2. L’ENJEU DES PUBLICATIONS SCIENTIFIQUES
2.2. L ES PUBLICATIONS SCIENTIFIQUES AU PRISME DE L ’ ÉVALUATION
No ano lectivo 2005/2006 frequentaram o 12.º ano de escolaridade, nas três escolas secundárias públicas de ensino regular, da cidade em estudo, no regime diurno, um total de 818 alunos.
Responderam ao inquérito (Anexo B) sessenta e oito (68) alunos. Este número, conforme já apontamos anteriormente, corresponde a 14% dos alunos com explicação. O predomínio feminino é evidente: 61,7% dos inquiridos corresponde ao sexo feminino e 38,2% ao sexo masculino.
Em relação à idade, a população inquirida situa-se entre os 17 e os 21 anos, estando a maioria entre os 17 e os 18 anos (33,8% e 38,2% respectivamente); 19,1% situa-se nos 19 anos e 8,8% nos 20 anos ou mais.
Relacionando a idade com o nível de escolaridade, os dados recolhidos indicam- nos que a maioria dos alunos nunca reprovou.
Quadro III - Composição dos alunos inquiridos por sexo e idade Sexo Idade n % n % Feminino 42 61,7% 17 23 33,8% Masculino 26 38,2% 18 26 38,2% 19 13 19,1% 20 ou + 6 8,8%
Considerando o agrupamento do ensino secundário a que pertencem os alunos inquiridos, os dados evidenciam que a maioria, 76,4%, pertence ao Agrupamento Científico-Natural. Em posição intermédia surge o Agrupamento Económico-Social (13,2%) e, por último, as Artes (10,2%).
Quadro IV - Composição dos alunos inquiridos por agrupamento
Agrupamento n %
Científico-Natural 52 76,4%
Económico-Social 9 13,2%
Artes 7 10,2%
Não obstante todos estes alunos terem explicações a Matemática, estes dados estão de acordo com a situação encontrada no mercado das explicações, no contexto de estudo, como iremos mais à frente constatar.
No que se refere às habilitações dos Encarregados de Educação destes alunos, através dos dados dos inquéritos por questionários referentes a 64 pais e 65 mães, constatámos que o nível de escolaridade dos pais é bastante elevado.
2% 16% 8% 11% 17% 3% 32% 6% 5% s/ diploma 4.ªclasse 2.º ciclo 9.º ano 12.º ano Bacharelato Licenciatura Mestrado Doutoramento
Gráfico 1- Grau de instrução dos pais
3% 3% 14% 17% 11% 3% 39% 5% 5% s/ diploma 4.ªclasse 2.º ciclo 9.º ano 12.º ano Bacharelato Licenciatura Mestrado Doutoramento
Gráfico 2- Grau de instrução das mães
32% dos pais e 39% das mães possuem licenciatura, 6% dos pais e 5% das mães têm mestrado; com doutoramento encontrámos uma percentagem de 5% em ambos os progenitores. Quase metade dos pais apresenta formação superior.
Sem a escolaridade obrigatória, encontrámos os seguintes valores: 26% para os pais e 20% para as mães.
Estes dados, ao demonstrarem que, praticamente, metade dos alunos que recorrem a explicações são oriundos de famílias de pais diplomados, confirmam os resultados apresentados por Costa, Ventura e Neto-Mendes em 2003, num estudo intitulado “As explicações no 12.º ano — contributos para o conhecimento de uma actividade na sombra” o qual conclui que a escola da cidade, com uma percentagem mais elevada de pais diplomados, é aquela que regista uma frequência maior de explicações.
A este propósito, Davies (2004) referiu que os alunos que frequentam explicações são, normalmente, oriundos de famílias que reconhecem um grande valor à educação, proporcionando-lhes uma gama variada de actividades, entre elas as explicações. Ireson & Rushforth (2005) também se pronunciaram sobre este assunto afirmando que as famílias percepcionam as explicações como um investimento que terá os seus frutos no futuro.
