgem, sempre com o objectivo central que é Educar e com o objectivo de ensinar a sua disciplina. Quanto à complexidade, ela é ultrapassada com o trabalho em grupo.
“O comportamento de uma equipa só será eficaz e rentável quando todos os seus membros compreendem e aceitam de modo responsável as decisões tomadas, no sentido de melhorar o seu desempenho. O grau de coesão de uma equipa aumenta com a melhoria da percepção, de todos os seus membros, de quais as tarefas e responsabilidades que lhes cumprem no colectivo.”
Araújo & Henriques, 2005, p. 36
Uma escola é uma equipa. Quanto melhor definidos estiverem os objectivos gerais, quanto mais claras forem as tarefas de cada um e quanto melhor for a comunicação entre os seus elementos, todos eles, mais fácil será lidar com as complexidades e dificuldades que o trabalho impõe. Uma equipa cujos elementos trabalhem de costas voltadas não conseguirá atingir os seus objectivos, por mais fácil que o trabalho seja. É Preciso que todos remem no mesmo sentido, conseguindo subir contra a corrente, se for necessário.