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7- L’Association des Maires du Congo (A.M.C.)

Conforme as seções anteriores deste Capítulo, pudemos averiguar que os ipesianos ocuparam muitos CPFs de alta relevância após o golpe de 1964. 36 dos 118 do N total tiveram

seu primeiro CPF após a troca de regime político, ou seja, não tinham carreira pública federal prévia. Essa afirmação abre espaço para a ideia de que houve uma colonização do Estado pós-1964 por esses ipesianos que não tinham carreira prévia. No entanto, é importante analisarmos qual o tempo que permaneceram nesses cargos. Iniciaremos com o quadro geral, com a Tabela 27, que nos auxiliará a compreender melhor qual foi a extensão da ocupação dos cargos de todos os ipesianos, dividindo por período de saída do último CPF ocupado na carreira pública federal de todos os 118.

Tabela 27 - Período de saída do último CPF da carreira

Período de Saída N %

Governo Castelo Branco 14 11,86%

Governo Costa e Silva 24 20,33%

Anos 1970 20 16,94%

Anos 1980 15 12,71%

Redemocratização 8 6,77%

Sem Informação76 37 31,35%

Total 118 100%

Fonte: elaborada pelo autor.

A Tabela 27 indica que embora grande parte dos ipesianos tenha encerrado sua carreira pública federal dos anos 1970 em diante (43 indivíduos, totalizando 36,44% do N), uma parcela igualmente relevante saiu de seu último CPF na carreira no governo Castelo Branco ou no Governo Costa e Silva, somando, entre os dois, 38 ipesianos (32,20% do N). Portanto, estes indivíduos desapareceram da estrutura pública federal em um período relativamente pequeno na ditadura civil-militar, se comparado com os outros períodos da Tabela 27: no máximo em 1969. Ou seja, até 5 anos após a mudança do regime político.77 Nesses casos, não há como afirmar que houve colonização do Estado pós-1964. Não houve, portanto, perenidade na ocupação de CPFs por parte desses indivíduos após o golpe de 1964.

76 Os dados da Tabela 27, bem como os da Tabela 28 e da Tabela 29 sobre os quais não se tem informação se devem ao fato de que na busca pelos CPFs ocupados pelos indivíduos de nosso N em fontes primárias e secundárias não foi possível confirmar com precisão o ano de saída do último CPF ocupado após o golpe de 1964 ou que não encontramos o ano, embora haja menção da ocupação do cargo e, portanto, uma data ou ano de entrada.

Talvez pudéssemos argumentar que houve a colonização se esses ipesianos apresentassem ocupação de CPFs de qualquer outro tipo posteriormente, mesmo que fossem os menos relevantes de nossas categorias (tipo 4 e 5, por exemplo). Entretanto, não foi o caso. O que houve foi uma interrupção burocrática na carreira pública federal78 desses ipesianos, ou seja, não houve continuidade da sua influência direta a nível federal.

Após esse quadro geral, trabalharemos com um recorte mais específico. Já referimos que 36 dos 118 ipesianos tiveram seu 1º CPF após o golpe. Por outro lado, 82 ipesianos ocuparam seu primeiro CPF antes do golpe de 1964, o que indica, portanto, carreira pública federal prévia. Nesse sentido, podemos dividir o ano de saída do último CPF ocupado por esses indivíduos por períodos, conforme a Tabela 28.

Tabela 28 - Período de saída do último CPF da carreira de quem ocupou o 1º CPF antes do golpe

Período de Saída N %

Governo Castelo Branco 9 10,97%

Governo Costa e Silva 19 23,17%

Anos 1970 17 20,73%

Anos 1980 5 6,09%

Redemocratização 6 7,31%

Sem Informação 26 31,70%

Total 82 100%

Fonte: elaborada pelo autor.

