3.2.1 Descrição da Área de Mata Nativa
O experimento foi realizado em área, localizada no município de Abelardo Luz, Santa Catarina (Figura 01). A área de mata nativa, com ocorrência de
Araucaria angustifolia, teve as armadilhas dispostas a 26° 31' 18,8832" de latitude
sul e 52° 15' 3,4986" de longitude oeste e elevação de 862 m. O clima da região é classificado como CFb (subtropical úmido), segundo classificação de Köppen (MAACK, 1968). O solo é classificado como Latossolo Bruno Textura Argilosa e o relevo suave ondulado.
Figura 01 – Propriedade de implantação do experimento com a localização das armadilhas na Mata Nativa (MN) e parcelas experimentais de integração lavoura-pecuária (ILP), no município de Abelardo Luz-SC. Fonte: adaptado de GoogleMaps, 2014.
Luz/SC, durante o período experimental, são apresentados na Figura 02. A temperatura média do mês mais quente na mata foi de 22,43 ºC, e a do mês mais frio 13,17 ºC, sendo a máxima registrada em 07 de fevereiro de 2014, com 25,3 ºC, e a mínima de 11,2 ºC em 21 de junho de 2013. A Umidade Relativa média foi de 69,42%. A temperatura média da placa fecal artificial (PAT-artificial) foi de 18,21 ºC (APÊNDICE B).
Figura 02 – Dados meteorológicos observados no período de janeiro de 2013 a abril de 2014, no município de Abelardo Luz-SC. Dados relativos à média diária para cada item, tabulados de hora em hora. PPT = precipitação média diária, T MÉDIA = Temperatura média diária do ar (ºC), T MÁXIMA = Temperatura máxima diária do ar (ºC), T MÍNIMA = Temperatura mínima diária do ar (ºC), UR MÉDIA = Umidade relativa média diária do ar (mm).
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET, 2015).
3.2.2 Instalação de Armadilhas para Coleta dos Espécimens na Mata Nativa
Armadilhas pitfall (Figura 03) constituídas de copos plásticos com 1.200 mL de volume, diâmetro de 14 centímetros e altura de 9,0 centímetros perfuradas no fundo foram utilizadas para a captura dos morfotipos de besouros. Dentro desses, outro copo semelhante, no qual foi colocada uma solução de 250 mL pré-preparada com água, 0,005% de detergente e 4% de formol, a fim de imobilizar e conservar os artrópodos coletados em seu interior. Ao nível do solo foi colocada uma isca (PAT- artificial) depositada sobre a armadilha. O conjunto foi coberto com uma placa de plástico para evitar a desidratação. O PAT-artificial foi composto de um bolo fecal formado pela mistura de 50% de fezes suínas e 50% de fezes bovinas
homogeneizado. O estrume de porco foi usado para tornar a isca mais atraente e aumentar a probabilidade de amostragem da diversidade completa da fauna de escaravelhos (GIRALDO et al., 2011). Esse bolo artificial foi armado sobre uma grade metálica circular concêntrica de 2,0 cm entre os anéis (BEYNON et al., 2012). Optou-se pela redução do diâmetro do PAT-artificial (de 347,5 g para 148,4 g) pois, os besouros caminhavam pela placa e iniciavam a escavação pela parte central. Retornando com a “bolota” por sobre a placa. A placa-fecal velha foi descartada a partir do terceiro mês de coleta, pois uma quantidade insignificante de insetos foram capturados. Esse procedimento reduziu e agilizou a quantidade de material a ser triado.
Quatro armadilhas de solo (pittfall) foram distribuídas em transecto linear na área de mata nativa a 50 metros da bordadura da mesma. As armadilhas foram dispostas no sentido Norte-Sul e espaçadas a dois metros uma da outra. Essas foram revisadas a cada 10 dias, sendo recolhidos os espécimens com o PAT- artificial antigo. O material identificado foi lavado com jato leque sobre uma peneira de malha 2 mm em laboratório. Os insetos foram depositados em frascos plásticos com tampa e álcool 70%, identificados segundo data e posição da armadilha no transecto. A armadilha foi remontada com outro pote contendo nova solução de água, detergente e formol, e coberta com um novo PAT-artificial.
Figura 03 – Armadilha “pitfall”: A) Montagem (a-pote, b-pote furado enterrado, c-grade circular, d-plástico de proteção, e-balde com mistura de fezes); B) Armadilha descoberta; C) Armadilha sem o PAT-artificial; D) Material coletado e pronto para ser triado no laboratório. Abelardo Luz-SC, 2013.
Os insetos foram triados segundo morfotipos de acordo com caracteres morfológicos externos, com uso de lupas, chaves analíticas (RATCLIFFE; JAMESON, 2002), comparação e/ou imagens. Esses morfotipos foram montados e secos em estufa a 36 °C. Em seguida receberam uma etiqueta de coleta, contendo Cidade-UF, data de coleta, número da armadilha, posição da armadilha e nome do coletor.
Os demais exemplares foram contados e separados conforme morfotipo, local e data de coleta em envelopes. Os demais insetos semelhantes aos morfotipos foram triados, contados e acomodados em manta de algodão. Essa manta foi acondicionada em um envelope com data, local de coleta, número da armadilha e o número de insetos coletados, sendo um envelope para cada morfotipo e armadilha.
Complementarmente foram realizadas medições da temperatura do PAT-artificial no momento imediatamente anterior à coleta dos exemplares capturados, bem como temperatura e umidade relativa do ar no horário da coleta.
3.2.3 Análises dos Dados
3.2.3.1 Relações lineares simples e multivariadas
Foi realizada análise de correlação linear simples de Pearson (CARVALHO et. al., 2001) entre as variáveis número de insetos, número de morfotipos, temperatura do ar, da placa e umidade relativa do ar.
Em seguida, utilizando-se a matriz de correlações descrita anteriormente, realizou-se a análise de correlações canônicas (CRUZ; REGAZZI, 1997; HAIR, et al., 1998; MINGOTI, 2007; JOHNSON; WICHERN, 2007), distribuindo-as em dois grupos de variáveis: grupo 1 – número de insetos e de morfotipos e grupo 2: temperatura do ar, da placa e umidade relativa do ar, para verificar qual (is) variável (eis) de ambiente determina (m) o número de insetos e/ou morfotipos.
homogeneidade de variâncias, linearidade e multicolinearidade; as correlações lineares simples de Pearson e as correlações canônicas foram realizadas utilizando- se o aplicativo computacional estatístico Genes (CRUZ, 2013).
3.2.3.2 Análises faunísticas
Os dados coletados foram tabulados conforme data, local de coleta, número de morfotipos e de insetos; e, também, conforme o morfotipo coletada e sua ocorrência.
Para realização da análise faunística foram utilizados os dados obtidos na Mata Nativa, no período de 26 de abril de 2013 a 22 de abril de 2014, num total de 36 coletas.
Utilizando-se os dados de número de insetos e de espécies das 36 coletas foi realizada análise faunística, na qual foram calculados: dominância pelo método de Sakagami & Laroka, abundância, frequência, constância, índice de diversidade de Sannon-Weaner, índice de diversidade de Margalef e índice de uniformidade ou equitabilidade.