A situação profissional dos pais/encarregados de educação constitui-se também como um dado complementar no que diz respeito à sua caracterização, o que nos pareceu importante aqui realçar. Entre as mães, destacam-se as mães professoras, que representam 35,3%; segue-se a categoria referente aos empregados de escritório, de comércio e serviços, com 15,3%; as mães domésticas, com 12,3%; 10,7% das mães têm uma profissão liberal. Todas as outras ocupações profissionais não têm expressividade.
Quanto aos pais, o valor mais elevado situa-se ao nível do grupo respeitante aos empresários, administradores e dirigentes de empresas, com 26,5%, seguido, com uma percentagem muito próxima, das profissões liberais, com 15,6%. De salientar que pais professores são apenas cinco, o que equivale a 7,8%.
Não se identificaram nem pais dirigentes superiores do Estado ou de organismo públicos, nem agricultores ou pescadores independentes, nem reformados.
Não pretendendo tirar conclusões, o nível socioeconómico parece ter influência na frequência de explicações.
2.2. Os explicadores
O grupo de explicadores entrevistados foi subdividido em dois subgrupos: o primeiro caracteriza-se por ser formado por indivíduos que dão explicações em casa e, na sua generalidade leccionam em escolas do Ensino Básico e Secundário (e eventualmente Superior) — os explicadores domésticos; o segundo é constituído pelos explicadores públicos que podem ou não, exercer a actividade docente, e que se dedicam à actividade de explicador em centros de explicação.
O primeiro grupo de entrevistados é formado por seis (6) elementos e o segundo, por nove (9), o que perfaz um total de quinze (15) entrevistados.
No primeiro grupo, um dos entrevistados já se encontra reformado embora continue a exercer a actividade de explicador mas, enquanto esteve no activo, sempre exerceu as duas actividades.
Estes profissionais abrangem diferentes áreas científicas, nomeadamente Matemática, Física, Química, Desenho e Geometria Descritiva, e Português.
São todos professores do ensino secundário, com excepção de um que é professor do 2.º ciclo. Verifica-se uma correspondência clara entre o nível de ensino que leccionam nas escolas e o nível de ensino a que se dedicam nas explicações. Apenas um dos professores dá explicações a um nível diferente, isto é, lecciona o 2.º ciclo e dá explicações ao 3.º ciclo e secundário. Mais curioso ainda é o facto de este também ser o único dos entrevistados que é licenciado numa área (Ciências da Natureza) e dá explicações numa outra área (Matemática).
De salientar que dois destes explicadores deram já explicações a alunos universitários, mais especificamente a Física e Latim, mas, no presente ano, não têm alunos deste nível de ensino.
Os profissionais do segundo grupo (explicadores públicos) apresentam formação em áreas científicas diversificadas, tais como Matemática, Ciências, Física, Química, Engenharia e Gestão. Neste caso as disciplinas que leccionam são em maior número, na medida em que um licenciado em Engenharia não se limita a dar explicações de Análise Matemática ou Álgebra, mas também Electromagnetismo ou Computação, entre outras.
No que diz respeito aos níveis de ensino, a situação é muito mais abrangente, verificando-se também uma tendência para o nível secundário e universitário. No entanto, todos os outros níveis de ensino são apoiados.
A caracterização dos entrevistados foi baseada em nove indicadores: idade, sexo, profissão, habilitações académicas, habilitações profissionais para o ensino, situação profissional no sistema educativo, tempo de serviço docente, número de anos em que lecciona explicações (Tabela n.º1 - Anexo E).
Como atrás foi referido, a população entrevistada foi de dois tipos diferenciados: explicadores domésticos e explicadores públicos. Daí nos parecer sensato efectuar a caracterização de cada um dos grupos conseguindo desta forma realçar as suas especificidades e, simultaneamente, compará-las.
A população docente entrevistada, que diz respeito aos chamados explicadores domésticos, corresponde a um total de seis (N=6).
A sua caracterização foi feita ao longo da entrevista, mais concretamente nos pontos n.º1, n.º2, n.º13 e n.º14 (Anexo A).
