III- QUELLE GOUVERNANCE ? LA NÉCESSAIRE FLEXIBILITÉ
2. L’information du public
Imagem 18: O rastro da morte que a Suzano não conseguiu eliminar, o antigo cemitério do Povoado Bacaba. As lembranças de um passado não esquecido, de entes e parentes das comunidades locais. “Inscrição para um portão de cemitério - Na mesma pedra se encontram, Conforme o povo traduz, Quando se nasce – uma estrela, Quando se morre – uma cruz.”. Mas quantos que aqui repousam Hão de emendar-nos assim: “Ponham-me a cruz no princípio”… E a luz da estrela no fim! ”” Mario Quintana. Fonte da fotografia: Adaildo Pereira dos Santos. Julho/2014.
“Rastejando que nem cobra pelo chão”, de forma silenciosa, o Grupo Suzano, adquiriu terras nos Povoados da Estrada do Arroz, identificando pessoas chaves que são profundos conhecedores da geografia da região, qualidade das terras, e que tinham uma ampla popularidade local. Através dessas pessoas e, claro por meio de um eficiente serviço de corretagem, e ainda com apoio massivo do poder publico local, foi possível açambarcar a maioria das terras da região.
Entrevistadora: Como está essa aquisição de terras na região? Como a Suzano está adquirindo toda essa quantidade de terras?
Entrevistado: Há foi muito fácil pra ela. Foi dado de bandeja. Por que ? O Seu Francisco Leite, não foi dos primeiros moradores não, mas foi o que chegou quase junto com os primeiros. E era uma pessoa, muito esperta, conhecedora das áreas conhecia todo mundo, bem relacionado, papo de vender essa cadeira aqui como se ela tivesse sido feita de ouro. Então, o que a Suzano fez quando chegou: Foi diretamente nele. Foram na casa do seu Viana, conversaram, mas perceberam que aquela pessoa não dava para aquilo, foi na casa do pai, que foi o primeiro que chegou na matança, foi que começou fazer a abertura do povoado, tem muito conhecimento mas é aquele conhecimento de roça, de comunidade assim, mas não tem aquela articulação para conversar com o cara, para chegar no cara da fazenda e dizer, olha tal. Então, o certo, foi nesse Francisco leite. Francisco Leite conhecedor
de toda essa região, de todos os fazendeiros, de todos os produtores, a área naquele tempo, um alqueire era vendido a cinco mil reais, 4, 5 mil, a Suzano chegou com uma proposta de dez, as vezes o cara tinha área no varjão, na juquira ou gramada. Ela não queria saber como tava, ela tinha o preço de dez. Mas se tivesse feito, cerca, bem gramadinha, nós paga mais, paga 12 paga 15, dependendo do tamanho da área. Aí foi assim, seu Francisco foi em cada produtor diretamente, junto com o Vasco, que era o corretor da Suzano, ele chegava no produtor e jogava a proposta e o cara ficava pensando, tu pode pesquisar uma área por fora, que as áreas mais cara, mas é terra feita, terra boa gira em torno de 10, 8 mil reais o aqueire também, então o cara pensava minha terra é cinco, vou vender ela por dez mil, vou comprar uma já feita, por que quem trabalha na terra sabe a dificuldade de fazer uma terra, fazer uma aárea para plantar e criar não é fácil. Então o cara, vou vender essa daqui e vou comprar outra. E assim foi feito. Aqui no Imbiral, os caras tinha terra lá, os fazendeiros, compraram essas terras e foram para o rumo dos assentamentos comprar terra. Aí foi assim comprando de um por um (IMPERATRZ/MA, SETEMBRO, 2013).
Como demonstra a fala acima, não foi com grande dificuldade que a empresa se estabelece na região, muito pelo contrário. Essa ação da Suzano pode ser classificada como modernos cercamentos dos camponeses, pois o fazem sem uso de violência física50, mas por meio de uma violência psicológica, permanente e avassaladora, que antes mesmo dos atingidos se darem conta, já estão sem suas posses, fora de seus territórios de convivência e sem os meios materiais para sua reprodução.
Hoje os que venderam de 12 (mil) tão morto de arrependido porque depois que ela comprou em volta de todo mundo, ela começou a aumentar o preço, aí já foi 20, já foi 30, 40 e aí foi aumentando, até fechar área que eles queriam. Hoje para vocês terem uma ideia da estrada do arroz até no rio, eles compraram todas as áreas. Só de uma fazenda do Waldimar foi 400 alqueire. E em volta da fábrica até na BR, eles compraram também que era do Sabino. Compraram tudo (IMPERATRZ/MA, SETEMBRO, 2013).
O grupo Suzano, como legítimos representantes do capital, fingem desconhecer a região de instalação do empreendimento e produz provas de sua inexistência ou materialidade, através de levantamentos socioeconômicos e relatórios de levantamento ambiental. Podemos verificar no trecho de um documento denominado “cadastramento socioeconômico”, a respeito da mencionada comunidade:
50 Sobre o processo de instalação da empresa Suzano na região leste maranhense ver: PAULA ANDRADE,
Maristela de. Conflitos Socioambientais no Leste Maranhense- problemas provocados pela atuação da Suzano Papel e Celulose e dos chamados Gaúchos no Baixo Parnaíba. Relatório de Pesquisa São Luís-MA, Universidade Federal do Maranhão Centro de Ciências Humanas Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais. Grupo de Estudos Rurais e Urbanos. Disponível em www.abant.org.br/file?id=871. Acesso em 25/07/2013.
De acordo com os dados obtidos no cadastro socioeconômico da comunidade de Bacaba [...], a atividade agrícola é inexistente no local, sendo ainda realizada por poucos moradores em pequenos cultivos nas áreas de quintal. A mão de obra empregada é familiar e o volume de produção é baixo e destinado em sua maior parcela, para consumo, ratificando assim um perfil de agricultura familiar de subsistência (SUZANO, 2011, p.83).