A Tabela 28 mostra que os indivíduos que ocuparam seu primeiro CPF antes do golpe de 1964, em sua maioria, tiveram carreira pública federal encerrada no Governo Costa e Silva, mas muitos também tiveram seu término nos anos 1970. No caso de término nos anos 1970, 1980 e na redemocratização, tratam-se de carreiras públicas federais longevas, pois iniciaram antes do golpe de 1964, seja pouco antes ou muito antes, nos anos 1950, 1930 ou mesmo mais cedo.79 No entanto, a maior parte dos ipesianos desse corte encerrou sua carreira pública

78 Não foi objetivo desta tese trabalhar com cargos públicos estaduais ou municipais. Tampouco elencamos cargos privados ocupados pelos ipesianos ao longo de sua carreira. Portanto, é possível que esses indivíduos tenham focado em outras esferas sua carreira pública ou concentrado esforços na carreira privada.

79 Aqui, há uma questão geracional importante. É possível que muitos ipesianos que ocuparam seu primeiro CPF antes do golpe de 1964 já tivessem idade avançada nesse momento, e o término de sua carreira pública federal até o governo Costa e Silva pode ser explicado dessa forma. No entanto, o mesmo valeria para os que tiveram

federal entre o governo Castelo Branco e o governo Costa e silva, somando 28 indivíduos dos 82 do recorte e representando 34,14%. Portanto, para essa parcela, tratou-se de uma interrupção burocrática de sua carreira pública federal. Ao mesmo tempo, podemos concluir que 28 indivíduos encerraram sua carreira dos anos 1970 até o período da redemocratização, ou seja, metade dos indivíduos com informação. Trata-se, portanto, de uma dinâmica entre interrupção burocrática e carreiras longevas que, no entanto, não podem configurar colonização do Estado por terem sido iniciadas antes do golpe de 1964.

Como já referimos, 36 dos 118 ipesianos tiveram seu 1º CPF após o golpe. Desses 36 que tiveram primeiro CPF após o golpe, o que poderia significar uma colonização do Estado pós-1964, em função, principalmente, da proximidade com essa mudança de regime na ocupação de seu primeiro CPF, inaugurando sua carreira pública federal, podemos observar o seguinte em relação a seus períodos de seu último CPF, conforme Tabela 29.

Tabela 29 - Período de saída do último CPF da carreira de quem ocupou o 1º CPF após o golpe

Período de Saída N %

Governo Castelo Branco 5 13,88%

Governo Costa e Silva 5 13,88%

Anos 1970 3 8,33%

Anos 1980 10 27,77%

Redemocratização 2 5,55%

Sem Informação 11 30,55%

Total 36 100%

Fonte: elaborada pelo autor.

Como podemos observar, 10 dos 36 indivíduos tiveram uma carreira pública federal muito pequena, pois findaram até o governo Costa e Silva. Por outro lado, a maioria dessas carreiras (10, representando 27,77%) terminou nos anos 1980, antes da redemocratização. Portanto, podemos concluir que os indivíduos que tiveram seu primeiro CPF ocupado após o golpe de 1964 passaram por uma síntese de interrupção burocrática e, neste caso, de colonização do Estado pós-1964. Efetivamente, aqui caberia o uso desse conceito, pois as

carreira pública federal pós-golpe longeva, como os indivíduos que a concluíram dos anos 1970 em diante, como já foi referido.

carreiras públicas federais desses ipesianos iniciaram após o golpe de 1964 e foram longevas, configurando uma ocupação perene de posições no aparato estatal federal.80

Aqui, também podemos referir uma questão geracional importante, conforme dados da Tabela 29, pois é mais provável que uma carreira pública federal que iniciou após o golpe de 1964 seja mais longeva do que uma que iniciou antes. Portanto, esses dados devem ser relevados, nesse sentido.

Conclui-se, portanto, que para os indivíduos que ocuparam seu primeiro CPF antes do golpe de 1964 houve uma dinâmica entre interrupção burocrática e carreiras mais longevas, que não podem ser consideradas casos de colonização do Estado pós-1964 justamente pela existência de carreiras públicas federais prévias para esses indivíduos. Além disso, para os ipesianos que ocuparam seu primeiro CPF após o golpe de 1964, houve uma síntese entre interrupção burocrática e colonização do Estado pós-1964, se não levarmos em conta os tipos de CPFs ocupados nesse período, pois parte dos indivíduos teve sua carreira pública federal interrompida e parte teve uma carreira longeva.

3.6. A COLONIZAÇÃO DO ESTADO EM PERSPECTIVA: AS DINÂMICAS DAS

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