Quadro V - Distribuição dos explicadores domésticos por sexo e idade
Sexo Idade
n % n %
Feminino 4 66,6% Até 50 3 50%
Masculino 2 33,3% De 50 a 60 2 33,3%
O grupo é constituído por quatro de mulheres e dois de homens. Estes dados confirmam a tendência da profissão docente ser, predominantemente, feminina. A média de idades situa-se nos 58 anos, tendo o professor mais novo 45 anos e o mais velho 77 anos.
Quadro VI - Distribuição dos explicadores ‘domésticos’ por áreas disciplinares, anos de serviço, situação profissional e n.º de anos de exercício da actividade de explicador
Áreas disciplinares Anos de serviço docente Situação profissional Anos de actividade como
explicador
n % n % n % n %
Matemática 3 50% Até 20 anos 1 16.6% PQE 4 66,6% Até 25 anos 0 0%
Física e Química
2 33,3% De 21 a 30 2 33,3% PQZP 0 0% De 26 a 35 1 16,6%
Português 1 16,6% De 31 a 35 2 33,3% PC 1 16,6% De 36 a 45 4 66,6%
Mais de 35 1 16,6% Reformado 1 16.6% Mais de 45 1 16,6%
A caracterização destes entrevistados no que diz respeito às áreas disciplinares evidencia uma supremacia das disciplinas das áreas das ciências (83,3%) relativamente às áreas das letras (16,6%).
A Matemática aparece em primeiro lugar com três explicadores, seguida da Física e da Química com dois, e do Português, com um. Estes dados estão de acordo com uma procura maior das explicações nestas áreas do que noutras.
Quanto aos anos de serviço docente, o intervalo varia entre os 20 anos e mais de 36 anos, situando-se a maioria entre os 21 e os 35 anos. A média situa-se nos 29,8 anos, o que nos demonstra que se trata de professores com uma longa experiência de ensino.
Relativamente à situação profissional, a maioria, 66,6%, é PQE, isto é, Professores do Quadro de Escola; um professor encontra-se já reformado; também apenas um, é professor contratado. De salientar que o professor reformado, quando no activo, pertencia à categoria de PQE. Este parâmetro está associado ao anterior, confirmando que estes explicadores são docentes com qualificação profissional consolidada.
Analisando agora o parâmetro referente aos anos de exercício da actividade como explicador, verificamos que, em todos os entrevistados, o número de anos em que leccionaram explicações é superior ao tempo de serviço docente, donde se conclui que todos iniciaram a actividade de explicador antes de concluírem as suas licenciaturas.
Esta situação não é exclusiva de Portugal. É vulgar os alunos universitários leccionarem explicações. De acordo com Harnisch (1994), no Japão, aproximadamente um terço dos estudantes universitários dava explicações (in Bray, 1999a).
A média de idade relativa à actividade de explicador situa-se nos 36,4 anos, 6,4 anos acima da média referente ao tempo de serviço docente. 66,6% dos inquiridos situa-se no intervalo dos 36 aos 45 anos, e 16,6% no intervalo seguinte, mais de 45 anos, perfazendo estes dois intervalos 83,2% da amostra. Apenas um dos entrevistados, se situa no intervalo entre os 25 e 35 anos.
Quadro VII- Distribuição dos explicadores ‘domésticos’ por grau académico e habilitações profissionais
Grau académico Formação profissional
n % n %
Bachalato 1 16,6% Sem estágio 1 16,6%
Licenciatura 5 83,3% Com estágio 5 83,3%
Mestrado 0 0%
No que diz respeito ao grau académico, a licenciatura prevalece, havendo apenas um professor com bacharelato. De salientar que nenhum destes entrevistados apresenta outro tipo de formação especializada, como sejam mestrados, doutoramentos ou cursos de especialização.
Os dados obtidos ao nível da formação profissional, dizendo este respeito ao estágio pedagógico ou à profissionalização em serviço/exercício, foram idênticos aos dados referentes ao grau académico. Todos os entrevistados com licenciatura têm simultaneamente estágio profissional, o que lhes confere habilitações específicas
para o ensino. O único profissional com bacharelato, não tem qualquer formação específica para o ensino.
Centrando agora a nossa análise no outro grupo de explicadores, que pertencem à categoria por nós definida como explicadores públicos, os entrevistados correspondem a um total de nove (N=9).
A sua caracterização foi feita ao longo da entrevista, mais concretamente, nos pontos n.º1, n.º2, n.º13 e n.º14, como já foi mencionado (Anexo A).
Quadro VIII - Distribuição dos explicadores públicos por sexo e idade
Sexo Idade
n % n %
Feminino 8 88,8% Até 25 2 22,2%
Masculino 1 11,1% De 26 a 35 7 77,7%
Mais de 35 1 11,1%
Como se constata no Quadro VIII, estes profissionais são maioritariamente mulheres, situação esta similar à dos explicadores domésticos, estando o sexo masculino representado apenas por um elemento.
Este grupo situa-se, na sua maioria, entre os 26 e o 35 anos (77,7%), de entre os quais 22,2% apresentam uma idade até aos 25 anos e apenas um se situa na classe de mais de 35 anos. A média das idades é de 25 anos.
Comparativamente ao outro grupo de explicadores analisados, este grupo caracteriza-se pela sua juventude e verifica-se uma discrepância enorme, situando-se nos 30 anos a diferença da média das idades.
Quadro IX - Distribuição dos explicadores públicos por anos de serviço, situação profissional e n.º de anos de exercício da actividade de explicador.
Anos de serviço docente Situação profissional Anos de actividade como explicador
n % n % n %
0 anos 6 66,6% PQE 0 0% 0 anos 2 22,2%
De 1 a 5 anos 1 11,1% PQZP 0 0% Até 5 anos 2 22,2%
De 6 a 10 2 22,2% PC 2 22,2% De 6 a 10 2 22,2%
Mais de 10 0 0% Nenhuma 7 77,7% De 11 a 15 2 22,2%
Mais de 15 1 11,1%
Os dados que constam do Quadro IX mostram-nos que a maioria destes profissionais (66,6%), não tem experiência de ensino uma vez que apresentam zero (0) anos no tempo de serviço docente. Apenas dois apresentam um tempo de serviço superior a 5 anos e apenas um tem um ano de serviço. O valor da média é de 1,8 anos. O tempo de serviço docente está directamente relacionado com a composição etária deste grupo. Estamos na presença de profissionais sem experiência, situação que contrasta com o grupo de explicadores domésticos onde a experiência de ensino é, na maioria, superior a 25 anos.
Estes dados permitem-nos constatar que os recém-licenciados encontram nas explicações uma maneira de fazer face às dificuldades decorrentes da falta de lugares na colocação dos docentes.
No que diz respeito à situação profissional, dois dos entrevistados, são professores contratados. Os restantes sete, que correspondem a 77,7% dos entrevistados, não pertencem a nenhuma categoria. Isto significa que nunca leccionaram no ensino público ou privado.
Também neste parâmetro as discrepâncias entre estes dois grupos de explicadores é muito significativa.
O indicador anos de actividade como explicador mostra-nos que o número de anos de experiência da maioria destes profissionais se situa entre os intervalos de 0 a 15 anos. De salientar que apenas um dos entrevistados apresenta uma experiência superior a 15 anos e que dois dos entrevistados desempenham outras funções que não o ensino, nomeadamente ao nível administrativo e pedagógico. O valor da média
encontrada é de 8,3 anos, aproximadamente quatro vezes inferior à média encontrada no grupo dos explicadores domésticos.
Quadro X - Distribuição dos explicadores públicos por grau académico e habilitações profissionais.
Grau académico Formação profissional
n % n %
Bacharelato 0 0% Sem estágio 4 44,4%
Licenciatura 9 100% Com estágio 5 55,5%
Mestrado 0 0%
O Quadro X revela-nos que 100% da amostra possui a licenciatura como habilitação e que uma escassa maioria possui formação profissional, isto é, estágio ou profissionalização. Esta situação prende-se com a vertente via ensino das licenciaturas. Os restantes são licenciados mas não têm qualquer formação específica para o ensino, situação totalmente oposta ao grupo dos explicadores domésticos.
Como constatámos ao nível da caracterização destes dois grupos, as diferenças são muito significativas, o que, em nosso entender, se irá repercutir no próprio fenómeno das explicações.